quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conselhos aos Pastores

Como ajudar as pessoas a estarem mais satisfeitas em Deus
John Piper
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1. Ame a Deus de todo o teu coração, alma, mente e força na presença dos outros. Isso é contagiante.

2. Ame as outras pessoas a partir do poder da graça de Deus. Isto é, na forma como você as ama, mostre a beleza de Cristo em Seu amor por elas.

3. Conte histórias sobre aqueles que foram encantados pela beleza e glória de Deus. Parece que as verdadeiras narrativas da experiência de pessoas com a dignidade de Deus são muito despertadoras.

4. Descreva o valor de Deus – seu tesouro – em termos abundantes.

5. Ensine as pessoas a orarem para a transformação de seus próprios corações, ou seja, ensine-as a orar como o salmista: “Inclina o meu coração para os teus testemunhos, e não para a cobiça”.

6. Apresente para as pessoas uma meditação e reflexão prolongada sobre a palavra de Deus. A maioria das pessoas não sabe como pegar uma palavra, frase ou sentença de um texto bíblico, memorizá-la e analisá-la repetidamente em sua mente, olhando para ela de diferentes perspectivas, fazendo muitas perguntas sobre a mesma, aplicando-a a diferentes aspectos de sua vida e fazendo analogias dela em sua mente. Mas é precisamente nesse cogitar que a seiva da fruta começa a fluir e a despertar o paladar da alma.

7. Mostre às pessoas como encontrar promessas particulares e específicas na Bíblia para experimentarem. Quando Paulo diz em Romanos 15:13, “ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa fé…”, ele está apontando que a alegria e paz surgem à medida que confiamos nas preciosas e grandes promessas de Deus. Portanto, as pessoas precisam fazer uma busca mais específica pelas promessas e então mantê-las em suas mentes, concentrando-se nelas no decorrer do dia.

8. Ajude as pessoas a desligar a televisão. Poucas coisas em nossa cultura são mais espiritualmente entorpecentes do que a televisão. Mesmo os shows chamados “bons”, em geral, mostram banalidades, vulgaridades e tudo o mais, exceto o cultivo de uma capacidade rica e profunda de gozar a Deus. E quando você acrescenta a isso a avalanche de propagandas sugestivas que acompanha quase todo programa, não espanto porque tantos cristãos professos são espiritualmente incapazes de experimentar pensamentos elevados e emoções profundas.

09. Aponte as pessoas para biografias centradas em Deus. As lutas e as vitórias de cristãos que conheceram a grandeza e a glória de Deus são muito cativantes e despertadoras.

10. Mostre às pessoas como transpor as suas alegrias nas coisas naturais para a alegria em Deus. Veja o que quero dizer. Mesmo a pessoa mais infeliz parece ter uma ou duas coisas em sua vida que a deixa alegre. Pode ser a sua família. Pode ser o céu à noite. Pode ser a pesca. Ajude tais pessoas a fazer uma transposição, ou seja, passar pela linha da música chamada “alegria” em sua alma e transpô-la do natural para o sobrenatural, por um ato de fé em Deus como aquele que criou a família, o céu à noite ou a pesca. Ajude-as a ver que todas as coisas que são verdadeiramente deleitosas neste mundo, que despertam prazeres em seu coração, são dons de Deus e reflexos do seu caráter e da sua bondade. Se eles são capazes de se deleitarem nas coisas naturais, então pela graça do Espírito Santo podem ser capazes de transpor aquelas alegrias a um nível mais elevado, e assim descobrir a alegria em Deus.

11. Chame as pessoas para a confissão e a renúncia dos pecados que os assolam, faz com que se sintam falsos e bloqueia a verdadeira afeição por Deus.

12. Ensine-os sobre a necessidade e o valor do sofrimento na vida cristã, e como isso é tão ínfimo quando comparado com a glória a ser revelada.

Essas são algumas das coisas que podem ajudar o seu povo. Em minha opinião, o mais útil é simplesmente cuidar da sua própria alma e daquilo que incendeia o deleite por Deus em você, e então partilhar isso com os outros. Que as bênçãos sejam sobre você, à medida que realiza a suprema tarefa de fazer comque a alegria em Deus nasça em sua congregação.
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Tradução: Leonardo Bueno
Revisão: Felipe Sabino
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Fonte: Monergismo. Extraído e traduzido de www.desiringgod.org, com a devida autorização.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Desventurado Homem que Sou!

