quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cristianismo sem Cristo

Este é um livro que pretendo comprar logo. O tema é intrigante e passível de reflexão por todos aqueles que creem que o evangelicalismo atual tem descambado para a pregação de um "evangelho" diluído e deturpado. O Dr. Michael Horton esteve no Brasil recentemente, participando de um congresso na Universidade Mackenzie. Você pode baixar os vídeos do congresso aqui.

Segue uma resenha do livro:

"Cristianismo sem Cristo: O Evangelho Alternativo da Igreja Atual, eis o mais recente livro de autoria do teólogo reformado norte-americano Michael Horton, e dado a conhecer à comunidade evangélica brasileira, notadamente a que professa a fé reformada. O referido livro foi publicado pela Editora Cultura Cristã e, a meu ver, deve ser lido por todo crente desejoso de ter uma visão sóbria acerca de qual é, de fato, a situação vivida, atualmente, pela igreja evangélica mundial.

Com o brilhantismo argumentativo que lhe norteia os escritos, e, sobretudo, com infrangível fidelidade às Escrituras Sagradas, Michael Horton realiza um contundente diagnóstico acerca da situação vivenciada, hoje, por expressivos segmentos do evangelicalismo moderno, os quais de há muito se têm afastado do conteúdo simples e poderoso do evangelho da graça de Deus e das insondáveis riquezas de Cristo, centrado, fundamentalmente, na morte de Cristo na cruz e na sua posterior e gloriosa ressurreição e, em direção diametralmente oposta, tem abraçado teologias espúrias, inteiramente distanciadas da Palavra de Deus e alicerçada no insustentável edifício das “novas revelações” trazidas por certos líderes que dizem ser portadores de unções especiais da parte de Deus.

Não se tornou moda, hoje em dia, pessoas se autoproclamarem apóstolos, apóstolas, ‘paipóstolos’, ‘maepostolas’ e, corolário dessa megalômana postura, exigirem autoridade espiritual semelhante à que era manifestada pelos verdadeiros apóstolos bíblicos?

A despeito de a abordagem avaliativa empreendida por Michael Horton ter como escopo e referência primeira a realidade espiritual da igreja dita cristã da América do Norte, não temos dúvida de que o duro libelo denunciatório construído pelo aludido teólogo tem tudo a ver com o que se passa nas entranhas da igreja evangélica brasileira, indisfarçavelmente contaminada por toda sorte de ensinamentos estranhos ao cristianismo histórico e contrários ao que é preceituado pela Palavra de Deus.

Já se disse que as reflexões teológicas mais impactantes nascem na Europa, são profundamente deturpadas nos Estados Unidos e, depois, exportadas para o continente latino-americano, em cuja geografia, via de regra, são acolhidas passivamente, com celebratório e acrítico entusiasmo por parte de comunidades inteiras, havendo pouca gente disposta a pensar biblicamente e a confrontar tais novidades com o que é exarado na única regra de fé e de prática da igreja do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a Palavra de Deus, que é inerrante, inspirada, infalível e suficiente Revelação de Deus para nós. Que o digam as falsas teologias da prosperidade, da confissão positiva, do teísmo aberto, dentre outras, as quais, num átimo de tempo, valendo-se do desconhecimento bíblico de muitos crentes e, ato contínuo, da quase completa ausência de discernimento espiritual de lideranças ingênuas, mal intencionadas e despreparadas do ponto de vista teológico, invadiram igrejas, espezinharam a ortodoxia cristã, dividiram comunidades e, por fim, espalharam o veneno mortífero da falsa doutrina, que mata a alma e afasta o crente do evangelho simples de Jesus Cristo, que é o poder de Deus para salvação de todo o que crê, conforme assevera o apóstolo Paulo em sua Epístola aos Romanos.

Cristianismo sem Cristo, na irrefutável exposição de Michael Horton, diz respeito à entronização triunfante, em muitas igrejas, de um evangelho sem Cristo, sem o Cristo das Escrituras Sagradas, que veio ao mundo não para viabilizar o normalmente egoístico projeto de felicidade das pessoas, mas sim para resgatar do poder do pecado todas as almas que, antes da fundação do mundo, lhe foram soberanamente entregues pelo Pai e conformá-las à sua própria imagem. Um evangelho sem cruz, comprometido antes com a teologia da glória, do conforto e da desmedida satisfação de todos os prazeres terrenos. Um evangelho destituído de sangue, sem cujo derramamento não pode haver remissão de pecados. Um evangelho sem arrependimento, dado que nesses arraiais o homem de há muito deixou de ser encarado como um pecador perdido e destinado à ira de Deus por causa da hediondez das suas iniquidades. Um evangelho sem justificação pela fé somente, que se estriba na falácia de que o ser humano é essencialmente bom, carecendo apenas de suaves retoques éticos e leves aperfeiçoamentos morais. Um evangelho psicológico, voltado para temáticas puramente existenciais, ancoradas no aqui e no agora das existências terrenas. Um evangelho sem regeneração, que se recusa a aceitar o veredicto divino de que o homem está morto em delitos e em pecados, completamente alienado de Deus e, conforme o Senhor Jesus Cristo asseverou, absolutamente incapacitado para contemplar e entrar no reino dos céus com os seus esforços. Um evangelho sem santificação, que facilmente descamba para o antinomianismo dos assumidamente libertinos. Um evangelho sem a bíblica constatação da depravação radical do homem. Um evangelho sem a bem-aventurança eterna para os salvos e sem a condenação eterna para os que, renitentemente amantes de si mesmos, preferiram manter-se rebeldes ao senhorio de Cristo.

