quinta-feira, maio 29, 2008

O deus domesticado

Uma razão por que muitas pessoas acham a teoria da evolução tão atraente é que ela nos proporciona o grande consolo emocional de acreditar em um Deus sem termos que assumir nenhuma conseqüência. Quando você se sente disposto e o sol brilha, e você não quer acreditar que o universo todo não passa de uma mera dança mecânica de átomos, é bom estar em condições de pensar nessa grande força misteriosa como uma onda gigantesca que se move através dos séculos, carregando você na crista dela. Se, por outro lado, você estiver a fim de cometer um ato muito feio, aquela Força Vital, que não passa de uma energia cega, amoral e desprovida de mente, jamais irá interferir na sua vida da mesma forma como faz aquele Deus terrível, do qual ouvimos falar na infância. A Força Vital é uma espécie de Deus domesticado. Podemos acioná-la quando bem entendemos, desde que ela não interfira nas nossas vidas. Podemos, assim, usufruir de todas as emoções da religião, sem nenhum custo. Seria essa Força Vital a maior expressão de falsa esperança que o mundo já viu?

C.S. Lewis em Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

terça-feira, maio 27, 2008

Oração de um Profeta Menor

Esta oração é pronunciada por um homem chamado a ser testemunha ante as nações, e foram estas as palavras que disse ao seu Senhor no dia em que foi ordenado. Depois de os anciãos e ministros terem orado e pousado sobre ele as suas mãos, retirou-se para estar a sós com o seu Salvador, no silêncio, mais além do que os seus irmãos bem intencionados o podiam levar. E disse:

Senhor, escutei a tua voz e tive medo. Chamaste-me a uma tarefa solene numa hora grave e perigosa. Em breve abalarás todas as nações, a terra e também o céu, para que fique só aquilo que é inabalável. Senhor, nosso Senhor, aprouve-Te honrar-me chamando-me a ser teu servo. Só aceita esta honra aquele que é chamado a ser teu servo, visto ter de ministrar junto àqueles que são obstinados de coração e duros de ouvido. Eles Te rejeitaram, a Ti, que és o Amo, e não posso esperar que me recebam a mim, que sou o servo.

Meu Deus, não vou perder tempo a deplorar a minha fraqueza ou a minha incapacidade para o trabalho. A responsabilidade é tua, não minha, pois disseste: “Conheci-te, ordenei-te, santifiquei-te”, e também: “Irás a todos aqueles a quem Eu te enviar, e falarás tudo aquilo que Eu te ordenar”. Quem sou eu para argumentar contigo ou para pôr em dúvida a tua escolha soberana? A decisão não é minha, mas sim tua. Assim seja, Senhor; cumpra-se a tua vontade e não a minha.

Bem sei, Deus dos profetas e dos apóstolos, que, enquanto eu Te honrar, Tu me honrarás a mim. Ajuda-me, portanto, a fazer este voto solene de Te honrar em toda a minha vida e trabalho futuros, quer ganhando quer perdendo, na vida ou na morte, e a manter intacto esse voto enquanto eu viver.

É tempo, ó Deus, de agires, pois o inimigo entrou nos teus pastos e as ovelhas são dilaceradas e dispersas. Abundam também falsos pastores que negam o perigo e se riem das ameaças que rodeiam o teu rebanho. As ovelhas são enganadas por estes mercenários e seguem-nos com fidelidade, enquanto o lobo se acerca para matar e destruir. Imploro-Te que me dês olhos bem abertos para descobrir a presença do inimigo; que me dês compreensão para distinguir entre o falso e o verdadeiro amigo. Dá-me visão para ver e coragem para declarar fielmente o que vejo. Torna a minha voz tão parecida com a tua que até as ovelhas doentes a reconheçam e Te sigam.

Senhor Jesus, aproximo-me de Ti em busca de preparação espiritual. Pousa a tua mão sobre mim. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Impede que eu me transforme num religioso e perca assim a minha vocação profética. Salva-me da maldição que paira sombriamente sobre o sacerdócio moderno; a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo número de seus membros, pela sua popularidade ou pelo total de suas ofertas anuais. Ajuda-me a lembrar-me de que eu sou profeta, não um animador, não um gerente religioso, mas um profeta. Que eu nunca me transforme num escravo das multidões. Cura a minha alma das ambições carnais e livra-me do prurido da publicidade. Salva-me da servidão das coisas materiais. Impede-me de gastar o tempo entretendo-me com as coisas da minha casa. Faze o teu terror pousar sobre mim, ó Deus, e impele-me para o lugar de oração onde eu possa lutar com os principados, e potestades, e príncipes das trevas deste mundo. Livra-me de comer demais e de dormir demais. Ensina-me a auto-disciplina para que eu possa ser um bom soldado de Jesus Cristo.

Aceito trabalho duro e pequenas compensações nesta vida. Não peço um cargo fácil. Procurarei ser cego aos pequenos processos de facilitar a vida. Se outros procuram o caminho mais plano, eu procurarei o caminho mais árduo, sem os julgar com demasiada severidade. Esperarei oposição e procurarei aceitá-la serenamente quando ela vier. Ou se, como por vezes sucede aos teus servos, o teu povo bondoso me obrigar a aceitar ofertas expressivas de gratidão, conserva-Te ao meu lado e salva-me da praga que a isso freqüentemente se segue; ensina-me a usar o que porventura receber de tal modo que não prejudique a minha alma nem diminua o meu poder espiritual. E se a tua providência permitir que me advenham honras da tua Igreja, que eu não esqueça naquela hora que sou indigno da mais ínfima das tuas misericórdias, e que, se os homens me conhecessem tão intimamente como eu me conheço a mim próprio, me retirariam tais honrarias para as darem a outros mais dignos delas.

E agora, Senhor do céu e da terra, consagro-Te o resto dos meus dias, sejam eles muitos ou poucos, consoante a tua vontade. Quer eu me erga perante os grandes quer ministre aos pobres e humildes, essa escolha não é minha, e eu não a influenciaria, mesmo que pudesse. Sou teu servo para cumprir a tua vontade. Ela é mais doce para mim do que a posição, ou as riquezas, ou a fama, e escolho- a acima de tudo o mais na terra ou no céu.

Embora eu tenha sido escolhido por Ti e honrado por uma alta e santa vocação, que eu nunca esqueça que não passo de um homem de pó e cinza com todos os defeitos e paixões naturais que atormentam a humanidade. Rogo-Te, portanto, meu Senhor e Redentor, que me salves de mim próprio e de todo o mal que eu puder fazer a mim mesmo enquanto procuro ser uma bênção para os outros. Enche-me do teu poder pelo Espírito Santo, e eu caminharei na tua força e proclamarei a tua justiça - a tua tão somente. Anunciarei a mensagem do teu amor redentor enquanto tiver forças.

