quinta-feira, janeiro 14, 2010

Não Há Lugar Para Qualquer Idéia de Mérito ou Recompensa Pelas Boas Obras

Aqueles que pregam o "livre-arbítrio" afirmam que se não há "livre-arbítrio" então também não há lugar para o mérito ou para a recompensa.

O que dirão os defensores do "livre-arbítrio" a respeito da palavra "gratuitamente", em Romanos 3.24? Paulo diz que os crentes são "justificados gratuitamente por sua graça". Como interpretam "por sua graça?” Se a salvação é gratuita e oferecida pela graça divina, então não se pode conquistá-la ou merecê-la. No entanto, Erasmo argumenta que a pessoa deve ser capaz de fazer alguma coisa a fim de merecer a sua salvação, ou ela não merecerá ser salva. Erasmo pensa que a razão pela qual Deus justifica uma pessoa e não outra, é que uma delas usou de seu "livre-arbítrio", e tentou tornar-se justa, enquanto que a outra não o fez. Ora, isso transforma Deus em alguém que diferencia pessoas, ao passo que a Bíblia ensina que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Erasmo e algumas outras pessoas, como ele, admitem que os homens conseguem fazer muito pouco através de seu "livre-arbítrio" para obterem a salvação. Afirmam que o "livre-arbítrio" tem apenas um pouco de merecimento — não é digno de muita recompensa. E, não obstante, ainda pensam que o "livre-arbítrio" torna possível às pessoas tentarem encontrar a Deus. Imaginam, igualmente, que se as pessoas não tentam encontrá-Lo, cabe exclusivamente a elas a culpa, se não recebem a graça divina.

Portanto, sem importar se esse "livre-arbítrio" tem grande ou pequeno mérito, o resultado é o mesmo. A graça de Deus seria obtida por meio do "livre-arbítrio". Todavia, Paulo nega toda a noção de mérito quando afirma que somos justificados "gratuitamente". Aqueles que dizem que o "livre-arbítrio" possui apenas um pequeno mérito erram tanto como aqueles que dizem que ele possui muito mérito, pois ambos ensinam que o "livre-arbítrio" tem mérito suficiente para obter o favor de Deus. Portanto, em quase coisa alguma diferem um do outro.

Na verdade esses defensores da idéia do "livre-arbítrio" nos dão um perfeito exemplo do que significa "saltar da frigideira para dentro do fogo". Quando eles dizem que o "livre-arbítrio" tem apenas um pequeno mérito, eles pioram a sua posição, ao invés de melhorá-la. Pelo menos aqueles que dizem que o "livre-arbítrio" envolve um grande mérito (os chamados "pelagianos") conferem um elevado preço à graça divina, porquanto concebem que um grande mérito é necessário para alguém obter a salvação. Todavia, Erasmo barateia a graça divina, podendo ser obtida por meio de um débil esforço. No entanto, Paulo transforma em nada essas duas idéias usando apenas uma palavra — "gratuitamente" (Rm 3.24). Mais adiante, em Romanos 11.6, ele assevera que a nossa aceitação diante de Deus depende apenas da graça de Deus: "E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça". O ensino Paulino é perfeitamente claro. Não existe tal coisa como mérito humano aos olhos de Deus, sem importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo. Ninguém pode ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do "livre-arbítrio", estabelecendo em seu lugar apenas a graça divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de crédito para nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina.
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Nascido Escravo, Martinho Lutero. Editora Fiel.

4 Comentários:

Anônimo disse...

Não creio assim. Pois, vejo que sempre quando há argumentação sobre este assunto as pessoas se degladiam, sempre tomando uma posição radical em favor deste ou daquele ponto de vista.
A distorção das palavras conduzem pessoas à equivocos. Temos que ter muito cuidado ao lidar com as coisas do Senhor.
Por exemplo:"Pequeno mérito", isto é uma distorção do que realmente se afirma.
O que afirmamos é que não existe ninguém totalmente depravado. Sempre há uma centelha de bem nas pessoas. Mesmo o mais perverso assassino tras em seu íntimo algo de bom.
Devemos nos lembrar que o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, não era só do mal.
Adão comeu do fruto do bem também. Essa árvore é ruim? Sim. Veja a encrenca em que nos metemos. Mas se não ouvesse um micronésimo de bem quem se salvaria?
Será que só uns poucos têm o direito ao maravilhoso sacrifício de Jesus? Ou Jesus sacrificou-se por todos. Se for assim (por todos), então é necessário que haja a opção de quem Quer e quem Não quer. Privilegiados sugere injustiça. Privilégio. Acepção. Vergonhoso.
Podem atirar as pedras. Mas, enquanto não me mostrarem na Bíblia, certamente não mudarei minha posição.

Jair Kunzler disse...

