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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma estratégia de apologética bíblica

Nossa estratégia de apologética bíblica parte do reconhecimento que o cristianismo é o único sistema dedutivo com um princípio primeiro autoconsistente e autojustificável que foi infalivelmente revelado por um Deus onipotente e onisciente e que é amplo o bastante para produzir um número suficiente de proposições para uma cosmovisão autoconsistente e abrangente. O cristianismo é a única cosmovisão verdadeira, e somente ele torna o conhecimento possível. Todos os demais sistemas de pensamento desmoronam no ceticismo filosófico, mas como o ceticismo é autocontraditório [pois alega saber que não podemos saber nada], não é possível alguém permanecer nessa condição, e o cristianismo é a única saída do abismo epistemológico.

(...)

Entre outras coisas, uma estratégia bíblica de apologética desafia os não cristãos a serem consistentes com suas próprias cosmovisões e pressuposições explícitas, exigindo que parem de usar pressuposições bíblicas na construção dos seus sistemas. Porque os não cristãos não podem fazer isso, seus edifícios intelectuais colapsam em ceticismo autocontraditório. A única saída é o arrependimento pela sua tolice e pecaminosidade, e a conversão. Essa estratégia de argumentação será bem sucedida não apenas contra filosofia seculares, mas também contra todas as cosmovisões religiosas não cristãs.

A questão de como é possível uma pessoa conhecer alguma coisa [epistemologia] é suficiente para demolir qualquer cosmovisão não cristã. A menos que a pessoa afirme um conjunto abrangente de doutrinas bíblicas cobrindo todos os aspectos da vida e do pensamento – isto é, a menos que ela firme uma cosmovisão bíblica completa – pode-se facilmente demonstrar que suas crenças são injustificadas, arbitrárias e inconsistentes. É possível que o não cristão nem saiba qual é o princípio primeiro ou autoridade última da sua cosmovisão, mas o apologista cristão pode chegar ao seu conhecimento fazendo as perguntas certas. Isso envolverá provavelmente perguntas diretamente relacionadas ao tópico em discussão, seja ele qual for e questões relacionadas àquilo que o não cristão pensa sobre assuntos últimos (como metafísica e epistemologia), que incluirão questões sobre como o não cristão tenta justificar suas crenças.

(...)

Por derivar do conteúdo e autoridade da Escritura, esse método de argumentação possibilita até mesmo uma criança educada em teologia cristã humilhar completamente os maiores filósofos e cientistas não cristãos.

Vincent Cheung, em Questões Últimas

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

The God delusion debate - Dawkins vs. Lennox


Para quem ainda não conferiu este debate entre os dois professores de Oxford, Dawkins e Lennox, vale a pena conferir. Como os arquivos de vídeo e legenda não estão mais disponíveis para download, segue o debate completo aqui mesmo.



Deus, Um Delírio: O Debate - Richard Dawkins & John Lennox
https://vimeo.com/9545016

Créditos: Deus em Debate

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Cristo, nossa Razão - Razão, nossa arma

A Bíblia nos diz que Cristo é o Logos de Deus –– isto é, Ele é a Palavra, a Sabedoria, a Lógica, ou a Razão de Deus (João 1:1). Portanto, todo aquele que rejeita Cristo, rejeita a própria razão. Aqueles que atacam o Cristianismo lutam contra a Razão, assim, que nunca seja dito novamente que os incrédulos empregam a razão ou a lógica para desafiar o Cristianismo –– isto nunca acontece. Antes, sua estratégia é atacar nossa fé com afirmações e especulações irracionais e sem garantia. Por outro lado, Cristo é o nosso campeão, e a Escritura/Razão é a nossa arma.

Os não-cristãos reivindicarão que a Razão pertence a eles, e isto confunde muitos cristãos mal-informados. Mas, como ilustramos acima, embora eles possam tentar colocar a Rocha da Razão em seus ombros, e proclamá-la como seu Deus e eles como os seus servos, eles não podem arcar com as suas demandas, e, no final das contas, a Rocha sufoca e esmaga-os. Eles deslizam por debaixo delas [as demandas] e tentam se escusar delas e redefini-las. Então, eles concordam com a idéia de que eles podem, juntos, remendar uma bola gigante de estrume e chamar esta de Razão e Lógica –– ela é muito mais leve, e certamente ninguém notará! Mas, o apologista bíblico esmagará tanto eles como a sua bola de estrume com a Rocha da Razão, da qual eles tentam tão duramente escapar.

