quarta-feira, setembro 30, 2009

John Piper e Romanos 9

Eu estava de licença das minhas aulas no Bethel College. Meu objetivo com essa dispensa era estudar Romanos 9 e escrever um livro que estabeleceria, em minha própria mente, o significado desses versículos. Após seis anos dando aulas e encontrando vários estudantes, em cada classe, prontos para não levar em conta a minha interpretação desse capítulo, por uma ou outra razão, decidi que teria que dedicar oito meses para estudá-lo. O desfecho dessa licença foi o livro The Justification of God. Eu tentei responder a cada objeção exegética contra a absoluta soberania de Deus em Romanos 9 que fosse importante.

Mas o resultado daquela licença foi totalmente inesperado – pelo menos para mim. Meu objetivo era analisar a Palavra de Deus tão de perto e interpretá-la tão cuidadosamente que eu pudesse escrever um livro que fosse persuasivo e resistisse ao teste do tempo. O que eu não esperava era que, nesses seis meses de análise de Romanos 9, o próprio Deus falasse comigo tão poderosamente que eu fosse pedir demissão de meu trabalho no Bethel College e me colocasse à disposição da Conferência Batista de Minnesota, caso houvesse uma igreja que me quisesse como pastor.

Resumindo, aconteceu da seguinte forma: eu tinha 34 anos de idade. Tinha dois filhos e um terceiro estava a caminho. À medida que eu estudava Romanos 9, dia após dia, comecei a ver um Deus tão majestoso, tão livre e tão absolutamente soberano que minha análise transformou-se em louvor e o Senhor disse, realmente: “Eu não serei simplesmente analisado; eu serei adorado. Eu não serei simplesmente ponderado; eu serei proclamado. Minha soberania não é simplesmente para ser examinada com cuidado, é para ser anunciada. Não é algo proveitoso para discussão; é o evangelho para pecadores que sabem que sua única esperança é o triunfo da graça soberana de Deus sobre sua vontade rebelde.” Foi quando a Igreja Batista Bethlehem contatou-me, perto do fim de 1979. E eu não hesito em dizer que, por causa de Romanos 9, eu deixei de dar aulas para tornar-me um pastor. O Deus de Romanos 9 tem sido a rocha firme de tudo o que tenho dito e de tudo o que tenho feito nos últimos 22 anos.

John Piper

Extraído do texto do sermão The Absolute Sovereignty of God: What Is Romans Nine About?

Tradução:
Saulo Rodrigo do Amaral

domingo, setembro 27, 2009

Voltai para mim, diz o Senhor

Os profetas menores são absolutamente relevantes para a nossa geração. Sua mensagem é contundente, oportuna e urgente. Embora tenham vivido há mais de 2500 anos, abordam temas que estão na agenda das famílias, das igrejas e das nações.

Os profetas menores lamentavelmente têm sido esquecidos pela nossa geração. Poucos cristãos lêem e estudam com a devida atenção esses preciosos livros proféticos. Poucos pregadores, estudiosos expõem com clareza, fidelidade e profundidade esses livros no púlpito. Precisamos urgentemente resgatar a atualidades destes preciosos livros em nossos estudos, exposições e, principalmente aplicando estes livros à nossas vidas, famílias e ministérios.

No texto em destaque (Joel 2.12-14), o Eterno convoca o seu povo a se voltar para Ele. O arrependimento é o único caminho da restauração. É a única porta de escape do juízo. É arrepender-se e viver ou não se arrepender e morrer. O estudioso Dionísio Pape ressalta o fato de que não era suficiente ser o povo do Senhor. Não bastava morar na terra santa. Era necessária a conversão integral ao Senhor.

Veremos a seguir como deve ser a volta para Deus. Deus não apenas chama o seu povo a voltar-se para ele, mas detalha como deve ser essa volta.

Em primeiro lugar, é uma volta para uma relação pessoal com Deus (2.12). “[...] convertei-vos a mim ...”. Isto é magnífico, pois mostra o supremo valor da graça de Deus, pois o ofendido [Deus] é aquele que busca a restauração do ofensor [nós]; o ofendido é quem convida o transgressor a renunciar sua rebeldia.

Leslie Allen está correto quando diz que a expressão: "convertei" evoca o relacionamento pactual. O povo de Deus é como o filho pródigo que precisa voltar ao lar do Pai celestial. Não basta cair em si, é preciso voltar para casa. Não basta ter convicção de pecado, é preciso por o pé na estrada da volta para Deus. Não é apenas um retorno à igreja, à doutrina, à comunhão, a uma vida moral pura, mas uma volta para uma relação pessoal com Deus.

Em segundo lugar, é uma volta com profundidade (2.12) - “[...] de todo o vosso coração”.

O povo de Judá estava endurecido e indiferente à voz de Deus. Viviam para seus prazeres e não se importavam com as exortações do Senhor. O juízo estava à porta e eles folgavam em seus pecados. Antes do Eterno derramar seu juízo, Ele nos dá a oportunidade de nos arrependermos. Deus não aceita coração dividido (Sl 51.17). Ele não satisfaz com uma espiritualidade cênica, farisaica, hipócrita. Ele vê o coração e requer verdade no íntimo.

