Mostrando postagens com marcador cristianismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cristianismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Aplicação não é Legalismo!

Existem muitos pastores hoje em dia que, por medo de serem rotulados de "legalistas", não dão à sua congregação nenhum ensinamento ético. Até onde temos nos desviado dos apóstolos! "Legalismo" é a tentativa equivocada de ganhar a nossa salvação pela obediência à lei. "Farisaísmo" é uma preocupação com as aparências e minúcias de dever religioso. Para ensinar as normas de conduta moral que adornam o evangelho não é nem o legalismo nem o farisaísmo, mas o puro cristianismo apostólico.

(
Stott, Between Two Worlds, p. 158)
Fonte: Application is not Legalism

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um Templo ou Um Teatro?

Os homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a ‘dúvida sincera’ de vocês é muito melhor do que a fé”.Talvez o leitor diga: “Mas ninguém fala desta maneira”. É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista.O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites.


Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.

C.H. Spurgeon.
.
Retirado do Blog da Fiel

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um Novo Coração

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne”. Ez 36.26

Você notará... Deus não tem prometido aperfeiçoar nossa natureza ou remendar nossos corações partidos. Não, sua promessa consiste em nos dar um novo coração e um espírito de retidão. A natureza humana está muito longe de ser apenas melhorada. Não é como uma casa que precisa de pequenos reparos, tais como substituir uma telha ou fazer um reboco no teto. Não, ela está completamente corrompida. Até seu alicerce está arruinado. Do teto ao alicerce não há uma viga sequer que não tenha sido comida pelos cupins. Não existe solidez, está toda apodrecida e pronta para desabar. Deus não faz tentativas ou experimentos com o homem. Ele não escora as paredes com estacas ou pinta novamente as portas; não ornamenta ou embeleza, mas determina que a velha casa seja totalmente derrubada, e uma nova seja construída em seu lugar. Como já mencionei, isso é mais que ser restaurada ou melhorada. Se apenas algumas peças estivessem em mau estado, poderiam ser consertadas. Se tão somente uma ou duas engrenagens desta grande máquina chamada “humanidade” estivessem quebradas, o Criador colocaria tudo em ordem. Trocaria as peças quebradas, substituiria a roda danificada e a máquina voltaria a trabalhar. Pelo contrário, os reparos são necessários por toda parte; não há sequer uma alavanca que não esteja quebrada ou eixos sem estragos; nenhuma engrenagem funciona corretamente. A cabeça toda está doente e o coração totalmente debilitado. Da sola dos pés à cabeça, a raça humana está toda infestada de chagas e feridas pútridas. Por isso, o Senhor não pensa em apenas um simples reparo. Ele diz: Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.
.
Charles Haddon Spurgeon, The New Heart, New Park Street Pulpit, Vol. 4, 378
Fonte: Revista Fé para Hoje, Ed. 09, 2001

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Vida Cristã

Assim é a nossa vida aqui. A coisa que lhe dá horror, que lhe parece quase impossível, é entregar todo o seu ser — todos os seus desejos e precauções — a Cristo. Mas isso é muito mais fácil que aquilo que todos nós tentamos fazer. Pois o que cada um tenta fazer é continuar sendo aquilo que chama de "ele mesmo", é continuar tendo a felicidade pessoal como grande objetivo na vida, e ao mesmo tempo ser "bom". Cada um tenta deixar que sua mente e seu coração sigam seus próprios caminhos — centrados no dinheiro, no prazer ou na ambição —, e apesar disso tem a esperança de se comportar de modo honesto, casto e humilde. Mas é exatamente isso que Cristo nos advertiu que não se pode fazer. Como ele disse, não se geram figos dos abrolhos.

Se sou um campo que só contém sementes de capim, não posso produzir trigo. Se o capim for cortado, pode até permanecer baixo: mas nem por isso vou produzir trigo em vez de capim. Se quiser produzir trigo, a mudança terá de ser mais profunda. Meu campo terá de ser carpido e depois semeado com sementes novas.

É por isso que o verdadeiro problema da vida cristã se apresenta num contexto em que geralmente não esperamos encontrá-lo: apresenta-se no momento mesmo em que você acorda de manhã. Todos os seus desejos e esperanças para aquele dia avançam em sua direção como bestas selvagens. E, a cada manhã, sua primeira tarefa é simplesmente a de repeli-los; é a tarefa de ouvir aquela outra voz, assumir aquele outro ponto de vista, abrir caminho para aquela outra vida, uma vida maior, mais forte e mais silenciosa. E assim também no restante do dia: distanciar-se de todas as suas manhas e ressentimentos naturais; sair do vendaval.

No começo, só nos é possível fazer isso por alguns instantes. Mas, a partir desses instantes, esse novo tipo de vida se dissemina pelo nosso organismo: pois agora deixamos que ele trabalhe sobre a parte correta do nosso ser. E essa a diferença que existe entre uma tinta, que se deposita simplesmente sobre a superfície, e um pigmento ou tintura que penetra no fundo. As palavras dele nunca foram vagas e idealistas. Quando disse "Sede perfeitos", ele estava falando sério.

Queria dizer que temos de fazer o tratamento completo. Não é fácil: mas a solução de meio-termo pela qual ansiamos é muito mais difícil - na verdade, impossível. Pode ser difícil para um ovo transformar-se numa ave; mas seria muitíssimo mais difícil aprender a voar sem deixar de ser ovo.