Eu tenho usado Sinnott-Armstrong e Zarefsky somente como exemplos, mas todos os outros pensadores não-cristãos são da mesma forma fracos mentalmente. Se ele for Michael Martin, Kai Nielsen, ou qualquer outro não-cristão do passado ou presente, não faz diferença. Seu irracionalismo está necessariamente relacionado com sua rejeição da cosmovisão bíblica; qualquer pessoa que brinca com estrume federia. E, visto que sua forma de argumentação não é apenas praticada sem conhecimento, mas deliberadamente e sistematicamente ensinada aos seus estudantes, as gerações futuras de não-cristãos podem somente se tornar cada vez piores.

Isto nos trás a um ponto importante mencionado no começo. Mesmo uma criança pode derrotar estes professores não-cristãos num debate? Elas certamente podem, se elas forem apropriadamente treinadas por seus pais e pastores. Deus já fez de todos os incrédulos tolos (1 Coríntios 1:20), e Ele se deleita em usar as coisas humildes para humilhar as orgulhosas (v. 28). Embora todos devamos participar, quem melhor para embaraçar os eruditos não-cristãos do que as crianças, os mentalmente incapazes e os sem-educação? Mas, para terem sucesso, eles devem abraçar a Cristo como sua Razão e eles devem afirmar toda a Escritura como revelação de Deus. Assim, eles devem ser ensinados de maneira apropriada.

Pais, ensinem a seus filhos teologia sistemática e apologética bíblica. Vocês devem começar tão logo eles comecem a entender o nosso idioma. Treine-os a pensar biblicamente e logicamente. Desde o começo de suas vidas, ensine-os a estimar o que Deus estima, e a desprezar o que Deus despreza.

Pastores preguem sobre a tolice dos incrédulos –– exponha-os! Use-os como exemplos públicos e mostre ao seu povo como os demolir racionalmente e reduzi-los a nada. Você encontrará os piores argumentos até mesmo nas melhores obras deles. Transmita ao seu povo a destreza, o conhecimento e a confiança que eles necessitam para enfrentar os incrédulos e vencer. Nosso objetivo é a total humilhação e aniquilação da erudição não-cristã; nosso propósito é golpear as suas costas e esmagar a sua cabeça com a Razão até que se curvem diante do trono de Cristo. Para fazer isto, devemos labutar para levantar um exército de apologistas bíblicos, capazes de demolir qualquer não-cristão num debate, num piscar de olhos.

Certamente, alguns de vocês ainda estão hesitantes; vocês ainda estão algemados pelos padrões do discurso e conveniência social que os não-cristãos impuseram sobre vocês. Este é um mecanismo de defesa que eles instalaram em suas mentes para se protegerem contra a Razão. Parem de ser estúpidos! Parem de ser fracos! Parem de lisonjear e romancear aquilo que Deus condenou. Ao invés disto, estejam em linha com o método bíblico e o tom da proclamação e defesa do evangelho. Levantem-se e tomem seus lugares no exército de Deus, e lutem por Sua causa.

Autor: Vincent Cheung
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Extraído do excelente texto Idiotas Profissionais, do site Monergismo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O uso da lógica por Paulo

LógicaTalvez o exemplo mais famoso do uso de raciocínio dedutivo num argumento ad hominem por Paulo seja, sem dúvida, 1 Coríntios 15:

"Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
"

Nessa passagem brilhante Paulo deduz várias conseqüências a partir da visão dos seus oponentes de que não existe ressurreição. Ele está tentando fazê-los enxergar as implicações lógicas da visão deles, e assim persuadi-los que tal visão é falsa. Aqui estão as implicações que ele extraí da proposição que não existe ressurreição.


1. Cristo não ressuscitou.


2. Nossa pregação é falsa.


3. A fé de vocês é fútil.


4. Somos falsas testemunhas.


5. Vocês ainda estão em vossos pecados.


6. Aqueles que já morreram pereceram em seus pecados.


7. Somos os mais miseráveis de todos os homens.


Algumas dessas conseqüências ele deriva por inferência imediata; outras por argumentos extensos chamados sorites,¹
que têm mais de duas premissas. A lógica de Paulo era impecável, assim como a de Cristo.² Sem dúvida, se existisse algum neo-ortodoxo ou coríntio vantiliano lendo a carta, eles teriam replicando a Paulo dizendo que a lógica dele não era a lógica de Deus, que a fé deve refrear a lógica, e que não podemos ser responsabilizados pelas implicações lógicas das nossas visões. Talvez até chamariam Paulo de racionalista, que ímpia e arrogantemente desdenha dos mistérios do Reino de Deus e se coloca acima dos seus irmãos. Mas Paulo não tinha paciência com o Mistério ou Paradoxo Teológico; ele escreveu como foi instruído pelo Espírito Santo.