O Cristianismo sem Cristo rejeita a suficiência das Escrituras Sagradas, ignora o caráter objetivo da Revelação que Deus fez de Si mesmo e despreza, solenemente, o sólido conteúdo doutrinário presente na Palavra de Deus. O Cristianismo sem Cristo aposta todas as suas fichas no culto exacerbado da experiência e na aceitação descriteriosa de tudo quanto é ditado pela onipotente subjetividade dos que o praticam. O Cristianismo sem Cristo não tem escrúpulos em sentir-se insatisfeito com a Revelação de Deus manifestada nas Escrituras Sagradas, daí a razão de ele cultivar, com ares de espiritualidade superior, “as novas revelações” que diz receber diretamente do céu, num flagrante e abusivo atentado contra o Sola Scriptura, bandeira inegociável e princípio formal da Reforma Protestante.

O Cristianismo sem Cristo não proclama, irreservada e incondicionalmente, todo o conselho de Deus, como fiel despenseiro dos tesouros do Senhor, antes, estribado em frágeis e relativistas hermenêuticas pós-modernas, troca a pregação expositiva das Escrituras Sagradas pelo amigável compartilhamento das pseudo-verdades bem palatáveis e compatíveis com o depravado coração humano, tais como: Jesus Cristo, quando muito, é apenas Salvador, jamais Senhor absoluto das nossas vidas. Em versões mais escancaradamente liberais, Jesus Cristo não passa de um excelente exemplo moral para ser seguido. O homem é um ser essencialmente bom, só precisa descobrir caminhos para aperfeiçoar as suas enormes potencialidades. A igreja existe para satisfazer os meus caprichos e criar condições amplamente favoráveis para que eu me sinta bem e dê livre curso aos meus egoísticos projetos de felicidade.

Humanista, moralista, deísta, terapêutico, suavemente sedutor, individualista, o Cristianismo sem Cristo é o roteiro mais seguro para conduzir o homem ao inferno. Diante de um quadro tão terrível de corrupção doutrinária, Michael Horton, na parte final do seu livro, faz um chamamento de resistência à igreja de Cristo, no sentido de que ela, contra todos os desencaminhamentos já presentes na cristandade, mantenha-se fiel à Palavra do Senhor. Ao tesouro que Ele nos encontrou a fim de que o guardássemos com zelo, pureza e amor. Tesouro que tem em Jesus Cristo, sua vida santa, sua obra na cruz e sua ressurreição gloriosa o seu sublime, inegociável e eterno valor.

Que Deus nos dê a graça de continuarmos unidos Àquele que “foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4.25). E nos livre, também, de cairmos nas mazelas do gnóstico e anatemizado cristianismo sem Cristo do nosso tempo. Ou Cristo ou nada. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER."

José Mário da Silva
Presbítero da Igreja Presbiteriana de Campina Grande

Resenha extraída do site Consciência Cristã

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A doutrina da imutabilidade divina é compatível com a doutrina da encarnação?

Cristo, sendo plenamente Deus, é imutável. No entanto, ele nem sempre possuiu sua natureza humana, coisa que ocorreu na sua encarnação, quando se fez homem. Isso não seria, de alguma forma, uma mudança? Alguns dizem que Cristo permaneceu o que era (divino), passando a ser o que não era (humano). Isso está certo? Como essas duas doutrinas se conciliam?*

Consultemos então a Fórmula de Calcedônia, a afirmação histórica mais técnica sobre a Trindade e a dupla natureza de Jesus:

“Seguindo então, aos Santos Padres, unanimemente ensinamos a confessar um solo e mesmo Filho: nosso senhor Jesus Cristo, perfeito em sua divindade e perfeito em sua humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem (composto) de alma racional e de corpo, consubstancial ao Pai pela divindade, e consubstancial a nós pela humanidade, similar em tudo a nós, exceto no pecado, gerado pelo Pai antes dos séculos segundo a divindade, e, nestes últimos tempos, por nós e por nossa salvação, engendrado na Maria virgem e mãe de Deus, segundo a humanidade: um e o mesmo Cristo senhor unigênito; no que têm que se reconhecer duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisas, inseparáveis, não tendo diminuído a diferença das naturezas por causa da união, mas sim mas bem tendo sido assegurada a propriedade de cada uma das naturezas, que concorrem a formar uma só pessoa. Ele não está dividido ou separado em duas pessoas, mas sim é um único e mesmo Filho Unigênito, Deus, Verbo, e Senhor Jesus Cristo como primeiro os profetas e mais tarde o mesmo Jesus Cristo o ensinou que si e como nos transmitiu isso o símbolo dos padres”. ¹