Atualmente, nós somos como ovos. O problema é que ninguém pode continuar sendo um simples ovo para sempre. Ou o pássaro quebra a casca ou o ovo apodrece.
...Nisso está todo o cristianismo. Não há mais nada.

C. S. Lewis em Mero Cristianismo

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Eu Quero Tudo

A vida cristã é diferente: mais difícil e mais fácil. Cristo diz: "Dê-me tudo. Eu não quero tanto do seu tempo, tanto do seu dinheiro, tanto do seu trabalho. Quero você. Eu não vim para atormentar seu ego natural, mas para matá-lo. Meias medidas não trazem nenhum bem. Eu não quero podar um galho aqui e outro ali, mas quero derrubar a árvore inteira. Entregue todo o seu ego natural, todos os desejos que você julga inocentes bem como os que você julga iníquos - todo o seu ser. Eu lhe darei um novo eu. Na verdade, lhe darei meu próprio eu; a minha vontade se tornará a sua vontade".
C. S. Lewis

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Miniaturas de Cristo

Ele age em nós de todas as maneiras. Mas, acima de tudo, ele age em nós por intermédio uns dos outros. Os homens são espelhos ou "transmissores" de Cristo para outros homens. Geralmente são aqueles que conhecem a Cristo que o levam aos outros. É por isso que a Igreja, todo o conjunto de cristãos que revelam Cristo uns aos outros, é tão importante. É muito fácil pensar que a Igreja tem muitos objetivos diferentes - educação, obras, missões, cultos... A Igreja não existe para outro propósito senão atrair os homens para Cristo, transformá-los em miniaturas de Cristo. Se ela não faz isso, então todas as Catedrais, todos os líderes, todas as missões, todos os sermões, a própria Bíblia - tudo não passa de perda de tempo. Deus não se tornou homem por outro motivo. E é até de duvidar, veja só, que todo o Universo tenha sido criado por qualquer outro motivo.

C. S. Lewis

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cristo em nós

Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.(Cl.3.1-4).

O que significa a vida cristã? Significa a vida de Cristo. Pois foi isto mesmo que Deus planejou, manifestar a vida de seu Filho Jesus nos discípulos. Paulo recebeu revelação desta verdade. Ele pode compreender pelo Espírito Santo que somos participantes com Jesus em sua morte e ressurreição.

É verdade que Jesus morreu. Pois bem, é verdade que eu morri com Ele. É também verdade que o Senhor Jesus ressuscitou. Também é verdade que eu ressuscitei com Jesus.

Somos participantes com Jesus, pela fé (certeza; convicção), em sua morte, ressurreição e até sua exaltação (Ef.1.3).

Que maravilha! Deus nos uniu a Jesus. Estamos intimamente ligados ao Senhor. Nós nEle e Ele em nós. Aleluia!

É por isso que no verso 4 Paulo afirma, sem margem de erro ou dúvida, que “Cristo é a nossa vida”. Entendemos bem esta afirmação? “CRISTO É A NOSSA VIDA”. Não será nossa vida; Ele é nossa vida. Aleluia!

Isto é tremendo! “Não sou mais eu quem vive MAS CRISTO É QUEM VIVE EM MIM” (Gl.2.20).

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar...”

É isto que precisa acontecer. Temos que deixar o Senhor livre para manifestar sua vida em nós; assim, nos manifestaremos com Ele, em glória.

Isto é uma realidade espiritual para hoje; para ser vivida aqui e agora.
Cristo quer se manifestar em cada um e a cada um de seus discípulos o mais rápido possível. O próprio Jesus trabalhou esta verdade com seus discípulos no passado (Jo.14.20-23). O Espírito Santo quer nos dar revelação desta gloriosa verdade.

Isto não só traz impacto para nós, os discípulos, mas a todos os que nos cercam. Cristo em nós significa a continuidade de sua maravilhosa obra (At.10.38).

A vida de Jesus é excelente. Ele é perfeito. Sabe tudo; pode tudo. Agradou a Deus em todas as coisas. Viveu em santidade e obediência.

Jesus quer manifestar suas virtudes. Ele deseja continuar manifestando a glória de Deus na terra; agora, através de nós.

No amor de Jesus,
Daniel Souza.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Negando a dicotomia Sagrado-Secular do Trabalho

Foi Martinho Lutero mais do que qualquer outro, que derrubou a noção de que clérigos, monges e freiras engajavam-se em trabalho mais santo do que a dona de casa e o comerciante. Calvino rapidamente acrescentou seu peso ao argumento. Os Puritanos foram unânimes em seguir a direção de Lutero e Calvino.

Como os Reformadores, os Puritanos rejeitaram a dicotomia sagrado-secular. Willian Tyndale disse que se olhamos externamente “há diferença entre lavar louças e pregar a palavra de Deus; mas no tocante a agradar a Deus, nenhuma em absoluto”.

William Perkins concordou: “A ação de um pastor em guardar ovelhas... é um trabalho tão bom diante de Deus como a ação de um juiz ao sentenciar, ou um magistrado ao regulamentar, ou de um ministro ao pregar”. Esta rejeição da dicotomia entre trabalho sagrado e secular teve implicações de longo alcance.

