sexta-feira, novembro 30, 2007

Adeus às Terras Sombrias

"...Os humanos não conseguiam escutar coisa alguma. Então Aslam voltou-se para eles, dizendo:-- Vocês ainda não parecem tão felizes quanto eu gostaria.-- É que estamos com medo de sermos mandados embora, Aslam! Já fomos mandados de volta ao nosso próprio mundo muitas vezes.-- Não precisam ter medo – disse o Leão. – Vocês ainda não perceberam? Sentiram o coração pulsar forte e uma leve esperança foi crescendo dentro deles.-- Aconteceu mesmo um acidente com o trem – explicou Aslam. – Seu pai, sua mãe e todos vocês estão mortos, como se costuma dizer nas Terras Sombrias. Acabaram-se as aulas, chegaram as férias! Acabou-se o sonho: rompeu a manhã! E, à medida que Ele falava, já não lhes parecia mais um leão. E as coisas que começaram a acontecer a partir daquele momento eram tão lindas e grandiosas que não consigo descrevê-las. Para nós, este é o fim de todas as histórias, e podemos dizer, com absoluta certeza, que todos viveram felizes para sempre. Para eles, porém, este foi apenas o começo da verdadeira história. Toda a vida deles neste mundo e todas as suas aventuras em Nárnia haviam sido apenas a capa e a primeira página do livro. Agora, finalmente, estavam começando o Capítulo Um da Grande História que ninguém na terra jamais leu: a história que continua eternamente e na qual cada capítulo é muito melhor que o anterior."

A Última Batalha – Capítulo 16: Adeus às Terras Sombrias -- As Crônicas de Nárnia.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Não por força nem por poder

“Não adianta nada me dar uma peça como Hamlet ou Rei Lear e me dizer para escrever uma peça assim. Shakespeare conseguia – eu não. E não adianta nada me mostrar uma vida como a vida de Jesus e me dizer para viver uma vida assim. Jesus conseguia – eu não. Mas se a genialidade de Shakespeare pudesse vir e habitar em mim, então eu poderia escrever uma peça como essas. E se o Espírito pudesse vir para dentro de mim, então eu poderia viver uma vida como a dEle.”

*William Temple, arcebispo na década de 1940, citado por John Stott em seu último sermão público.

Agradecimento

Venho agradecer publicamente ao Sound Master do excelente Música Cristã MP3 (Som Cristão) por generosamente incluir um link para cá. Para um blog que está iniciando, é de enorme valia. Obrigado por suas palavras.

Também a Karine, que gentilmente fez o logo do blog.
Que o Eterno os agracie.

sexta-feira, novembro 23, 2007

"Sob a Lei" e "Obras da Lei"

Grande parte da teologia cristã relativa à Torah baseia-se no entendimento errôneo de duas expressões gregas inventadas por Sha’ul. A primeira é upo nomon; surge 10 vezes em Romanos, 1Coríntios e Gálatas e é, em geral, traduzida como “sob a lei”. A outra é erga nomou, encontrada, com pequenas variações, 10 vezes em Romanos e Gálatas e traduzida como “obras da lei”.

O que quer que Sha’ul esteja tentando transmitir com estas expressões, uma coisa é clara: ele as considera negativamente – estar “sob a lei” é mau, e as “obras da lei” são más. A teologia cristã considera, em geral, que a primeira significa “dentro da estrutura de observância da Torah” e a segunda, “atos de obediência à Torah”. Esta maneira de ver é errônea. Sha’ul não considera mau viver de acordo com a estrutura da Torah, nem que seja mau obedecer a ela; pelo contrário, escreve que a Torah é “santa, justa e boa” (Romanos 7:12).