São muitos aqueles que, após um congresso, um retiro espiritual ou mensagem inspirativa, fazem lindas promessas a Deus. Comprometem-se a orar com mais fervor, a ler a Palavra com mais avidez, outros ainda, derramam lágrimas no altar do Senhor, fazem votos solenes, mas todo esse fervor desaparece tão rápido como a nuvem do céu e o orvalho que se evapora da terra.

Há aqueles que só andam com Deus na base do aguilhão. Só se voltam para Deus na hora que as coisas apertam. Só se lembram do Senhor na hora das dificuldades. Não se voltam a Ele porque o amam ou porque estão arrependidos, mas porque não querem sofrer. Para esses, o Eterno é descartável (Os. 5.15; 6.14). Estes possuem uma fé utilitarista.

Em terceiro lugar, é uma volta com diligência (2.12) – “[...] e isso com jejuns...”.

Deus conclama o seu povo que não aceita um arrependimento trivial, raso, transitório. Antes de serem restaurados precisam ser tomados de uma profunda convicção de pecado e de como haviam ofendido a Deus. Quem jejua tem pressa. Quem jejua está dizendo que a volta para Deus é mais importante e mais urgente que o sustento do corpo (Mt 4.4).

O jejum é instrumento de mudança, não em Deus, mas em nós. Leva-nos ao quebrantamento, à humilhação e a ter mais gosto pelo pão do céu do que pelo pão da terra. O jejum é uma experiência pessoal e intíma (Mt 6.16-18). Há momentos, porém, que ele se torna aberto, declarado e coletivo. Joel conclama o povo todo a jejuar nesse processo de volta a Deus (2.15).

O rei Josafá, numa época de profunda agonia e a de ameaça para o seu reino, convocou toda nação para jejuar, e o Eterno deu-lhe livramento (2 Cr. 10.1-4,22). A rainha Ester convocou todo o povo judeu para jejuar três dias, e Deus reverteu a sentença de morte já lavrada sobre os judeus exilados (Et. 4.16).

Em quarto lugar, é uma volta com sinceridade (2.13) – “Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes”.

Deus não se impressiona com o desempenho humano. Ele não é movido por nossos gestos, nossa teatralização. Ele não se satisfaz com uma espiritualidade divorciada de uma vida de santidade. Ele não aceita um quebrantamento apenas exterior. Esse costume de rasgar as vestes era parte da reação cultural diante de uma crise (2 Rs. 19.1). A contrição interna é mais importante do que a manifestação externa de pesar. É o coração que deve ser atingido. É ele que deve ser rasgado.

O Eterno não se deixa enganar por nossos gestos, palavras bonitas e emoções sem quebrantamento. Deus vê o coração (1 Sm 16.7). Diante Dele não adianta “rasgar seda”: é preciso rasgar o coração. Para Deus não é suficiente apenas estar na igreja (Is 1.12) e ter um culto animado (Am 5.21-23). É preciso ter um coração rasgado, quebrado, arrependido e transformado. Um coração compungido jamais será desprezado por Deus.

Pr. Marcello de Oliveira
Fonte: A Supremacia das Escrituras

Bibliografia: Pape, Dionísio. Justiça e esperança para hoje, p. 28
Lopes, Hernandes Dias. Joel. Ed. Hagnos 2009
Wiersbe, Warren. Comentário Expositivo. Geográfica Editora – 2006

Voltai
(canção pertinente ao tema)


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sexta-feira, setembro 25, 2009

Humildade - A Glória da Criatura

"E depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de rece­ber a glória, a honra e o poder, porque todas as cousas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas" (Apocalipse 4.10c, 11).

Quando Deus criou o universo, Ele o fez com o único objetivo de tornar a criatura partici­pante de Sua perfeição e bem-aventurança e, assim, mostrar nela a glória do Seu amor, sabedoria e poder. Deus desejava revelar a Si mesmo dentro e por meio dos seres criados, comunicando-lhes tanto de Sua própria bondade e glória quanto eles fossem capazes de receber. Mas essa comunicação não significava dar à criatura algo que ela pudesse possuir em si mesma, uma vida ou bondade das quais tivesse a responsabilidade e a disposição. De forma alguma! Mas como Deus é eterno, onipresente e onipotente, e sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder, e em quem todas as coisas existem, a relação da criatura com Deus somente poderia ser uma relação de ininterrupta, absoluta e universal dependência.
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Tão certo como Deus, pelo Seu poder, criou uma vez, assim também, pelo mesmo poder, Deus nos sustenta a cada momento. A criatura não tem somente de olhar para trás, para a origem e para os primórdios da exis­tência, e reconhecer que todas as coisas vêm de Deus; seu principal cuidado, sua virtude mais elevada, sua única felicidade, agora e por toda a eternidade, é apre­sentar a si mesma como um vaso vazio, no qual Deus possa habitar e manifestar Seu poder e bondade.