Fonte:
Monergismo. Extraído do artigo The Apologetics of Jesus and Paul, John W. Robbins, The Trinity Review, May-June 1996.3. Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto.

1
O dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa define sorites da seguinte forma: “Polissilogismo no qual o atributo da primeira proposição se torna sujeito da segunda, o atributo da segunda, sujeito da terceira, e assim sucessivamente, e no qual a conclusão une o sujeito da primeira e o atributo da última”. (N. do T.)
2 No texto original, o autor acabara de falar sobre a apologética e lógica de Jesus. (N. do T.)

3
http://www.lgmarshall.org/Apologetics/robbins_apoljesuspaul.html

terça-feira, 1 de julho de 2008

A verdade e o conhecimento relativo

Nessa semana conversei com um juiz de direito. Ele disse que não acreditava na verdade absoluta. Eu disse que não acreditava na verdade relativa. Ele argumentou que o grande erro da humanidade foi a busca da verdade absoluta. Eu contra-argumentei dizendo que o erro não foi a busca em si, mas a forma como fizeram a busca. Ele citou Platão. Eu usei Aristóteles.

Ele partiu do pressuposto de que frente a determinado fato, ocorrido no passado, o juiz não busca a verdade real, mas, simplesmente, indícios do que realmente ocorreu, posto que, conforme afirma, a verdade do fato exauriu-se logo após o seu acontecimento.


Excelência, data vênia, mas vosso pensamento está fadado ao fracasso. Acreditar que a verdade não é cognoscível é o mesmo que acreditar que a ilusão pode ser válida, e que qualquer versão dos fatos podem ser aceitos. Portanto, vossa magistratura não possui nenhum valor, afinal o propósito dela é aplicar a justiça de acordo com a verdade.


Aristóteles, numa série de ensaios chamado “Lógica” ou “Órganon”, mostrou que cada ciência começa com verdades óbvias que ele chamou de primeiros princípios, explicando como esses princípios constituem o fundamento sobre o qual repousa todo o conhecimento.


O primeiro princípio é o do não- contradição, segundo o qual duas afirmações não podem estar corretas ao mesmo tempo, sendo uma contrária à outra. As duas podem estar corretas ou uma correta e a outra errada, mas nunca ambas estarão certas ao mesmo tempo.


A verdade, define Geisler, é a representação, a expressão, o símbolo ou a declaração que corresponde o referente ou seu objeto referente (aquele ao qual se refere, seja um conceito abstrato ou uma coisa concreta). Quando a afirmação ou expressão diz respeito à realidade, ela deve corresponder à realidade para ser verdadeira.


A questão é que, assim como o juiz, muitos confundem verdade absoluta com conhecimento absoluto, e verdade relativa com conhecimento relativo. Nenhum ser humano possui o conhecimento pleno sobre a verdade absoluta, portanto, nesse caso, o conhecimento é relativo. Porém, o fato do conhecimento ser relativo, não torna a verdade também relativa.


Para reconstruir a verdade o juiz deve se valer das testemunhas para ajudá-lo a formar o seu convencimento acerca daquilo que ocorreu, portanto, ele sempre estará em busca de uma verdade objetiva, real e única. Quando as testemunhas apresentam versões divergentes sobre o mesmo fato, obviamente que o magistrado não considerará que todas elas estão corretas, pelo contrário, deverá analisá-las em conformidade com outros indícios, a fim de reconstruir o fato.


No caso da morte de Isabella, por exemplo, a busca dos peritos foi pela elucidação de um fato. Não se cogita a existência de vários fatos, ou de várias verdades, mas somente de uma, que, como peças de um quebra-cabeças deverão ser montados em conformidade com as provas colhidas, baseados no conhecimento parcial de cada testemunha.