Li também um texto do irmão Matt Slick (If God is unchanging, how can Jesus be God in flesh?²) e traduzi este parágrafo que considero pertinente:

"A Bíblia nos ensina que Jesus possui duas naturezas: ele é Deus e homem. Esta doutrina é conhecida como união hipostática. Jesus é ao mesmo tempo Deus e homem — divino e humano. Jesus, uma única pessoa, existe com duas naturezas. A natureza divina foi 'unida' à natureza humana na pessoa única de Cristo. A natureza divina não sofreu nenhuma alteração nessa 'união'. Note, por favor, que a natureza divina não foi mesclada à natureza humana para formar uma nova natureza chamada divino-humana. Essa afirmação, conhecida por monofisismo, é incorreta. As duas naturezas se 'comunicam' entre si e seus atributos individuais são consignados a essa pessoa única. Isto se chama communicatio idiomatum, expressão latina que significa 'comunicação de propriedades'. Em outras palavras, a pessoa única de Cristo 'possui' os atributos das duas naturezas".

William D. Watkins escreveu em uma resenha para o Instituto Cristão de Pesquisas americano (CRI):

"... os teólogos clássicos como Agostinho, Anselmo, Aquino e Lutero eram cuidadosos ao destacar que Deus [o Pai] não se transformou literalmente em um ser humano na Encarnação, e sim o Filho de Deus, e que por meio de sua pessoa, a natureza divina foi unida à natureza humana sem a alteração da natureza de Deus de nenhum modo e em tempo algum".

Por isso, a natureza divina não passou por nenhuma alteração, pois ela não foi transformada, e sim unida à natureza humana de Jesus.

Rogério Portella

________

Notas:

* Essa pergunta foi feita por mim, no Fórum Monergismo, e respondida pelo irmão Rogério Portella.

1.
http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/documentos_da_igreja/concilio_de_calcedonia.htm
2.http://www.carm.org/christianity/christian-doctrine/if-god-unchanging-how-can-jesus-be-god-flesh
3.http://www.iclnet.org/pub/resources/text/cri/cri-jrnl/web/crj0159a.html

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Calvário

Temo muito a ignorância que prevalece entre as pessoas sobre o tema do sofrimento de Jesus Cristo. Eu suspeito que muitos não vêem a glória e a beleza peculiar da história da crucificação; pelo contrário, eles acham dolorosa, humilhante e degradante. Eles não vêem muito lucro na história da morte de Cristo e os seus sofrimentos.

Agora, eu acredito que essas pessoas estão erradas. Não posso concordar com elas. Eu acredito que é uma coisa excelente para todos nós a realidade da crucificação de Cristo. É uma coisa maravilhosa, para ser freqüentemente lembrada, como Jesus foi entregue nas mãos de homens ímpios, como eles o condenaram em um julgamento injusto, como cuspiram nele, como açoitaram e o coroaram de espinhos. Como o levaram adiante como um cordeiro para o abate, sem a Sua murmuração ou resistência, os cravos em Suas mãos e pés, Ele sobre o Calvário entre dois ladrões, como lhe foi furodo o lado com uma lança, esmurravam no Seu sofrimento e o deixando cair lá nu e sangrando até a morte. De todas essas coisas, eu digo, é bom ser lembrado. Não é à toa que a crucificação é descrita quatro vezes no Novo Testamento. Há muito poucas coisas que todos os quatro escritores do Evangelho descrevem. Em geral, se Mateus, Marcos e Lucas dizem uma coisa na história do nosso Senhor, João não escreve, mas há uma coisa que todos os quatro enfatiza mais plenamente, a história da cruz. Este é um fato revelador, e não pode ser ignorado.

As pessoas parecem esquecer que todos os sofrimentos de Cristo no Calvário foiram pré-ordenados. Eles não vêem que tudo não foi por acaso ou acidente; tudo foi planejado e determinado desde toda a eternidade. A cruz foi prevista, em todas as disposições da Trindade, para a salvação dos pecadores. Nos propósitos de Deus a cruz foi criada desde a eternidade. Não há um pulsar de dor que Jesus sentiu, nem uma gota de sangue preciosa que Jesus derramou que não tenha sido apontado há muito tempo na eternidade. A sabedoria infinita planejou a redenção pela cruz, a infinita sabedoria trouxe Jesus para a cruz no tempo devido. Ele foi crucificado pelo determinado conselho e presciência de Deus.

