quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Igrejas que produzem santos

Jesus, Maria e MartaIrmãos, também queremos igrejas que produzem santos; homens de fé poderosa e oração prevalecente; homens de vida santa, de ofertas consagradas, cheios do Espírito Santo. Precisamos ter esses santos como ricos cachos, ou, por certo, não somos ramos da verdadeira videira. Desejo ver em toda igreja uma Maria sentada aos pés de Jesus, uma Marta servindo Jesus, um Pedro e um João; mas o melhor nome para uma igreja é "Todos os Santos". Todos os crentes devem ser santos, e todos podem ser santos. Não temos nenhuma ligação com "os santos dos últimos dias"¹, mas amamos os santos de todos os dias. Ai, que haja mais deles! Se Deus nos ajudar para que assim toda a companhia de fiéis, cada um individualmente, chegue à plenitude da estatura de um homem em Cristo Jesus, então veremos coisas maiores do que essas. Tempos gloriosos virão, quando os crentes tiverem caráter glorioso.

C. H. Spurgeon - Preparado Para o Combate da Fé.

¹ - Referência aos membros da "Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias", comumente conhecidos como "mórmons".

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Fim dos Ímpios

Deus não Se sujeita a nenhuma obrigação, nem a nenhuma promessa de manter o homem natural fora do inferno por um momento sequer. Ele não fez absolutamente nenhuma promessa de vida eterna, ou de libertação ou proteção da morte eterna, senão aquelas que estão contidas na aliança da graça - as promessas concedidas em Cristo, no qual todas as promessas são o sim e o amém. Mas obviamente os que não são filhos da aliança da graça não têm interesse na mesma, pois não crêem em nenhuma das suas promessas, e nem têm o menor interesse no Mediador dessa aliança.

Portanto, apesar de tudo que os homens possam imaginar ou pretender sobre promessas de salvação, devido suas lutas pessoais e buscas incessantes, deixamos claro e manifesto que qualquer desses esforços ou orações que se façam em relação à religião, será inútil. A não ser que creiam em Cristo, o Senhor, de modo nenhum Deus está obrigado a conservá-los fora da condenação eterna. Então, os homens impenitentes estão detidos nas mãos de Deus por cima do abismo do inferno. Eles merecem o lago de fogo e para ele estão destinados.

Deus Se acha terrivelmente irritado. Seu furor para com eles é tão grande, quanto para com aqueles que já estão agora sofrendo o suplício da fúria de Sua ira no inferno. Esses ímpios não fizeram absolutamente nada para abrandar ou diminuir Sua cólera, portanto o Senhor não está de modo algum preso a qualquer promessa de livramento, nem por um momento sequer. O diabo espera por eles, o inferno já escancarou a sua boca para tragá-los. O fogo latente em seus corações agrava-se agora querendo explodir. E como continuam sem o menor interesse no Mediador, não existem meios, ao alcance deles, que lhes possa dar segurança. Em suma, eles não têm refúgio e nada onde se segurar. O que os retém a cada instante é a absoluta boa vontade divina e a clemência sem compromisso, sem obrigação, de um Deus enraivecido.
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Extraído do Sermão de Jonathan Edwards - Pecadores nas mãos de um Deus irado.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O rabino e a senhora pagã

rabinoNo Midrash (Shemot Rabah. 3,12) há uma referência a um diálogo que uma senhora pagã da antiga Roma teve com o rabino Yosef, para demonstrar (discutir) melhor sobre a onipotência de Deus.

"Meu deus é mais poderoso que o seu", disse ela, "pois Moisés ficou parado, escondendo seu rosto quando a Divina Providência lhe apareceu na sarça ardente; mas quando viu a serpente, que é o meu deus, teve medo e fugiu com o intuito de escapar dela."

O rabino prontamente lhe respondeu:

"Quando Deus se revelou na sarça, não havia lugar algum onde Moisés poderia fugir, posto que nosso Deus se encontra em todo lugar, mas no caso da serpente que é seu deus, é suficiente correr alguns passos para escapar dela."