A vida que Deus entregou é concedida não de uma vez, mas a cada momento, continuamente, pela operação incessante de Seu grandioso poder. A humil­dade, o lugar da plena dependência de Deus, é, pela própria natureza das coisas, a primeira obrigação e a virtude mais elevada da criatura, e a raiz de toda virtude.

O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando os anjos agora caídos começaram a olhar para si mesmos com autocomplacência que foram levados à desobediên­cia, e foram expulsos da luz do céu para as trevas exteriores. E também foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles tam­bém caíram da sua posição elevada para toda a des­graça na qual o homem está, agora, afundado. No céu e na terra, orgulho — auto-exaltação — é a porta, o nascimento e a maldição do inferno.

Por isso, nossa redenção tem de ser a restaura­ção da humildade perdida, o relacionamento original e o verdadeiro relacionamento da criatura com seu Deus. E, portanto, Jesus veio trazer a humildade de volta à terra, fazer-nos participantes dessa humildade e, por ela, nos salvar. Nos céus, Ele se humilhou para tornar-se homem. Nós vemos a humildade Nele ao se dominar a Si mesmo nos céus; Ele a trouxe, de lá. Aqui na terra, "a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte". Sua humildade deu à Sua mor­te o valor que ela hoje tem e, então, se tornou nossa redenção.

E agora a salvação que Ele concede é, nada mais, nada menos do que uma comunicação de Sua própria vida e morte, Sua própria disposição e espíri­to¹, Sua própria humildade, como o solo e a raiz de Sua relação com Deus e Sua obra redentora. Jesus Cristo tomou o lugar e cumpriu o destino do homem, como uma criatura, por Sua vida de perfeita humilda­de. Sua humildade é nossa salvação. Sua salvação é nossa humildade

¹Com minúscula no original, não se referindo ao Espírito Santo, mas usada como sinónimo de disposição.
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Andrew Murray. Humildade - A Beleza da Santidade.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Hipocrisia

Acresce ainda um segundo pecado, a saber: que jamais tomam a Deus em consideração, a não ser que a isso sejam constrangidos; nem dele se aproximam até que, a despeito de sua resistência, sejam até ele arrastados. Nem ainda então se imbuem do temor espontâneo que emana da reverência à divina majestade, mas apenas de um temor servil e forçado que lhes arranca o juízo de Deus, do qual, já que dele não podem fugir, sentem alarmante pavor, e inclusive até chegam a abominá-lo.

Com efeito, o que diz Eustáquio, poeta pagão, se aplica muito bem à impiedade, ou seja, que o temor foi o primeiro a dar origem aos deuses no mundo. Quantos têm a mente alienada da justiça de Deus desejam desmesuradamente que seu tribunal seja subvertido, os quais sabem que ele subsiste para punir suas transgressões. Com disposição desse gênero pelejam acirradamente contra o Senhor, o qual não pode prescindir do juízo. Enquanto, porém, reconhecem que sobre si paira ameaçadora a potestade inevitável, já que não a conseguem rechaçar, nem dela fugir, enco- lhem-se diante dela apavorados. E assim, para que por toda parte não pareçam desprezar aquele cuja majestade os acossa, exercitam algo que tenha a aparência de religião.

Não obstante, entrementes não cessam de contaminar-se com toda sorte de vícios e de amontoar abominações sobre abominações, até que de todas as formas violem a santa lei do Senhor e dissipem toda sua justiça. Ou, ao menos, não são a tal ponto contidos por esse pretenso temor de Deus, que deixem de refestelar-se deleitosamente em seus pecados, e neles se lisonjeiam, e preferem esbaldar-se na intemperança da própria carne a deixar que o Espírito Santo a coíba com freios.

Entretanto, uma vez que esta é uma sombra vã e falaz de religião, que nem sequer merece ser chamada de sombra, outra vez daqui facilmente se infere quanto a piedade difere desse confuso conhecimento de Deus, a qual só nos peitos dos fiéis se instila e da qual exclusivamente nasce a religião. E contudo, por sinuosos rodeios, os hipócritas se propõem chegar a isto: insinuar que estão perto de Deus, de quem, no entanto, estão a fugir. Pois, quando o teor da obediência lhes deveria ser perpétuo em toda a vida, eles se rebelam acintosamente contra ele em quase todos os atos, diligenciando por aplacá-lo simplesmente por meio de uns paupérrimos sacrifícios; quando o deveriam servir, com santidade de vida e inteireza de coração, engendram ridicularias frívolas e observâncias mesquinhas de nenhum valor, mercê das quais possam conciliá-lo consigo. Pior ainda, confiam poder desincumbir-se de seus deveres meramente através de risíveis atos expiatórios.

Daí, quando nele deveria estar plantada sua confiança, relegando-o a segundo plano, escondem-se atrás de si próprios ou das criaturas. Afinal, eles se enredilham em tão avultada soma de erros, que o negror da depravação sufoca neles, e por fim extingue, aquelas centelhas que fulgiam para visualizar-se a glória de Deus.