Anônimo, você poderia começar se identificando, por uma questão de cortezia, não precisa se preocupr que ninguem vai sair correndo atrás de vc pra atirar pedras, com relação a isso podes ficar bem tranquilo.

Vou preparar uma resposta pra vc, com base bíblica sim, pois nada que vc me diga que nao tenha base bíblica no contexto, terá alguma validade. Percebi pelo que vc escreveu aí em cima, que você tem bem pouco conhecimento da Palavra de Deus, e o pouco que tem, está bem confuso. Muito humanismo misturado com o pouco de bíblia que voce conhece. Mas vou preparar bem a resposta pra dar pra vc, vamos usar a Biblia de forma contextual e tentar ajudar você a se livrar dessa confusao mental que te envolve.
um abraço

Jair Kunzler disse...

Anônimo, como vc mesmo sugeriu, vamos embasar totalmente nossa opinião usando textos bíblicos.

Primeiro, o assunto livre arbítrio é antigo, mas nem tão antigo assim que esteja na Bíblia, essa idéia surgiu mais tarde. Por isso gostaria que você respondesse qual a tua base bíblica para o livre arbítrio e em que parte do texto há distorção das palavras.

Vamos a sua dedução antibíblica de que ninguém é totalmente depravado:

Salmos 51.5 - Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Romanos 5.18 - Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

Isaías 64.6 - Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.

Romanos 3.10-12 - Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

Marcos 10.18 - E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus.

Portanto, não há explicação ou base bíblica para o comentário de que sempre uma centelha de bem nas pessoas, mesmo no mais perverso assassino. A Bíblia diz que “NÃO HÁ UM JUSTO SEQUER... NÃO HÁ QUEM FAÇA O BEM, NEM UM SÓ”.

Entenda com isso que o homem nasce no pecado, não há nada de bom nele, e que necessita da misericórdia de Deus para ser salvo pela fé, para então realizar boas obras, do contrário, não passarão de trapos de imundícia (Is. 64.6).

Quanto ao assunto da árvore do conhecimento do bem e do mal no Jardim do Éden, Adão e Eva desobedeceram explicitamente a ordem de Deus para não comerem do seu fruto. Mas eles comeram! Dois pontos: Primeiro – o fato de eles terem comido o fruto do “conhecimento” do bem e do mal, não tornou eles bons e maus, se foi isso que você quis dizer. Mas o pecado é que tornou eles maus, a desobediência de uma ordem direta de Deus, esse foi o pecado deles. Segundo, todo o processo da criação do homem, sua queda, restauração e etc, teve como objetivo único glorificar a Cristo, isso já estava pré-determinado por Deus, visando a glorificação de Cristo.

João 16.14 - Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.

João 21.19 - E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus.
(Continua...)

Jair Kunzler disse...

(...Continuando)
“Mas se não houvesse um micronésimo de bem quem se salvaria?”.

A salvação não depende de nossas atitudes, independe das nossas obras, daquilo que fizemos ou deixamos de fazer. A salvação é por Graça de Deus mediante fé, concedida por Ele próprio:

Efésios 2.8-10 - Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

“Será que só uns poucos tem o direito ao maravilhoso sacrifício de Jesus?”.

Mateus 22.14 - Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

João 10.27- 29 - As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. (Cristo morreu pelas ovelhas)

Atos 20.28 - Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.

Romanos 8.30 - E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

A expiação de Cristo foi destinada e tencionada só para os eleitos. Cristo deu sua vida por Suas ovelhas – e só por suas ovelhas. Além disso, a expiação garantiu a salvação para todos os eleitos. A expiação foi uma obra real de redenção e não simplesmente potencial. Nesta visão, não há possibilidade de que o desígnio e intenção de Deus para a expiação sejam frustrados. O propósito de Deus na salvação é infalível.

“A expiação de Cristo é suficiente para todos, mas é eficiente somente para alguns (os eleitos de Deus, os que creram)”.

Se você me diz que o sacrifício de Jesus foi por todos, eu diria então que todos são justificados, todos irão para o céu, já que o sacrifício de Jesus é absolutamente eficaz. Porém, ambos sabemos que isso não é verdade, então, pergunto, porque uns vão para o céu e outros não, se o sacrifício de Jesus foi por todos? Na tua posição há uma grave contradição, quanto à soberania de Deus, que fica refém da vontade humana, e o sacrifico de Cristo, que se torna ineficaz para alguns e eficaz para outros. O que é absolutamente inconcebível.

“Privilegiados sugere injustiça. Privilégio. Acepção. Vergonhoso”.

Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou.(Romanos 9.20-23)

Creio que não é necessário explicar esse texto.

Espero que tenha ajudado a esclarecer as tuas dúvidas, aconselho você a estudar com zelo as doutrinas da graça de Deus, irão te ajudar a entender as verdades de Deus acerca da Salvação do Seu povo.

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