Via A Supremacia das Escrituras

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Pregação dos Puritanos

O pregador puritano era doutrinador. A mensagem puritana não pedia desculpas por apresentar doutrina. O puritano não temia pregar todo o conselho de Deus para o povo. Os puritanos achavam que você não podia contar uma história qualquer, sem que esta tivesse doutrina. Doutrina é simplesmente a apresentação das verdades de Deus trazidas das Escrituras numa forma que pode ser entendida e que se relaciona com as nossas vidas. Não diluíam suas mensagens com anedotas, humor, histórias triviais e levianas durante a pregação. Eram profundamente sérios, verdadeiros e austeros no púlpito, pois sabiam que ao chegar ali estariam lidando com verdades eternas e almas eternas. Sentiam a realidade solene do seu chamado divino. Pregavam a verdade de Deus como um homem que está morrendo para homens que estão morrendo.

Vejamos alguns exemplos:

1. Quando pregavam a doutrina do pecado tinham a coragem de chamar pecado de pecado mesmo. Eles pregavam o pecado como uma rebelião moral contra Deus, uma rebelião que traz um sentimento de culpa e, se não houver arrependimento e perdão, a conseqüência será a condenação eterna certamente. Pregavam a respeito de pecados específicos; pecados de omissão e pecados de comissão; pecados por palavras e ações; falavam do quanto foi horroroso o nosso pecado original em Adão e Eva; falavam à congregação que eles tinham um referencial muito ruim e um coração mal por natureza; que o homem natural não pode amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo; ensinavam de forma "aberta" que uma reforma, apenas externa na nossa vida, não é suficiente para salvação eterna; a reforma interna produzida pelo Espírito Santo é absolutamente necessária e por isso pregavam como aquela regeneração podia ser experimentada e então vivida.

2. Outro exemplo se vê na sua pregação. Pregavam de uma maneira muito forte a doutrina de Deus. A evangelização deles era construída em cima de forte base teísta; pregavam Deus no Seu ser majestoso e em todos os Seus atributos gloriosos. Não só deixavam Deus ser Deus, mas declaravam que Deus é Deus. Os puritanos colocavam Deus em uma posição bem elevada - como deve ser. Quando se aproximavam de Deus em oração não falavam com Ele como quem fala com o vizinho pela janela, ou como um vizinho que pode ajustar seus atributos de acordo com suas necessidades e desejos pessoais. O puritano sempre exaltou a majestade de Deus e, quando se aproximava de Deus, você podia perceber aquele sentimento profundo de reverência. O Deus que o puritano pregava era o Deus da Bíblia. Talvez um dos versículos mais importantes, na Bíblia, para um puritano, seria exatamente Gênesis 1:1 - "No princípio, Deus". E de Deus que emanam e se desdobram todas as coisas neste mundo. Todas as coisas são preparadas, iniciadas,projetadas e feitas para a glória de Deus!

3. A evangelização puritana também proclamava de forma completa e plena a doutrina de Jesus Cristo. Pregavam o Cristo integral para o homem integral. Recusavam-se em separar os benefícios que advêm de Cristo, da própria Pessoa de Cristo. Um dos grandes puritanos, Joseph Alleine, em seu clássico livro originalmente intitulado, An Alarm to the Unconverted (Publicado no Brasil pela PES, como Um Guia Seguro para o Céu), disse que o ser de Cristo integral é aceito por aquele que é realmente convertido. Os verdadeiros convertidos não aceitam apenas as recompensas de Cristo, mas a própria obra de Cristo. Não amam apenas os benefícios de Cristo, e sim também o "fardo" de Cristo ("...tomai sobre vós o meu jugo..."). Amam não só tomar os mandamentos, mas também, a cruz de Cristo. Por outro lado, o falso convertido recebe Cristo pela "metade". Ele quer os privilégios de Cristo, porém não quer se inclinar diante do senhorio de Cristo. Ele divide os ofícios de Cristo e os benefícios de Cristo. Esse é o problema dos "crentes" de hoje.