Primeiro, considera toda tarefa de valor intrínseco e integra toda vocação com a vida espiritual de um cristão. Torna todo trabalho conseqüência, tornando-o a arena para glorificação e obediência a Deus e expressão do amor pessoal (através do serviço) ao seu próximo. Assim Hugh Latimer viu no exemplo de Cristo a verdadeira dignidade de todo trabalho:

“Isto é uma coisa maravilhosa, que o Salvador do Mundo, e o Rei acima de todos os reis, não se envergonhou de labutar; sim, e de usar tão simples ocupação. Aqui Ele santificou todas as espécies de ocupações”.

John Dod e Robert Cleavert escreveram que: “o grande e reverendo Deus nunca despreza um ofício honesto... mesmo sendo bem humilde, mas o coroa com sua benção”.

A convicção Puritana quanto à dignidade de todo trabalho tem também o importante efeito de santificar o comum. John Cotton disse isso sobre a habilidade da fé cristã de santificar a vida e o trabalho comum:

“A fé... encoraja um homem em seu chamado por mais simples e difícil... A tais empregos simples um coração carnal não sabe com submeter-se; mas agora a fé havendo-nos convocado, se requer algum emprego simples, encoraja-nos nele... Assim a fé dispõe-se a abraçar qualquer serviço simples que faz parte do seu chamado, no qual um coração carnal ficaria envergonhado de ser visto”.

William Perkins declarou que as pessoas podem servir a Deus “em qualquer espécie de chamado, embora seja apenas varrer a casa ou guardar ovelhas”. Nathaniel Mather disse que a graça de Deus “espiritualiza toda ação”; mesmo as mais simples, como “um homem amar sua mulher e filho”, torna-se “atos graciosos”, e o “seu comer e beber são atos de obediência e, portanto, acham-se em grande conta aos olhos de Deus”.

Para os Puritanos, toda a vida era de Deus. Seu objetivo era integrar seu trabalho diário com sua devoção religiosa a Deus. Richard Steele afirmou que era na oficina “onde se pode mais confiantemente esperar a presença e benção de Deus”. Os Puritanos revolucionaram as atitudes em relação ao trabalho diário quando levantaram a possibilidade de que “cada passo e aspecto do seu ofício é santificado”.

John Milton, na sua famosa Areopagitica, satirizou os homens de negócios que deixam sua religião em casa e “comerciam todo o dia sem sua religião”. Thomas Gataker não viu tensão entre o sagrado e o secular quando escreveu:

“Um homem não deve imaginar..., quando é chamado para ser um cristão que deve prontamente rejeitar todos os empregos seculares... e dedicar-se inteiramente... a oração e contemplação, mas deve reter tanto um chamado com o outro, seguindo àquele junto ao outro”.

O objetivo Puritano era servir a Deus, não simplesmente no trabalho no mundo, mas através do trabalho. John Cotton aludiu a isto quando escreveu:

"Um verdadeiro crente... vive na sua vocação pela sua fé. Não apenas minha vida espiritual mas até minha vida civil neste mundo, e toda a vida que vivo, é pela fé no Filho de Deus: ele não isenta qualquer parte da vida da agência de sua fé”.

Cotton Mather disse:

“Um cristão deveria ser capaz de prestar boa conta, não somente do que é sua ocupação, mas também do que é na sua ocupação. Não é bastante um crente ter uma ocupação; ele deve cuidar de sua ocupação como convém a um crente”.

Com a ênfase Puritana em que toda vida é de Deus, não surpreende que um panfleto intitulado “São Paulo, o Fazedor de Tendas” pudesse observar que o movimento protestante havia produzido um ‘deleite nos empregos seculares'”.

L. Ryken

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Três parábolas para a mente pós-moderna

PluralismoPluralismo é a idéia de que existem diversas perspectivas sobre Deus e a realidade, sendo que cada uma delas é verdadeira para a pessoa que crê, e ninguém deve contrariá-la. As três ilustrações que seguem são de grande ajuda para quem está testemunhando de Cristo, pois ajuda a termos sempre em mente que o que realmente interessa é a verdade.

A Ilustração de Robertolo é boa para aqueles que não ligam para a verdade e se importam apenas em saber se tal religião vai ajudá-lo a ser feliz. Todos sabemos o que é placebo, em medicina. É uma substância inofensiva que de fato não ajuda em nada na real cura da doença. Mas a crença do paciente de que aquilo realmente funciona traz um certo alívio mental. Infelizmente, o placebo funciona apenas para o ingênuo e desinformado. O triste é saber que o efeito placebo não se limita à medicina. Muitas pessoas têm uma espécie de placebo em relação as suas visões de mundo – crenças falsas, ingênuas e vazias que ajudam apenas porque a pessoa está vivendo em um mundo de fantasias criado pela sua própria imaginação e não porque a crença é realmente verdadeira. Para vermos como isso é triste, leiamos a pequena história de Robertolo.

Robertolo era um aluno quieto e sem esperança que estudava física em uma reconhecida universidade. Ele foi muito mal no primeiro semestre de aulas. Seu conhecimento de matemática estava no nível de um aluno de quinta série e ele não tinha a mínima condição de estar estudando física. Certo dia todos os alunos e professores decidiram pregar uma peça em Robertolo, fazendo-o pensar que ele era o melhor estudante de física daquela universidade. Quando ele fazia uma pergunta na classe, mesmo que fosse uma pergunta tola, os professores e alunos tratavam-na com fascínio, como se fosse uma questão profundamente importante. Os professores deram a ele ótimas notas em todas as matérias, quando na verdade ele merecia tirar dois ou três.

