segunda-feira, 31 de março de 2008

O fundamento das leis positivas

O homem pode, mesmo não devendo, alterar sua ordenação aos fins naturais, de modo que provoque uma distorção da realidade. Nesses casos a ação humana se afasta de seu fim natural, que é a ordem moral. Trata-se de um fenômeno chamado involução social, pois é contrário aos fins do homem. E os legisladores estão sujeitos aos mesmos erros, sendo capazes de formular leis que vão contra os preceitos da lei natural. Tais leis causam a involução e a degradação da sociedade, pois ferem as instituições naturais.

No ensinamento de Gilberto Callado de Oliveira:

Assim agem os legisladores, que começam cedendo em seu espírito, em sua alma, ao consenso entre a verdade e o erro, o bem e o mal, e depois continuam cedendo nos direitos mais caros de seus representados, até que as abominações adquiram foros de legalidade. Reflexivamente as práticas sociais não se revelam diferentes: a desintegração das famílias, o alarmante aumento da incidência de gravidez precoce, a assustadora estatística de abortos, a preocupante atuação de redes internacionais de tráfico de crianças para efeito de pedofilia, a prática cada vez mais explícita da homossexualidade, o permissivismo reinante nos diversos ambientes sociais. A pretexto de acompanhar a ‘evolução’ do comportamento das pessoas, as leis positivas dão guarida aos maus costumes, considerando-os fonte primária do direito.

A lei humana, por derivar da natural, tem um vínculo indissolúvel com a moral (ordem moral é a ordem da lei natural) por ter inteira relação com os fins naturais do homem.


Saulo Rodrigo do Amaral

sábado, 29 de março de 2008

Escreve-a na tábua do teu coração

TorahEntretanto, se você se diz judeu, apóia-se na Torah e orgulha-se de Deus e conhece sua vontade e aprova o que é correto, porque tem sido instruído na Torah; e está persuadido de ser um guia para os cegos, uma luz nas trevas, instrutor de pessoas espiritualmente ignorantes e um mestre de crianças, porque tem na Torah a expressão do conhecimento e da verdade; então, você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo? Pregando: “não roube”[a], rouba? Dizendo: “não adultere”[b], adultera? Você, que detesta ídolos, comete atos de idolatria? Você, que se orgulha tanto da Torah, desonra a Deus, desobedecendo à Torah? Como está escrito no Tanakh: “Por causa de vocês, o nome de Deus é blasfemado entre os goyim[c]. Porque a circuncisão tem valor se você fizer o que a Torah diz. Entretanto, se você for um transgressor da Torah, sua circuncisão torna-se incircuncisão! Portanto, se um homem incircunciso guarda as exigências justas da Torah, não será sua incircuncisão considerada circuncisão? Na verdade, o homem fisicamente incircunciso que obedece à Torah condenará você, que, apesar de ter passado pela b’rit-milah e ter a Torah escrita, transgride a Torah! Porque o judeu de verdade não é apenas o exteriormente judeu; a circuncisão não é apenas exterior e física. Ao contrário, o judeu de verdade é quem o é interiormente; e a verdadeira circuncisão é a do coração, espiritual, e não literal; para que seu louvor não proceda de homens, mas de Deus.


[a]
Sh’mot [Êx] 20.13(15); D’varim [Dt] 5.19
[b] Sh’mot [Ex] 20.13(14); D’varim [Dt] 5.18
[c] Yesha’yahu [Is] 52.5; Yechezk’el [Ez] 36.20


Novo Testamento Judaico: Romanos 2.17-29.

domingo, 23 de março de 2008

Esvaziem as mesas!