Freqüentemente Jesus tem sido apresentado na evangelização de hoje como alguém que está aí para satisfazer todas as necessidades e desejos dos homens. Na pregação de hoje, Jesus é apresentado como alguém que não exige que o homem ofereça o seu coração completo e a sua vida completa. Quando os puritanos pregavam, instavam com os pecadores a se voltarem para Jesus e avisavam que eles precisavam avaliar o preço de seguir a Jesus, e o preço era perder a sua vida; morrer diariamente por amor a Cristo, negar-se a si mesmo, tomar a cruz e segui-lO. Os puritanos tinham horror àquilo que hoje é chamada "a graça barata", porque, na verdade, essa não é uma graça verdadeira. Graça barata significa que eu aceito Jesus na minha própria força; Ele reforma um pouco a minha vida por fora, porém eu continuo agindo com os princípios egocêntricos no meu ser interior. A graça barata me leva a pensar que, por um lado, eu tenho a Jesus, que estou a caminho para o céu, mas, por outro lado me permite continuar vivendo uma vida mundana. Na verdade, eu estou mesmo no meu caminho para o inferno. Os puritanos apresentavam Jesus como um Salvador completo para um pecador completo. Um puritano disse: "O pregador que é o seu melhor amigo, é aquele que vai dizer mais verdades sobre você mesmo". Eles não estavam preocupados em causar dano ao amor próprio dos ouvintes das suas congregações. Eles estavam mais preocupados com Cristo do que com os ouvintes. Estavam preocupados com a Trindade. O cristão encontra o seu amor próprio a medida que ele ama ao Pai que o criou, ao Filho que o restaurou através da cruz, e no amor ao Espírito Santo que mora nele e que faz com que sua alma e seu corpo sejam templo do Espírito Santo.

4. A doutrina puritana expandia e explanava com detalhes a doutrina da santificação. A vida inteira do crente era para ser colocada aos pés de Deus. Ele tinha que trilhar a vereda do Rei no caminho da justiça. Ele precisava conhecer a vida de uma forma experimental. Precisava conhecer essas "irmãs siamesas" que são, a vida e a experiência. Quando o ministro prega sobre santificação, você precisa saber o que está sendo requerido de sua parte. Você não pode entender estas coisas sem doutrina e isso nos traz à terceira característica da pregação dos puritanos.

... Destacamos que a pregação puritana era experimentalmente prática. A ausência de uma pregação experimental e prática é uma das grandes falhas no culto e na evangelização de hoje. O que significa uma pregação experimental? A palavra experimental vem da palavra experiência. Em termos de cristianismo, a religião experimental significa que a Palavra de Deus e suas doutrinas precisam ser recebidas não apenas na mente (os puritanos chamavam isso de conhecimento na cabeça, apenas), mas também precisam ser experimentadas e vividas no coração. Isso eles chamavam de "conhecimento do coração". Eles baseavam este tipo de ensinamento, por exemplo, em Provérbios 4:23: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida".

Para os puritanos os pensamentos precisam fluir das Escrituras e as experiências do coração, fluem do ensino da doutrina e das Escrituras. Dessa forma, experiência não é alguma coisa mística, separada da Bíblia. Isso eles rejeitavam totalmente! Ao mesmo tempo, eles também rejeitavam completamente o tipo de religião que se satisfaz com o conhecimento apenas na cabeça, que é só racional. Estas doutrinas sobre as quais falamos resumidamente, a doutrina de Deus, de Cristo e do pecado, para os puritanos deviam ser tão reais quanto as cadeiras em que sentamos. Estas doutrinas precisam ser transformadas numa realidade que queime dentro de minha alma. Elas precisam influenciar toda a minha vida, todo o meu estilo de vida. Dessa forma, os puritanos acreditavam em viver, na prática, o que eles experimentavam. Sempre eles traziam suas experiências às Escrituras para terem a certeza de que estavam sendo totalmente bíblicos - até nas suas experiências. Para os puritanos doutrina seria algo vazio se não fosse acompanhada pela experiência. Toda experiência verdadeira leva a uma experiência pessoal com Cristo. Por isso é necessária a pregação da Pessoa de Cristo e esta pregação será honrada pelo Espírito Santo, porque Ele toma estas coisas e as aplica aos pecadores.