C.E.B. Cranfield esclareceu estas duas frases; seu primeiro ensaio relativo ao assunto foi publicado em 1964 (3) e ele o resumiu em seu extraordinário comentário sobre Romanos (4), onde escreve:

... a língua grega, no tempo de Paulo, não possuía grupo de palavras correspondente a nosso “legalismo”, “legalista” e “legalístico”. Isto significa que ele não dispunha de terminologia adequada para expressar uma distinção vital, encontrando-se assim, com certeza, cerceado na tarefa de esclarecer a posição cristã referente à lei. Diante disto deveríamos estar sempre, parece-me, dispostos a enfrentar a possibilidade de que as declarações paulinas, que a princípio parecem depreciar a lei, voltavam-se na verdade não contra a própria lei, e sim contra aquela má compreensão e mau uso da lei, para os quais dispomos agora de terminologia adequada. Neste terreno muito difícil, Paulo foi pioneiro”. (5)

Se Cranfield tem razão, conforme creio, deveríamos abordar Sha’ul com o mesmo espírito pioneiro. Deveríamos entender erga nomou não como “obras da lei”, e sim como “observância legalista de determinados mandamentos da Torah”. De igual modo, deveríamos entender que upo nomon não significa “sob a lei”, e sim “em sujeição ao sistema que resulta de perverter a Torah em legalismo”. É assim que estas expressões são traduzidas no Novo Testamento Judaico.

A expressão “em sujeição” é importante porque o contexto de upo nomon transmite sempre um elemento opressivo. Sha’ul é bem claro a respeito, conforme se verifica em 1Coríntios 9:20 onde, depois de dizer que para os que não tinham a Torah ele se tornara como alguém sem a Torah, sublinhou que ele próprio não era sem Torah e sim ennomos Christou, “na lei”, ou “na Torah do Messias”. Ele usou um termo diferente, ennomos em lugar de upo nomon, para distinguir seu relacionamento livre de opressão com a Torah, agora que estava unido ao Messias, do sentimento de opressão que notava nas pessoas (gentios, provavelmente.(6)) que, em vez de se relacionarem alegremente com a Torah santa, justa e boa de D’us, submetiam-se a uma perversão legalística dela.

Se as traduções acima de upo nomon e erga nomou fossem usadas nas 20 passagens onde tais frases ocorrem, creio que isso modificaria para melhor a teologia cristã da Torah.
Notas – Pág. 166

(3) – C.E.B. Cranfield, “St. Paul and the Law”, no Scottish Journal of Theology (1964), pp. 43-68.
(4) – C.E.B. Cranfield, Romans (International Critical Commentary) (Edinburgo, T. & T. Clark, Ltd., 1981) volume 2, pp. 845-862.
(5) – Ibid., p. 853.
(6) – Sha’ul já mencionou os judeus em 1 Coríntios 9:20; “aqueles sob a lei” são outra categoria, isto é, gentios judaizados. Ler minhas notas relativas a este versículo no Jewish New Testament (op. cit., no cap. II, nota 20).

quarta-feira, novembro 21, 2007

Mosaico sobre fé e razão (mistura de Aquino, Chesterton, Lewis e Agostinho)

Por que ensinar a Fé cristã?
Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer. Ensinar alguém para trazê-lo à Fé é tarefa de todo e qualquer pregador, e até de todo e qualquer crente. Por isso, a importância estudar a Palavra e a apologética cristã. Devemos pedir ao Senhor que nos dê agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir nosso entendimento da Palavra.

Por que aprender a Fé cristã?
Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe: outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é amor. Aprender do Evangelho serve para edificação, tanto dos cristãos como, principalmente, dos que não conhecem a Cristo, que lhes justifica. Pregar o Evangelho é demonstrar prudência e amor!

A Fé cristã anula a razão?
Tornar-se cristão não significa deixar de pensar, mas que se aprende a pensar, a partir dos mistérios de Deus. Não podemos ser fideístas, que crêem que a fé anula a razão; e, muito menos, racionalistas, que crêem a razão humana sustentar todas as coisas. Deus criou ambas para se complementarem.

A Fé e a ciência se excluem?
Hoje em dia, com o cientificismo, o homem perdeu a capacidade de admirar e de sentir o mistério das coisas, reflexo do mistério de Deus. A ciência diz explicar tudo, e anula todo o mistério, com seu conhecimento raso e superficial. Em relação ao racionalismo científico, eis o que diz Chesterton: «Assim como tomamos o círculo para o símbolo da razão e da loucura, muito bem podemos tomar a cruz para o símbolo do mistério e da saúde. O budismo é centrípeta, mas o cristianismo é centrífugo: jorra e se expande. O círculo é perfeito e infinito por natureza, mas ele está para sempre amarrado a suas dimensões, não podendo crescer ou diminuir, já que na sua definição o raio é constante. Mas a cruz, embora tenha no centro uma colisão e uma contradição, pode sempre estender os braços sem modificar sua forma. Pelo fato de abrigar um paradoxo em seu centro, a cruz pode crescer sem mudar. O círculo volta-se sobre si mesmo como prisioneiro. A cruz abre seus braços aos quatro ventos e serve de marco indicador aos viajantes livres.»