E, Senhor amado, quando eu for velho e estiver fatigado, demasiado cansado para prosseguir, prepara-me um lugar lá em cima e conta-me entre o número dos teus santos na glória eterna. Amém.
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A W Tozer (Originalmente publicado em Português pela Revista Teológica, Seminário Teológico Batista, Leiria, Portugal,Vol III, Abril- Junho 1964, No. 2)

Pastoreie os meus cordeiros

Jesus, o Bom PastorO motivo de pastorear, de alimentar os cordeiros era para o cordeiro pertencer ao Mestre, e não mais pertencer a si mesma. Se Pedro tivesse sido o primeiro papa de Roma, e tivesse sido como seus sucessores, o que de fato ele nunca foi, certamente teria cabido ao Senhor ter-lhe dito: "Pastoreie as suas ovelhas. Eu as entrego a você, ó Pedro, Vigário de Cristo na Terra". Não, não, não. Pedro deve alimentá-las, mas elas não são dele, são ainda de Cristo. O trabalho que vocês têm que fazer para Jesus, irmãos e irmãs, não é de modo nenhum para si mesmos. Sua classe não é de suas crianças, e sim de Cristo. A exortação que Paulo deu foi para "cuidar da igreja de Deus", e que o próprio Pedro escreveu em sua epístola: "Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir" (1Pe 5:2). Que esses cordeiros se tornem o que podem, a glória será do Mestre e não do servo, e todo o tempo gasto, o trabalho dispensado e a energia gasta serão em cada partícula para redundar em louvor dele de quem são esses cordeiros.

Contudo, enquanto isso é uma ocupação de abnegação, e honrada também, podemos cuidar dela sentindo que é uma das mais nobres formas de serviço. Jesus diz: "Meus cordeiros; Minhas ovelhas". Pense neles, e admire-se de Jesus tê-los entregue a nós. Pobre Pedro! Certamente, quando aquela refeição matinal começou, ele se sentia desajeitado. Eu me coloco no lugar dele e sei que mal poderia olhar para Jesus do outro lado da mesa, enquanto me lembrava de que eu o havia negado com imprecações e maldições. Nosso Senhor quis deixar Pedro bem à vontade ao levá-lo a falar sobre seu amor, que tão seriamente fora colocado em dúvida. Como um bom médico, ele pôs o bisturi onde a ansiedade estava inflamada, e ele pergunta: "Você me ama?" (Jo 21:13ss).

Não era porque Jesus não conhecesse o amor de Pedro; mas para que Pedro soubesse com certeza e fizesse uma nova confissão, dizendo: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". O Senhor estava prestes a ter uma discussão delicada com o errante por alguns minutos, para que nunca mais houvesse uma controvérsia entre ele e Pedro. Quando Pedro disse: "Sim, Senhor; tu sabes que te amo", você quase pensou que o Senhor responderia: "Oh, Pedro, e eu te amo"; mas ele não disse isso, embora tenha dito isso, sim.

Talvez Pedro não tenha entendido o que ele queria dizer; mas nós podemos entender porque nossa mente não está confusa como estava a de Pedro naquela manhã memorável. Em outras palavras, Jesus disse: "Eu te amo tanto que confio a você aquilo que eu comprei com o sangue de meu coração. A coisa mais preciosa que tenho em todo o mundo é o meu rebanho: veja, Simão, eu tenho tanta confiança em você, dependo inteiramente da sua integridade como sendo uma pessoa que me ama sinceramente, que eu lhe faço um pastor de meus cordeiros. São tudo que eu tenho na Terra, dei tudo por eles, até minha vida; e agora, Simão, filho de Jonas, cuide deles por mim". Ah, foi "falado bondosamente". Foi o grande coração de Cristo dizendo: "Pobre Pedro, entre já e compartilhe comigo os meus mais estimados protegidos". Jesus acreditou de tal modo na declaração de Pedro que não lhe disse isso com palavras, e sim com atos. Três vezes, ele o disse: "Cuide de meus cordeiros: pastoreie as minhas ovelhas, cuide das minhas ovelhas", para mostrar o quanto o amou. Quando o Senhor Jesus ama muito uma pessoa, ele lhe dá muito para fazer ou muito para sofrer.

C.H. Spurgeon - Pescadores de crianças

segunda-feira, maio 26, 2008

Porque dele procedem as fontes da vida

“Guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" Provérbios 4:23

Quem deseja manter o coração limpo e santo precisa plantar uma sentinela em cada avenida pela qual o pecado possa encontrar acesso a ele, guardando-o de nada mais do que os chamados “pecadinhos”.

O homem de Deus deve guardar seus olhos; assim, Jó diz: “Fiz concerto com os meus olhos”; sua língua, portanto a exortação: “Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem enganosamente”; seus ouvidos, assim o aviso: “Cessa, filho meu, ouvindo a instrução, de te desviares das palavras do conhecimento”; seus pés, por isso diz Davi: “Desviei os meus pés de todo o caminho mau, para observar a Tua palavra”. E, uma vez que não existe uma barragem para os cinco sentidos, algo que impeça o inimigo de entrar como um aguaceiro, a não ser que o Espírito levante uma bandeira contra ele, precisamos guardar cada porta e escrever em cada portal: “Aqui nada entra para ferir ou para contaminar”.


Guthrie
(26 de maio)
D.L. Moody - Pensamentos para horas tranquilas

terça-feira, maio 20, 2008

A Compreensão do Reino

O Reino de Deus não é um lugar, um território. Não é o céu. Não é a Igreja. Não é alguma coisa, um objeto, um estado. Gramaticamente falando, a palavra Reino é um substantivo. Existem substantivos que indicam coisas, pessoas, lugares, sentimentos, etc. Mas, também existem substantivos que indicam ação, por exemplo: a palavra salvação é substantivo que indica ação. O dicionário traduz esta palavra como: ação de salvar. Preparação: ação de preparar. Reino é um substantivo que indica uma ação. REINO é uma ação de reinar.