Os puritanos, na sua pregação, incluíam o que chamavam de "marcas de um auto exame". Estas marcas de exame eram os sinais que distinguiam a Igreja do mundo. Distinguiam os verdadeiros crentes daqueles que eram crentes nominais ou apenas por professarem a fé. Os puritanos faziam distinção entre fé salvadora e fé temporária. Muitos livros têm sido escritos a respeito deste assunto. O mais famoso deles foi escrito por Jonathan Edwards: Afeições Religiosas. Também o livro de João Bunyan, O Peregrino, contém tais marcas. O que nós hoje, desesperadamente precisamos, é de uma volta a este estilo de evangelização reformado-puritano que sempre está pesquisando e sondando o coração. Os puritanos nunca diziam de uma forma "leviana" que os pecados do povo estavam perdoados, mas pregavam de forma profunda o que realmente o pecado é e como ele tem afetado as pessoas. Eles procuravam tirar do pecador todo o seu sentimento de justiça própria para, então, levá-lo ao Senhor Jesus Cristo.

Alguém disse que a religião da América, hoje, tem 2.000 km de comprimento por 3.500 Km de largura (essas são as dimensões do país), mas com uma profundidade de mais ou menos 12 centímetros, apenas! O problema, em todos os lugares no mundo, hoje, é que a evangelização freqüentemente começa num lugar errado. Poderíamos dizer muitas coisas sobre as diferenças entre a evangelização moderna e a puritana, em relação à experiência do povo de Deus. Pois bem, quero apenas destacar um ponto e este é a resposta a uma pergunta: quando olhamos atrás para a história da Igreja, e também na história bíblica, observando as épocas de avivamento verdadeiro, não produzido pelo homem, qual era o elemento evidente naquela época que hoje está claramente ausente? Respondemos sem hesitação que é a ausência de profunda convicção de pecado. Este é um grande problema nos nossos dias.

A Tocha dos Puritanos, Joel R. Beek. Editora PES

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ah Haiti, que sejam os cristãos que cuidem de ti!

O que Jesus diria sobre a catástrofe?


Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que houve um deslizamento de terra em Angra dos Reis. Jesus respondeu:"Vocês pensam que esses cariocas eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles 200 mil que morreram, no terremoto do Haiti, eram mais culpados do que todos os outros habitantes do Haiti? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão".

Então contou esta parábola: "Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela, e não achou nenhum. Por isso disse ao que cuidava da vinha: 'Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra?' "Respondeu o homem: 'Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a' ". (Paráfrase de Lucas 13:1-9)




FAQ-Haiti

Deus estava no controle do terremoto do Haiti?

Sim, nada escapa de seu controle (nem a morte de pardais, nem a queda de fios de cabelos – Mateus 10:29-30), Ele promove a paz e causa a desgraça (Isaías 45:7) e em tudo isso, todas as coisas Lhe servem (Salmo 119:91)

Deus matou aquelas aproximadas 200 mil pessoas (estimativa) no Haiti?

Sim, e Ele tira a vida de aproximadamente 150 mil pessoas por dia (estimativa atual). “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.” (1 Samuel 2:6)

O fato de Deus estar por trás de uma catástrofe como essa reflete sua vingança contra um povo que pratica idolatria?