Também estamos resolvidos a pregar apenas a Palavra de Deus. Em grande parte, a alienação das massas ao ouvir o evangelho se explica pelo triste fato de que nem sempre é o evangelho que ouvem quando se dirigem aos lugares de culto, e tudo o mais fracassa em fornecer o que suas almas precisam. Será que você nunca ouviu falar de um rei que fez uma série de grandes banquetes e convidou muitas pessoas, semana após semana? Ele tinha um bom número de servos encarregados de servir sua mesa; e, nos dias marcados, estes saíram e falaram com as pessoas. Mas, de alguma forma, depois de um tempo a maior parte das pessoas não vinha às festas. O número de convidados que comparecia era decrescente; a grande massa de cidadãos dava as costas aos banquetes. O rei indagou e descobriu que o alimento providenciado não parecia satisfazer os homens que vinham olhar os banquetes e, por isso, não vinham mais. Ele resolveu examinar pessoalmente as mesas e os alimentos servidos. Viu muita coisa fina e muitas peças expostas que não eram de seus armazéns. Olhou a comida e disse: "Mas o que é isso? Como esses pratos chegaram aqui? Não são do meu suprimento. Meus bois cevados foram mortos, mas não vejo carne de animais engordados, e sim carne dura de gado magro e faminto. Os ossos estão aqui, onde está a gordura e o tutano? O pão também é de má qualidade, onde está o meu que é feito do melhor trigo? O vinho está misturado com água, e a água não é de um poço limpo".

Um dos presentes respondeu: "Ó rei, achamos que o povo estaria farto de tutano e gordura, assim lhes demos osso e cartilagem para pôr seus dentes à prova. Achamos também que estariam cansados do melhor pão branco, por isso assamos uns poucos em nossas casas, nos quais deixamos o farelo e a casca dos cereais. É opinião dos doutos que nosso alimento é mais adequado a esses tempos do que aquele que vossa majestade prescreveu há tanto tempo. Em relação aos vinhos com borra, o gosto dos homens não é esse na época atual; além disso, um líquido tão transparente como a água pura é uma bebida leve demais para homens que estão acostumados a beber do rio do Egito, cujo gosto é do barro que vem das montanhas da Lua".

Assim, o rei entendeu porque as pessoas não vinham aos banquetes. Será que esse é o motivo pelo qual a casa de Deus tem se tornado tão desagradável para uma grande parcela da população? Creio que sim. Será que os servos do Senhor têm picado seus restos de miscelâneas e pequenas máculas para com isso fazer uma carne cozida para os milhões de fiéis, e, por isso, estes se afastam? Ouça o resto da minha parábola. O rei indignado exclamou: "Esvaziem as mesas! Joguem todo esse lixo para os cães. Tragam os barões da carne, mostrem minha comida real. Tirem essas bugigangas do salão e aquele pão adulterado da mesa e lancem fora a água do rio barrento". Eles fizeram como o rei mandou, e se minha parábola estiver certa, logo houve um rumor pelas ruas de que verdadeiras delícias reais eram oferecidas ali, o povo encheu o palácio e o nome do rei tornou-se de grande excelência por toda terra. Vamos experimentar esse plano. Quem sabe logo estaremos nos regozijando em ver o banquete do Mestre cheio de hóspedes.


C.H. Spurgeon - Preparado para o combate da Fé

terça-feira, 18 de março de 2008

O Cristão vampiro

Alguns anos atrás, A.W. Tozer expressou sua 'sensação de que uma heresia extraordinária se desenvolveu em todos os círculos cristãos - a idéia amplamente aceita de que os seres humanos podem escolher aceitar a Cristo pelo simples fato de precisarem dele como Salvador e de que têm o direito de adiar a obediência que devem a ele como Senhor pelo tempo que desejarem!'. Ele prossegue afirmando que 'a salvação sem obediência é algo desconhecido nas Escrituras Sagradas'.

Essa 'heresia criou a impressão de que é plenamente aceitável ser um 'cristão vampiro'. Na verdade, o que estamos dizendo a Jesus é: 'Gostaria de receber um pouco de sangue, mas não quero ser seu aprendiz nem ter seu caráter. Com licença, mas agora vou prosseguir com minha vida. Vejo você no céu'. Mas será que podemos imaginar que Jesus considera essa abordagem aceitável?