A Cruz nos abre o horizonte, inclusive para a ciência. Assim, cremos para entender e entendemos para crer. O Cristianismo é como um sol: através dele vemos todas as coisas. Cremos no Cristianismo assim como cremos que o sol nasce todos os dias; não por que podemos vê-lo, tão-somente, mas porque, através dele vemos todas as outras coisas.

Dessa forma, a Palavra de Deus é ponto de partida para entendermos o mundo e, verdadeiramente, começarmos a pensar e reflexionar sobre a nossa vida! Essa é a verdadeira ciência e filosofia (amor à Sabedoria)!

segunda-feira, novembro 12, 2007

Meu padrasto, CS Lewis

4 de outubro de 2007Jornal The Guardian(Por ocasião da re-estréia da peça Shadowlans em Londres)
Retirado de:
https://www.theguardian.com/books/2007/oct/04/cslewis.fiction

Meu padrasto, CS Lewis
por Douglas Gresham

Muitos escreveram sobre ele, mas a maioria via o autor das Crônicas de Nárnia como um intelectual isolado. Aqui, o enteado de Lewis, Douglas Gresham, recorda um herói.

A hoje famosa peça Terra das Sombras, que está prestes a re-estrear no West End de Londres, é uma de muitas obras sobre o meu falecido padrasto, CS Lewis. Foram feitos livros (muitos livros, dos quais eu escrevi dois), peças, filmes e até músicas sobre ele. Essas obras variam entre boas, ruins e horríveis, a maioria escrita por pessoas que mal o conheciam ou mesmo não o conheciam ao todo. Elas podem te dizer (com vários graus de inexatidão) o que ele era, onde ele esteve, quando e o que ele fez, mas quase nenhuma delas pode te dizer quem ele era.

Enquanto ele viveu, eu nunca conheci “CS Lewis”, o nome nas lombadas dos livros. Pois o homem de carne e osso encantadoramente falante que preencheu a minha juventude com sua presença se chamava “Jack”. Meu primeiro encontro com ele foi extraordinário. Eu era um estudante americano de oito anos, um imigrante recém-chegado, trazido para Oxford logo depois de chegar a essa estranha terra da Inglaterra, onde as pessoas se vestiam esquisito, falavam esquisito e comiam comidas estranhas. Eu fui levado para o homem que, até onde eu sabia, realmente conhecia o Magnífico Rei Pedro de Nárnia e o grande Leão Aslam; um homem que, pelo que eu sabia, poderia ser membro da corte do rei Artur. Eu quase esperava uma figura alta e robusta, vestindo uma armadura e carregando uma espada, mas a realidade era bem diferente. Na cozinha de sua casa, The Kilns, fomos recebidos por um homem ligeiramente encurvado, calvo e de ombros caídos, com dedos e dentes manchados de nicotina, vestindo as roupas mais surradas que eu jamais vira. Aquele não era um cavaleiro, era um dignitário. Um dignitário de Oxford àquela época.

Apesar do meu espanto inicial, logo Jack emergiu do meu CS Lewis imaginário para se tornar real. Eu perdi uma ilusão, mas ganhei a princípio um amigo e mais tarde um padrasto muito amado.

Dentro de pouco tempo, Jack, “Warnie” (o irmão de Jack, Major Warren H. Lewis) e eu estávamos serrando uma pilha de madeira para fazer lenha. Jack e Warnie, embora fossem acadêmicos, não se negavam a cumprir as tarefas mais humildes. Jack me mostrou a floresta e o lago atrás de The Kilns, e me ensinou a procurar faunos e dríades entre os sicômoros brilhantes e as faias cintilantes. Com ele aprendi a respeitar as plantas, como as enormes cavalinhas do pântano acima do lago; aprendi a amar os campos, as florestas e os animais; a me deliciar com o tempo, dos ventos sibilantes ao silêncio tranqüilo, da chuva torrencial aos raios brilhantes do sol; tudo tem o seu lugar no meu coração, e isso eu aprendi com Jack.