Pode até ser, mas não nos cabe julgar isso, porque como disse Jesus no texto supracitado, eles não são mais pecadores e merecedores da condenação divina que qualquer outro. E digo mais, que qualquer outro cristão! Somos salvos pela misericórdia de Deus. Não temos nada em nós para nos gloriarmos. Aqueles que buscam condená-los são como Tiago e João querendo mandar fogo dos céus a uma cidade: Não sabem de que espírito são, porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. (Lucas 9:54-56)

Devemos nos alegrar com a catástrofe?

Não. “O que se alegra na calamidade, não ficará impune” (Provérbios 17:5) Devemos chorar com os que choram (Romanos 12:15)Qual deve ser nosso sentimento e atitude?

1) Conforme o texto de Lucas 13:1-9, reconhecer nossos próprios pecados e arrepender-nos, sabendo que só estamos vivos pela graça.

2) "Compadecer-nos e ajudar na prática, pois se o Senhor tem nos poupado, como a figueira da parábola, é pra que venhamos a dar frutos (v. 6-9)." (extraído do artigo do Solano Portela)

“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade” (1 João 3.17-18).

O ESPÍRITO do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (Isaías 61:1)

3) Saber que esta é uma grande oportunidade de glorificarmos ao Pai.
Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. (João 15:8)Como Ajudar?Para auxiliar as vítimas do terremoto no Haiti: Ajuda através da organização de raízes cristãs, como a Visão Mundial:

Por depósito nas contas:

Bradesco (Ag.: 3206-9 / CC: 461666-9)
Banco do Brasil (Ag.: 0007-8 / CC: 16423-2)
ou preencha este formulário.
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Retirado do blog: Voltemos ao Evangelho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Recomendações de Lutero

Martinho LuteroHá outros, porém, que nunca ouviram nada de semelhante e que estariam totalmente dispostos a aprender, contanto que lhes fosse explicado, ou que tem o espírito tão fraco que não podem captar a doutrina com facilidade. Não se deve nem repreendê-los nem tratá-los rudemente, pelo contrário deve-se instruí-los com amizade e doçura, indicando-lhes causas e razões. Se não conseguirem captar com facilidade, mostrar-se paciente com eles por certo tempo. A esse respeito, Paulo diz (Romanos 15.1 e 14.1): “Acolham com bondade aquele que é fraco na fé”. De igual modo, Pedro (I Pedro 3.15-16): “Estejam sempre prontos a responder a todos aqueles que lhes pedem razões de sua esperança; mas façam isso com doçura e respeito”.
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Vejam, portanto, que é com doçura e respeito de Deus que devemos ensinar nossa fé, se alguém sentir o desejo ou a necessidade de conhecê-la. Ora, se quiserem, diante dessas pessoas, dar prova de grande habilidade; se os recriminarem sob pretexto que não oram nem jejuam nem assistem à missa como devem; se exigirem que às sextas-feiras comam carne, ovos, isso e aquilo, sem indicar também com doçura e respeito às causas e as razões, então esses corações simples corações só poderão ver em vocês homens orgulhosos, insolentes e sacrílegos, o que é verdade, e pensarão que é inútil orar e fazer o bem e que a missa não é nada, além de outras coisas desse gênero. E vocês serão a causa desse erro e desse escândalo e vocês é que serão culpados. E é isso que é a causa de que eles julguem mal o santo evangelho e o caluniem, pensando que lhes foram ensinadas coisas abomináveis. De que lhes serve ter assim chocado seu próximo e criado obstáculos ao evangelho? Vocês apaziguaram seu capricho. Mas eles dizem: “Ora, pois! Vou permanecer em minha crença!” E fecham seu coração à verdade.
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Se indicarem, porém, as causas com respeito e doçura (Como o ensina Pedro) e se disserem: “Caro amigo, jejuar, comer ovos, carne, peixe, a salvação não depende dessas coisas; pode-se fazê-lo ou abster-se dessas coisas, para o bem como para o mal; unicamente a fé salva, etc.”, seria o mesmo que dizer: “A missa também seria boa se fosse celebrada como se deve, etc.” Dessa maneira, viriam para escutar e acabariam por aprender o que vocês sabem. Mas se vocês se comportarem como insolentes, se mostrarem superiores porque sabem alguma coisa que eles ignoram e se fizerem como o fariseu do evangelho, tomando por pretexto, para fazer os arrogantes, o fato de que eles não sabem algo que vocês sabem, então vocês cairão no julgamento de Paulo que diz (Rom. 14.15): “Jam non secundum caritatem ambulas” (Já não te comportas segundo a caridade); e vocês desprezarão o próximo que deveriam servir com respeito e doçura.
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A Liberdade do Cristão, Martinho Lutero.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Não Há Lugar Para Qualquer Idéia de Mérito ou Recompensa Pelas Boas Obras

