sexta-feira, março 26, 2010

Barrabás e eu

Com quem você se identifica na história da Paixão de Cristo?


Claro que, como bons Cristãos, nós dizemos que é com Jesus. Ele é o bom rapaz, nosso protagonista. Quando revivemos a história, nós torcemos por ele, e contra os seus inimigos. E é uma longa lista de inimigos: Judas, que o traiu; Pedro, que o negou; os principais sacerdotes, que o odiavam; Herodes, que escarneceu dele; a multidão, que gritava pela crucificação; Pilatos, que lavou suas mãos e o condenou; e Barrabás, que era culpado mas conseguiu ser liberto.

Espere um minuto.

Barrabás – o culpado que conseguiu ser liberto?

No 23º capítulo, Lucas leva-nos, pecadores, em sua cuidadosa narrativa, a identificarmo-nos, de uma maneira importante, com Barrabás. Assim como a condenação de Jesus conduz à libertação de uma multidão de prisioneiros espirituais de toda a tribo, língua, povo e nação, a sua sentença de morte conduz à liberdade física do prisioneiro Barrabás.

No versículo 15, Lucas cita Pilatos para demonstrar a evidente inocência de Jesus: “É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.” Então ele confirma a culpa de Barrabás no versículo 19: “Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio”.

No versículo 22, após a multidão ter pedido pela crucificação de Jesus pela terceira vez, Lucas novamente enfatiza a inocência de Jesus nas palavras de Pilatos: “Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para condená-lo à morte”. Mas, sem ser persuadida, a multidão continua a exigir a morte de Jesus e, espantosamente, a libertação do manifestamente culpado Barrabás em seu lugar.

Então Pilatos “soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles.” (versículo 25). Aqui está a primeira substituição operada pela cruz. O inocente Jesus é condenado como um criminoso, enquanto o criminoso Barrabás é libertado como se fosse inocente.

E ainda hoje, por causa da voluntária substituição do inocente Jesus, muitos Barrabás como nós são libertos.

David Mathis

Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral

Artigo original disponível no site Desiring God

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