O Reino de Deus é uma ação. Essa ação é um ato, é a realidade mais absoluta do universo. O Reino de Deus é o reinar de Deus. Esta realidade não se pode ser vista pelos olhos físicos. Por isso Jesus disse que: "todo aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus" (João 3:3) O universo não está na deriva, no universo existe um centro e neste centro existe um trono, neste trono Deus está reinando. Ele REINA! E sempre reinou! O seu Reino é um Reino de todos os séculos e o seu Senhorio de todas as gerações. O seu trono está firme eternamente e para sempre. Ele reina sobre tudo o que existe, Ele sustenta todas as coisas através da palavra do seu poder. Ele é a autoridade suprema do universo, Reina sobre os anjos, sobre principados e potestades, sobre satanás e seus demônios. Reina sobre as nações, sobre os reis, sobre os homens, sobre a natureza. Ele é o Senhor da história! O Reino de Deus significa que Ele é o dono de tudo o que existe. Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. (Sl.24:1) Tudo o que existe no mundo pertence ao Senhor. Todos os campos, as montanhas, os mares, os peixes, os animais. Toda a fauna, os minerais, os homens, tudo, absolutamente tudo pertence ao SENHOR.

Legitimamente, por direito inerente, Ele é o criador de tudo. Nós não somos donos de nada, nada é nosso. Nosso corpo, nossa família, nossos filhos, terreno, a casa, o dinheiro, o tempo, a saúde, os dons, os talentos; tudo, absolutamente tudo, pertence ao Senhor. Ele é o juiz universal. Um dia todos nós devemos nos apresentar diante dele para prestarmos contas do que fizemos e o que decidimos em nossas vidas que Ele nos deu, se vivemos de acordo com a vontade de Deus ou a nossa. Tudo o que fizemos com os nossos bens que nos foram confiados para que administrássemos. Nada será escondido neste dia. E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Heb.9:27). Esse Rei do universo se fez homem na pessoa de seu filho, o filho de Deus, o verbo eterno se fez carne, o Rei se fez servo, o dono de tudo se fez pobre, o criador se tornou criatura, o juiz deixou a sala do trono para ocupar o lugar do réu, de pecador. Porque? Para quê? Por que todos nós estávamos rebelados contra o seu Reino, pecamos contra Ele, desconhecíamos a sua autoridade, vivíamos como queríamos, mas Ele nos amou. Ele veio para nos salvar, para nos dar uma nova oportunidade. Veio nos chamar para o arrependimento, nos chamar para o seu Reino. Foi por todas as partes anunciando as boas notícias do Reino, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho. (Mc.1:15)

O Reino de Deus chegou? Onde? Como? Aquele que reina está entre nós, bem-aventurados os que crêem, bem-aventurados os humildes, os que choram, os mansos... Por que deles é o Reino de Deus. Daqueles que buscam primeiro o Reino de Deus, que desejam que Ele governe a sua vida, as demais coisas são secundárias, o Pai nos dará as demais coisas. Aqueles que quando oram rasgam o seu coração dizendo: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu (Mt.6:9-10). Esse filho de Deus, para poder salvar-nos carregou nossos pecados sobre o seu corpo, morreu na cruz em nosso lugar, pagou a nossa condenação. Mas ao terceiro dia, ressuscitou, foi exaltado pelo Pai, se assentou em seu trono, e o Pai o fez Senhor! Para que Jesus seja o nosso Salvador, devemos reconhecê-lo como Senhor.
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Jorge Himitian

Erótico Versus Espiritual

O período em que vivemos bem pode passar à história como a Era Erótica. O amor sexual foi elevado à posição de culto. Eros tem mais cultuadores entre os homens civilizados de hoje do que qualquer outro deus. Para milhões o erótico suplantou completamente o espiritual.

Não é difícil verificar como o mundo chegou a este estado. Entre os favores que contribuíram para isso estão o fonógrafo e o rádio, que podem difundir canções de amor de costa a costa sem problema de dias ou de ocasiões; o cinema e a televisão, que possibilitam a toda a população focalizar mulheres sensuais e jovens amorosos ferrados em apaixonado abraço (e isto nas salas de estar de lares "cristãos" e diante dos olhos de crianças inocentes!); jornada de trabalho mais curta e uma multiplicidade de artefatos mecânicos com o resultante aumento do lazer para toda gente. Acrescentem-se a isso tudo as dezenas de campanhas publicitárias astutamente idealizadas, que fazem do sexo a isca não muito secretamente escondida para atrair compradores de quase todos os produtos imagináveis; os corruptos colunistas que consagraram a vida à tarefa de publicar fofas e sorrateiras nulidades com rostos de anjos e com moral de gatas da rua; romancistas sem consciência, que conquistam fama duvidosa e se enriquecem graças ao trabalho inglório de dragar podridões literárias das imundas fossas das suas almas para dar entretenimento às massas. Estas coisas nos dizem algo sobre a maneira pela qual Eros conseguiu seu triunfo sobre o mundo civilizado.

Pois bem, se esse deus nos deixasse a nós, cristãos, em paz, eu por mim deixaria em paz o seu culto. Toda a sua esponjosa e fétida sujeira afundará um dia sob o seu próprio peso e será excelente combustível para as chamas do inferno, justa recompensa recebida, e que nos enche de compaixão por aqueles que são arras­tados em sua ruinosa voragem. Lágrimas e silêncio talvez fossem melhores do que palavras, se as coisas fossem ligeiramente diversas do que são. Mas o culto de Eros está afetando gravemente a igreja. A religião pura de Cristo que flui como rio cristalino do coração de Deus está sendo poluída pelas águas impuras que escorrem de trás dos altares da abominação que aparecem sobre todo monte alto e sob toda árvore verde, de Nova Iorque a Los Angeles.

Sente-se a influência do espírito erótico em toda parte quase, nos arraiais evangélicos. Grande parte dos cânticos de certos tipos de reuniões têm em si maior porção de romance do que do Espírito Santo.. Tanto as palavras como a música se destinam a provocar o libidinoso. Cristo é cortejado com uma familiaridade que revela total ignorância de quem Ele é. Não é a reverente intimidade do santo em adoração, mas a impudente familiaridade do amante carnal.

A ficção religiosa também faz uso do sexo para dar interesse à leitura pública, a fina desculpa sendo que, se o romance e a religião forem entretecidos compondo uma história, a pessoa comum que não leria um livro puramente religioso lerá a história, e assim se defrontará com o Evangelho. Deixando de lado o fato de que, na maioria, os romancistas religiosos modernos são amadores de talento caseiro, sendo raros os capazes de escrever uma única linha de boa literatura, todo o conceito subjacente ao romance religioso é errôneo. Os impulsos libidinosos e os suaves e profundos movimentos do Espírito são diametralmente opostos uns aos outros. A noção de que Eros pode ser induzido a servir de assistente do Senhor da glória é ultrajante. A película "cristã" que procura atrair espectadores retratando cenas de amor carnal em sua propaganda é completamente infiel à religião de Cristo. Só quem for espiritualmente cego se deixará levar por isso.