As pessoas parecem esquecer que todos os sofrimentos de Cristo no Calvário foram necessários para a salvação do homem. Ele teve de suportar os nossos pecados; somente com suas pisaduras poderíamos ser curados. Este foi o pagamento das nossas dívidas que Deus iria aceitar, este foi o grande sacrifício de que nossa vida eterna dependia. Se Cristo não tivesse ido para a cruz e sofrido em nosso lugar, o justo pelos injustos, não teria esperança para nós, não haveria a ponte no abismo entre nós e o poderoso Deus, que nenhum homem jamais poderia passar. A cruz foi necessária, a fim de que se possa haver uma expiação do pecado.

As pessoas parecem esquecer que todos os sofrimentos de Cristo foram suportados de uma maneira voluntária e por sua própria vontade. Ele não estava sob coação: por sua escolha, deu a sua vida; por sua escolha Ele foi ao Calvário, para terminar a obra que Ele veio fazer. Ele poderia facilmente ter chamado legiões de anjos com uma palavra, e Pilatos e Herodes dispersos, e todos os seus exércitos, como a palha diante do vento; mas ele estava disposto, e em seu coração foi definida a salvação dos pecadores. Ele estava decidido a nos salvar de todo pecado e impureza, derramando Seu próprio sangue no calvário.

Leitor, quando eu penso em tudo isto, não vejo nada doloroso ou desagradável no assunto da crucificação de Cristo; pelo contrário, vejo nele a sabedoria e poder, paz e esperança, alegria, conforto e consolação.

J. C. Ryle

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sinceridade e verdade

A sinceridade é um elemento essencial; sem ela, ninguém pode esperar chegar à verdade. A pessoa insincera não pode ser defendida. Porém, dizer que sinceridade e verdade são idênticas é cair em um erro quase tão perigoso como defender a verdade de modo insincero. A sinceridade é algo necessário; é essencial. Mas, quando se assevera, conforme muitos fazem, que nada mais realmente importa, senão a honestidade e o zelo, então o pêndulo já oscilou para o extremo oposto...

Martin Lloyd-Jones

terça-feira, 20 de abril de 2010

O perigo da complacência cristã

Os tempos exigem visões precisas e claras da doutrina cristã. Não posso negar a minha convicção de que a igreja nominal é tão prejudicada pela frouxidão e falta de clareza internamente, como pelos céticos e incrédulos externamente. Milhares de cristãos hoje parecem totalmente incapazes de distinguir coisas diferentes. Assim como os daltônicos com relação às cores, eles não conseguem diferençar o que é verdadeiro ou falso, o que convém ou não. Se o pregador for esperto, eloqüente e fervoroso, acham-no perfeito, por mais estranhos e heterodoxos que sejam os seus sermões. São aparentemente desprovidos de bom-senso espiritual e não conseguem identificar o erro. A única coisa categórica sobre eles é que desprezam a precisão [doutrinária] e acham que todas as visões extremas, radicais e taxativas são grandemente censuráveis e muito erradas!

Essas pessoas vivem no meio de uma neblina ou nevoeiro. Não veem as coisas com clareza nem sabem no que creem. Não têm nenhuma convicção sobre as grandes questões do evangelho e parecem estar satisfeitas com serem membros honorários de toda e qualquer linha de pensamento. Ainda que a vida delas estivesse em jogo, não poderiam lhe dizer o que consideram como verdade sobre justificação, regeneração, santificação, Ceia do Senhor, batismo, fé ou conversão, inspiração, ou o estado futuro. São consumidas pelo medo doentio da controvérsia e pelo desprezo ignorante ao espírito partidário; nada obstante não conseguem definir de fato o que querem dizer com tais expressões. E assim, vivendo sem clareza e por demais obscurecidos, deixam-se descer à sepultura sem consolo na própria fé e, temo eu, muitas vezes sem esperança.

Não é difícil achar a explicação para essa condição espiritual que não tem ossos, nervos, conteúdo. Para começar, com relação à fé, o coração do homem está naturalmente nas trevas — sem o mínimo senso intuitivo da verdade — e carece verdadeiramente de instrução e iluminação. Além disso, o coração natural da maioria dos homens odeia a diligência religiosa e despreza sinceramente a inquirição paciente e esforçada. Acima de tudo, o coração natural gosta geralmente de ser louvado pelos outros, esquiva-se da controvérsia e adora ser considerado caridoso e liberal. O resultado geral é que uma espécie de amplo “agnosticismo” religioso se ajusta a grande número de pessoas, especialmente às mais jovens. Elas contentam-se em descartar como lixo toda questão controversa e quando acusadas de indecisão, respondem: “Não tenho a pretensão de entender de controvérsias. Recuso-me a examinar questões polêmicas. Acho que, no fim das contas, é tudo a mesma coisa”. Quem não sabe que pessoas assim infestam e enxameiam todos os lugares?