Jack também me ensinou a ler. Não a ler como alguém aprende na escola, mas a ler pelo gosto de ler e de aprender, pois toda a sabedoria do mundo pode ser encontrada em livros. Jack me ensinou isso. A casa era cheia de livros, e nenhum era proibido para mim.

No começo, eu morava em Londres e visitava The Kilns esporadicamente, mas em pouco tempo nos mudamos para Headington, a cerca de um quilômetro e meio, e Jack deixou claro que eu era um visitante bem-vindo. Alguns dos mitos sobre Jack, e existem muitos, vieram do próprio punho dele. “Não sou bom com crianças”, ele disse, mas eu dificilmente via alguém melhor do que ele era com crianças. Acho que ele quis dizer que nunca ficava à vontade com elas, mas ninguém deve ficar totalmente à vontade com os filhos de outras pessoas. Alguns o chamaram de misógino, mas eu nunca conheci um homem tão atencioso com as mulheres, nem alguém tão encantador e divertido quando estava na companhia delas.

Acho que, no mundo triste e sombrio em que vivemos hoje, muitas pessoas terão dificuldade de acreditar no verdadeiro Jack. Ele foi um homem que cresceu com a mentalidade do século 19. Ele acreditava em honestidade, responsabilidade, compromisso, dever, cortesia, coragem, cavalheirismo e todas as grandes qualidades que a sociedade do século 20 abandonou, dizendo que estavam obsoletas, mas que agora precisa desesperadamente recordar e recuperar. Jack também entendia bastante da humanidade e da natureza das espécies. Ele conhecia o sofrimento: ele perdeu a mãe aos nove anos de idade, experimentou os horrores de uma escola que parecia saída de um conto de Charles Dickens, e outras escolas em variados graus de tristezas. Jack lutou na Primeira Guerra Mundial e assistiu à Segunda, perdendo amigos e colegas em ambas. Ele manteve o compromisso firmado com o soldado e colega Paddy Moore na véspera da batalha, cuidando da família daquele homem durante mais de 30 anos. Jack aprendera a amar e a perder, e sofrera as agonias de ambos. Ninguém poderia condená-lo se ele tivesse se fechado e se tornado (como muitas vezes é descrito) um acadêmico isolado. Em vez disso, livre da responsabilidade de cuidar da Sra. Moore após a morte desta, ele mergulhou mais uma vez no amor e na dor ao se casar com a minha mãe, que já estava morrendo na época. Ele encarou a dor de amar alguém que ele sabia que provavelmente não estaria com ele por muito tempo, e também tomou para si a responsabilidade dos filhos dela, meu irmão e eu. Já não é uma tarefa fácil na melhor das circunstâncias, mas, naquelas em que ele se encontrava, era a missão de um verdadeiro herói.

Minha mãe era americana, e encontrou a verdade de Cristo através da leitura de Cristianismo Puro e Simples e outras obras de Jack. Ela escrevera para ele sobre as dúvidas dela pois, como todas as pessoas muito inteligentes, ela tinha dúvidas. Ela ficou encantada quando ele respondeu às questões e objeções dela de forma magistral e econômica, e uma correspondência animada logo se avolumou. Minha mãe visitou a Inglaterra em 1952 e ela, Jack e Warnie logo se tornaram amigos. Minha mãe era o equivalente intelectual de Jack, a única que eu já vi, e Jack ficava encantado quando, durante as discussões entre eles, ela corrigia pequenos erros dele sobre citações e outros detalhes. Minha mãe era um pouco mais lida do que Jack, pois ela lera o que ele lera, mas também os escritores americanos mais modernos. Ela também viajara mais, indo aos Estados Unidos e retornando com os filhos em 1953, quando o casamento dela com o meu pai acabou. Jack e a minha mãe se casaram quando ela estava no leito de morte, mas a mão de Deus interveio e ela se recuperou, entrando numa remissão do câncer que durou vários anos, anos esses que foram os mais felizes das vidas deles. Foi nessa época que a coragem física que ambos possuíam tornou-se evidente para mim. Estávamos subindo a colina em direção às árvores, minha mãe carregando a sua pequena “arma de jardim”, que ela usava para espantar os pombos da nossa horta e os invasores das nossas terras, quando os dois, um pouco à minha frente, foram abordados por um jovem carregando um arco e uma aljava cheia de flechas. “Com licença”, disse Jack educadamente, “esta é uma propriedade privada e você não deveria estar aqui. Poderia se retirar por favor?” A resposta do rapaz foi tirar uma flecha da aljava e preparar o arco, apontando para eles. Jack ficou na frente da minha mãe para protegê-la, e ficou ali alguns segundos até que a ouviu dizer em um tom gelado: “Droga, Jack, saia da minha linha de tiro!” Em seguida, Jack deu um rápido passo para o lado, deixando o jovem rapaz frente a frente com o cano da espingarda*. Ele sumiu rapidamente. Eles foram corajosos, e Jack depois disso precisou ser, pois a minha mãe partiu antes dele, deixando-o sozinho para lidar com a ausência dela.