Permanece, todavia, essa semente que de modo algum se pode erradicar totalmente, a saber, que há uma divindade; semente essa, porém, a tal ponto corrompida que de si nada produz senão os piores frutos. Ainda mais, o que estou presentemente sustentando, a saber, que o senso da divindade está inerentemente gravado nos corações humanos, com certeza maior disto se evidencia: que até a necessidade arranca confissão forçada até aos próprios réprobos. Quando as coisas lhes transcorrem tranqüilas, motejam acintosamente de Deus; são até mordazes e desabusados em minimizar-lhe o poder. Se, de qualquer forma, os aperta o desespero, os acicata a buscá-lo e lhes dita preces superficiais, do que se patenteia que não são totalmente ignorantes de Deus, porém o que deveria aflorar mais cedo lhes foi reprimido pela obstinação.

João Calvino. As Institutas, Volume 1. Capítulo 4.

terça-feira, setembro 22, 2009

"O amor une; a doutrina divide". Será?

A verdade é a raiz do amor


Menciono em primeiro lugar o exemplo de amor de Jesus, não apenas por ser o primeiro e mais evidente ato de amor observado em suas palavras, mas porque, na época em que vivemos, o amor é quase sempre contrastado com a defesa da verdade. Não é o que Jesus demonstra, nem aqui nem em outro lugar. Se alguém dissesse a Jesus: "O amor une; a doutrina divide", penso que Jesus olharia fundo na alma dessa pessoa e diria: "A doutrina verdadeira é a raiz do amor. Portanto, quem se opuser a ela, destruirá a raiz da unidade".

Jesus nunca opôs a verdade ao amor. Pelo contrário, afirmou ser ele próprio a personificação e a essência da verdade: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João 14.6). Referindo-se outra vez a si mesmo, disse: "Aquele que fala por si mesmo busca a sua própria glória, mas aquele que busca a glória de quem o enviou, este é verdadeiro; não há nada de falso a seu respeito" (7.18). Foi esta afirmação abrangente de Jesus: "... para isto vim ao mundo; para testemunhar da verdade...” (18.37), para explicar por que ele viera ao mundo, que levou Pilatos a perguntar com ceticismo: “Que é a verdade?” (v.38). Até seus adversários viram quanto Jesus era indiferente às opiniões do povo e quão dedicado era à verdade. “Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja...” (Marcos 12.14, RA). Quando Jesus deixou este mundo e retornou para o Pai, no céu, o espírito que enviou em seu lugar foi chamado “Espírito da verdade”: “Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito” (João 15.26).

Portanto, diferentemente de muitos que comprometem a verdade apenas para seguir alguém, Jesus fez o oposto. A descrença de deus ouvintes confirmava a necessidade de uma profunda mudança neles, não na verdade: “Todos os que são da verdade me ouvem” (João 18.37); “No entanto, vocês não crêem em mim, porque lhes digo a verdade!” (8.45). Quando a verdade não produz a reação que queremos – quando ela não “funciona” -, não devemos abandoná-la. Jesus não é pragmático quando se trata de amar as pessoas com a verdade. Nós falamos a verdade, e se ela não for capaz de vencer a opinião do outro, não devemos pensar em mudá-la, e sim orar para que nossos ouvintes sejam despertados e modificados pela verdade: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (8.32). Jesus orou: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (17.17).

Quando ora para que seu povo seja santificado na verdade, Jesus revela as raízes do amor. A santificação – ou santidade, conforme Jesus a entende –, implica transformar-se numa nova pessoa. Ele está orando para que nos tornemos pessoas que amam, misericordiosas, pacificadoras e perdoadoras. Tudo isso faz parte da oração: “Santifica-os”, e tudo isso acontece em verdade e pela verdade, jamais separado dela. O esforço de opor o amor à verdade é como pôr a fruta contra a raiz ou o acendedor contra o fogo; ou como construir, sem um alicerce firme, um dormitório no segundo pavimento da casa. A casa inteira desmoronará, levando junto o dormitório, se o alicerce ruir. O amor vive pela verdade, inflama-se por meio da verdade e subsiste por causa da verdade. Foi por isso que o primeiro ato de amor de Jesus, ao nos dar o mandamento de amar, foi corrigir uma falsa interpretação das Escrituras.

John Piper, em O que Jesus espera de Seus seguidores.

sexta-feira, setembro 18, 2009

As marcas da Igreja

a. A fiel pregação da Palavra. Esta é a mais importante marca da igreja. Enquanto que esta independe dos sacramentos, estes não são independentes dela. A fiel pregação da Palavra é o grande meio para a manutenção da igreja e para habilita-la a ser a mãe dos fiéis. Que esta é uma das características da igreja transparece em passagens como Jo 8.31, 32, 47; 14.23; 1 Jo 4.1-3; 2 Jo 9. Atribuir esta marca à igreja não significa que a pregação da Palavra na igreja terá que ser perfeita para que ela possa ser considerada co como igreja verdadeira. Tal ideal é inatingível na terra; só se pode atribuir à igreja uma relativa pureza de doutrina. Uma igreja pode ser relativamente impura em sua apresentação da verdade, sem deixar de ser uma igreja verdadeira. Mas há um limite além do qual a igreja não pode ir, na apresentação errônea da verdade ou em sua negação, sem perder o seu verdadeiro caráter e tornar-se uma igreja falsa. É o que acontece quando artigos fundamentais de fé são negados publicamente, e a doutrina e a vida já não estão sob o domínio da Palavra de Deus.