Robertolo se formou e começou a fazer pós-graduação na mesma universidade. Os professores desta instituição enviaram uma carta a todos os físicos do mundo, informando sobre a brincadeira. Robertolo recebeu seu diploma, conseguiu uma cadeira como docente, viajava regularmente para a Europa para participar de conferências e freqüentemente aparecia em revistas como a Super-Interessante e a Veja. A vida de Robertolo estava carregada de sentimentos de felicidade, respeito e orgulho. Infelizmente, ele ainda não sabia nada de física. As pessoas odiavam Robertolo e o ridicularizavam pelas costas, mas Robertolo, sem saber da verdade, estava tão feliz quanto poderia estar.

Você tem inveja de Robertolo? Você deseja essa vida para os seus filhos? É claro que não. Por quê? Por que a sua sensação de bem-estar foi construída sobre uma visão de mundo placebo, falsa e vazia. Aqueles que não se importam com o que é verdade e apenas querem saber se uma idéia religiosa funciona para eles, são iguais a Robertolo. Se eles desejam ser como Robertolo, deveríamos ter pena deles, pois não levam sua vida de forma séria.

Se a verdade realmente importa, então a Ilustração da Mãe nos ajudará a mostrar que as religiões não podem ser todas verdadeiras. Por exemplo, suponhamos que eu esteja com um pessoal e que peço a umas 3 pessoas que descrevam as características de minha mãe. Sendo que ninguém a conhece, obtenho três diferentes respostas: ela mede 1.70, 1.58 e 1.80 metros; tem cabelos loiros, ruivos e pretos; e pesa 60, 55 e 70 quilos. Então eu os advirto dizendo que, sendo que as três respostas eram opostas umas as outras, elas não poderiam ser todas verdadeiras. Por exemplo: minha mãe não pode pesar 60, 55 e 70 quilos ao mesmo tempo. Não importa o número de pessoas que acreditam que minha mãe tem cabelos loiros. A verdadeira cor dos cabelos da minha mãe independente do que os outros pensam ou dizem. Nesse sentido, a realidade é totalmente indiferente ao que acreditamos! Concluo ressaltando que as afirmações sobre Deus não podem ser todas verdadeiras. Os budistas negam que Deus exista, os hindus dizem que existem milhões de deuses, o judaísmo e o islamismo ensinam que há apenas um Deus, mas que é um grande pecado dizer que Ele é uma Trindade. O Cristianismo assevera que existe um Deus que é três pessoas. Assim como as afirmações sobre a aparência de minha mãe, as afirmações sobre Deus não podem estar todas corretas.

Se a pessoa crê que a verdade é importante (a Ilustração de Robertolo) e que o simples fato de acreditar em algo não faz com que isso seja verdadeiro (a Ilustração da Mãe), então precisamos buscar não o que queremos que seja verdade, mas o que as evidências apontam. Para esse fim, uso a Ilustração do Buffet Livre. Quando as crianças vão em um buffet elas escolhem as comidas de acordo com seus gostos (a não ser que sua mãe esteja lá). Da mesma forma, quando as pessoas criam uma idéia de Deus escolhendo aspectos das várias religiões de acordo com o que elas gostam ou não gostam, elas sempre terminam por formar uma idéia de Deus que parece exatamente com a pessoa que o estava procurando. Se a pessoa é esquerdista, Deus torna-se uma tolerante Marta Suplicy no céu. Se é conservadora, Ele parecerá um grande sargentão.

Escolher uma versão de Deus de acordo com nosso gosto é garantia de que criaremos uma falsa idéia de Deus, que simplesmente expressa nossas próprias preferências. Esse não é o caminho certo. É nesse ponto que devemos utilizar os argumentos apologéticos, baseados na evidência de um Deus pessoal que criou todas as coisas; argumentos baseados na história e nas profecias cumpridas, que atestam a veracidade histórica do Novo Testamento e que, de fato, Jesus ressuscitou. Dessa forma, as evidências para o Cristianismo não cairão em ouvidos desinteressados e, talvez, ganharão um bom ouvinte.

Obs
: Certifique-se em dizer em algum momento que o Cristianismo é realmente verdadeiro. Afirmar isso é muito importante em uma cultura pluralista.

Baseado no texto Persuasive evangelism in a pluralistic culture de J.P. Moreland.

Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral

terça-feira, 4 de março de 2008

Cristianismo Puro e Simples (Audiobook)

Um clássico da literatura cristã em forma de audiobook. Também conhecido em português como Mero Cristianismo, do original em inglês Mere Christianity, a edição da Martins Fontes traz o título de Cristianismo Puro e Simples à obra máxima de C.S. Lewis.








*O arquivo não está mais disponível.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Os Relatos do Evangelho são Confiáveis?