CS Lewis foi um grande sábio? Sem dúvidas. Foi um grande escritor? Nenhum estudioso hoje em dia pode duvidar disso por um momento. Agora, algumas de suas histórias estão virando filme e ele está ficando mais conhecido no mundo inteiro, acelerando grandemente uma tendência que vem acontecendo lentamente nos 40 anos desde a sua morte. CS Lewis foi um grande professor? Também acho que isso é inquestionável: ele deu aulas nas universidades de Oxford e Cambridge, e ainda hoje ensina através de seus livros. Ele foi um grande teólogo? Muitos dos maiores estudiosos cristãos de hoje acreditam firmemente que sim. Ele nunca reivindicaria nenhum desses títulos, ou mesmo os aceitaria de outros; entretanto ele era todas essas coisas e muito, muito mais.

Terra das Sombras é uma recriação fictícia de uma pequena parte da história de Jack. Na peça, você verá um homem na sua provação mais difícil, suportando o mais pesado dos fardos. Você poderá ter um vislumbre do que acontece com os grandes homens. Não é totalmente fiel à história real, talvez, e não se pretende que seja, mas é uma ótima peça, que fala profundamente aos corações dos homens.

Sabe, enquanto CS Lewis era um grande sábio, um grande escritor (de muitos gêneros), um grande professor e uma grande teólogo, Jack era um grande homem.

Tradução: Júnia Vaz

*Acredito que seja espingarda pelo contexto. (NT)

terça-feira, novembro 06, 2007

Pra que raios servem os Feeds?

Provavelmente você já deve ter visto em vários sites e blogs aquele pequeno ícone laranja (ou outra cor, mas sempre algo que o valha) acompanhado dos termos Feeds, RSS ou Atom e se perguntado pra que serve esse trem e como você pode “assiná-lo”.

Pois bem, o sistema de feeds é uma ferramenta que lhe permite acompanhar o conteúdo de uma determinada página na internet sem ter que visitá-la.


Em primeiro lugar é preciso ter um leitor/agregador de feeds, que pode ser um software ou uma página na internet que agregará os feeds de todos os sites que você assinar.

Sempre que houver uma atualização no site cujos feeds você assinou, seu agregador o avisará e lhe permitirá ver o conteúdo atualizado sem a necessidade de você ter que ir até o site para ver se há algo novo.

O software FeedReader funciona da seguinte forma: sempre que há algum post novo dos blogs que você é assinante ele exibe uma janelinha no seu Desktop e te permite ler direto no programa e escolher se quer entrar no blog.

Se você for usar um software, recomendo o que acabo de citar. Já para agregadores web, os mais utilizados são GoogleReader, Bloglines e Netvibes. Caso use (e deveria mesmo usar) o Firefox instale a extensão Sage, que funciona como um ótimo agregador.

Para assinar o conteúdo de algum site ou blog, copie o endereço do feed e cole no local apropriado do seu agregador. Mais especificamente no caso do Blogger, o link geralmente está ao final da página: “Assinar: Postagens (Atom)”.