A. W. Pink
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“Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (v. 22), isso é verdade apenas sobre a pessoa nascida de novo. Todavia, aquele que tem prazer na lei de Deus encontra, em seus membros, outra lei. Isso não pode estar limitado aos membros do corpo físico, mas tem de ser entendido como algo que inclui todas as várias partes de sua personalidade carnal, a memória, a imaginação, a vontade, o coração, ...

Essa outra lei, disse o apóstolo, guerreava contra a lei de sua mente (a nova natureza); e não somente isso, ela também o fazia “prisioneiro da lei do pecado” (v. 23). Ele não definiu em que extensão se expressava essa servidão. Mas ele estava em servidão à lei do pecado, assim como todo crente também o está. A vagueação da mente, na hora de ler a Palavra de Deus, os maus pensamentos que brotam do coração (Mc 7.21), quando estamos envolvidos na oração, as más figuras que, às vezes, aparecem quando estamos em estado de sonolência – citando apenas alguns – são exemplos de havermos sido feitos prisioneiros “da lei do pecado”. Se o princípio mau de nossa natureza prevalece, a ponto de despertar em nós apenas um pensamento mau, ele nos tomou como cativos. Visto que ele nos conquistou, estamos vencidos e feitos prisioneiros. (Robert Haldane).

O reconhecimento dessa guerra em seu íntimo e o fato de que se tornou cativo ao pecado levam o crente a exclamar: “Desventurado homem que sou!”. Esse é um clamor produzido por uma profunda compreensão da habitação do pecado. É a confissão de alguém que reconhece não haver bem algum em seu homem natural. É o lamento melancólico de alguém que descobriu algo a respeito da horrível profundeza de iniqüidade que existe em seu próprio coração. É o gemido de uma pessoa iluminada por Deus, uma pessoa que odeia a si mesma. Ou seja, o homem natural e anela por libertação. Esse gemido. “Desventurado homem que sou”, expressa a experiência normal do crente; e qualquer crente que não geme dessa maneira está em um estado de anormalidade e falta de saúde espiritual. O homem que não profere diariamente esse clamor se encontra tão ausente da comunhão com Cristo, ou tão ignorante dos ensinos das Escrituras, ou tão enganado a respeito de sua condição atual, que não conhece as corrupções de seu coração e a desprezível imperfeição de sua própria vida.

Aquele que se curva diante do solene e perscrutador ensino da Palavra de Deus, aquele que nela aprende a terrível ruína que o pecado tem realizado na constituição do ser humano, aquele que percebe o padrão elevado que Deus nos tem proposto não falhará em descobrir que é um ser maligno e vil. Se ele se esforça para perceber o quanto tem falhado em alcançar o padrão de Deus; se, na luz do santuário divino, ele descobre quão pouco se parece com o Cristo de Deus, então, reconhecerá que essa linguagem de Romanos 7 é muito apropriada para descrever sua tristeza espiritual. Se Deus lhe revela a frieza de seu amor, o orgulho de seu coração, as vagueações de sua mente, o mal que contamina suas atitudes piedosas, o crente haverá de clamar: “Desventurado homem que sou!”. Se o crente estiver consciente de sua ingratidão e de quão pouco ele tem apreciado as misericórdias diárias de Deus; se o crente percebe a ausência daquele fervor profundo e genuíno que tem de caracterizar seus louvores e sua adoração Àquele que é glorificado em santidade. (Êx 15.11); se o crente reconhece o espírito pecaminoso de rebeldia que, com freqüência, o faz murmurar ou irrita-o contra as realizações dEle em sua vida cotidiana; se o crente admite que está ciente não apenas de seus pecados de comissão, mas também daqueles de omissão, dos quais ele é culpado todos os dias, ele realmente clamará: Desventurado homem que sou!. Esse clamor não será proferido apenas por aquele crente que se acha afastado do Senhor.