b. A correta ministração dos sacramentos. Jamais se deve separar os sacramentos da Palavra, pois eles não têm conteúdo próprio, mas extraem o seu conteúdo da Palavra de Deus; são de fato uma pregação visível da Palavra. Nesta qualidade, eles devem ser ministrados por legítimos ministros da Palavra, de acordo com a instituição divina, e somente a participantes devidamente qualificados [...] Uma negação das verdades centrais do Evangelho, naturalmente afetará a adequada ministração dos sacramentos; e, certamente, a igreja de Roma se afasta do modo correto quando separa da Palavra de Deus os sacramentos, atribuindo-lhes uma espécie de eficácia mágica [...] Que a reta administração dos sacramentos é uma característica da igreja verdadeira, segue-se da sua inseparável conexão com a pregação da Palavra e de passagens como Mt 28.19; Mc 16.15, 16; At 2.42; 1 Co 11.23-30.

c. O fiel exercício de disciplina. É deveras essencial para a manutenção da pureza da doutrina e para salvaguardar a santidade dos sacramentos. As igrejas que relaxarem na disciplina, descobrirão mais cedo ou mais tarde em sua esfera de influência um eclipse da luz da verdade e abusos nas coisas santas. Daí, a igreja que quiser permanecer fiel ao seu ideal, na medida em que isto é possível na terra, deverá ser diligente e conscienciosa no exercício da disciplina cristã. A Palavra de Deus insiste na adequada disciplina a ser exercida na igreja de Cristo, Mt 18.18; 1 Co 5.1-5, 13; 14.33, 40; Ap 2.14, 15, 20.

Louis Berkhof

terça-feira, setembro 15, 2009

Exemplo do evangelicalismo popular dos nossos dias


Interessante. Estava dando uma olhada na minha lista de blogs e me deparei com a seguinte citação de A.W. Tozer, no blog 5 Solas:

Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretêm. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne... A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado – mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz.
O detalhe é que tinha acabado de ler uma matéria do New York Times, no UOL, falando sobre determinadas atividades em algumas "igrejas". Para ilustrar o que Tozer escreveu, veja um exemplo do que ele tanto criticava aqui.

É ou não é uma vergonha?

Obs: para ler um artigo de Tozer sobre o entretenimento no meio cristão, clique aqui.

segunda-feira, setembro 14, 2009

O antídoto contra o materialismo

O Rei Salomão apresenta algumas percepções interessantes em Eclesiastes 5:10-15. A seguir, os versículos, com minhas paráfrases:
"Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente" (v10).
Quanto mais você tem, mais você quer ter.

"Quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos" (v10).
Quanto mais você tem, mais você se sente insatisfeito.

"Quando aumentam os bens, também aumentam os que os consomem" (v11).
Quanto mais você tem, mais pessoas (incluindo o governo) desejarão usufruir dos seus bens.

"E que benefício trazem os bens a quem os possui, senão dar um pouco de alegria aos seus olhos?" (v11).
Quanto mais você tem, mais você percebe que a riqueza material não tem grande utilidade.

"O sono do trabalhador é ameno, quer coma pouco quer coma muito, mas a fartura de um homem rico não lhe dá tranqüilidade para dormir" (v12).
Quanto mais você tem, mais motivos tem para se preocupar.

"Há um mal terrível que vi debaixo do sol: riquezas acumuladas para infelicidade do seu possuidor" (v13).
Quanto mais você tem, mais chance tem de sofrer por apegar-se à sua fortuna.

"Se as riquezas dele se perdem num mau negócio, nada ficará para o filho que lhe nascer" (v14).
Quanto mais você tem, mais tem a perder.

"O homem sai nu do ventre de sua mãe, e como vem, assim vai. De todo o trabalho que se esforçou nada levará consigo" (v15).
Quanto mais você tem, mais terá de deixar quando partir.
Salomão, o homem mais rico que já existiu, aprendeu que a abundância não satisfaz e quanto maior a ambição, mais se persegue miragens. Como o dinheiro geralmente acaba antes de as pessoas realizarem os seus sonhos mirabolantes, costuma-se acreditar no estereótipo de que a realização provém apenas daquilo que não podemos ter.

Mas Salomão nunca ficou sem dinheiro. "Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração" (Ec 2:10).

Salomão chegou à seguinte conclusão: "Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol" (Ec 2:11).

Por que continuamos a nos enganar? Porque nossos corações anseiam por riquezas aqui e agora. Temos a tendência de acreditar que as riquezas deste mundo são as verdadeiras riquezas, quando na verdade elas não passam de pálidas sombras das verdadeiras riquezas.