God in the Dock (Deus no Banco dos Réus)
C.S. Lewis

Outro ponto é que naquela visão você teria que considerar os relatos do homem como sendo mitos. Agora, sendo um historiador literal, estou perfeitamente convencido que o evangelho possa ser qualquer coisa, mas jamais um mito. Tenho lido sobre vários tipos de mitos e estou absolutamente certo de que o evangelho não é algo desse tipo. Ele não é artístico o suficiente para ser considerado um mito. A partir de uma visão imaginativa, ele seria desajeitado, não funcionando muito bem.

A maior parte da vida de Jesus nos é desconhecida assim como a vida de qualquer um daquela época. Nenhuma pessoa conseguiu criar um mito que seria dessa forma. Exceto partes de diálogos Platônicos, não há registros de conversas que conheça na literatura antiga como a encontrada nos evangelhos. Não há nada, ainda que na literatura moderna, até cerca de mil anos atrás, quando o romance moderno surgiu.

Na história da mulher pega em adultério, vemos que Cristo se inclinou e rabiscou o chão com Seu dedo. Nada provém disso. Ninguém jamais baseou alguma doutrina nesse trecho. E a arte de inventar pequenos detalhes irrelevantes para fazer uma cena imaginária mais convincente é puramente arte moderna. Certamente a única explicação dessa passagem é que esse fato realmente aconteceu. O autor o relatou simplesmente porque o viu acontecer.

Tradução: Jair Kunzler

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A Realidade do Cristianismo

A verdadeira espiritualidade manifesta-se nos desejos dominantes. Desejos presentes e profundamente arraigados, suficientemente poderosos para motivar e controlar a vida.

1. Desejo de ser santo, antes que ser feliz

2. Desejo de ver Deus honrado com sua vida, mesmo que isto o leve a sofrer desonra ou perda temporária. O Homem desses ora: “santificado seja o teu nome” e acrescenta: “a qualquer custo Senhor”. Ele não tem necessidade de debater a matéria com seu coração; não há o que se debater. Suspira ofegante pela glória de Deus, como alguém asfixiado fica ofegando pelo ar.

3. Deseja levar a cruz, ou seja, estar ligado à pessoa de Cristo, submisso a seu senhorio e obediente a sua vontade.

4. Desejo de ver todas a coisas do ponto de vista de Deus. Atribui a todas as coisas o mesmo valor que é atribuído por Deus. Seu olhar não fica na superfície, mas penetra até o verdadeiro sentido das coisas.

5. Desejo de morrer na retidão do que viver no erro. Nunca admite negociar qualquer fundamento do cristianismo.

6. Desejo de ver outros cristãos acima Dele e fica feliz quando vê outros sendo promovidos e ele deixado de lado. Não há inveja em seu coração; quando seus irmãos são honrados, fica feliz.

7. Desejo de fazer julgamentos segundo a eternidade e não segundo os valores temporais. Conseqüentemente prefere ser útil a ser famoso, servir a ser servido.

Se Deus nos separou para ser objeto de Sua graça, podemos esperar que ele nos honre com mais estrita disciplina e com sofrimento maior do que os outros.O escultor não usa um estojo de manicuro para transformar o mármore informe e rude num espécime de beleza. A serra, o martelo e o cinze são instrumentos cruéis, mas sem eles, a tosca pedra será sempre destituída de forma e beleza.

Para fazer em nós a suprema obra de sua graça, Ele vai tirar do nosso coração tudo aquilo que mais amamos. Tudo aquilo que nos leva a confiarmos em nós mesmos. Cinzas amontoadas jazerão onde nossos tesouros mais preciosos costumavam estar.O que escrevo aqui não é nada original, todas as gerações de verdadeiros cristãos observaram esta verdade. No entanto é necessária dizê-lo a esta geração de “cristãos”, pois o tipo da mensagem atual não constitui nada tão sério e difícil como isto. Ao que parece, a busca do cristão moderno é de paz mental, alegria e apreciável prosperidade material, introduzidas como prova do favor divino.

Contudo, alguns compreenderão isso, ainda que seja pequeno número deles, e eles continuarão o sólido núcleo de santos praticantes tão seriamente necessário nesta hora grave, para que o verdadeiro cristianismo sobreviva.
“Deus nos chamou para o lado de Cristo”, escreveu um discípulo, “e agora o vento que está dando no rosto de Cristo nesta terra; e vendo que estais com Ele, não podeis esperar abrigo a sotavento ou do lado ensolarado da escarpa”.
A bela sensibilidade dessas palavras no diz que o vento está soprando no rosto de Cristo, e porque o seguimos, também temos o vento soprando em nosso rosto. Não devemos esperar menos.

O anseio pelo abrigo ensolarado é natural, ninguém gosta de andar no vento frio. Contudo os verdadeiros cristãos vem tendo que marchar com o vento dando em seus rostos através dos séculos.
O homem criou uma outra mensagem, oferecendo as pessoas o lado ensolarado da escarpa, na avidez de se conseguir novos adeptos. Elas acreditam em nós, e o primeiro vento frio as envia arrepiada a algum conselheiro para ver o que está errado; e essa é a última notícia que temos de muitas delas.

Os ensinamentos de Cristo revelam que ele é realista no melhor sentido da palavra. Em nenhuma parte do evangelho encontramos algo que seja visionário ou exageradamente otimista. Ele dizia toda a verdade a seus ouvintes e deixava que eles tomassem suas decisões. Ele podia entristecer-se com a retirada de um interessado que não podia enfrentar a verdade, nunca, porém, corria atrás dele para tentar ganhá-lo mediante róseas promessas. Ele queria que os homens o seguissem sabendo o preço, ou, se não, deixava que seguissem os seus caminhos.
Isso é simplesmente dizer que Cristo é honesto. Ele nunca será popular entre os que se perdem e sabe que seus seguidores não precisam esperar popularidade. O vento que sopra em seu rosto será sentido por todos que viajam com Ele.