Aquele que está em comunhão verdadeira com o Senhor Jesus também emitirá esse gemido, todos os dias e todas as horas. Sim, quanto mais o crente se achega a Cristo, tanto mais ele descobrirá as corrupções de sua velha natureza, e tanto mais ardentemente desejará ser liberto de tal natureza. É somente quando a luz do sol inunda um cômodo que a poeira e a sujeira são completamente revelados. Quando estamos realmente na presença dAquele que é luz, ficamos conscientes da impureza e impiedade que habita em nós e contamina cada parte de nosso ser. E essa descoberta nos levará a clamar: “Desventurado homem que sou!”
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Extraído da Revista "Fé para Hoje".
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Puritanismo

Por Augustus Nicodemus Lopes
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Devemos mencionar de forma breve três ênfases teológicas dos Puritanos. Acreditamos que estes três princípios ou ênfases teológicas fizeram os Puritanos vitoriosos e triunfantes em seu propósito de mudar o mundo. As três ênfases são estas:

1º - Predestinação ..2º - Esperança ..3º - Vocação (chamado)

Existem muitos outros fatores, mas acredito que o coração do movimento Puritano pode ser resumido com estas três coisas:
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PREDESTINAÇÃO - Quanto a isso, citaremos um grande historiador contemporâneo de Oxford, Prof. Christopher Hill. Ele aparentemente não é crente, e muitos o tem acusado de ser marxista, mas o que sabemos é que ele tem grande apreciação pelas reformas introduzidas pelos Puritanos. Ele enfatiza a força na crença da predestinação dentro da causa Puritana. Citaremos o seu livro sobre o puritano Oliver Cromwell, chamado o Inglês de Deus (Já traduzido para o português com o título - O ELEITO DE DEUS). Ele disse: “Os homens tem geralmente comentado sobre o aparente paradoxo de um sistema teológico que crê na predestinação e que, ao mesmo tempo, produz nas pessoas uma ênfase tão grande em esforço e energia moral”. Em outras palavras, muitos dizem que se você crê na Predestinação, na soberania de Deus, você não vai fazer mais nada. A História prova exatamente o contrário. Na realidade aquelas pessoas que crêem firmemente na soberania de Deus são as mais ativas e corajosas. Voltemos à citação do Prof. Hill:

Acredito que o motivo pelo qual os Puritanos foram tão ativos é por causa da consciência da eleição de Deus. Os seus corações haviam sido transformados na direção do Deus vivo. Um homem sabia que estava salvo porque sentia, em algum momento da sua vida, uma satisfação interior, um lampejo que lhe dizia que ele estava em comunhão direta com Deus. Não estamos aqui lidando com uma êxtase místico de um monge, mas com a consciência de pessoas comuns como donas de casa, artesãos ou comerciantes.

O que dava a estas pessoas tanta força? Era a sensação de que tinham o Espírito de Deus. Era então, a sensação de terem sido fortalecidas por este Espírito. Era este conjunto de coisas que fazia com que o homem do povo sentisse que qualquer que fosse sua atividade, ela possuía valor diante de Deus. Esta convicção de ter sido eleito e de ter comunhão com Deus através de Cristo deu-lhes autoconfiança numa época em que havia tanta incerteza econômica e adversidade política.

Aqueles que criam como os Puritanos, tinham uma “fé interior que os fazia sentirem-se livres, quaisquer que fossem suas dificuldades externas”. O Prof. Hill cita o Prof. Haller dizendo o seguinte: “As pessoas que têm certeza de que herdarão o céu, possuem meios de, no presente, assumir a posse da terra”. Completa o Prof. Hill dizendo que “foi essa coragem e confiança que capacitavam os Puritanos a lutar por meio de armas espirituais, econômicas ou militares, para criar um mundo novo, digno daquele Deus que os havia abençoado de forma tão marcante”. O Dr. Perry Miller da Universidade de Harvard, que é o grande historiador dos Puritanos nos E.E.U.U., certa vez disse:

É impossível você imaginar um Puritano sem esperança; eles criam na soberania de Deus, e isso os fazia agir em face a qualquer dificuldade. Eles sabiam perfeitamente que, se Deus é por nós, nada ou ninguém pode ser contra nós.

Até que tenhamos esta confiança é duvidoso que a Igreja de Deus seja o que deve ser na época presente. Nós sempre podemos encontrar uma desculpa para nos comprometer com o mal, se quisermos. Mas aqueles que têm este senso de comunhão com Deus e confiança no Seu propósito soberano, não procuram comprometer a sua fé. Tão grande é a convicção de que o Senhor Jesus Cristo está próximo, que sabem ser muito mais importante agradar o Senhor Jesus do que agradar os desejos humanistas. Assim, vemos como a doutrina da Predestinação era um dos sustentáculos do sist ema Puritano e da sua causa.