Contudo, os bens materiais podem se transformar em tesouros celestiais. Veja o que A. W. Tozer nos diz: "Como algo freqüentemente necessário, o dinheiro também pode ser transformado em tesouros eternos. Posso, por exemplo, transformar o dinheiro em alimento para os que têm fome ou em roupas para os pobres, posso usá-lo para garantir o sustento de missionários que levam o Evangelho para aqueles que não conhecem a Jesus, e assim transformá-lo em tesouros celestiais. Qualquer bem temporal pode ser transformado em um tesouro eterno. Tudo o que oferecemos a Cristo é imediatamente revestido de imortalidade".

Mas como podemos nos curar da ganância? Existe algum antídoto contra o materialismo? O apóstolo Paulo nos oferece uma resposta:
"Ordene aos que são ricos no presente mundo que não sejam arrogantes, nem ponham a sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus, que de tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação. Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir. Dessa forma, eles acumularão um tesouro para si mesmos, um firme fundamento para a era que há de vir, e assim alcançarão a verdadeira vida" (1 Tm 6:17-19).
Ofertar é o único antídoto contra o materialismo.

Extraído de A Chave do Tesouro, de Randy Alcorn

sexta-feira, setembro 11, 2009

O impacto da Revelação Divina

Quando eu, pessoalmente, entrei em contato com a revelação divina na Escritura Sagrada, fiz isso do modo mais natural e existencial possível. E o impacto que as cálidas páginas da Bíblia imprimiam sobre mim era como algo que descesse de misteriosos píncaros dourados de majestosas montanhas, rolasse através da poeira e das águas da vida dos homens, e atingisse o meu peito com a força de dardos de arcanjos e com a realidade concreta de gigantes sempre meninos e de meninos gigantes - humanos, muito humanos.

Odayr Olivetti, em Teologia para você

quarta-feira, setembro 09, 2009

A Teologia da Marcha para Jesus

Aproveitando a iminência da Marcha para Jesus, segue um artigo para reflexão.


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A IDEOLOGIA POR DETRÁS DA MARCHA

Existe uma justificativa teológica elaborada para a Marcha, que procura abonar o evento à luz da Bíblia. Os pontos abaixo foram retirados do site Marcha para Jesus (www.marchaparajesus.com.br, em 12/01/05) e se constituem na “teologia da Marcha”. Aliás, a maior parte deles se encontra exatamente debaixo do tópico “teologia” no site da Marcha. Segue um resumo dos principais argumentos, entre outros, seguidos de um breve comentário.

1. A ordem de “marchar” aparentemente foi dada mediante revelação do Espírito Santo. Diz o site:
A visão inicial da Marcha para Jesus, como qualquer outra ação em que os cristãos empreendem para Deus, está baseado [sic!] no conhecimento e na obediência. Nós acreditamos que Deus diz para nós marcharmos, e esta obediência precede uma revelação. O Espírito Santo de Deus nos conduz em toda a verdade (João 16:13) e a teologia do ato de marcharmos para Jesus emerge quando nós nos engajamos em ouvir o que o Espírito Santo está dizendo para uma Igreja atuante e batalhadora nesta terra.
Comentário: O parágrafo acima não é claro, mas dá a entender que a visão inicial foi mediante uma revelação de Deus, seguida da obediência de quem a recebeu, em cumprir a visão. O parágrafo acima sugere que a visão da Marcha foi dada pelo Espírito Santo. Quando nos lembramos que a denominação organizadora da Marcha tem um “apóstolo” (uso o termo entre aspas, não por qualquer desrespeito a esse líder, mas porque não creio que existam apóstolos hoje à semelhança dos Doze e de Paulo), imagino que “revelações” (uso o termo entre aspas não por desrespeito às práticas dessa denominação, mas porque não creio que existam novas revelações da parte de Deus hoje) devam ser freqüentes.

2. Segundo o site, a Marcha é uma declaração teológica: a Igreja está em movimento e está viva! É o meio pelo qual os cristãos querem ser conhecidos publicamente como discípulos de Jesus.

Comentário: Se esta é a forma bíblica dos cristãos mostrarem que estão vivos e que são seguidores de Jesus, é no mínimo estranho que não encontremos o menor traço de marchas para Jesus no Novo Testamento, ou para Deus no Antigo.

3. A Marcha é entendida como uma celebração semelhante às do Antigo Testamento, possuindo uma qualidade extremamente espontânea e alegre. Participam da Marcha jovens de caras pintadas, cartazes, roupas coloridas e canções vivazes. Isto é visto como uma celebração do amor extravagante de Deus para o mundo.

Comentário: Na minha avaliação, o ponto acima dificilmente pode ser tomado como um argumento bíblico ou teológico para justificar o evento. As “marchas” de Israel no Antigo Testamento, não tinham como alvo evangelizar os povos – ao contrário, eram marchas de guerra, para conquistá-los ou exterminá-los, conforme o próprio Deus mandou naquela época. Fica difícil imaginar os israelitas organizando uma marcha através de Canaã, com os levitas tocando seus instrumentos e dando shows, para ganhar os cananeus para a fé no Deus de Israel!

