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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Não julgar segundo a esperança

Uma vez alguém disse a um pregador: "Quando jovem eu cria seriamente em Deus. Mas agora estou na faculdade. Não posso mais crer Nele". O pregador, de cinqüenta anos, deu um tapinha no ombro do jovem e disse: "Meu filho, você não crê mais em Deus! Deixe-me perguntar-lhe uma coisa: Desde que se tornou um ateu, o ateísmo ajudou-o a tornar-se melhor? Ele o fez mais nobre e mais puro? ou ocorreu-lhe o oposto?" Aquele jovem sentiu-se envergonhado. Admitiu que, desde que negara a Deus, moralmente desceu a ladeira. O pregador continuou: "Sinto muito que esteja alegando que Deus não existe. Você simplesmente desejaria que isso fosse verdade".

Muitas pessoas não estão verdadeiramente convencidas de que Deus não existe; elas simplesmente gostariam que fosse assim. Elas prefeririam que não houvesse um Deus no universo. Ser-lhes-ia bem mais conveniente no que se refere a muitas coisas.

Eu próprio era uma dessas pessoas. Quando estudante, também dizia que Deus não existe. Embora fosse extremamente forte em minha afirmação, parece que havia Alguém protestando em meu interior. No fundo do meu coração eu sabia que Deus existe. Mas meus lábios recusavam-se a admiti-lo. Por quê? Para que eu tivesse uma desculpa para pecar. Declarando a não existência de Deus, tornava-se justificável ir a lugares pecaminosos. Assim, tornei-me ousado para pecar. Quando crê em Deus, você não ousa fazer determinadas coisas. Ao pôr Deus de lado, você se sente livre para cometer os piores pecados sem nenhum temor. Se ao afirmar a não existência de Deus você espera sinceramente elevar seu padrão moral, então seus argumentos ainda são plausíveis. Entretanto, a única razão para o homem reivindicar a não existência de Deus é gerar uma desculpa para a ilegalidade, imoralidade e licenciosidade. Por essa razão, toda sua argumentação não é digna de consideração. A questão agora passa a ser: "Estará você qualificado para afirmar que Deus não existe?" Se o que alguém espera é meramente escapar da justiça, esse já perdeu sua posição.

Watchman Nee
O Sentido da Vida: Uma reflexão sobre a existência do homem

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A Cruz de Cristo

Deixe-me dizer que, se o seu tipo de vida for o das "coisas", não precisará da cruz; mas se for Cristo, você aprenderá a tomar a cruz. A cruz não apenas elimina nosso pecado, mas também inibe a nossa atividade. Ela refreia nossa ação e checa nosso pecado. Muitas dificuldades surgem exatamente quando os filhos de Deus consideram correto fazer algo bom, e não percebem que o seu "bom" é meramente uma "coisa". Na presença de Deus, toda a questão se resume em Cristo, pois somente Ele é bom perante o Pai. Cristo é a própria vida. Se Ele não se mover, como o faríamos nós? Podemos pronunciar facilmente muitas palavras de conforto, mas se Ele não falar, não devemos nos atrever a falar, pois se o fizermos tocaremos a morte, ficando enfraquecidos e abalados. Podemos, sem esforço, ajudar pessoas em muitos assuntos e conquistar o louvor dos homens por termos sido compassivos; no entanto, quando começamos a ajudar dessa forma, imediatamente nos sentimos vazios interiormente. Nesse ponto vemos a cruz. Qualquer coisa que possamos realizar por meio de boas obras não requer a cruz. Somente quando permitimos que o Senhor viva em nossa vida, sendo tudo em nós, é que precisaremos da cruz. Se Ele não se mover, como podemos nos mover? Oh, quanto precisamos pedir a Deus que nos livre de nossas boas obras, da mesma forma como Lhe pedimos que nos livre de nossos pecados. Freqüentemente é mais fácil sermos libertos do pecado (porque este é em si mesmo condenável) do que da vida natural (uma vez que, para muitos, essa vida não é condenável nem precisa ser rejeitada).