Dallas Willard - A Grande Omissão

segunda-feira, 17 de março de 2008

Substitutos baratos

Viver sob o governo do céu nos liberta e nos confere poder para amar como Deus ama. Mas fora da segurança e suficiência do céu, nos vemos amedrontados e irados demais para amar os outros ou a nós, de modo que providenciamos substitutos baratos na forma de prazeres e “amores” de vários tipos. Em linguagem contemporânea, poderíamos expressar a comparação que Jesus faz entre ágape, o tipo de amor que vem de Deus, e aquilo que normalmente se faz passar por esse amor como: “Grande coisa vocês amarem aqueles que amam vocês! Até os terroristas amam desse modo! Se o seu ‘amor’ não passa disso, Deus certamente não faz parte dele. Suponhamos, ainda, que você seja amigável com ‘pessoas do seu tipo’. A máfia também é!” (Mt 5:46-47)

Agora reflita: você alguma vez foi generoso e abençoou alguém que o insultou ou humilhou? Você consegue trabalhar sem esperar recompensas, visando ao bem de alguém que o despreza abertamente, que talvez lhe disse que preferia ver você morto? Você está torcendo de fato pelo sucesso de alguém que está concorrendo com você por um favor, cargo ou benefício financeiro? É isso o que fazem as pessoas controladas e permeadas pelo amor que vem de Deus.

Vi escrito num capacho “Sejam bem-vindos amigos!”. Mas será que você também é capaz de receber com sinceridade seus inimigos? Quando você empresta um vestido, aparelho de som, carro, ferramentas ou livros, consegue abrir mão desses objetos sem a esperança de que sejam devolvidos, como Lucas 6:35 sugere que façamos? Gosto de trabalhar com marcenaria e mecânica e, como os vizinhos logo descobrem, tenho várias ferramentas. Fico feliz quando tenho a oportunidade de emprestar uma serra elétrica, uma chave inglesa ou um alicate para alguém, pois vejo essas situações como um exercício de desapego e entrega a Deus. Com uma pontada de preocupação egoísta aqui e ali, estou aprendendo a amar os outros por meio desses pequenos gestos quem fazem uma grande diferença em nossos relacionamentos.

Extraído do livro “A Grande Omissão”

Autor: Dallas Willard é professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia. Graduou-se em psicologia pela Faculdade William Jewell e em Filosofia da Religião pela Universidade Baylor, onde fez doutorado. Suas obras filosóficas concentram-se nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da mente e da Lógica. Trabalhou também na Fundação CS Lewis e na Universidade de Biola.

Encontrei!

Não precisamos de nada mais do que aquilo que Deus achou por bem revelar. Certos espíritos errantes nunca estão em casa até que estejam viajando pelo exterior: têm fome de algo que nunca encontrarão "no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra" (Êx 20.4) enquanto tiverem o pensamento que têm agora. Nunca descansam, porque não querem ter nada que ver com uma revelação infalível, por isso, eles estão fadados a perambular através do tempo e da eternidade e a não encontrar nenhuma cidade em que possam descansar. Pois, no momento, eles se gloriam como se satisfeitos com seu último brinquedo novo, mas em poucos meses o esporte deles será quebrar em pedaços todas as noções que anteriormente prepararam com cuidado e exibiram com deleite. Sobem um morro apenas para descê-lo de novo. De fato, dizem que a busca da verdade é melhor do que a própria verdade. Gostam de pescar mais do que do peixe; o que pode bem ser verdade, visto que seus peixes são muito pequenos e cheios de ossos.

Esses homens são tão profícuos em destruir suas teorias, como certos indigentes em esfarrapar suas roupas. Mais uma vez começam de novo, vezes sem conta; sua casa está sempre com os alicerces expostos. Devem ser bons em inícios, pois desde que os conhecemos sempre estão começando. São como aquilo que roda no redemoinho, ou "como o mar agitado, incapaz de sossegar e cujas águas expelem lama e lodo" (Is 57.20). Embora sua nuvem não seja aquela que indica a presença divina, contudo está sempre andando à frente deles e suas tendas nem estão bem armadas e já é tempo de levantar de novo as estacas. Esses homens nem mesmo procuram certeza; seu céu é evitar toda verdade fixa e seguir toda quimera de especulação; estão sempre aprendendo, mas nunca chegam ao conhecimento da verdade.