Aqueles que pregam o "livre-arbítrio" afirmam que se não há "livre-arbítrio" então também não há lugar para o mérito ou para a recompensa.

O que dirão os defensores do "livre-arbítrio" a respeito da palavra "gratuitamente", em Romanos 3.24? Paulo diz que os crentes são "justificados gratuitamente por sua graça". Como interpretam "por sua graça?” Se a salvação é gratuita e oferecida pela graça divina, então não se pode conquistá-la ou merecê-la. No entanto, Erasmo argumenta que a pessoa deve ser capaz de fazer alguma coisa a fim de merecer a sua salvação, ou ela não merecerá ser salva. Erasmo pensa que a razão pela qual Deus justifica uma pessoa e não outra, é que uma delas usou de seu "livre-arbítrio", e tentou tornar-se justa, enquanto que a outra não o fez. Ora, isso transforma Deus em alguém que diferencia pessoas, ao passo que a Bíblia ensina que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Erasmo e algumas outras pessoas, como ele, admitem que os homens conseguem fazer muito pouco através de seu "livre-arbítrio" para obterem a salvação. Afirmam que o "livre-arbítrio" tem apenas um pouco de merecimento — não é digno de muita recompensa. E, não obstante, ainda pensam que o "livre-arbítrio" torna possível às pessoas tentarem encontrar a Deus. Imaginam, igualmente, que se as pessoas não tentam encontrá-Lo, cabe exclusivamente a elas a culpa, se não recebem a graça divina.

Portanto, sem importar se esse "livre-arbítrio" tem grande ou pequeno mérito, o resultado é o mesmo. A graça de Deus seria obtida por meio do "livre-arbítrio". Todavia, Paulo nega toda a noção de mérito quando afirma que somos justificados "gratuitamente". Aqueles que dizem que o "livre-arbítrio" possui apenas um pequeno mérito erram tanto como aqueles que dizem que ele possui muito mérito, pois ambos ensinam que o "livre-arbítrio" tem mérito suficiente para obter o favor de Deus. Portanto, em quase coisa alguma diferem um do outro.

Na verdade esses defensores da idéia do "livre-arbítrio" nos dão um perfeito exemplo do que significa "saltar da frigideira para dentro do fogo". Quando eles dizem que o "livre-arbítrio" tem apenas um pequeno mérito, eles pioram a sua posição, ao invés de melhorá-la. Pelo menos aqueles que dizem que o "livre-arbítrio" envolve um grande mérito (os chamados "pelagianos") conferem um elevado preço à graça divina, porquanto concebem que um grande mérito é necessário para alguém obter a salvação. Todavia, Erasmo barateia a graça divina, podendo ser obtida por meio de um débil esforço. No entanto, Paulo transforma em nada essas duas idéias usando apenas uma palavra — "gratuitamente" (Rm 3.24). Mais adiante, em Romanos 11.6, ele assevera que a nossa aceitação diante de Deus depende apenas da graça de Deus: "E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça". O ensino Paulino é perfeitamente claro. Não existe tal coisa como mérito humano aos olhos de Deus, sem importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo. Ninguém pode ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do "livre-arbítrio", estabelecendo em seu lugar apenas a graça divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de crédito para nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina.
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Nascido Escravo, Martinho Lutero. Editora Fiel.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Crer ou não Crer