Se o seu blog está hospedado em um outro servidor, ou mesmo no Blogger, você pode “queimar” seus feeds com o FeedBurner, um serviço que facilita o gerenciamento e a divulgação criando links para adicionar seus feeds aos principais agregadores.
Para assinar os feeds deste blog:
Se preferir, receba as atualizações por e-mail:


Se você ainda tem dúvidas, a Wikipédia pode ajudar.

segunda-feira, novembro 05, 2007

ADPHONE - VoIP Gratuito Para Tel. Fixo


Saiu a mais nova versão (3.0.68) do ADPHONE, software que permite fazer ligações gratuitas para qualquer telefone fixo do Brasil e de mais algumas dezenas de países. O utilizo há quase 1 ano, quando ainda se chamava Sgoope, e funciona perfeitamente. Cumpre o que promete. Testado e aprovado.

Porém (sempre há um porém) a ligação gratuita dura apenas 2 minutos, depois desse tempo ela é interrompida. Mas não se preocupe, basta ligar novamente e falar mais dois minutos. Ideal para recados, conversas rápidas ou para chamar aquela pessoa que mora longe: “e aí, tudo bem? Entra na internet, precisamos conversar!”.

Você pode comprar créditos, que são muitíssimo mais baratos do que os do Skype e qualquer operadora nacional de telefonia fixa, e ter uma ótima economia em suas ligações para fixo e celular. Vale o investimento.

A qualidade da ligação, ao menos no meu caso, é sempre excelente e, acredito, até melhor que a do concorrente supracitado.

Para realizar as chamadas, simplesmente digite o código DDD da cidade para qual quer discar e adicione o número local. Para ligações internacionais, adicione antes o código do país pretendido.

Acesse a página de download, baixe, instale, cadastre-se e bom divertimento.

*Ao que parece o serviço foi descontinuado.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Argumento do Design (1)

Design Inteligente Por Peter Kreeft
Tradução: Saulo R. do Amaral


O argumento começa com a premissa maior de que onde há design tem de haver um designer. A premissa menor é a existência de design em todo o universo. A conclusão é que deve haver um designer universal.

Por que devemos acreditar na premissa maior, que todo o design implica em um designer? Porque todos admitem esse princípio na prática. Por exemplo, suponhamos que você estivesse em uma ilha deserta a achasse “S.O.S” escrito na areia da praia. Você não pensaria que o vento ou as ondas escreveram isso por mero acaso, mas sim que alguém esteve lá, alguém inteligente o suficiente para pensar e escrever aquela mensagem. Se você achasse uma cabana de pedra na ilha, com janelas, portas e uma lareira, você não pensaria que um furacão empilhou as pedras daquele jeito por mero acaso. Você imediatamente pensa em um designer quando você vê design.

Quando o primeiro foguete foi lançado de Cabo Canaveral, dois cientistas americanos estavam observando. Um era um cristão e o outro incrédulo. O cristão disse: “Não é maravilhoso ver que esse foguete vai chegar à lua por mero acaso?”. O incrédulo replicou: “O que você quer dizer por ‘mero acaso’? Nós desenvolvemos esse foguete nos mínimos detalhes”. “Oh”, disse o cristão, “você não acha que o acaso é uma boa explicação para o foguete? Então por que você acredita que é uma boa explicação para o universo? Existe muito mais design no universo do que em um foguete. Nós podemos criar um foguete, mas não podemos criar um universo. Alguém consegue?”. Mais tarde os dois estavam andando na rua e passaram na frente de uma loja de antiguidades. O ateu, admirando a pintura pendurada na janela, perguntou: “Gostaria de saber quem pintou esse quadro”. “Ninguém”, brincou o cristão; “ele está ali por mero acaso”.

É possível que o design aconteça por acaso, sem um designer? Talvez haja uma possibilidade em um trilhão de que o “S.O.S” tenha sido escrito na areia pelo vento. Mas, quem usaria uma explicação praticamente impossível (uma em um trilhão)? Alguém uma vez disse que se você colocar um milhão de macacos em um milhão de máquinas de escrever durante um milhão de anos, um deles, eventualmente, escreveria Hamlet, por acaso. Mas, quando encontramos o texto de Hamlet, não ficamos nos perguntando se ele foi escrito pelo acaso ou por macacos. Por que, então, o ateu usa essa explicação incrivelmente improvável para o universo? Certamente, pelo fato de esse ser o único jeito de alguém permanecer ateu. Nesse ponto, nós precisamos de uma explicação psicológica para explicar como alguém vem a ser um ateu, em vez de uma explicação lógica para a criação do universo. Nós temos uma explicação lógica para o universo, mas o ateu não gosta dela. Ela se chama Deus.