Watchman Nee

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Tocar a Cristo

A alusão à uma experiência prática pode ser de ajuda. Permita-me relatar um pouco de minha experiência pessoal. Há vários dias, algo aconteceu na casa de um irmão. Sendo cristão, eu desejava ser compassivo e achei que deveria visitá-lo. Assim, poderia ajudá-lo compartilhando com ele algum sentimento pessoal e, talvez, livrá-lo de vários problemas no futuro. Então fui visitá-lo. Entretanto, a medida que andava ficava mais e mais frio por dentro, até o ponto em que meu espírito ficou completamente sufocado. Imediatamente percebi que, o problema era que eu mesmo estava querendo agir de forma piedosa. Estava tentando praticar um ato de amor para com o irmão e, no entanto, já havia tocado a morte. O ato era correto, estava certo, porém não era Cristo, mas eu quem o fazia. Qual seria a conseqüência se eu empreendesse essa tarefa? A resposta é: morte e frieza interior. Posso ter iniciado uma ação recomendável, mas não fui de encontro a vida. Sem dúvida era um ato de compaixão, no entanto, não pude encontrar o Senhor nesse ato. Tudo o que se poderia dizer é que eu havia sido compassivo. Permita-me reiterar que, cada vez que você toca a Cristo e não em uma conduta, você toca a vida. Se você apenas ficar na esfera da conduta, certamente morrerá, pois é você quem está agindo. Temos que entender que cristianismo é Cristo, e que a vida de um cristão também é Cristo. Não empilhe uns milhares de itens e olhe para essa pilha como se fosse a vida cristã. Se você fosse capaz de ajuntar todas as “humildades” da terra e agrupar dezenas de milhares de outras boas características, ainda assim não poderia criar um cristão. Seria apenas um amontoado de "coisas", em vez de Cristo. Há alguns anos, esforçava-me a todo custo para evitar que outras pessoas se sentissem embaraçadas ou magoadas. Não gostava de ter que expor os delitos dos outros; não deixava as pessoas saírem de minha casa sentindo-se feridas e relutava muito para não envergonhar a quem quer que fosse. No entanto, freqüentemente sentia morte, morte instantânea, sem qualquer toque de vida ao tentar ser uma pessoa boa e gentil para com algum irmão. A explicação para isso é simples: essa gentileza era o mero produto de meus próprios esforços. Não era Cristo e portanto, eu morria instantaneamente. Era como se tocasse num corpo morto. Estava enfraquecido interiormente. Não havia mais forças em mim, e assim estava acabado interiormente. Esse, então, é o ponto essencial de toda a questão. Na medida em que vivemos diante de Deus, experimentamos morte quando apenas buscamos uma virtude. Se o que temos é meramente uma virtude, imediatamente tocamos a morte, porque Cristo não está ali. Se tocássemos a Cristo, imediatamente entraríamos em contato com a vida, pois Ele mesmo é a vida.

Watchman Nee

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Cristo Somente

"...na esfera espiritual, não há nada além de Cristo."


O que muitos não reconhecem é que, na esfera espiritual, não há nada além de Cristo. Não há paciência, nem humildade, nem luz no mundo espiritual; essas "coisas" não existem. É Cristo, e Ele somente. Em vista disso, precisamos que Deus opere mais em nossas vidas. Quando fomos salvos nos foi mostrado que necessitávamos de Cristo e não de obras. Fomos salvos por Cristo e não por nossos esforços. E agora devemos ter a mesma revelação drástica e cabal, de que precisamos de Cristo, não de "coisas". Assim como várias questões foram eliminadas quando cremos, tantas outras devem ser totalmente aniquiladas. A única diferença é que as que foram destruídas no inicio eram pecados, enquanto que posteriormente, as "coisas espirituais" é que devem ser demolidas. No início foi o nosso orgulho, ou ciúme, vanglória, mau gênio ou algum outro pecado que foi destruído e, hoje, a nossa paciência, ou humildade e santidade própria devem também ser destruídos para que possamos entender que Cristo é a nossa vida e o nosso tudo. Quão oposto é este cristianismo daquele que as pessoas geralmente imaginam. Alguns irmãos freqüentemente vêm conversar comigo e me fazem várias perguntas. Consideram-se melhores do que muitos outros. Você pode estar entre esses, mas meu temor é que permaneça o mesmo por toda a sua vida, porque o que você tem em si mesmo são apenas "coisas". Com respeito a paciência, você é verdadeiramente paciente; com respeito à humildade, você pode ser bastante humilde; você é brilhante em realizar tarefas e sua conduta é muito boa. Você ama e tem desejado sempre ajudar e perdoar. De acordo com o padrão do homem, onde mais alguém poderia encontrar um cristão tão bom? Ainda assim, preciso lhe dizer que o que tem em si mesmo são apenas "coisas". Você tem que compreender, diante de Deus, que a experiência espiritual genuína não está em "coisas", mas no Senhor Jesus Cristo. Não é o que tem, nem o que pode fazer, nem ainda o que pode obter, mas somente o que Cristo é. A não ser que Ele se torne isso em sua vida, nada mais é de qualquer valor espiritual. No mundo espiritual, nada há senão Cristo, uma vez que Ele é o tudo de Deus.

Watchman Nee

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Eis que as trevas cobrem a terra

Apesar das palavras deste artigo terem sido proferidas há mais de 50 anos atrás, parecem descrever com precisão a situação espiritual dos nossos dias!

A luta hoje parece se tornar mais pesada dia a dia, como se o único alvo dos ataques de Satanás fosse nós, os crentes. Por isso, na era atual, o problema que existe é se você e eu podemos perseverar até a última meia hora. "[Satanás] Magoará os santos do Altíssimo" (Dn 7.25). Magoar tem aí o sentido de "desgastar", consumir devagar. É muito mais difícil reconhecer Satanás como aquele que desgasta os santos do que um Satanás que ruge como um leão. E a sua obra de consumir lentamente os santos já começou.