Atender ao real chamado de Cristo muda de fato o pecador, mas não muda o mundo. O vento continua soprando em direção ao inferno, e o homem que caminhar na direção oposta terá o vento batendo no rosto. É importante considerarmos esta realidade espiritual. Se as insondáveis riquezas de Cristo não merecem que por elas soframos, é bom saber disso agora e parar de brincar de religião.

O livro de Atos é a história de homens e mulheres que expunham o rosto ao rijo vento da perseguição e do prejuízo, e seguiam a Cristo a qualquer preço. Sabiam que o mundo odiou Cristo, e os odiava por causa Dele; mas mantiveram-se inabaláveis.
A fé vê de longe a vitória de Cristo e se dispõe a padecer qualquer coisa para ser participante dela. A incredulidade não está segura de coisa alguma, exceto que odeia o vento e aprecia a costa ensolarada da colina. Cada pessoa terá que decidir sozinha, se poderá arcar ou não com o terrível fausto da incredulidade.
(A. W. Tozer)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O Culto Verdadeiro

Gosto muito daquele caso que um ministro americano, o já falecido Dr. Rufus M. Jones, costumava contar. Ele acreditava na importância do intelecto na pregação. Porém um membro de sua congregação fez objeção a essa ênfase e escreveu-lhe queixando-se:

“Quando vou à igreja”, disse em sua crítica, “sinto-me como se tivesse desenrolando a minha cabeça e a colocando por sob o assento , pois numa reunião religiosa não tenho necessidade alguma de usar o que se acha acima do meu colarinho!"

Prestar culto dessa forma, sem fazer uso da mente, certamente é o que se fazia na cidade pagã de Atenas, onde Paulo encontrou um altar dedicado “ao deus desconhecido”. Mas essa forma de culto não serve para os cristãos. O apóstolo não se sentira satisfeito em deixar os atenienses em sua ignorância. Prosseguiu proclamando-lhes a natureza e as obras do Deus que cultuavam na ignorância. Pois sabia que somente o culto inteligente é aceitável por Deus, o culto verdadeiro, o culto prestado por aqueles que conhecem a quem adoram, e que o amam “de todo o entendimento”.

Os salmos eram o grande hinário da igreja do Velho Testamento, e hoje em dia ainda são cantados nos cultos cristãos. Neles temos, pois, um meio de sabermos como deve ser o culto verdadeiro. A definição básica de culto nos Salmos é “louvar o nome do Senhor”, ou “tributar ao Senhor a glória devida ao eu nome”. E ao inquirirmos o que significa o seu “nome”, verificaremos que é a soma total de tudo o que Ele é e fez.

Em particular, ele é cultuado nos Salmos tanto como o Criador do mundo como o Redentor de Israel, e os salmistas se comprazem em adorá-lo dando uma lista enorme das obras de Deus, relativas à criação e à redenção.

O Salmo 104, por exemplo, expressa a incontável maravilha da sabedoria e Deus em suas múltiplas obras no céu e na terra, na vida animal e vegetal, entre as aves, os mamíferos e os “seres sem conta” existentes em abundância nos mares e grandes oceanos.

O Salmo 105, por outro lado, exalta um outro aspecto das “obras maravilhosas” de Deus, a saber, o tratamento especial que dedicou ao povo da sua aliança. Narra a história dos séculos, as promessas e Deus a Abraão, Isaque e Jacó; sua providência para com José do Egito, tirando-o da prisão para a honrosa posição de grande senhor; seus atos poderosos feitos através de Moisés e Arão, enviando as pragas e libertando o povo; sua provisão àquela gente no deserto e o seu poder que fez com que herdassem a terra prometida. O Salmo 106 repete em grande parte a mesma história, mas enfoca desta vez a paciência de Deus com o seu povo, que vivia se esquecendo de suas obras, desobedecendo suas promessas e se rebelando contra seus mandamentos.

O Salmo 107 louva a Deus pelo seu permanente amor, que vem de encontro às necessidades de diferentes grupos de pessoas: de viajantes perdidos no deserto, de prisioneiros desfalecendo em calabouços, de enfermos à beira da morte, de navegantes apanhados numa grande tempestade. Todos estes “na sua angústia clamaram ao Senhor e Ele os livrou das suas tribulações”. Assim, “rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!"

Meu último exemplo é o Salmo 136. Aqui o mesmo refrão litúrgico se repete em cada versículo: “porque a sua misericórdia dura para sempre”. E as chamadas para render graças ao Senhor por Sua bondade começam com a Sua criação dos céus, da terra, do sol, da lua e das estrelas, prosseguindo daí com a Sua redenção de Israel do Egito, e com os reis amorreus, a fim de dar-lhes Sua terra em herança.

Bastam estes exemplos para mostrar que Israel não cultuava a Deus na forma de uma divindade distante ou abstrata, mas como o Senhor da natureza e das nações, como alguém que se revelara através de atos concretos, criando e mantendo o seu mundo, redimindo e preservando o seu povo. Israel tinha bons motivos para adorá-lo pela sua bondade, por suas obras e por “todos os seus benefícios”.