Portanto, a verdade absoluta existe, e por isso, estamos em busca do seu pleno conhecimento. O que nos prova que a verdade a qual defendemos corresponde à realidade, é o fato de que os indícios contidos no nosso conhecimento relativo demonstram claramente que essa verdade existe e que estamos no caminho certo, de forma que aquilo que nos resta diz respeito ao aspectos acessórios e não fundamentais daquilo em que acreditamos.


Autor:
Valmir Nascimento Milomem

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Relativismo Moral

“Conta Peter Kreeft que, um dia, ao dar uma das suas aulas de ética, um aluno lhe disse que a Moral era uma coisa relativa e que ele, como professor, não tinha o direito de “impor-lhe os seus valores”.

“Bem – respondeu Kreeft, para iniciar um debate sobre a questão- vou aplicar à classe os seus valores e não os meus. Você diz que não há valores absolutos, e que os valores morais são subjetivos e relativos. Como acontece que as minhas idéias pessoais são um tanto singulares sob alguns aspectos, a partir deste momento vou aplicar esta: toda as alunas estão reprovadas”.

O rapaz mostrou-se surpreendido e protestou dizendo que aquilo não era justo. Kreeft argumentou-lhe:“Que significa para você ser justo? Porque, se a justiça é apenas o “meu” valor ou o “seu” valor, então não há nenhuma autoridade comum a nós dois. Eu não tenho o direito de impor-lhe o meu sentido de justiça, mas você também não pode impor-me o seu…

Portanto, só se existe um valor universal chamado justiça, que prevaleça sobre nós, você pode invocá-lo para considerar injusto que eu reprove todas as alunas. Mas, se não há valores absolutos e objetivos fora de nós, você só pode dizer que os seus valores subjetivos são diferentes dos meus, e nada mais. No entanto, você não diz que não gosta do que eu faço, mas que é injusto.

Ou seja, quando desce à prática, acredita sem a menor dúvida nos valores absolutos”…Os relativistas e os céticos consideram que aceitar qualquer crença é servilismo, uma torpe escravidão que inibe a liberdade de pensamento e impede uma forma de pensar elevada e independente.

No entanto – como dizia C. S. Lewis -, ainda que um homem afirme não acreditar que haja bem e mal, vê-lo-emos contradizer-se imediatamente na vida prática. Por exemplo, uma pessoa pode não cumprir a palavra ou não respeitar o combinado, argumentando que isso não tem importância e que cada qual deve organizar a sua vida sem pensarem teorias. Mas o mais provável é que não tarde muito em dizer, referindo-se a outra pessoa, que é indigno que essa pessoa lhe tenha faltado à palavra…”.

Por não ter um ponto de referência claro a respeito da verdade, o relativismo leva à confusão global entre o bem e o mal. Se se analisam com um pouco de detalhe as suas argumentações, é fácil observar – como explica Peter Kreeft – que quase todas costumam refutar-se a si próprias:

“A verdade não é universal” (exceto esta verdade que você acaba de afirmar?).·

“Ninguém pode conhecer a verdade” (a não ser você, segundo parece).·

“A verdade é incerta” (então também é incerto o que você diz!).·

“Todas as generalizações são falsas” (esta também?).·

“Você não pode ser dogmático” (com essa mesma afirmação, você mostra que é bastante dogmático).·

"Não me imponha a sua verdade” (o que significa que neste momento você me está impondo as suas verdades).·

“Não existem absolutos” (absolutamente…?).·

“A verdade é apenas uma opinião” (a sua opinião, pelo que vejo).
E assim por diante.

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos. D. Estevão Bettencourt Nº 535 - Ano : 2007 - Pág. 11

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O argumento ateísta de Richard Dawkins

O que o Sr. pensa sobre o argumento ateísta de Richard Dawkins em seu livro “Deus, um delírio”?

Dr. William Lane Craig responde:
Nas páginas 212 e 213 do livro dele, Dawkins resume o que ele chama de “o argumento central de meu livro.”

Assim segue:

1. Um dos maiores desafios para o intelecto humano tem sido explicar como a complexa e improvável aparência de design surgiu no universo.
2. A tentação natural é atribuir a aparência de design a um design verdadeiro.
3. A tentação é uma falsidade, porque a hipótese de um projetista remete imediatamente ao problema maior de quem projetou o projetista.

4. A explicação mais engenhosa e poderosa é a evolução de Darwin através de seleção natural.
5. Nós não temos uma explicação equivalente para a física.
6. Nós não deveríamos renunciar a esperança de uma explicação melhor que surja na física, algo tão poderoso quanto o Darwinismo é para biologia.