4. Marchar para Jesus é visto também como um ato profético que dá consciência espiritual às pessoas. Josué mobilizou as pessoas de Israel para marchar ao redor das paredes de Jericó. Jeosafá marchou no deserto entoando louvores a Deus. Quando os cristãos marcham, estão agindo profeticamente, diz o site.

Comentário: Entendo que se trata de um uso errado das Escrituras. Por exemplo: se vamos tomar o texto de Josué como uma ordem para que os cristãos marchem, por que então somente marchar? Por que não tocar trombetas? E por que só marchar uma vez, e não sete ao redor da cidade inteira? E por que não mandar uma arca com as tábuas da lei na frente? E por que não ficar silencioso as seis primeiras vezes e só gritar na sétima?

5. Marchar para Jesus traz uma sensação natural de estar reivindicando o lugar no qual os participantes caminham. Acredita-se que assim libera-se no mundo espiritual a oportunidade desejada por Deus: “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, eu a darei ...” (Josué 1.3).

Comentário: Será esta uma interpretação correta das Escrituras? Podemos tomar esta promessa de Deus a Josué e ao povo de Israel como sendo uma ordem para que os cristãos de todas as épocas marquem o terreno de Deus através de marchas? Que evangelizem, conquistem, e ganhem povos e nações para Jesus através de marchar no território deles? Que estratégia é esta, que nunca foi revelada antes aos apóstolos, Pais da Igreja, missionários, reformadores, evangelistas, de todas as épocas e terras, e da qual não encontramos o menor traço na Bíblia?

6. A Marcha destrói as fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas das cidades e regiões onde ela acontece, declarando com fé que Jesus Cristo é o Senhor do Brasil.

Comentário: Onde está a fundamentação bíblica para tal? Na verdade, este ponto é baseado em conceitos do movimento de batalha espiritual, especialmente o conceito de espíritos territoriais, e em conceitos da confissão positiva, que afirmam que criamos realidades espirituais pelo poder das nossas declarações e palavras.

7. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.

Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.

8. Os defensores da Marcha dizem que pessoas se convertem no evento.

Comentário: Não nos é dito qual é o critério usado para identificar as verdadeiras conversões. Se for levantar a mão ou vir à frente durante os shows e as pregações da Marcha, é um critério bastante questionável. As estatísticas que temos nos dizem que apenas 10% das pessoas que atendem a um apelo em cruzadas de evangelização em massa, como aquelas de Billy Graham, permanecem nas igrejas. Mas, mesmo considerando as conversões reais, ainda não justificaria, pois não raras vezes Deus utiliza meios para converter pessoas, meios estes que não se tornam legítimos somente porque Deus os usou. Por exemplo, o fato de que maridos descrentes se convertem através da esposa crente não quer dizer que Deus aprova o casamento misto e nem que namorar descrentes para convertê-los seja estratégia evangelística adequada.

9. Os defensores dizem ainda que a Marcha promove a unidade entre os cristãos. Em alguns lugares do mundo, a Marcha é concluída com um “pacto” entre as denominações, confissões e indivíduos, exigindo que cada um deles não faça mais discriminação por razões doutrinárias.

Comentário: Sou favorável à unidade entre os verdadeiros cristãos. Mas não a qualquer preço e não qualquer tipo de união. A unidade promovida pela Marcha, sob as condições mencionadas acima, tem o efeito de relegar a doutrina bíblica a uma condição secundária. O resultado é que se deixa de dar atenção à doutrina. Em nome da unidade, abandona-se a exatidão doutrinária. Deixa-se de denunciar os erros doutrinários grosseiros que estão presentes em muitas denominações, erros sobre o ser de Deus, sobre a pessoa de Jesus Cristo, a pessoa e atuação do Espírito, o caminho da salvação pela fé somente, etc. Unidade entre os cristãos é boa e bíblica somente se for em torno da verdade. Jamais devemos sacrificar a verdade em nome de uma pretensa unidade. A unidade que a Marcha mostra ao mundo não corresponde à realidade. Ela acaba escondendo as divisões internas, os rachas doutrinários, as brigas pelo poder e as divisões que existem entre os evangélicos. Se queremos de fato unidade, vamos encarar nossas diferenças de frente e procurar discuti-las e resolve-las em concílios, reuniões, na mesa de discussão – e não marchando.

10. Os defensores da Marcha dizem que ela é uma forma de proclamação do Evangelho ao mundo.

Comentário: A resposta que damos é que a proclamação feita na Marcha vem misturada com apresentações de artistas gospel profissionais, ambiente de folia e danceteria, a ponto de perder-se no meio destas outras coisas. Além do mais, a mensagem proclamada é aquela da denominação organizadora, de linha neo-pentecostal, com a qual naturalmente as igrejas evangélicas históricas não concordariam, pois é influenciada pela teologia da prosperidade e pela batalha espiritual.