Há um exemplo muito forte do argumento do design e que todos nós podemos reconhecer facilmente, porque diz respeito ao design de um instrumento em particular que usamos para pensar sobre o design: nosso cérebro. O cérebro humano é a peça mais complexa de design no universo conhecido. De várias formas, ele é como um computador. Agora, imagine que exista um computador que foi programado pelo acaso. Por exemplo, imagine que você está a bordo de um avião e o sistema de informação anuncia que não existe piloto, mas que o avião está sendo guiado por um computador que foi programado por uma chuva de granizo aleatória que caiu no teclado, ou por um jogador de beisebol calçando um tênis de alpinismo, com pregos na sola, dançando em cima da placa mãe do computador.

Outro forte aspecto do argumento do design é o chamado princípio antrópico, segundo o qual o universo parece ter sido especialmente criado para que o início da vida humana fosse possível. Se a temperatura da primeira bola de fogo que surgiu do Big Bang(2) há milhões de anos atrás, quando o universo surgiu, tivesse sido um trilionésimo mais fria ou mais quente, a molécula de carbono, que é o fundamento de toda a vida orgânica, nunca teria se desenvolvido.

Existem, relativamente, poucos ateus entre neurologistas, neurocirurgiões e astrofísicos, mas muitos entre psicólogos, sociólogos e historiadores. A razão parece óbvia: os primeiros estudam o design divino, e os últimos estudam o undesign(3) humano.

Mas, a evolução não explica tudo sem que se precise de um designer? Bem pelo contrário; evolução é um belo exemplo de design, uma grande evidência para Deus(4). Há boas evidências científicas para a evolução, para o surgimento ordenado das espécies, do simples para o complexo. Mas não existem provas científicas para a seleção natural como mecanismo da evolução. A seleção natural “explica” como emergiram as mais altas formas, sem um design inteligente, pelo princípio do sobrevivente mais forte, ou do mais bem adaptado. Mas isso é pura teoria. Não existem evidências de que o abstrato, o pensamento teórico ou o amor altruísta facilitassem isso para os homens sobreviverem. Como eles evoluíram então?

Ademais, pode o design, que obviamente existe no homem e no seu cérebro, ter vindo de algo com menos ou nenhum design? Tal explicação viola o princípio da causalidade, o qual assevera que você não pode ter mais no efeito do que na causa. Se existe inteligência no efeito (homem), tem de haver inteligência na causa. Entretanto, um universo regulado por um acaso cego não possui inteligência. Logo, deve haver uma causa para a inteligência humana que transcende o universo: uma mente por detrás do universo físico. (Muitos cientistas reconhecidos têm crido em tal mente, até mesmo aqueles que não acreditam em nenhuma religião revelada.)

Quanto esse argumento prova? Nem tudo o que o Cristianismo revela como Deus, é claro – nenhum argumento pode fazer isso. Mas ele prova uma fatia considerável de Deus: alguma inteligência grande o suficiente que é responsável por todo o design no universo e na mente humana. Se isso não é Deus, o que é então? Steven Spielberg?

Texto em inglês extraído de:
http://www.peterkreeft.com/topics/design.htm


1 N. do T.: Poderia ter sido usada a palavra ‘projeto’ para a tradução de design e ‘projetista’ para designer. Entretanto, achei melhor manter as palavras em inglês, pelo simples fato de achar que expressam melhor a idéia do argumento.

2 N. do T.: O autor se refere ao modelo Big Bang. Alguns teístas sustentam que o modelo Big Bang, que nada tem a ver com a explicação naturalista desse evento, é uma prova de uma criação orquestrada por um Criador.

3 N. do T.: Algo sem design.

4 N. do T.: A maioria dos cristãos discorda nesta parte, inclusive este tradutor, justamente pelo fato de crer que a criação de Deus se deu sem a macro-evolução. E as supostas evidências a favor da evolução são na verdade dogmas. Contrariamente, a evidência de uma criação e de um Criador é claríssima.

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