Então, Deus não existe quase certamente.

Esse argumento soa mal, porque a conclusão ateísta que “então, Deus não existe quase certamente” parece sair de repente, do nada. O senhor não precisa ser um filósofo para perceber que essa conclusão não pode ser deduzida das seis afirmações anteriores.

Realmente, se nós levarmos essas seis afirmações como premissas de um argumento que implique na conclusão “então, Deus não existe quase certamente”, então o argumento é patentemente inválido. Nenhum regulamento lógico de inferência permitiria ao senhor tirar esta conclusão das seis premissas.

Uma interpretação mais gentil seria a que levasse estas seis afirmações não como premissas, mas como afirmações sumárias no argumento cumulativo de Dawkins para a sua conclusão de que Deus não existe. Mas, mesmo nesta construção gentil, a conclusão “Então, Deus não existe quase certamente” não decorre destes seis passos, mesmo se nós aceitarmos que cada um deles é verdadeiro e justificado.

O que se pode concluir dos seis passos do argumento de Dawkins? No máximo, tudo o que ele sugere é que nós não deveríamos deduzir a existência de Deus baseados em uma aparência de design no universo. Mas esta conclusão é bastante compatível com a existência de Deus e até mesmo com nossa justificável crença na Sua existência. Talvez nós devêssemos acreditar em Deus com base no argumento cosmológico ou no argumento ontológico ou no argumento moral. Talvez nossa convicção em Deus não esteja baseada em argumentos, mas fundamentada em experiência religiosa ou em revelação divina. Talvez Deus quer que nós acreditemos nEle simplesmente através da fé. O ponto é que, rejeitando argumentos de design para a existência de Deus, não se prova que Deus não exista, nem que a convicção em Deus é injustificada. Realmente, muitos teólogos cristãos rejeitaram argumentos para a existência de Deus sem se obrigarem, assim, ao ateísmo.

Dessarte, o argumento de Dawkins para o ateísmo é um fracasso mesmo que aceitemos, como hipótese, todos seus passos. Mas, na realidade, vários desses passos são plausivelmente falsos. Observe o passo 3, por exemplo. A reinvindicação de Dawkins aqui é que não é justificável deduzir o design como a melhor explicação da ordem complexa do universo, porque um problema novo surge: quem projetou o projetista?

Esta réplica é dividida em, pelo menos, duas partes. Primeiro, para reconhecer uma explicação como a melhor, não é necessário ter uma explicação da explicação. Este é um ponto elementar relativo à inferência para a melhor explicação, como praticado na filosofia de ciência. Se arqueólogos cavando na terra descobrissem coisas que se parecem com pontas de flecha, cabeças de machadinhas e fragmentos de cerâmica, haveria justificativas para se deduzir que esses artefatos não são o resultado de uma sedimentação e metamorfose, mas produtos de algum grupo desconhecido de pessoas, embora eles não tivessem qualquer explicação de quem essas pessoas eram ou de onde vieram. Semelhantemente, se astronautas encontrassem maquinários na parte de trás da lua, eles teriam razões para deduzir que aqueles eram produtos de agentes inteligentes, extra-terrestres, mesmo que não tivessem nenhuma idéia do que estes agentes extra-terrestres eram ou como eles chegaram lá. Para reconhecer uma explicação como a melhor não é necessário explicar a explicação. Caso contrário, isso conduziria a um infinito regresso de explicações, de forma que nada poderia ser explicado e a ciência seria destruída. Assim, neste caso, para reconhecer que o design inteligente é a melhor explicação para a aparência de design no universo, não é preciso explicar o projetista.

Secundariamente, Dawkins pensa que, no caso de um projetista divino do universo, o projetista tem de ser, da mesma maneira, complexo como a coisa a ser explicada, de forma que nenhum avanço explicativo é feito. O engano fundamental de Dawkins está embasado na sua suposição de que um projetista divino é uma entidade tão complexa quanto o universo. Como uma mente sem corpo, Deus é uma entidade notavelmente simples. Como uma entidade não-física, uma mente não é composta de partes, e suas propriedades, como autoconsciência, racionalidade e volição, são essenciais a ela. Em contraste com o universo contingente e matizado com todas as suas quantidades inexplicáveis e constantes, uma mente divina é, de modo surpreendente, simples. Certamente, tal mente pode ter idéias complexas - pode estar pensando, por exemplo, em cálculo infinitesimal, mas a mente propriamente dita é uma entidade notavelmente simples. Dawkins confundiu, evidentemente, a idéia de uma mente que pode, realmente, ser complexa, com uma mente que é uma entidade inacreditavelmente simples. Então, postular uma mente divina por detrás do universo representa um avanço em simplicidade, para todos os efeitos.