Sempre que vou à Montanha Kuling, caminho ao longo da correnteza que há ali. Freqüentemente vejo rochas enormes, mas que são côncavas no meio como bacias de tomar banho. Isto acontece por causa das muitas pedrinhas que diariamente as desgastam. Do mesmo modo Satanás trata os filhos de Deus. Em lugar de matá-los de um só golpe, tenta desgastar os santos, dia a dia, de modo que sem que percebam acabam gravemente feridos depois de algum tempo.

Os olhos do Senhor estão sobre nós, portanto não temamos o sofrimento. Se acontecer de nós nos desviarmos com medo do sofrimento, todos os nossos sofrimentos do passado terão sido em vão. Uma pessoa profundamente espiritual escreveu certa vez:
Quando lemos 2 Tessalonicenses 2.3 e 2 Timóteo 3.1-13, ficamos sabendo que antes do dia da volta do Senhor haverá apostasia e dias perigosos quando a maldade e a mentira aumentarão grandemente. Tal apostasia não se refere à educação, gigantescas reuniões, pastores capazes, catedrais maravilhosas e progresso mental e físico. Relaciona-se com a fé e o reconhecimento do poder de Deus. Aponta para igrejas renomadas que se inclinam para a chamada Alta Crítica (na verdade não passa de incredulidade), e negam as obras sobrenaturais de Deus, tais como a regeneração, a santidade, orações atendidas e a revelação do Espírito Santo.

Antes da vinda do Senhor, haverá muita fraude e muito erro; e, se fosse possível, até os escolhidos seriam enganados. A "forma da piedade" será aumentada. A fé será diminuída por causa de credos falsos, engendrados por Satanás, e também o amor pelo mundo e a negação da palavra de Deus. Um irmão disse bem: tais obras satânicas produzirão um efeito intangível que nos envolverão como o ar. Haverá uma forma de piedade exterior, mas por dentro estará cheia de maus espíritos e da melancolia do inferno. Esses espíritos malignos farão o máximo para desviar e oprimir os filhos de Deus. Atacarão nosso corpo, diminuirão nossa vontade e embrutecerão nossa mente. Toda espécie de sensações e provações estranhas nos sobrevirão, fazendo-nos perder o desejo de buscar a Deus e a força de fazê-lo, cansando nosso espírito, embotando nossa mente e tornando-a entorpecida e, ao mesmo tempo, fazendo-nos estranhamente amar os prazeres e costumes do mundo como também cobiçar as coisas proibidas por Deus. Perderemos a liberdade e o poder de pregar; não poderemos nos concentrar para ouvir as mensagens; e seremos incapazes de nos ajoelhar para orar dedicadamente por algum período mais longo. Tais trevas e tal atmosfera deverão ser enfrentadas com resolução. Sem dúvida Satanás procura obscurecer nossa mente e vontade com uma espécie de poder inconcebível para que se torne extremamente difícil andar com Deus e muito fácil viver de acordo com a carne. Acharemos que é difícil servir a Deus fielmente e orar com perseverança, como se tudo dentro de nós se levantasse para impedir-nos de seguir o Senhor Jesus até o fim e fazer-nos concordar com o mundo.

A atmosfera à nossa volta nos obrigará a trair a Deus e a desistir de nossas sinceras orações. Embotará nossa sensibilidade espiritual para que não vejamos as realidades celestiais ou a gloriosa presença do Senhor. Assim facilmente negligenciaremos a comunhão com Deus e descobriremos que é difícil manter comunhão com ele.

Já estamos sentindo o começo destas influências. A concupiscência do mundo tece sua rede extensa de muitas maneiras à volta dos crentes. Torna-se cada vez mais apertada e mais forte com o passar do tempo. Muitas coisas que nas gerações passadas eram inimagináveis agora estão sendo praticadas sem restrição. Muitos lugares de adoração não só resistem à entrada de coisas espirituais, bloqueando reavivamentos, mas também introduzem toda espécie de festejos e coisas duvidosas.

Falando de um modo geral, em todo o mundo, a diminuição da fé e o desenvolvimento da apostasia são evidentes. Naturalmente, reconhecemos que ainda há muitos lugares abençoados por Deus. Mas examinando a situação da igreja no mundo inteiro como um todo, não deixa de apresentar um quadro digno de dó.Tendo visto estas coisas, não podemos deixar de gritar à igreja de Deus que se levante, que desperte, que retorne à comunhão com Deus e que agrade ao Senhor no tempo que ainda resta. Estejamos preparados para comparecer diante do tribunal de Cristo e apresentar o nosso caso.

Watchman Nee

Artigo extraído do site: O Discípulo

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