É evidente que, analisada de perto, a “teologia da Marcha” não se constitui em teologia propriamente dita. Os argumentos acima não provam que há uma revelação para que se marche, e não justificam a necessidade de os cristãos obedecerem organizando marchas. Não há qualquer justificativa bíblica para que os cristãos façam marchas, nem qualquer sustentação bíblica para a idéia de “dar a Deus a oportunidade” mediante uma marcha, ou ainda de que, marchando e declarando, se conquistam regiões e cidades para Cristo. Se há fundamento bíblico, por que os primeiros cristãos não o fizeram? Por que historicamente a Igreja Cristã nunca fez?

Pelos motivos acima, entendo que os argumentos bíblicos e teológicos apresentados para justificar a Marcha para Jesus não procedem. Nada tenho contra que cristãos organizem uma Marcha para Jesus. Apenas acho que não deveriam procurar justificar bíblica e teologicamente como se fosse um ato de obediência à Palavra de Deus. Neste caso, estão condenando como desobedientes todos os cristãos do passado, que nunca marcharam, e os que, no presente, também não marcham.

Por Augustus Nicodemus

sexta-feira, setembro 04, 2009

Livros de literatura fantástica a preço de banana


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quinta-feira, setembro 03, 2009

Qual visão você tem da Lei?

É uma deformação grosseira do Cristianismo dizer que a graça exclui a pregação da lei de Deus. “É mediante a Lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado”, Paulo explica (Romanos 3.20). Num tempo em que o pecado é assumido como nada mais que uma construção religiosa imaginária, e que a doença psicológica existe somente devido a uma sociedade com disfunção, os crentes devem deixar claro os requerimentos morais de Deus que a humanidade tem transgredido. O homem é um pecador, e ele é tão incapaz que um poder, que não é o dele, deve resgata-lo da destruição.

Machen escreveu há décadas: “O verdadeiro professor para trazer os homens a Cristo é encontrado, portanto, agora e sempre na lei de Deus – a lei de Deus que dá aos homens a consciência do pecado. Uma nova e poderosa proclamação desta lei é talvez a necessidade mais urgente do nosso tempo [...] uma visão baixa da lei sempre produz o legalismo na religião; uma visão alta da lei faz do homem um buscador da graça”*. Os cristãos contemporâneos fazem o inverso: eles pensam que uma visão baixa da lei abre lugar para a graça, enquanto uma visão alta da lei é a base do legalismo. Contudo, é uma visão baixa da lei que engana o homem com o pensamento de que ele pode satisfazer seus requerimentos, mas uma visão alta da lei o leva a buscar a misericórdia de Deus em desespero.

* J. Gresham Machen, What is Faith?; Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991 (original: 1925); p. 141-142.

Vincent Cheung - Renovando a Mente, p. 51-52.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Livre Arbítrio

A Escritura testemunha com freqüência que o homem é escravo do pecado; o que quer dizer que seu espírito é tão estranho à justiça de Deus que não concebe, deseja ou empreende coisa alguma que não seja má, perversa, iníqua e suja; pois o coração, completamente cheio do veneno do pecado, não pode produzir senão os frutos do pecado. Não pensemos, porém, que o homem peca como impelido por uma necessidade iniludível, pois peca com o consentimento de sua própria vontade, continuamente e segundo sua inclinação. Mas como a causa da corrupção de seu coração odeia profundamente a justiça de Deus, e por outro lado lhe atrai toda sorte de maldade, por isso se diz que não tem o livre poder de escolher o bem e o mal — que é o que chamamos de livre arbítrio.
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Breve Instrução Cristã, João Calvino. Publicado em 1537.

terça-feira, setembro 01, 2009

A História da Igreja

Nesse post, queremos salientar a importância de todo cristão pelo conhecimento histórico acerca daquilo que Deus tem operado no meio do seu povo, a Sua Igreja, no decorrer do tempo. Lloyd-Jones já dizia que o conhecimento do Senhor sempre leva a um interesse pela história da Igreja, e estimula esse interesse. Há um defeito em algum ponto do nosso conhecimento do Senhor; pois desde que uma pessoa tenha um verdadeiro conhecimento do Senhor, ela tem um vívido interesse por todas as obras do Senhor, por todos os eventos conhecidos e registrados na longa história da Igreja Cristã. Penso que isso é algo que deveria levar-nos a examinar-nos a nós mesmos com muita seriedade (1). Para nossa alegria, nosso irmão Juliano Heyse, daqui de Florianópolis, disponibilizou um excelente estudo, mesmo que resumido, sobre história da Igreja. Porém, muito rico em vários aspectos. Todo estudo está disponibilizado no site Bom Caminho, e poderá ser baixado em mp3 ou então, você poderá ouvir no próprio site incluindo apresentação de slides com fotos, mapas e outras imagens. Excelente trabalho! Obrigado ao Juliano por disponibilizar esse tesouro. São 52 partes numeradas seqüencialmente. Com certeza vale a pena ser visto e ouvido diversas vezes.

1 – João Calvino & George Whitefield, D.M. Lloyd-Jones. Editora PES

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