ESPERANÇA - Em segundo lugar, o movimento puritano era impulsionado por uma teologia baseada na esperança bíblica . Ian Murray, que é editor da Banner of Truth , escreveu há cerca de 20 anos um livro extraordinário chamado “A Esperança Puritana”, mostrando a interpretação puritana otimista das profecias bíblicas, e como isso levou os Puritanos a esperar que Deus estivesse prestes a concluir a história humana com um triunfo maciço para o Evangelho em termos globais, com a conversão dos judeus e da grande maioria dos gentios através de grandes derramamentos do Espírito Santo, aos quais chamavam de a “Chuva tardia” que viria nos últimos tempos.

Esse tipo de visão que os Puritanos tinham do futuro libertou, na ocasião, presente, os seus corações para colaborar de forma alegre e satisfeita com o propósito de Deus, em termos de se auto-sacrificar para obedecer totalmente a Deus. Eles estavam convencidos de que, uma vez que o Senhor Jesus havia ressuscitado dentre os mortos, não podiam ser derrotados de forma alguma se Deus estivesse ao lado deles.

Aqui está uma declaração típica do grande teólogo puritano John Owen. Ele foi, durante o protetorado de Cromwell, vice-chanceler da Universidade de Oxford, e perdeu esta posição quando voltou a monarquia e o Rei Carlos II. Entretanto, ele continuou a servir a Deus de forma corajosa e brava, sem nunca ficar desiludido ou perder a esperança, mesmo estando em minoria, sem qualquer poder político naquela época. Isso é o que ele escreveu em 1680: “mesmo que nós caiamos, a nossa causa será infalivelmente vitoriosa porque Cristo está assentado à mão direita de Deus; o Evangelho triunfará e isso me conforta de forma extraordinária”.

James Hanik do partido dos “covenants” (pactuantes), que foi martirizado no dia 17 de fevereiro de 1688, em Edimburgo, disse no dia do seu martírio: “ tem havido dias gloriosos e grandiosos do Evangelho nesta terra, mas eles serão nada em comparação àquilo que haverá de ocorrer”. Esse tipo de pessoa que tem tanta esperança no futuro, não pode ser derrotada. Enquanto o Diabo tenta nos desencorajar quanto ao futuro, Deus procura nos fortalecer e encorajar com respeito ao que Ele pode fazer.

VOCAÇÃO - Queremos mencionar, finalmente, outra verdade que fez com que os Puritanos fossem tão fortes e eficazes nos seus dias. Era a ênfase que davam na importância da vocação de cada pessoa. Enfatizavam a necessidade de cada pessoa glorificar a Deus através da sua vocação secular. Sem dúvida, Martinho Lutero já havia ensinado o sacerdócio universal dos santos, e os Puritanos criam nisso. Mas eles desenvolveram a doutrina do chamado de Deus a cada pessoa muito além do que alguém fizera antes. Mesmo estudiosos marxistas do século XX, como o Prof. Arcangius de Leningrado, dá crédito aos Puritanos por terem elevado a moral da classe trabalhadora da Inglaterra naquele período. O próprio Prof. Hill está se mpre citando estes estudiosos marxistas que têm essa visão positiva com relação aos Puritanos neste aspecto.

Obviamente, o levantamento do moral da classe trabalhadora da Inglaterra com o movimento Puritano se deveu à ênfase Puritana sobre a santidade da vocação de cada pessoa. Ao invés de simplesmente distribuir recursos com as pessoas pobres, os Puritanos organizaram sociedades e sistemas, que pudessem ajudar estas pessoas a aprender uma vocação. Eles diziam às pessoas pobres que elas haviam sido criadas à imagem de Deus tanto quanto o Rei, e que o sangue de Jesus tinha sido derramado por todo tipo de pessoas (não por todos). Que eles haviam sido chamados para servir a Deus em suas vidas de acordo com o propósito de Deus. Diziam às pessoas que, quando alguém está varrendo um quarto de forma respon sável, está ajudando a avançar o Reino de Deus tanto quanto um grande pregador. Com este tipo de pregação, os pobres começaram a sentir um novo senso de dignidade e começaram a desenvolver os talentos que Deus lhes havia concedido em favor da Inglaterra.