Assim, rogo a todos que se protejam desse estado mental indeciso relativo à fé. Ele é a peste que se propaga nas trevas e a destruição que assola ao meio-dia; é uma disposição espiritual preguiçosa e indolente que, obviamente, livra o homem do trabalho de pensar e de investigar, para o qual, entretanto, não há fundamento na Bíblia. Por amor à sua alma, ouse decidir-se sobre o que crê e atreva-se a tomar posições bem-definidas e claras sobre a verdade e o erro. Nunca, nunca mesmo, tenha medo de defender opiniões doutrinárias nítidas nem deixe que o medo a homens ou o terror mórbido de ser considerado um espírito partidário, bitolado ou afeito à controvérsia lhe torne acomodado e satisfeito com um cristianismo desprovido de sangue, de ossos, de cor, de calor, não dogmático.

Tome nota do que eu digo. Se quiser fazer o bem nos dias de hoje, ponha realmente a indecisão de lado e assuma uma fé doutrinariamente clara e incisiva. Se você acreditar pouco, aqueles a quem você procura fazer o bem não acreditarão nada. As vitórias do cristianismo foram sempre alcançadas pela teologia doutrinariamente clara; por se falar abertamente aos homens da morte vicária e do sacrifício de Cristo, constrangendo-os a crerem no Salvador crucificado; por se pregar a ruída do pecado, a redenção por Cristo, a regeneração pelo Espírito; por se levantar a serpente de bronze; por se advertir para que olhem e vivam — para que creiam, se arrependam e sejam convertidos. Esse, exatamente esse, é o único ensinamento que Deus tem honrado com o sucesso ao longo dos séculos e ainda hoje está honrando, tanto em casa como no estrangeiro.

É a doutrina — a doutrina, a doutrina clara e vibrante que, semelhante às trombetas em Jericó, derruba a oposição do diabo e do pecado. Não importa o que alguns gostem de dizer nestes dias, apeguemo-nos a visões doutrinais claras e faremos bem a nós mesmos, aos outros e à causa de Cristo no mundo.

J.C Ryle

Extraído do site Monergismo

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz

Romanos 9:17-18: Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.

A vontade determinativa é exercida no ato de endurecer. Além disso, Paulo nos havia preparado para tal conceito através do ensino, em Rm 1.24, 26 e 28, que aborda a entrega judicial dos homens à imundícia, às paixões infames e a uma mentalidade reprovável. Portanto, o castigo ativo da parte de Deus é a única interpretação que satisfaz essas diversas considerações. O endurecimento de Faraó, não esqueçamos, reveste-se de caráter judicial. Pressupõe a entrega ao mal e, no caso de Faraó, particularmente à entrega ao mal de seu auto-endurecimento.

Jamais podemos separar o endurecimento e a culpa da qual esta é o salário (...). Em referência ao ato judicial do endurecimento, a soberania consiste no fato de que todos, por causa do pecado e da entrega ao mal, pressupostos tanto na misericórdia quanto no juízo final, merecem ser endurecidos; e isto de maneira irreversível. A soberania, pura e simples, é a única razão para a diferenciação pela qual alguns são consignados ao endurecimento, ao passo que outros, igualmente merecedores de serem entregues ao mal, são feitos vasos de misericórdia. Deste modo, não existe qualquer escape da vontade soberana. Portanto, o apóstolo podia dizer sem reservas, assim como fizera no caso da misericórdia: "E também endurece a quem lhe apraz".

John Murray

Extraído de Comentário de Romanos, Editora Fiel

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Mãe de Deus

A igreja corretamente chama Maria pelo título de “Mãe de Deus”. Mas o termo é um tanto ambíguo e pode ser facilmente mal interpretado. Alguns protestantes podem precisar de uma pequena explicação, enquanto alguns católicos podem se beneficiar com uma gentil admoestação contra seu uso incorreto.

O Credo de Calcedônia, 451 d.C., inclui o termo grego “theotokos” para definir a identidade de Cristo. “Theotokos” significa literalmente “portadora de Deus”, que é imprecisamente traduzido para o latim como “Mater Dei” – Mãe de Deus. O termo foi usado para realçar o fato de que a criança nascida de Maria era realmente Deus e assim evitar o erro de dizer que Cristo era duas pessoas em um corpo ao invés de uma. Esta heresia, “Nestorianismo”, foi condenada no Primeiro Conselho de Éfeso em 431 d.C.

O Credo afirma que Cristo foi “gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, por nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade.”

O credo não ensina que Maria é a mãe da divina natureza de Cristo. Como Deus, Cristo não tem início nem mãe. De fato o credo explicitamente diz que Ele foi gerado “antes de todos os séculos”. Além disso, o credo qualifica o significado de “theotokos” com a frase “segundo a humanidade”, ou, numa outra tradução, “nascido da virgem Maria, que é portadora de Deus em respeito a humanidade dele”. É apenas a natureza humana de Cristo que se relaciona com Maria, de quem Ele nasceu e era descendente.