A moda atual de usar beleza física e personalidades brilhantes na promoção religiosa é outra manifestação da influência do espírito romântico na igreja. O balanceio rítmico, o sorriso plástico, e a voz muito, mas muito alegre mesmo, denunciam a frivolidade religiosa mundana. O executante aprendeu a sua técnica da tela da TV, mas não a apreendeu suficientemente bem para ter sucesso no campo profissional. Daí, ele traz a sua produção inepta para o lugar santo e a mascateia, oferecendo-a aos cristãos doentios e inferiores que andam à procura de alguma coisa que os divirta enquanto ficarem dentro dos limites dos costumes sócio-religiosos vigentes.

Se meu linguajar parece severo, é bom lembrar que não o dirijo a nenhuma pessoa individualmente. Para com o mundo perdido dos homens, só tenho uma grande compaixão e o desejo de que todos venham a arrepender-se. Pelos cristãos cuja liderança vigorosa mas equivocada tem procurado atrair a igreja moderna do altar do Senhor para os altares do erro, sinto genuíno amor e simpatia. Quero ser o último a ofendê-los e o primeiro a perdoá-los, lembrando-me dos meus pecados passados e da minha necessidade de misericórdia, bem como da minha fraqueza pessoal e da minha tendência natural para o pecado e o erro. A jumenta de Balaão foi usada por Deus para repreender um profeta. Daí parece que Deus não exige perfeição no instrumento que Ele emprega para advertir e exortar o Seu povo.

Quando as ovelhas de Deus estão em perigo, o pastor não deve contemplar as estrelas e meditar sobre temas "inspiradores". É obrigado a agarrar sua arma e a correr em defesa delas. Quando as circunstâncias o exigirem, o amor poderá usar a espada, embora por sua natureza deva, em vez disso, ligar o coração quebrantado e atender os feridos. É tempo de o profeta e o vidente se fazerem ouvir e sentir outra vez. Nas últimas três décadas a timidez disfarçada de humildade tem ficado encolhida no seu canto enquanto a qualidade do cristianismo evangélico vem piorando ano após ano. Até quando. Senhor, até quando?

A.W. Tozer - O Poder de Deus

segunda-feira, maio 19, 2008

Homens ou feras?

Um amigo meu comentava a respeito desta passagem das Crônicas de Nárnia. Notem bem a atualidade do tema. Tenham em mente as notícias absurdas que temos escutado atualmente (ditadores de Mianmar que não distribuem os alimentos aos desabrigados; caso Isabela Nardoni; criança arrastada por quilômetros presa em carro governado por bandidos etc.) e tirem suas conclusões ao final do trecho.

"Muito atentos, avançaram uns metros por uma parte da floresta em que as árvores cresciam afastadas. Assim chegaram a um lugar coberto de arbustos espessos. Ao passarem por um maciço, alguma coisa rosnou, precipitando-se depois como um raio por entre os ramos partidos. Lúcia recebeu um esbarrão e foi derrubada. No momento em que caía, ouviu vibrar uma seta. Quando se recuperou do susto, viu um enorme urso cinzento, de terrível aspecto, trespassado no dorso pela seta de Trumpkin.

– Desta vez, Su, o N.C.A. saiu vencedor! – disse Pedro, com um sorriso amarelo. Porque até ele ficara um tanto abalado com a aventura.

– Atirei tarde demais – justificou-se Susana muito embaraçada. – Tive medo que fosse um daqueles ursos... sabe?... um daqueles que falam.

A verdade é que ela tinha horror a matar, fosse o que fosse.

– Pois aí é que está o problema! – concordou Trumpkin. Os animais, na sua maioria, ficaram mudos e tornaram-se inimigos. Nunca se sabe de que gênero são; se a gente espera, pode ser tarde demais.

– Coitado do urso! – murmurou Susana. – Acha que ele era dos maus?

– Claro que sim! – disse o anão. – Vi bem o focinho dele e ouvi seu rosnado. O que ele queria era uma garotinha para o café da manhã. E, a propósito, não quis desanimar Vossas Majestades, quando disseram há pouco que esperavam que Caspian lhes desse um bom almoço. Mas agora devo dizer que, no acampamento, a carne não costuma ser muito farta. E carne de urso não é nada má! Seria uma vergonha deixar aí a carcaça sem levar um pedaço; isso pode levar no máximo meia hora. Espero que os dois rapazes, quero dizer, reis... saibam como tirar pele de urso...

– Melhor a gente ficar longe – disse Susana para Lúcia. – Já estou imaginando que horrível espetáculo vai ser isso. Lúcia concordou, toda arrepiada, e quando se sentaram disse:

– Sabe, Su, acaba de me ocorrer uma idéia terrível.

– O que foi?

– Não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?"

sexta-feira, maio 16, 2008

12 Lições espirituais de "Príncipe Caspian" (Parte 2)

6. Seja grato pelas bênçãos disfarçadas

Em certo momento, Pedro se sente responsável por ter levado seus irmãos e os antigos narnianos por um caminho difícil - através de uma garganta, abrindo caminho entre a vegetação cerrada em um terreno íngreme. Mas, quando Pedro se desculpa com os outros pelo erro, Trumpkin observa que, se eles tivessem ido pelo lado que haviam planejado originalmente, a situação teria sido bem pior.

Quantas vezes não precisamos de alguém como Trumpkin em nossas vidas para nos lembrar que a situação atual poderia ser bem pior se tivéssemos feito uma escolha diferente ou se tivéssemos nos recusado a ouvir um amigo de confiança?


7. Separe um tempo para desfrutar da presença de Deus


Uma das minhas cenas favoritas no livro é quando os antigos narnianos estão reunidos com Aslam, o criador de Nárnia. Embora eles tenham passado por tempo difíceis e o perigo esteja à frente deles, eles gastam algum tempo desfrutando da companhia de Aslam, literalmente brincando e se divertindo com o enorme leão.


Para mim, é uma bela maneira de lembrar que, não importa o que estejamos passando ou o quanto estejamos ocupados, temos que nos recordar que Deus deseja passar tempo conosco para simplesmente brincar. É um convite para confraternizamos com o nosso Criador.


8. Atitudes podem ter conseqüências permanentes


Quando as crianças descobrem os presentes que ganharam na primeira aventura em Nárnia na sala do tesouro em Cair Paravel, Edmundo é mais uma vez lembrado de que, por causa da sua antiga traição contra os irmãos e contra Nárnia, ele não tem uma lembrança especial de sua primeira jornada. Embora Aslam tenha dado a sua vida voluntariamente em troca da de Edmundo em "O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa" , isso não significa que não existem conseqüências para as escolhas que Edmundo fez.


É interessante notar que, mais uma vez, a jornada de Edmundo espelha a nossa mais do que qualquer outra. Deus perdoará prontamente os nossos pecados se pedirmos, mas isso não significa que nossas ações não terão efeitos a longo prazo.


