segunda-feira, março 17, 2008

Substitutos baratos

Viver sob o governo do céu nos liberta e nos confere poder para amar como Deus ama. Mas fora da segurança e suficiência do céu, nos vemos amedrontados e irados demais para amar os outros ou a nós, de modo que providenciamos substitutos baratos na forma de prazeres e “amores” de vários tipos. Em linguagem contemporânea, poderíamos expressar a comparação que Jesus faz entre ágape, o tipo de amor que vem de Deus, e aquilo que normalmente se faz passar por esse amor como: “Grande coisa vocês amarem aqueles que amam vocês! Até os terroristas amam desse modo! Se o seu ‘amor’ não passa disso, Deus certamente não faz parte dele. Suponhamos, ainda, que você seja amigável com ‘pessoas do seu tipo’. A máfia também é!” (Mt 5:46-47)

Agora reflita: você alguma vez foi generoso e abençoou alguém que o insultou ou humilhou? Você consegue trabalhar sem esperar recompensas, visando ao bem de alguém que o despreza abertamente, que talvez lhe disse que preferia ver você morto? Você está torcendo de fato pelo sucesso de alguém que está concorrendo com você por um favor, cargo ou benefício financeiro? É isso o que fazem as pessoas controladas e permeadas pelo amor que vem de Deus.

Vi escrito num capacho “Sejam bem-vindos amigos!”. Mas será que você também é capaz de receber com sinceridade seus inimigos? Quando você empresta um vestido, aparelho de som, carro, ferramentas ou livros, consegue abrir mão desses objetos sem a esperança de que sejam devolvidos, como Lucas 6:35 sugere que façamos? Gosto de trabalhar com marcenaria e mecânica e, como os vizinhos logo descobrem, tenho várias ferramentas. Fico feliz quando tenho a oportunidade de emprestar uma serra elétrica, uma chave inglesa ou um alicate para alguém, pois vejo essas situações como um exercício de desapego e entrega a Deus. Com uma pontada de preocupação egoísta aqui e ali, estou aprendendo a amar os outros por meio desses pequenos gestos quem fazem uma grande diferença em nossos relacionamentos.

Extraído do livro “A Grande Omissão”

Autor: Dallas Willard é professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia. Graduou-se em psicologia pela Faculdade William Jewell e em Filosofia da Religião pela Universidade Baylor, onde fez doutorado. Suas obras filosóficas concentram-se nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da mente e da Lógica. Trabalhou também na Fundação CS Lewis e na Universidade de Biola.

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