A estes poderosos feitos de Deus (o Deus criador e o Deus da aliança), os cristãos acrescentam o ato de Deus mais poderoso do que todos os demais: o nascimento, a vida, a morte e a glorificação de Jesus; o seu Dom do Espírito Santo; e a sua nova criação, a Igreja.

Esta é a história do Novo Testamento, e é por isso que tanto os textos do Velho como do Novo Testamento, juntos, com uma exposição bíblica, constituem hoje uma parte indispensável do culto cristão.

Somente quando de novo ouvimos sobre o que Deus já fez encontramo-nos em condições de retribuir-lhe com a nossa adoração e o nosso culto. É também por este motivo que a leitura e a meditação da Bíblia são uma parte muito importante na devoção pessoal do cristão.

Todo culto cristão, seja ele público ou pessoal, deve ser uma resposta inteligente à auto-revelação de Deus, por suas palavras, e suas obras registradas nas Escrituras.

É neste contexto que, de passagem, se pode fazer uma referência ao “falar em outras línguas”. Qualquer que tenha sido a glossolalia no Novo Testamento - se um Dom de línguas estanhas ou a expressão de sons em êxtase - o certo é que as palavras eram ininteligíveis a quem as proferia. Por isso mesmo foi que Paulo proibiu falar em línguas em público, se não houvesse quem traduzisse ou interpretasse; e desencorajou a sua realização ou devoção pessoal, se a pessoa permanecesse sem entender o que dizia. Escreveu ele: “Pelo que, o que fala em outra língua, ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente..."

Noutras palavras, Paulo não podia admitir nenhuma oração, nenhum culto, em que a mente permanecesse estéril ou inativa. Ele insistiu que em todo culto verdadeiro a mente tem de ser completamente empenhada, de modo a dar frutos. O prazer dos coríntios para com o culto ininteligível era algo infantil. Quanto ao mal, disse-lhes para serem como crianças e inocentes o quanto fosse possível, mas acrescentou: “no modo de pensar, sejam adultos”.

O culto cristão não será perfeito senão no céu, pois até então conheceremos a Deus como Ele é, e daí somente então teremos condições de adorá-lo de maneira própria.

(Mais uma pitadela de "Crer é Também Pensar" de John Stott)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Cristianismo de Mente Vazia

O que Paulo escreveu acerca dos judeus não crentes de seu tempo poderia ser dito, creio, com respeito a alguns crentes de hoje: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento”. Muitos têm zelo sem conhecimento, entusiasmo sem esclarecimento. Em outras palavras, são inteligentes, mas faltam-lhes orientação.

Dou graças a Deus pelo zelo. Que jamais o conhecimento sem zelo tome o lugar do zelo sem conhecimento! O propósito de Deus inclui os dois: o zelo dirigido pelo conhecimento, e o conhecimento inflamado pelo zelo. É como ouvi certa vez o Dr. John Mackay dizer, quando era presidente do Seminário de Princeton: “A entrega sem reflexão é fanatismo em ação, mas a reflexão sem entrega é a paralisia de toda ação”.

O espírito de anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno multiplicam-se os programatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?” mas sim: “Será que funciona?”. Os Jovens têm a tendência de ser ativistas, dedicados na defesa de uma causa, todavia nem sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou se o modo como procedem é o melhor meio para alcançá-lo. Um universitário de Melbourne, Austrália, ao assistir a uma conferência na Suécia, soube que um movimento de protesto estudantil começara em sua própria universidade. Ele retorcia as mãos, desconsolado. “Eu devia estar lá”, desabafou, “para participar. O protesto é contra o que?” Ele tinha zelo sem conhecimento.

Mordecai Richler , um comentarista canadense, foi muito claro a esse respeito: “O que me faz Ter medo com respeito a esta geração é o quanto ela se apóia na ignorância. Ser o desconhecimento geral continuar a crescer, algum dia alguém se levantará de um povoado por aí dizendo Ter inventado... a roda”.

Este mesmo espectro de anti-intelectualismo surge freqüentemente para perturbar a Igreja cristã. Considera a teologia com desprazer e desconfiança. Vou dar alguns exemplos.
Os católicos quase sempre têm dado uma grande ênfase no ritual e na sua correta conduta. Isso tem sido, pelo menos, uma das características tradicionais do catolicismo, embora muitos católicos contemporâneos (influenciados pelo movimento litúrgico) prefiram o ritual simples, para não dizer o austero. Observe-se que o cerimonial aparente não deve ser desprezado quando se trata de uma expressão clara e decorosa da verdade bíblica. O perigo do ritual é que facilmente se degenera em ritualismo, ou seja, numa mera celebração em que a cerimônia se torna um fim em si mesma, um substituto sem significado ao culto racional.