A fé é feita de tal modo que aquele que crê em outro acredita nele porque o julga homem justo e verdadeiro, o que constitui a maior honra que um homem possa prestar a outro, como, ao contrário, a mais grave injúria é julgá-lo fingido, mentiroso, desprovido de escrúpulos. Assim também, quando a alma crê firmemente na palavra de Deus, ela o tem por verdadeiro, justo e correto e lhe presta por isso a maior honra que possa lhe prestar, pois lhe dá então razão, reconhece que Ele tem razão, honra Seu nome e o deixa agir nela como melhor ele entender, porquanto não duvida de que Ele seja justo e verdadeiro em todas as Suas Palavras. Pelo contrário, não se pode fazer maior afronta a Deus do que não crer nele; agindo desse modo, a alma o julga como um ser em quem não pode confiar, como um mentiroso sem escrúpulos e, no que lhe toca, renega a Deus por semelhante falta de fé e, em seu coração, levanta diante de Deus, como um ídolo, sua própria razão, como se pretendesse ser mais sábia que ele. Quando Deus vê que a alma reconhece sua veracidade e o honra com sua fé, em contrapartida ele a honra e a julga justa e verdadeira e ela é tão justa e verdadeira por causa dessa fé, pois, é conforme a verdade e justo reconhecer em Deus o espírito de verdade e de justiça, e isso torna justo e verdadeiro, porquanto é verdadeiro e justo reconhecer em Deus o espírito de verdade. É o que não fazem aqueles que não crêem, mesmo quando se multiplicam e se desdobram em boas obras.
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Martinho Lutero, A liberdade do Cristão. Editora Escala, pg. 27

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A Minha Graça te Basta

“A minha graça te basta” (2Coríntios 12:9)

Se nenhum dos santos de Deus fosse humilhado e sujeito às provações, não conheceríamos tão bem nem metade das consolações da graça divina. Quando encontramos um andarilho que não tem onde reclinar a cabeça, mas que pode dizer: "mesmo assim confiarei", ou quando vemos um pobre necessitado de pão e água que ainda se gloria em Jesus; quando vemos uma viúva enlutada assolada por aflições e ainda tendo fé em Cristo, Oh! Que honra isto reflete no evangelho.

A graça de Deus é exemplificada e engrandecida na pobreza e nas provações dos crentes. Os santos resistem a todo desalento, crendo que todas as coisas cooperam para o seu bem, e que, entre todas as coisas aparentemente ruins afinal florescerá uma verdadeira bênção - que, ou seu Deus operará um rápido livramento, ou, com toda certeza, os sustentará na provação, enquanto assim Lhe aprouver. Esta paciência dos santos prova o poder da graça divina. Há um farol em alto mar: a noite está calma - não posso dizer se sua estrutura é sólida ou não; a tempestade precisa desabar sobre ele, e só assim saberei se continuará em pé.

Assim é com a obra do Espírito Santo: se ela não fosse cercada por águas tempestuosas em muitas ocasiões, não saberíamos que é forte e verdadeira; se os ventos não soprassem sobre ela, não saberíamos o quanto é firme e segura. As obras-primas de Deus são aqueles homens que permanecem firmes, inabaláveis, em meio às dificuldades:

"Calmo em meio ao choro transtornado
Confiante na vitória."