Outros passos no argumento de Dawkins também são problemáticos; mas eu penso que o suficiente foi dito para mostrar que o argumento dele nada faz para arruinar a inferência do design fundada na complexidade do universo, não servindo, em nada, como uma justificação do ateísmo.

Extraído do site Reasonable Faith.

Traduzido por Leandro Teixeira
Revisado por Saulo Rodrigo do Amaral

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Entrevista com Ravi Zacharias

Entrevista de Ravi Zacharias concedida a Revista Ministry, por Derek Morris:

Ministry: Parece que muitos cristãos, incluindo pregadores, são reticentes para partilhar sua fé com pessoas seculares porque crêem que elas experimentam uma existência plena. Mas o senhor sugere que para muitos em nosso avançado mundo, o desespero não é um momento, mas um estilo de vida. Por que uma visão antiteísta freqüentemente leva ao desespero?

Ravi Zacharias: Pode até não ser um desespero angustiado, mas é uma rendição a uma inutilidade de existência. Os existencialistas admitem isso. Camus comentou que a morte é um problema apenas de filosofia. Sartre disse que a vida é uma bolha vazia, flutuante no mar do nada. Em seu leito de morte ele admitiu que sua filosofia de ateísmo tornou-se insuportável. E acabou rejeitando suas ramificações, embora muito tarde na vida. A razão pela qual uma visão antiteísta tão freqüentemente leva ao desespero reside profundamente no coração humano. Salomão disse no Eclesiastes que Deus colocou a eternidade no coração do homem. Almejamos por tal qualidade de coerência que recusa a morte da capacidade de absorver todas as emoções, todo o amor que nós temos, gerando assim uma vida sem sentido. Essa fome de coerência e propósito transcendente é algo muito real. O senso moral na mente humana nos compele a buscar um senso de propósito, não um propósito inventado, mas autêntico e essencial. Fui convidado por um dos dez mais bem-sucedidos homens da atualidade, para falar em Hong Kong. Esse homem é um magnata chinês, multibilionário. Tão logo desembarquei no aeroporto, fui levado para jantar com esse cavalheiro. A primeira pergunta que lhe fiz foi a seguinte: "Quando você se tornou um cristão?" Ele respondeu: "aproximadamente há 18 meses." Perguntei-lhe então sobre o que o teria levado a essa decisão. E ele falou: "Eu estava saindo de meu escritório, certo dia, e me dirigia para casa, quando pensei comigo mesmo que minha vida era vazia. Realmente não tinha qualquer propósito. Eu tinha muito dinheiro, mas não havia propósito em minha vida." De onde se encontrava, telefonou para a esposa convidando-a para ir a uma igreja naquela noite. Escolheram uma igreja, assistiram às programações por algumas semanas e entregaram a vida a Cristo. Se você for a qualquer campus durante um fórum universitário, verá que o local está sempre cheio. Em Harvard, Cornell, Princeton, Ohio, State, Indiana, em qualquer lugar, os auditórios estão sempre lotados com estudantes que estão prontos para encarar desafios e fazer questionamentos. Eu penso que esse é um sinal de fome genuína. Recentemente, fiz um seminário sobre Deus e o problema do mal. Cerca de duas mil pessoas assistiram à transmissão via satélite, para 100 universidades. Esse interesse mostra que há um senso moral dentro de nós que deseja resolver o enigma da vida. Há quem não demonstre interesse nesse assunto. Mas quando as coisas se tornam difíceis, não são capazes de viver pelas implicações lógicas de suas pressuposições. Apenas escondem-se nelas.

Ministry: A afirmação de Cristo, "Eu sou o caminho, a verdade e a vida", parece sem sentido numa sociedade pós-moderna. Por que o senhor diz que essa é a "mais razoável declaração de exclusividade"?