Reconhecidamente Católicos e Evangélicos estão unidos na doutrina de Cristo. Nós cremos que nosso Senhor é uma Pessoa única. Ele é eternamente Deus; Ele também se tornou homem. Então é igualmente correto lhe chamar de ambas as formas, “Deus” e “homem”, e por esta razão, não hesitamos em chamar a sua mãe de Mãe de Deus.

Infelizmente alguns têm usado esse termo de forma errada para atribuir a Maria um papel o qual o Senhor nunca pretendeu. Alguns católicos acham que Maria tem uma autoridade maternal sobre seu Filho e por isso pedem à Maria que interceda por eles, porque crêem que Ele nunca vai desobedecer as ordens de sua mãe.

Surpreendentemente em seus dias de humilhação, o filho de Deus não apenas se tornou um bebê, mas como criança se submeteu à autoridade de suas criaturas – seu suposto pai, José, e sua mãe, Maria. Claro que Ele não mais se encontra sob tal autoridade paternal. Até mesmo durante seu ministério público terreno, Ele foi guiado apenas pelo Espírito Santo para fazer a vontade do Pai. Agora, após a ressurreição e ascensão, Cristo está sentado à direita da Majestade e tem todo poder sobre sua igreja e criação. Maria não tem autoridade sobre Jesus, pelo contrário, Jesus é o Senhor e Salvador de Maria.

Portanto, vamos manter nossos olhos fixos em Jesus. Lembremo-nos que para nossa salvação Ele nasceu da abençoada virgem mãe, e foi feito humano como nós, para que pudesse ser pregado em uma cruz e derramar seu sangue inocente por nossa redenção. Também devemos lembrar que o homem Cristo Jesus não é nenhum outro senão o eterno Filho de Deus. Ele não ignora as súplicas de seu povo, nem reluta em salvar aqueles que vão ao Pai através dEle. Vamos com confiança para Cristo. Devemos crer nEle com nossas almas e O louvar como nosso Deus.

Dr. Joseph Mizzi

Fonte: http://justforcatholics.org/
Tradução: Zoênio Gueiros Neto
Extraído do site Monergismo

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hebreus 6:4-6 diz que o verdadeiro cristão pode perder a salvação?

Há várias passagens bíblicas que ordenam os cristãos a buscarem a justiça e evitarem a impiedade. Algumas dessas passagens são tão fortes em expressão e contém advertências tão ameaçadoras, que algumas pessoas interpretam incorretamente essas passagens como dizendo que é possível para um verdadeiro crente perder sua salvação. Por exemplo, Hebreus 6:4-6 diz o seguinte:

Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública.

Primeiro, o que quer que essa passagem signifique, ela não diz que os eleitos renunciam de fato a sua fé. Vamos assumir que a passagem está de fato dizendo que se alguém cair da fé depois de alcançar certo estágio de desenvolvimento espiritual, ela de fato perderia sua salvação. Isso não desafia a doutrina da preservação – de fato, podemos concordar de todo coração com tal declaração. Contudo, nós já lemos vários versículos dizendo que isso nunca acontece, que o verdadeiro crente nunca renunciará sincera e permanentemente a Cristo, e a passagem acima não diz nada que contradiga isso. João diz que aqueles que se apartam da fé nunca estiveram verdadeiramente na fé.

Segundo, vários versículos adiante, o escritor declara explicitamente que o que essa passagem descreve não acontecerá aos seus leitores: “Amados, mesmo falando dessa forma, estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas que acompanham a salvação” (Hebreus 6:9). Para parafrasear, ele está dizendo: “Embora estejamos falando dessa forma, estou certo de que quando diz respeito à salvação, isso não acontecerá com vocês”.

Terceiro, devemos lembrar que Deus usa vários meios pelos quais ele realiza os seus fins. Por exemplo, embora ele tenha determinado imutavelmente as identidades daqueles a quem ele salvaria, ele não salva essas pessoas sem meios. Antes, ele salva os eleitos por meio da pregação do evangelho, e por meio da fé em Cristo que ele coloca dentro deles. Deus usa vários meios para realizar os seus fins, e ele escolhe e controla tanto os meios como os fins.

Conseqüentemente, apenas porque dizemos que os eleitos perseverarão na fé, não significa que Deus não os advirta contra a apostasia. De fato, essas advertências escriturísticas sobre as conseqüências de renunciar a fé cristã são um dos meios pelos quais Deus previne seus eleitos de apostasia. Os réprobos ignorarão essas advertências, mas os eleitos prestarão atenção a elas (João 10:27), e assim, eles continuarão a operar a santificação deles “com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Concernente às palavras de Deus, Salmo 19:11 diz: “Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes”.