9. A vaidade corrompe o caráter


Quando Ripchip finalmente tem a chance de estar face a face com Aslam, ele não está preocupado com o futuro de Nárnia nem com o seu papel nele. O foco de Ripchip é uma mera vaidade - a sua cauda. Nesse momento, o rato poderia pedir qualquer coisa ao poderoso Aslam, mas ele só consegue pensar no constrangimento que sente por aparecer diante de Aslam sem sua bela cauda.


Aslam louva os atos de heroísmo e bravura de Ripchip, mas também o lembra de que ele dá importância demais a uma coisa que é apenas questão de vaidade e aparência, e não um reflexo verdadeiro de caráter.


Nós também podemos dar muita importância a manter a aparência exterior de fé e piedade, sem nutrir a vida interior de que precisamos para crescer espiritualmente.


10. Lealdade e sacrifício serão recompensados


Um dos gestos mais comoventes de amor e sacrifício nessa história é quando o exército de anões implora que Aslam cure o seu valente líder Ripchip, que perdeu a cauda na batalha. Os seguidores de Ripchip declaram que cortarão suas próprias caudas em solidariedade, caso Aslam não restaure a de seu líder. Comovido pelos ratos e por sua disposição de se sacrificarem em favor de Ripchip, Aslam concede o que lhe é pedido.


Esse tipo de devoção, raramente encontrada em nosso mundo, é o mesmo exemplo de lealdade e sacrifício que a Bíblia nos dá em todo o Novo Testamento. Como diz a passagem de João: "Ninguém tem amor maior do que este, de dar a vida pelos seus amigos." Somos desafiados a colocar isso em prática em nossas próprias vidas.


11. Fique perto da sua família espiritual


Embora o tio Miraz seja o parente vivo mais próximo de Caspian, não há nenhum vínculo entre eles. Miraz é o falso rei de Nárnia que matou o próprio irmão, Caspian IX, para poder assumir o trono.


Depois de Caspian fugir da tirania do tio, ele entra em contato com os Pevensie e, mais tarde, com os antigos narnianos, os que ainda se lembram da Era de Ouro de Nárnia. Quando os encontra, Caspian sente em relação a eles uma afinidade imediata, como nunca sentira antes. Os antigos narnianos são a sua verdadeira família espiritual.


Assim é também para alguns de nós. Podemos não ter nascido em uma família afetuosa, que nos completa. Entretanto, podemos, se quisermos, desenvolver uma família espiritual com pessoas de fé e caráter semelhantes aos nossos, para que possamos prosseguir na jornada.


12. Líderes não são natos, e sim preparados


Embora Pedro e Caspian seja jovens rapazes destinados a reinar em Nárnia, eles não são líderes naturais. Vemos através da série de livros que, independente de destino ou direito de nascença, tornar-se um líder de verdade é um processo - e não é nada fácil. Tanto Caspian quanto Pedro cometem erros. Na verdade, os dois rapazes a princípio têm dificuldade para trabalhar juntos, e precisam de uma lição de humildade e trabalho em equipe antes de finalmente obterem a vitória contra os telmarinos.


Na nossa cultura hoje em dia, não damos nem uma chance aos nossos líderes - seja no nosso bairro ou no governo - quando eles cometem erros. Talvez o melhor presente que podemos dar a eles é sermos mais como Susana e Lúcia, encorajando e dando o nosso apoio para que eles possam aprender e crescer como líderes.


12 Lições espirituais de "Príncipe Caspian"

por Kris Rasmussen

Tradução: Junia Vaz para mundonarnia.com


Para acessar a 1ª parte do texo clique aqui

quinta-feira, maio 15, 2008

12 Lições espirituais de "Príncipe Caspian" (Parte 1)

Como todos devem saber, no dia 16 de maio estréia o segundo filme das Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian. Se não me engano, no Brasil chegará apenas dia 30. Devido à proximidade do filme, postarei aqui no blog um texto sobre algumas lições espirituais que podem ser encontradas na história. O texto será dividido em partes, por ser muito grande.

"Já faz mais de dois anos que o público teve a chance de visitar a terra mágica e mística de Nárnia, do autor C.S. Lewis, onde era sempre inverno, mas nunca Natal, até que os irmãos Pevensie - Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro - apareceram para ajudar Aslam a derrotar a Feiticeira Branca. Agora somos transportados de volta a Nárnia no novo filme "As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian", que estréia nos cinemas brasileiros no dia 30 de maio.

Em toda a série, e em "Príncipe Caspian" particularmente, os personagens principais enfrentam uma série de situações que mudam suas vidas e aprendem muitas coisas sobre si mesmos e outras pessoas. Descubra mais sobre o mundo de "Príncipe Caspian" e a sabedoria espiritual que podemos depreender dele ao revisitar a terra de Nárnia através destas 12 lições:

1. O tempo é mesmo relativo

Num momento, os irmãos Pevensie estão em uma estação de trem, se preparando para voltar para a escola; e, no instante seguinte, eles se encontram de volta a Nárnia. Embora tenha passado muito tempo - 1300 anos desde a última visita -, quando eles voltam de Nárnia no fim do livro, não se passou quase tempo algum no mundo "real".

O uso do tempo em "Príncipe Caspian" parece ser uma metáfora para o conceito bíblico encontrado em 2 Pedro: "Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos são como um dia." Os Pevensie aprendem que o que pode parecer importante agora não é necessariamente importante muitos anos depois - porém Aslam, o símbolo divino, é sempre o mesmo.

2. Deixe de lado as grandes expectativas

Repetidamente, em "Príncipe Caspian", C.S. Lewis examina as falsas suposições e expectativas de alguns dos personagens quando eles se baseiam em informações incorretas ou julgam os outros pela aparência.

Por exemplo, alguém poderia dizer que o guerreiro mais valente no livro não é Pedro ou um telmarino. Em vez disso, é um rato, Ripchip. Esse pequeno soldado quase dá uma surra no príncipe Caspian, que, com arrogância, pensa que alguém tão pequeno não conseguiria vencê-lo.

De modo semelhante, quando as crianças retornam a Nárnia, os atuais narnianos - assim como o príncipe Caspian - estão esperando que adultos, e não crianças, venham em seu socorro. Sem saber que as crianças realizaram atos de bravura no passado para salvar Nárnia, os narnianos os encontram com um certo desapontamento, como se dissessem: "São vocês?"

A Bíblia está cheia de histórias mas quais que Deus escolhe quem é pequeno ou tolo para demonstrar o Seu poder. Ainda assim, continuamos a julgar apenas pelas qualidades superficiais.

