quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Bem Aventurados os Humildes de Espírito

Humildade“Humilde de espírito”. Essa qualidade aponta para a completa ausência do orgulho pessoal, para a completa ausência de segurança própria e auto-dependência. Ela indica a consciência de que nada representamos na presença de Deus. Portanto, não é algo que possamos produzir por nós mesmos; não é algo que possamos fazer de modo próprio. Pelo contrário, é aquela tremenda tomada de consciência de nossa própria nulidade, quando chegamos a enfrentar Deus face a face.

Isso é ser “humilde de espírito”. Quero exprimir essa idéia da maneira mais vigorosa possível, e assim faço com base nos ensinamentos da Bíblia. Ser humilde de espírito significa que, se alguém é crente autêntico, então não está dependendo dos seus dotes naturais, que lhe vêm do berço. Os humildes de espírito não dependem do fato que pertencem a determinadas famílias: não se vangloriam de pertencer a certas raças ou nacionalidades. Essas pessoas também não edificam as suas vidas sobre o alicerce do seu temperamento natural.

Nem acreditam que haja alguma vantagem em sua posição natural na vida, e nem dependem disso ou de quaisquer potencialidades que lhes hajam sido conferidas. A pessoa que é humilde de espírito não depende do dinheiro ou de quaisquer riquezas de que porventura seja possuidora. Se somos humildes de espírito, então não dependemos da educação recebida, nem da escola ou faculdade particular que tivemos freqüentado. Não, porquanto todas essas coisas constituíam aquilo que Paulo apodava de “perda”. Não, pois essas coisas serviam a Paulo apenas de empecilhos para maiores realizações, visto que elas tendiam por dominá-lo e controlá-lo.

Por semelhante modo, não dependeremos de quaisquer dotes naturais de “personalidade”, de inteligência ou de habilidades gerais ou particulares. Não dependeremos, por igual modo, de nossa própria moralidade, conduta ou bom comportamento. Não apelaremos, em nenhum sentido, para a vida que temos vivido ou que estamos tentando viver. Não, mas consideraremos todas as coisas da mesma maneira como Paulo as considerava. É nisso que consiste a “humildade de espírito”.

Precisamos gozar de completa libertação de todas essas coisas, e todas elas precisam estar ausentes de nossas vidas.Repito, ser humilde de espírito é sentir que nada somos, que nada temos, e também que olhamos para Deus em total submissão a Ele, dependendo inteiramente de Sua misericórdia, de Sua graça.

Portanto, façamos a nós mesmos as seguintes perguntas. Pareço com essa descrição? Sou mesmo humilde de espírito? Como é que me sinto a meu respeito, quando penso em termos de Deus e na presença de Deus? Em minha vida diária, quais são as coisas que costumo dizer, sobre o que costumo orar e o que costumo pensar sobre mim mesmo? Assim sendo, que coisa miserável é essa, essa jactância naquilo que é meramente acidental em minha vida, pelo que também não sou responsável; essa jactância naquilo que é artificial, e que nem ao menos será levado em conta no grande dia em que tivermos todos de comparecer diante de Deus. Este meu pobre eu! Aquele hino de Lavater expressa admiravelmente bem essa questão: “Faze que diminua mais e mais este pobre eu”. E também: “Oh Jesus Cristo, cresce mais em mim”.

Estudos no Sermão do Monte: Martyn Lloyd-Jones

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