Vincent Cheung

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Servindo a Deus com Alegria

Mas de que maneira podemos alcançar essa permanente felicidade de alma? Como aprender a ter prazer em Deus? Como chegaremos a uma plena satisfação de alma em Deus a tal ponto de sermos capazes de abrir mão das coisas deste mundo como vãs e sem valor em comparação com o que temos nele? Eu respondo, essa felicidade pode ser obtida através do estudo das Sagradas Escrituras. Por meio delas, Deus tem se revelado a nós na face de Jesus Cristo.

Nas Escrituras, pelo poder do Espírito Santo, ele se manifesta ao nosso homem interior. Lembre-se, não é o Deus de nossos pensamentos ou de nossas imaginações que precisamos conhecer, mas o Deus da Bíblia, nosso Pai, que deu Jesus, seu Filho bendito, para morrer por nós. É esse Deus que devemos procurar conhecer intimamente, de acordo com a revelação que deu de si mesmo em sua tão preciosa Palavra.

A maneira como estudamos essa Palavra é uma questão da mais profunda importância. A parte mais cedo do dia que nos for disponível deve ser dedicada à meditação nas Escrituras. Devemos alimentar nosso homem interior na Palavra. Devemos lê-la – não para os outros, mas para nós mesmos. Todas as promessas, os encorajamentos, as advertências, as exortações, as repreensões devem ser recebidas diretamente no nosso coração.

De maneira especial, tomemos o cuidado de não negligenciar porção alguma da Bíblia. Ela deveria ser lida do princípio ao fim regularmente. Ler partes favoritas da Bíblia – e deixar outras de lado – é um hábito que deve ser evitado. Porém, mesmo a leitura completa da Bíblia não é suficiente. Precisamos buscar o conhecimento íntimo e experimental daquele que é revelado pelas Escrituras, o bendito Jesus que se entregou para morrer em nosso lugar. Oh, que satisfação verdadeira e duradoura nossa alma encontra nele!
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George Müller
Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 26 nº 5 - Setembro/Outubro 2008
Via Phelip Eih! (parte)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pecadores nas Mãos de um Deus Irado

Suas iniqüidades fazem vocês pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus per­mitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Sua saúde, seus cuidados e prudência, seus melhores planos, toda a sua retidão, de nada valeriam para sustentar e conservar vocês fora do inferno. Seria como tentar segurar uma avalancha de pedras com uma teia de aranha. Se não fosse a misericórdia de Deus, a terra não suportaria vocês por um só momento, pois são uma carga para ela. A natureza geme por causa de vocês. A criação foi obrigada a se sujeitar à escravidão, involuntariamente, por causa da corrupção de vocês. Não é com prazer que o sol brilha sobre vocês, para que sua luz alumie vocês para pecarem e servirem a satanás. A terra não produz de bom grado os seus frutos para satisfazer a luxúria de vocês. Nem está disposta a servir de palco à exibição de suas iniqüidades.

Não é voluntariamente que o ar alimenta sua respiração, mantendo viva a chama dos seus corpos, enquanto vocês gastam a vida servindo os inimigos de Deus. As coisas criadas por Deus são boas e foram feitas para que o homem, por meio delas, servisse ao Senhor. Não é com prazer que prestam serviço a outros propósitos, e gemem quando são ultrajadas ao servirem objetivos tão contrários à sua finalidade e natureza. E a própria terra vomitaria vocês se não fosse a mão soberana d’Aquele a quem vocês tanto têm ofendido. Eis aí as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre suas cabeças carregadas por uma tempestade ameaçadora, cheias de trovões. Não fosse a mão restringidora do Senhor, elas arrebentariam imediatamente sobre vocês. A misericórdia soberana de Deus, por enquanto, refreia esse vento impetuoso, do contrário ele sobreviria com fúria, sua destruição ocorreria repentinamente, e vocês seriam como palha dispersada pelo vento.

A ira de Deus é como grandes águas represadas que crescem mais e mais, aumentam de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a correnteza for reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo ao ser liberada. É verdade que até agora ainda não houve um julgamento por suas obras más. A enchente da vingança de Deus encontra-se represada. Mas, por outro lado, sua culpa cresce cada vez mais, e dia a dia vocês acumulam mais e mais ira contra si mesmos. As águas estão subindo continuamente, fazendo sua força aumentar mais e mais. Nada, a não ser a misericórdia de Deus, detém as águas, as quais não querem continuar represadas e forçam uma saída. Se Deus retirasse Sua mão das comportas, elas se abririam imediatamente e o mar impetuoso da fúria e da ira de Deus iria se precipitar com furor inconcebível, e cairia sobre vocês com poder onipotente. E mesmo que sua força fosse dez mil vezes maior do que é, sim, dez mil vezes maior do que a força do mais forte e vigoroso diabo no inferno, não valeria nada para resistir ou deter a ira divina.

O arco da ira de Deus já está preparado, e a flecha ajustada ao seu cordel. A justiça aponta a flecha para seu coração, e estica o arco. E nada, senão a misericórdia de Deus - um Deus irado! - que não Se compromete e a nada Se obriga, impede que a flecha se embeba agora mesmo com o sangue de vocês.