Por outro lado, há cristãos radicais que concentram suas energias na ação política e social. A preocupação do movimento ecumênico não é mais ecumenismo em si, ou planos de união de igrejas, ou questões de fé e disciplina; muito pelo contrário, preocupa-se com problema de dar alimento aos famintos, casa aos que não tem moradia; com o combate ao racismo, com os direitos dos oprimidos; com a promoção de programas de ajuda aos países em desenvolvimento, e com o apoio aos movimentos revolucionários do terceiro mundo. Embora as questões da violência e do envolvimento cristão na política sejam controvertidos, de uma maneira geral deve-se aceitar que luta pelo bem estar, pela dignidade e pela liberdade de todo homem, é da essência da vida cristã. Entretanto, historicamente falando, essa nova preocupação deve muito de seu ímpeto à difundida frustração de que jamais se alcançará um acordo em matéria de doutrina. O ativismo ecumênico desenvolve-se com reação à tarefa de formulação teológica, a qual não pode ser evitada, se é que as igrejas neste mundo devam ser reformadas e renovadas, para não dizer, unidas.

Grupos de cristãos pentecostais, muitos dos quais fazem da experiência o principal critério da verdade. Pondo de lado a questão da validade do que buscam e declaram, uma das características mais séria, de pelo menos alguns neo-pentecostais, é o seu declarado anti-intelectualismo.

Um dos líderes desse movimento disse recentemente, a propósito dos católicos pentecostais, que no fundo o que importa ”não é a doutrina, mas a experiência”. Isso equivale a por nossa experiência subjetiva acima da verdade de Deus revelada. Outros dizem crer que Deus propositadamente dá às pessoas uma expressão inteligente a fim de evitar a passagem por suas mentes orgulhosas, que ficam assim humilhadas. Pois bem. Deus certamente humilha o orgulho dos homens, mas não despreza a mente que ele próprio criou.

Estas três ênfases - a de muitos católicos no ritual, a de radicais na ação social, e a de alguns pentecostais na experiência - são, até certo ponto, sintomas de uma só doença, o anti-intelectualismo.

São válvulas de escape para fugir à responsabilidade, dada por Deus, do uso cristão de nossas mentes.Num enfoque negativo, eu daria como substituto este trabalho “a miséria e a ameaça do cristianismo de mente vazia”. Mais positivamente, pretendo apresentar resumidamente o lugar da mente na vida cristã... Não estou em defesa de uma vida cristã seca, sem humor, teórica, mas sim de uma viva devoção inflamada pelo fogo da verdade. Anseio por esse equilíbrio bíblico, evitando-se os extremos do fanatismo. Apressar-me-ei em dizer que o remédio para uma visão exagerada do intelecto não é nem depreciá-lo, nem negligenciá-lo, mas mantê-lo no lugar indicado por Deus, cumprindo o papel que ele lhe deu.

(Trecho do Livro "Crer é Também Pensar" de John Stott)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mosaico sobre fé e razão (mistura de Aquino, Chesterton, Lewis e Agostinho)

Por que ensinar a Fé cristã?
Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer. Ensinar alguém para trazê-lo à Fé é tarefa de todo e qualquer pregador, e até de todo e qualquer crente. Por isso, a importância estudar a Palavra e a apologética cristã. Devemos pedir ao Senhor que nos dê agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir nosso entendimento da Palavra.

Por que aprender a Fé cristã?
Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe: outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é amor. Aprender do Evangelho serve para edificação, tanto dos cristãos como, principalmente, dos que não conhecem a Cristo, que lhes justifica. Pregar o Evangelho é demonstrar prudência e amor!

A Fé cristã anula a razão?
Tornar-se cristão não significa deixar de pensar, mas que se aprende a pensar, a partir dos mistérios de Deus. Não podemos ser fideístas, que crêem que a fé anula a razão; e, muito menos, racionalistas, que crêem a razão humana sustentar todas as coisas. Deus criou ambas para se complementarem.

A Fé e a ciência se excluem?
Hoje em dia, com o cientificismo, o homem perdeu a capacidade de admirar e de sentir o mistério das coisas, reflexo do mistério de Deus. A ciência diz explicar tudo, e anula todo o mistério, com seu conhecimento raso e superficial. Em relação ao racionalismo científico, eis o que diz Chesterton: «Assim como tomamos o círculo para o símbolo da razão e da loucura, muito bem podemos tomar a cruz para o símbolo do mistério e da saúde. O budismo é centrípeta, mas o cristianismo é centrífugo: jorra e se expande. O círculo é perfeito e infinito por natureza, mas ele está para sempre amarrado a suas dimensões, não podendo crescer ou diminuir, já que na sua definição o raio é constante. Mas a cruz, embora tenha no centro uma colisão e uma contradição, pode sempre estender os braços sem modificar sua forma. Pelo fato de abrigar um paradoxo em seu centro, a cruz pode crescer sem mudar. O círculo volta-se sobre si mesmo como prisioneiro. A cruz abre seus braços aos quatro ventos e serve de marco indicador aos viajantes livres.»

A Cruz nos abre o horizonte, inclusive para a ciência. Assim, cremos para entender e entendemos para crer. O Cristianismo é como um sol: através dele vemos todas as coisas. Cremos no Cristianismo assim como cremos que o sol nasce todos os dias; não por que podemos vê-lo, tão-somente, mas porque, através dele vemos todas as outras coisas.

Dessa forma, a Palavra de Deus é ponto de partida para entendermos o mundo e, verdadeiramente, começarmos a pensar e reflexionar sobre a nossa vida! Essa é a verdadeira ciência e filosofia (amor à Sabedoria)!

  ©Orthodoxia desde 2006

TOPO