Ravi Zacharias: A verdade, por definição, é exclusiva. O que as pessoas freqüentemente esquecem, mesmo em grandes audiências, é que o cristianismo não é apenas uma fé que reivindica exclusividade. Toda religião que eu conheço faz essa reivindicação. O hinduísmo é exclusivista quanto à sua lei do karma ou lei da reencarnação. O budismo nasceu rejeitando o hinduísmo. O islamismo é obviamente exclusivista. Sempre que você reivindica uma verdade, está implícito que sua afirmação ajusta-se à realidade. Assim, a verdade por definição é exclusiva. Quanto à sua reivindicação, a questão é se o argumento é válido ou se não passa de uma afirmação meramente caprichosa. Quando você testa uma reivindicação da verdade, há necessidade de consistência lógica, adequação empírica e relevância espiritual. Quando Cristo disse ser "o caminho, a verdade e a vida", queria dizer que, nEle, o ser humano encontra, aprende e vive a realidade absoluta. Isso é mais que razoável. Até porque, certamente, Ele é o único Mestre cuja pessoa e veracidade dos ensinos têm sido mais testados e analisados na História.
Veja a entrevista na íntegra aqui: Alcançando a Mente Secular


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Apologética na Internet

Hoje resolvi postar algumas dicas de sites que podem ser de grande ajuda para os cristãos que procuram aprender mais sobre apologética.

Antes das dicas, é importante que seja esclarecido, muito rapidamente, o que significa o termo.

O versículo-chave para esse ofício está em 1 Pedro 3:15:

“... antes, santificai a Cristo, como Senhor em vosso coração; e estai sempre preparados (v. Mt 22:37) para responder (apologia) com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão (logos[1]) da esperança que há em vós”.

Note-se que a palavra traduzida por “responder” é apologia, que significa defesa. Para nós, cristãos, significa, especificamente, a defesa da fé cristã. Não é uma resposta sem pé nem cabeça, mas denota uma resposta bem elaborada, racional e bem fundamentada. Por isso é muito importante que estejamos sempre atentos e prontos para dar uma boa resposta a todo aquele que pedir a razão da nossa fé, ou seja, do Cristianismo. Isso demanda conhecimento da Palavra e das doutrinas cristãs, bem como uma boa noção do nosso contexto cultural.

Os sites que mais gosto são os seguintes:

Bethinking – O site é muito bom. Lá você vai encontrar materiais em áudio, texto e, às vezes, em vídeo. Os colaboradores são excelentes. Dentre eles estão Ravi Zacharias, William Lane Craig, J. P. Moreland etc. São filósofos cristãos e teólogos de alto calibre.

ELF Resources – o site é elaborado em parceria com o bethinking. É excelente também!

Peter Kreeft – Esse cara é uma figura. É um professor de filosofia da Universidade de Chicago e católico carismático. Vale a pena ler e ouvir suas aulas. O cara é muito bem-humorado e a suas aulas são excelentes. Para quem gosta de Lewis e Tolkien, ele tem vários estudos sobre os dois autores e seus livros... ah, ele deve ter uns 65 anos e ainda surfa!

Reasonable Faith – É um site mantido pelo Dr. William Lane Craig, um dos principais filósofos cristãos da atualidade. Ele tem a vantagem de ser super acadêmico. Tem vários debates com filósofos ateus, muçulmanos... Seus livros são verdadeiras obras de filosofia. Aconselho para quem quer se aprofundar em filosofia cristã e refutar as doutrinas do pós-modernismo.

Norman Geisler – Talvez um dos mais conhecidos apologistas cristãos dos nossos dias. No site dele tem alguns materiais muito bons.

Apologia – Finalmente um site em português, rsrs! Aqui você vai encontrar alguns artigos traduzidos de William Lane Craig, JP Moreland, Peter Kreeft. Vale a pena conferir.

AreópagoSite em português com vários artigos e vídeos sobre apologética.

Centro Apologético Cristão de Pesquisas – Esse site é bem legal, principalmente por se dedicar à parte das seitas, como Testemunhas de Jeová, Universal, Mórmons...

Enfim, esses sites são os que eu lembro de cabeça. Com certeza deixei vários de fora, mas, para quem quer começar a estudar, já é um ótimo começo.

Outro dia recomendo alguns livros de teologia e apologética.

Ah, mais uma coisa: quem quiser dicas sobre como achar milhares de áudios, vídeos de palestras etc. do Ravi Zacharias, Craig, Moreland... pode deixar um recado com o email que eu posso ajudar.

[1]Mesma palavra usada para “Verbo” em João 1. Significa também “lógica”.

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