Assim estão todos vocês que nunca experi­mentaram uma transformação real em seus corações pela ação poderosa do Espírito do Senhor em suas almas - todos vocês que não nasceram de novo, nem foram feitos novas criaturas, ressurgindo da morte do pecado para um estado de luz, e para uma vida nova nunca experimentada antes. Por mais que vocês tenham modificado a conduta em muitas coisas, e tenham possuído simpatias religiosas, e até mantido uma forma pessoal de religião com suas famílias e em particular, indo à casa do Senhor, sendo até severos quanto a isso, mesmo assim vocês estão nas mãos de um Deus irado. Somente Sua misericórdia os livra de ser, agora, neste momento, tragados pela destruição eterna.

Por menos convencidos que vocês estejam agora quanto às verdades ouvidas, no porvir serão plenamente convencidos. Aqueles que já se foram, e que estavam na mesma situação que a sua, percebem que foi exata­mente isso que lhes aconteceu, pois a destruição caiu de repente sobre muitos deles, quando menos esperav­am, e quando mais afirmavam viver em paz e segurança. Agora eles vêem que aquelas coisas nas quais puseram sua confiança para obter paz e segurança eram nada mais que uma brisa ligeira e sombras vazias.

O Deus que mantém vocês acima do abismo do inferno abomina vocês; Ele está terrivelmente irritado e Seu furor, contra vocês queima como fogo. Ele vê vocês como apenas dignos de serem lançados no fogo. E Seus olhos são tão puros que não podem tolerar tal visão. Vocês são dez mil vezes mais abomináveis a Seus olhos do que é a mais odiosa das serpentes venenosas para olhos humanos. Vocês O têm ofendido infini­tamente mais do que qualquer rebelde obstinado ofenderia a um governante. No entanto, nada, a não ser a Sua mão, pode impedi-los de cair no fogo a qualquer momento. O fato de vocês não terem ido para o inferno a noite passada e de terem tido permissão de acordar ainda aqui neste mundo, depois de terem fechado os olhos ontem para dormir, atribui-se ao mesmo favor. Não existe outra razão porque vocês não foram lançados no inferno ao se levantarem pela manhã, a não ser o fato da mão de Deus tê-los sustentado. E não existe outra razão porque vocês não caiam no inferno neste exato momento.

Jonathan Edwards. Pecadores nas mãos de um Deus irado. Editora PES.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Distorcendo o Evangelho

Continuamos a testemunhar a distorção e a diluição do evangelho, que em alguns lugares é totalmente substituído por falsos evangelhos. Podemos perguntar: onde está a ênfase de proclamar a livre graça de Deus na justificação dos pecadores? Martinho Lutero, o reformador, disse: “O critério para avaliarmos se uma igreja está firme ou vacilante é a justificação pela fé somente”. Infelizmente, muitas igrejas já não enfatizam essa grandiosa doutrina que está no próprio âmago do evangelho.

Muitos evangélicos presumem de modo incorreto que a salvação é meramente uma questão de repetir uma oração: “Jesus, entra no meu coração”. Ao mesmo tempo, a maioria dessas pessoas não possui a menor idéia de como somos perdoados, justificados e declarados justos diante de Deus. Ainda mais inquietante é o fato de que boa parte de nossa cultura cristã contemporânea está confusa ou até mesmo totalmente ignorante a respeito de como Deus, em seus propósitos soberanos, nos traz o evangelho. As grandes doutrinas evangélicas da presciência, da eleição, da predestinação, da justificação e da regeneração não são levadas em conta ou são completamente esquecidas.

Quando dizemos que o evangelho tem sido distorcido em algumas igrejas nos nossos dias, estamos afirmando que algumas coisas têm sido subtraídas dele, de modo que a mensagem original fica gravemente distorcida. Segue-se uma lista de algumas das coisas que freqüentemente são omitidas ou subtraídas do evangelho:

1. O sangue de Jesus;
2. A cruz de Jesus;
3. A doutrina do castigo eterno;
4. A doutrina do arrependimento;
5. A lei de Deus para convencer do pecado;
6. O temor a Deus;
7. A chamada a uma vida santa;
8. As grandes doutrinas da graça (ver Rm 8.28-30).

Todo crente, ao avaliar a igreja que freqüenta, deve fazer as seguintes perguntas:

1. O evangelho da justificação pela fé somente é proclamado de modo claro e consistente?
2. As grandes doutrinas da igreja cristã são pregadas de modo sistemático, ou o culto enfoca histórias comoventes que visam apelar às nossas emoções?
3. O pastor atribui a Deus toda a glória pela salvação? O pregador deixa claro que a salvação é a obra de um Deus soberano, que salva os pecadores pela sua graça livre e soberana?
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Extraído do Livro: O que a Bíblia Ensina Sobre Adoração, de Robert L. Dickie. Editora Fiel

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Que tal uma papinha?

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