Aquele que quer glorificar seu Deus deve ter em conta o enfrentar muitas provações. Nenhum homem pode ser reconhecido diante do Senhor a menos que suas lutas sejam muitas. Se, então, o teu for um caminho atribulado, regozija-te nele, pois mostrarás o teu melhor diante da toda-suficiente graça de Deus. Quanto a Ele falhar contigo, jamais penses nisto - odeia este pensamento. O Deus que foi suficiente até agora, o será até o fim.
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Charles Haddon Spurgeon

Fonte: Morning and Evening (Devocional vespertina do dia 04 de Março)
Tradução: Mariza Regina Souza

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sono: um lembrete diário de Deus

Os benefícios do sono são óbvios. Quando dormimos, nossa força é restaurada, a mente é esclarecida, e ficamos preparados para servir a Deus por mais um dia - preparados para levantar e experimentar suas misericórdias, as quais se renovam a cada manhã. Que presente maravilhoso para ser dado a cada dia!

O fato é que Deus poderia ter criado as pessoas sem a necessidade de dormir. Mas Ele escolheu colocar esta necessidade dentro de nós, e existe um propósito espiritual para isto. Todas as noites, quando confronto minha necessidade de dormir, mais uma vez sou lembrado de que sou uma criatura dependente. Não sou auto-suficiente. Não sou o Criador. Existe somente Um que "não dormita, nem dorme" (Salmos 121.4), e este não sou eu.

O sono é um presente; mas, é do tipo que nos humilha. Na maioria das vezes, em questão de horas você já está pronto para receber de Deus, mais uma vez, o dom do sono. Deixe-me encorajá-lo a fazer a seguinte oração quando este momento chegar: "Senhor, obrigado por esse presente. O fato de estar tão cansado é um lembrete de que sou a criatura e só o Senhor é o criador. Só o Senhor não dormita nem dorme, quanto a mim, não posso viver sem dormir. Obrigado por este dom gracioso, humilhante e revigorante".

C. J. Mahaney, em Humildade - Verdadeira Grandeza

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um Novo Coração

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne”. Ez 36.26

Você notará... Deus não tem prometido aperfeiçoar nossa natureza ou remendar nossos corações partidos. Não, sua promessa consiste em nos dar um novo coração e um espírito de retidão. A natureza humana está muito longe de ser apenas melhorada. Não é como uma casa que precisa de pequenos reparos, tais como substituir uma telha ou fazer um reboco no teto. Não, ela está completamente corrompida. Até seu alicerce está arruinado. Do teto ao alicerce não há uma viga sequer que não tenha sido comida pelos cupins. Não existe solidez, está toda apodrecida e pronta para desabar. Deus não faz tentativas ou experimentos com o homem. Ele não escora as paredes com estacas ou pinta novamente as portas; não ornamenta ou embeleza, mas determina que a velha casa seja totalmente derrubada, e uma nova seja construída em seu lugar. Como já mencionei, isso é mais que ser restaurada ou melhorada. Se apenas algumas peças estivessem em mau estado, poderiam ser consertadas. Se tão somente uma ou duas engrenagens desta grande máquina chamada “humanidade” estivessem quebradas, o Criador colocaria tudo em ordem. Trocaria as peças quebradas, substituiria a roda danificada e a máquina voltaria a trabalhar. Pelo contrário, os reparos são necessários por toda parte; não há sequer uma alavanca que não esteja quebrada ou eixos sem estragos; nenhuma engrenagem funciona corretamente. A cabeça toda está doente e o coração totalmente debilitado. Da sola dos pés à cabeça, a raça humana está toda infestada de chagas e feridas pútridas. Por isso, o Senhor não pensa em apenas um simples reparo. Ele diz: Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.
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Charles Haddon Spurgeon, The New Heart, New Park Street Pulpit, Vol. 4, 378
Fonte: Revista Fé para Hoje, Ed. 09, 2001

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O caniço ferido

Aproveite as férias para ler um clássico puritano, de autoria de Richard Sibbes: O Caniço Ferido.

“Sibbes nunca desperdiça o tempo do estudante”, escreveu C. H. Spurgeon, “ele espalha pérolas e diamantes com ambas as mãos”.

Faça o download do livro aqui.

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