3. A fé não deve ser decidida pelo voto da maioria

Lúcia é a única que consegue ver Aslam durante uma boa parte do livro. Ela primeiramente tenta convencer os irmãos de que Ele está perto, mas Susana e Pedro não acreditam nela. Edmundo acredita, mas também não consegue ver Aslam. Quando Lúcia pede que confiem nela, os outros decidem colocar o assunto em votação. A maioria decide que as visões de Lucy com Aslam são absurdas e continuam no caminho que haviam escolhido, apenas para se arrepender dessa decisão - e da falta de fé - logo depois.

É muito tentador deixar que outras vozes abafem aquela pequena e constante voz da fé que fala dentro de nós. Também é mais fácil simplesmente seguir a maioria, quando sabemos que deveríamos defender as nossas crenças. Mas, assim como Lúcia deixou que a sua fé fosse silenciada e se arrependeu disso, quando nós não agimos com fé, também não demorará muito até que soframos as conseqüências.

4. Mantenha a fé em meio a uma cultura de descrença

Não há lampião mágico nesta Nárnia. Não há floresta encantada. A vida é sombria, triste e devastada pela batalha. Ninguém nesta Nárnia acredita em animais falantes, anões, nem em nenhum dos habitantes que originalmente agraciavam a terra. Mas, quando Lúcia e os outros tentam contar ao príncipe Caspian como tudo costumava ser, ele lentamente começa a acreditar na antiga Nárnia e deseja encontrar os antigos narnianos que têm vivido escondidos.

Neste sentido, Nárnia é uma excelente metáfora para uma sociedade pós-moderna na qual ceticismo, narcisismo, intelectualismo, elitismo e vários outros "ismos" criaram um ambiente de descrença, ansiedade, depressão e desespero que sufoca a beleza e o mistério da jornada da fé.

5. Não tema, pois Deus está com você

Aslam faz mais de uma vez uma advertência sensata sobre não dar ouvidos ao medo. Trumpkin tem medo de Aslam quando o encontra pela primeira vez, mas apenas porque não conhece o caráter do Leão. Quando ele descobre a verdadeira natureza de Aslam, não sente mais medo.

Aslam também precisa acalmar os medos de Susana quando ela o encontra pela primeira vez nesta história. Aslam gentilmente diz a Susana que ela deve parar de ouvir a voz do medo. O medo foi um dos motivos pelos quais ela não conseguiu vê-lo quando ele apareceu para Lúcia no início da jornada. Para ajudar Susana a recuperar as energias e a colocar os pensamentos no lugar, Aslam então sopra sobre ela. Com esse sopro, o medo perde o controle sobre o coração de Susana e ela pode ser valente novamente.

Não é uma imagem reconfortante? Quando o medo toma conta do nosso espírito, nós apenas temos que buscar o sopro do nosso Criador para restaurar nossa paz e discernimento".

12 Lições espirituais de "Príncipe Caspian"
por Kris Rasmussen
Tradução: Junia Vaz para mundonarnia.com

Para acessar a 2ª parte do texto clique aqui

segunda-feira, maio 12, 2008

Uma confiança mais firme na suficiência de Deus

Aquilo ou aquele em quem um homem mais confia, esse é o seu "deus". Algumas pessoas confiam na saúde, e outros nas riquezas; alguns confiam em si mesmos, e outros confiam em seus amigos. E a atitude que caracteriza a todos os indivíduos sem regeneração é que dependem do braço da carne. Porém, a eleição da graça desvia os seus corações de todos os apoios dados pela criatura, para que se estribe no Deus vivo. O povo de Deus são os filhos da fé. A linguagem emitida pelos seus corações é: "Deus meu, em ti confio, não seja eu envergonhado" (Salmos 25:2). E uma vez mais: "Eis que me matará, já não tenho esperança; contudo defenderei o meu procedimento" (Jó 13:15). Esses dependem de Deus, para que lhes proveja o necessário, para que os proteja e abençoe. Olham continuamente para um recurso invisível, ficam na dependência ao Deus invisível, apoiam-se em um Braço oculto.

É verdade que há ocasiões em que a fé dos verdadeiros crentes hesita; mas, embora tropecem, não ficam inteiramente prostrados. Embora isso não reflita a experiência uniforme deles, contudo o Salmo 56:11 expressa o estado geral de suas almas: "... neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem? " (Lucas 17.5). E a oração anelante deles é: "Senhor, aumenta a nossa fé!" Conforme diz a passagem de Romanos 10:17: "E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo". E dessa maneira, enquanto meditamos sobre as Escrituras, em que as suas promessas são acolhidas em nossa mente, a nossa fé é fortalecida, a nossa confiança em Deus aumenta, e a nossa segurança se aprofunda. Desse modo podemos descobrir que estamos tirando proveito ou não de nosso estudo da Bíblia.

A.W. Pink - Enriquecendo-se com a Bíblia

quarta-feira, maio 07, 2008

Calar por amor ou falar por causa da verdade?

CalarQuem se cala diante do pecado, da injustiça e de falsas doutrinas não ama de verdade. A Bíblia diz que o amor "...não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade" (1 Co 13.6). Deveríamos orar muito por sabedoria e, com amor ainda maior, chamar a atenção para a verdade e não tolerar a injustiça.

Ao estar em jogo a verdade, Estevão argumentou, mas sempre em amor a seu povo e com temor diante da verdade em Cristo. O apóstolo Paulo estava disposto a ser considerado maldito por amor ao seu povo, mas não cedia um milímetro quando se tratava da verdade em Cristo. Jesus amou como nenhum outro sobre a terra, mas assim mesmo pronunciou duras palavras de ameaça contra o povo incrédulo, que seguia mais as tradições e as próprias leis do que a Palavra de Deus. O Dr. John Charles Ryle, bispo anglicano de Liverpool que viveu de 1816 a 1900, certa vez disse assim:

Controvérsias religiosas são desagradáveis

Já é extremamente difícil vencer o diabo, o mundo e a carne sem ainda enfrentar conflitos internos no próprio arraial. Mas pior do que discutir é tolerar falsas doutrinas sem protesto e sem contestação. A Reforma Protestante só foi vitoriosa porque houve discussões. Se fosse correta a opinião de certas pessoas que amam a paz acima de tudo, nunca teríamos tido a Reforma. Por amor à paz deveríamos adorar a virgem Maria e nos curvar diante de imagens e relíquias até o dia de hoje. O apóstolo Paulo foi a personalidade mais agitadora em todo o livro de Atos, e por isso foi espancado com varas, apedrejado e deixado como morto, acorrentado e lançado na prisão, arrastado diante das autoridades, e só por pouco escapou de uma tentativa de assassinato. Suas convicções eram tão decididas que os judeus incrédulos de Tessalônica se queixaram: "Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui" (At 17.6). Deus tenha misericórdia dos pastores cujo alvo principal é o crescimento das suas organizações e a manutenção da paz e da harmonia. Eles até poderão fugir das polêmicas, mas não escaparão do tribunal de Cristo. (de: "Alle Wege führen nach Rom")

Norbert Lieth

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 1998.