Quanto a nós, lançamos âncora no abrigo da Palavra de Deus. Eis aí nossa paz, nossa força, nossa vida, nosso motivo, nossa esperança, nossa felicidade. A Palavra de Deus é nosso ultimato. Aqui nós o temos. Nosso entendimento clama: "Encontrei"; nossa consciência afirma que aqui está a verdade; e nosso coração encontra aqui um suporte ao qual toda sua afeição pode se agarrar e, por isso, descansamos contentes.

C.H. Spurgeon - Preparado para o combate da Fé

terça-feira, 11 de março de 2008

A mente cristã e o divórcio

Há a noção de que o casamento após o divórcio é algo completamente diferente de adultério. Hoje, espera-se que o cristão, independentemente de como foi formado, que ele se pronuncie e diga que são atos distintos. Espera-se isso, exceto como membro de uma sociedade sobre cujas regras nada pode fazer com que ele pense em um novo casamento após o divórcio como algo diferente do adultério. Pede-se a ele que aceite uma distinção entre ligações adúlteras não registradas e as registradas pelo Estado, que institucionaliza a infidelidade e converte a moralidade em um sistema de licenciamento. Mas a mente cristã não pode ver a poligamia em série, praticada durante anos com o auxílio das cortes de divórcio, como algo totalmente diferente da poligamia contemporânea. O respeito pelo tempo, mostrado pela lei em sua distinção entre bigamia e o casar de novo de divorciados, deve soar ao cristão como algo irracional. De fato, a mente cristã acha uma coisa absurda a tenacidade com que o mundo secular se prende à monogamia oficialmente. Além disso, a mente cristã, refletindo de forma fria e desapaixonada, é tentada a concluir que seria mais fácil defender um caso moral a favor da poligamia do que por alianças sucessivas, entremeadas por visitas aos tribunais de divórcio. Será que se um homem, bem estabelecido na meia-idade, quer arranjar uma nova esposa jovem e atraente, ele melhora as coisas, ou as piora, lançando fora a esposa que envelhece, sua companheira desde a mocidade? Esse é o tipo de pensamento desconfortável que a mente cristã é capaz de seguir, libertada pelos limites impostos pelo código mal-pensado do secularismo moderno. Em teoria, a poligamia talvez seja mais fácil de defender que divórcio e outro casamento. Em uma casa polígama, só um dos parceiros e promíscuo.

Essa ilustração não tem a intenção de providenciar uma defesa da poligamia. Ao contrário, pretendeu chamar atenção ao vasto abismo que separa a mente cristã da mente secular em seu pensar moral. Classificar os divórcios e novos casamentos como poligamia é, para a mente secular, um absurdo, mas para a mente cristã, uma classificação natural e lógica.

Harry Blamires - A mente cristã

Adaptado

domingo, 9 de março de 2008

Santificação

Nada nos ajudará a viver neste mundo e a nos manter sem manchas, a não ser o Espírito que estava em Cristo, que cuidou de seu corpo enquanto Deus o preparava para o serviço; que cuida do nosso corpo enquanto também somos preparados para que possamos oferecer-lhe. Tal como Cristo, também temos um corpo onde habita o Espírito Santo. Tal como Cristo, também precisamos entregar nosso corpo, com cada membro, toda a força, todas as ações, para glorificá-lo. Tal como Cristo, precisamos provar, em nosso corpo, que somos separados para o Senhor.

D.L. Moody

terça-feira, 4 de março de 2008

Cristianismo Puro e Simples (Audiobook)

Um clássico da literatura cristã em forma de audiobook. Também conhecido em português como Mero Cristianismo, do original em inglês Mere Christianity, a edição da Martins Fontes traz o título de Cristianismo Puro e Simples à obra máxima de C.S. Lewis.








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