Fonte: Discipulado

Três parábolas para a mente pós-moderna

PluralismoPluralismo é a idéia de que existem diversas perspectivas sobre Deus e a realidade, sendo que cada uma delas é verdadeira para a pessoa que crê, e ninguém deve contrariá-la. As três ilustrações que seguem são de grande ajuda para quem está testemunhando de Cristo, pois ajuda a termos sempre em mente que o que realmente interessa é a verdade.

A Ilustração de Robertolo é boa para aqueles que não ligam para a verdade e se importam apenas em saber se tal religião vai ajudá-lo a ser feliz. Todos sabemos o que é placebo, em medicina. É uma substância inofensiva que de fato não ajuda em nada na real cura da doença. Mas a crença do paciente de que aquilo realmente funciona traz um certo alívio mental. Infelizmente, o placebo funciona apenas para o ingênuo e desinformado. O triste é saber que o efeito placebo não se limita à medicina. Muitas pessoas têm uma espécie de placebo em relação as suas visões de mundo – crenças falsas, ingênuas e vazias que ajudam apenas porque a pessoa está vivendo em um mundo de fantasias criado pela sua própria imaginação e não porque a crença é realmente verdadeira. Para vermos como isso é triste, leiamos a pequena história de Robertolo.

Robertolo era um aluno quieto e sem esperança que estudava física em uma reconhecida universidade. Ele foi muito mal no primeiro semestre de aulas. Seu conhecimento de matemática estava no nível de um aluno de quinta série e ele não tinha a mínima condição de estar estudando física. Certo dia todos os alunos e professores decidiram pregar uma peça em Robertolo, fazendo-o pensar que ele era o melhor estudante de física daquela universidade. Quando ele fazia uma pergunta na classe, mesmo que fosse uma pergunta tola, os professores e alunos tratavam-na com fascínio, como se fosse uma questão profundamente importante. Os professores deram a ele ótimas notas em todas as matérias, quando na verdade ele merecia tirar dois ou três.

Robertolo se formou e começou a fazer pós-graduação na mesma universidade. Os professores desta instituição enviaram uma carta a todos os físicos do mundo, informando sobre a brincadeira. Robertolo recebeu seu diploma, conseguiu uma cadeira como docente, viajava regularmente para a Europa para participar de conferências e freqüentemente aparecia em revistas como a Super-Interessante e a Veja. A vida de Robertolo estava carregada de sentimentos de felicidade, respeito e orgulho. Infelizmente, ele ainda não sabia nada de física. As pessoas odiavam Robertolo e o ridicularizavam pelas costas, mas Robertolo, sem saber da verdade, estava tão feliz quanto poderia estar.

Você tem inveja de Robertolo? Você deseja essa vida para os seus filhos? É claro que não. Por quê? Por que a sua sensação de bem-estar foi construída sobre uma visão de mundo placebo, falsa e vazia. Aqueles que não se importam com o que é verdade e apenas querem saber se uma idéia religiosa funciona para eles, são iguais a Robertolo. Se eles desejam ser como Robertolo, deveríamos ter pena deles, pois não levam sua vida de forma séria.

Se a verdade realmente importa, então a Ilustração da Mãe nos ajudará a mostrar que as religiões não podem ser todas verdadeiras. Por exemplo, suponhamos que eu esteja com um pessoal e que peço a umas 3 pessoas que descrevam as características de minha mãe. Sendo que ninguém a conhece, obtenho três diferentes respostas: ela mede 1.70, 1.58 e 1.80 metros; tem cabelos loiros, ruivos e pretos; e pesa 60, 55 e 70 quilos. Então eu os advirto dizendo que, sendo que as três respostas eram opostas umas as outras, elas não poderiam ser todas verdadeiras. Por exemplo: minha mãe não pode pesar 60, 55 e 70 quilos ao mesmo tempo. Não importa o número de pessoas que acreditam que minha mãe tem cabelos loiros. A verdadeira cor dos cabelos da minha mãe independente do que os outros pensam ou dizem. Nesse sentido, a realidade é totalmente indiferente ao que acreditamos! Concluo ressaltando que as afirmações sobre Deus não podem ser todas verdadeiras. Os budistas negam que Deus exista, os hindus dizem que existem milhões de deuses, o judaísmo e o islamismo ensinam que há apenas um Deus, mas que é um grande pecado dizer que Ele é uma Trindade. O Cristianismo assevera que existe um Deus que é três pessoas. Assim como as afirmações sobre a aparência de minha mãe, as afirmações sobre Deus não podem estar todas corretas.

Se a pessoa crê que a verdade é importante (a Ilustração de Robertolo) e que o simples fato de acreditar em algo não faz com que isso seja verdadeiro (a Ilustração da Mãe), então precisamos buscar não o que queremos que seja verdade, mas o que as evidências apontam. Para esse fim, uso a Ilustração do Buffet Livre. Quando as crianças vão em um buffet elas escolhem as comidas de acordo com seus gostos (a não ser que sua mãe esteja lá). Da mesma forma, quando as pessoas criam uma idéia de Deus escolhendo aspectos das várias religiões de acordo com o que elas gostam ou não gostam, elas sempre terminam por formar uma idéia de Deus que parece exatamente com a pessoa que o estava procurando. Se a pessoa é esquerdista, Deus torna-se uma tolerante Marta Suplicy no céu. Se é conservadora, Ele parecerá um grande sargentão.

Escolher uma versão de Deus de acordo com nosso gosto é garantia de que criaremos uma falsa idéia de Deus, que simplesmente expressa nossas próprias preferências. Esse não é o caminho certo. É nesse ponto que devemos utilizar os argumentos apologéticos, baseados na evidência de um Deus pessoal que criou todas as coisas; argumentos baseados na história e nas profecias cumpridas, que atestam a veracidade histórica do Novo Testamento e que, de fato, Jesus ressuscitou. Dessa forma, as evidências para o Cristianismo não cairão em ouvidos desinteressados e, talvez, ganharão um bom ouvinte.

Obs
: Certifique-se em dizer em algum momento que o Cristianismo é realmente verdadeiro. Afirmar isso é muito importante em uma cultura pluralista.

Baseado no texto Persuasive evangelism in a pluralistic culture de J.P. Moreland.

Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral

terça-feira, maio 06, 2008

Do humilde sentir de si mesmo

Renda-seTodo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem se despreza e não se compraz em humanos louvores. Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?

1.
Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.

2.
Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. Não te presumas de alta sabedoria (Rom 11,20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém te preferir, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na lei? Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada.

3.
Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem. Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo.

Tomás de Kempis - Imitação de Cristo

domingo, maio 04, 2008

O espírito do verdadeiro adorador

Avivamento"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos." (Hc 3:17-19)

Este é o espírito do cântico de Habacuque! Ainda que não estejamos vendo as possibilidades de crescimento e frutificação, ainda que não sintamos a unção, ainda que estejamos sendo confrontados com a escassez de recursos e resultados, ainda que muitos estejam nos abandonando, todavia, Deus permanece fiel e digno da nossa fidelidade! Isto, realmente, é adoração!

Este é o processo pelo qual vamos conhecer a Deus e colocar em Deus e em mais nada ou ninguém a nossa confiança e satisfação. Então o Senhor será nossa força, nos fará saltar e caminhar por lugares altos, acima dos mais elevados obstáculos. O livro de Habacuque começa com uma interrogação e termina com uma exclamação. Deus deseja transformar todas as nossas perguntas em respostas surpreendentes de fé!

Fidelidade deve existir, não apenas quando tudo vai bem, mas quando tudo vai mal. Tem um ditado que diz: "quando o navio afunda os ratos caem fora". É assim que Deus prova e conhece quem é quem. Quem é você?

Só nos momentos de prova é que você saberá!

Adoração é o saldo positivo de fé deixado pelas provas de Deus. Aqui nasce não apenas uma nova canção, mas é onde o espírito de um verdadeiro adorador é forjado. Esta foi a postura profética de Habacuque.

Só pessoas que compreendem o poder do tratamento de Deus alcançam este nível de fé e adoração. São pessoas curadas, que tem cicatrizes de Deus em suas vidas, pessoas sadias que adquiriram a integridade necessária para servir a Deus e suportar as pressões de um verdadeiro reavivamento!

"Eu ouvi, Senhor a tua fama, e temi; aviva, ó Senhor a tua obra no meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira lembra-te da misericórdia. " (Hc 3:2)

No círculo evangélico, avivamento é uma das palavras que estão na moda, em alta. Porém, percebemos que a maioria das pessoas não entendem bem as implicações pessoais de um avivamento. Se você realmente deseja e aspira o avivamento, se você quer a vinda de Deus para sua vida, igreja e sociedade, você precisa responder a esta pergunta que o profeta Malaquias faz:

"Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Pois ele será como o fogo do ourives e como o sabão de lavandeiros. " (Ml 3:2)

Você vai suportar a purificação de Deus? Você vai subsistir diante da sua correção? Vai agüentar o fogo purificador e a limpeza que ele quer fazer? Quando ele começar a lavar toda a roupa suja, desencardindo nossa alma, será que vamos suportar? Você ainda quer um avivamento? Um que comece por você?

Marcos de Souza Borges (Coty) - O Obreiro Aprovado

sábado, maio 03, 2008

O Conhecimento Dinâmico de Deus

Este texto expressa uma visão aprimorada, nua e crua, sem ilusões, de como Deus age conosco, para que possamos, realmente, conhecê-lo:

"Vinde, e tornemos para o Senhor porque ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e a ligará. Depois de dois dias nos dará a vida: ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele. Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. " (Os 6:1-3)

O grande drama da cura de Deus é que ela, na maioria das vezes, é precedida por uma ferida, também de Deus. Antes de um cirurgião remover um tumor, ele precisa usar o bisturi para cortar. Não se pode curar sem operar e não se pode operar sem ferir. Esta é uma lei óbvia para quem trata responsavelmente das raízes dos problemas das pessoas.

Precisamos conhecer a Deus neste sentido. É comum pularmos os dois primeiros versículos do texto mencionado, fugindo do seu contexto e teorizar ou racionalizar o conhecimento divino. Porém, conhecer a Deus na essência, é experimentar o que Oséias experimentou. O conhecimento de Deus começa com as feridas que ele mesmo abre em nossas vidas: "... ele despedaçou, e nos sarará, fez a ferida, e a ligará."

Toda pessoa e ministério poderosamente usados por Deus precisa poder dizer o que Paulo disse: "Trago no meu corpo as marcas de Cristo". Da mesma forma, Isaías descreve o Messias como "ferido de Deus". Jacó, também, foi atingido pela espada do anjo do Senhor.

Deus sabe como nos ferir no ponto certo. Ele tem a perícia de um exímio cirurgião.

Existe, porém, uma diferença entre a ferida e a cicatriz. A cicatriz nada mais é que a ferida curada. A marca e a lembrança existem, porém, a dor, a vergonha, a vulnerabilidade foram totalmente superados.

É importante mencionar, não apenas as "feridas de Deus", mas as "cicatrizes de Deus". Acima de tudo Deus é um Deus de cicatrizes. A essência da unção messiânica é restaurar a cana quebrada e reacender o pavio que fumega. Cada cicatriz de Deus representa uma tremenda gama de experiências profundas que redunda num conhecimento divino legítimo e palpável. Isto pode ser perfeitamente traduzido pelas palavras de Jó após todo o seu sofrimento:

"Eu te conhecia só de ouvir mas agora os meus olhos te vêem. Por isto me abomino, e me arrependo no pó e na cinza". (Jó 42:5, 6)

Conhecer a Deus não é meramente ser um expert em Bíblia e teologia. Na verdade, na mesma proporção que alguém torna-se um exímio defensor de suas doutrinas, pode também assimilar uma tendência de tornar-se não ensinável, independente, fechado para a diversidade e anti-sinérgico.

Este tipo de bloqueio engessa o crescimento e peca contra a progressividade da revelação divina. Este é o doentio processo de tradicionalização da mente.

É crucialmente necessário manter uma postura de flexibilidade capaz de não desprezar o "velho" como também, não nos fechar para o "novo" de Deus:

"E disse-lhes: Por isso, todo escriba que se fez discípulo do reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas". (Mt 13:52)

Segundo Oséias, conhecer progressivamente a Deus é o processo onde Deus fere, trata da ferida, cicatriza, vivifica e ressuscita. Em cada processo cirúrgico, Deus vai removendo tudo aquilo que impede nossa fé em relação ao seu caráter. Quanto mais esta fé cresce, tanto menos valorizamos as crises circunstanciais. A adoração e uma perspectiva sólida da grandeza de Deus brotam poderosamente em nossas vidas.

Marcos de Souza Borges (Coty) - O Obreiro Aprovado

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