O roubo, os crimes, e a violência caíram tremendamente de nível neste período. Os Puritanos organizaram vários tipos de sociedades voluntárias para dar treinamento e qualificação aos pobres, além de estudiosos para ajudar aos jovens a fundar hospitais de caridade. Tudo isso tinha apenas um propósito: todas as pessoas, sejam ricas ou pobres, podem viver para a glória de Deus.

Quero concluir esta palestra sobre o Puritanismo na Inglaterra citando a 1ª pergunta do Catecismo Maior de Westminster: “Qual o fim principal do homem? Resposta: glorificar a Deus e gozá-lo para sempre ”.
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Para ler o artigo completo clique: Puritanismo
Fonte: Monergismo
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terça-feira, 19 de outubro de 2010

A quem pertence o dízimo?

... a pergunta “a quem dizimamos?” já foi respondida: ao Senhor. A Escritura declara que nossos dízimos devem ser “santos ao Senhor” (Lv 27.32), isto é, devem ser separados para ele e sua obra e requerimentos. O dízimo não pertence à igreja ou a alguma agência cristã, embora possa ser dado a elas. Não importa em que mãos esteja, ele pertence ao Senhor.

Quando os levitas eram piedosos, Israel pagava os seus dízimos aos levitas, mas, mesmo então, o dízimo pertencia ao Senhor e poderia ser dado diretamente à causa que o dizimista considerava ser fiel. Dessa forma, em tempo de apostasia, um homem de Baal-Salisa trouxe as suas primícias diretamente a Elias e os seus seguidores (2 Reis 4.42-44). Os levitas não era uma instituição, mas homens separados para o serviço do Senhor.

Visto que o dízimo é “santo ao Senhor”, é o nosso dever como dizimistas julgar que igreja, grupo missionário ou agência cristã é mais claramente “santa ao Senhor”. O dízimo em si não é para o Senhor se o dízimo for para agências ímpias, extravagantes ou mediocremente eficazes. Dessa forma, o Senhor nos considera responsáveis pelo uso do seu dinheiro, assim como considera o recebedor dele plenamente responsável também.

Isso significa que temos o dever de dar sabiamente. Precisamos estudar tanto a fidelidade como a eficácia de toda agência a qual pretendemos dizimar. Ela é eficaz em nossas vidas e na vida dos outros? Ela usa o dinheiro sabiamente?

R. J. Rushdoony, em A quem dizimamos?

Veja também Devo dar todo o meu dízimo para a igreja local?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Por Que o Justo Sofre?

No âmago da mensagem do livro de Jó, acha-se a sabedoria que responde à questão a respeito de como Deus se envolve no problema do sofrimento humano. Em cada geração, surgem protestos, dizendo: “Se Deus é bom, não deveria haver dor, sofrimento e morte neste mundo”.

Com este protesto contra as coisas ruins que acontecem a pessoas boas, tem havido tentativas de criar um meio de calcular o sofrimento, pelo qual se pressupõe que o limite da aflição de uma pessoa é diretamente proporcional ao grau de culpa que ela possui ou pecados que comete. No livro de Jó, o personagem é descrito como um homem justo; de fato, o mais justo que havia em toda a terra. Mas Satanás afirma que esse homem é justo somente porque recebe bênçãos de Deus. Deus o cercou e o abençoou acima de todos os mortais; e, como resultado disso, Satanás acusa Jó de servir a Deus somente por causa da generosa compensação que recebe de seu Criador.

Da parte do Maligno, surge o desafio para que Deus remova a proteção e veja que Jó começará a amaldiçoá-Lo. À medida que a história se desenrola, os sofrimentos de Jó aumentam rapidamente, de mal a pior. Seus sofrimentos se tornam tão intensos, que ele se vê assentado em cinzas, amaldiçoando o dia de seu nascimento e clamando com dores incessantes. O seu sofrimento é tão profundo, que até sua esposa o aconselha a amaldiçoar a Deus, para que morresse e ficasse livre de sua agonia. Na continuação da história, desdobram-se os conselhos que os amigos de Jó lhe deram — Elifaz, Bildade e Zofar. O testemunho deles mostra quão vazia e superficial era a sua lealdade a Jó e quão presunçosos eles eram em presumir que o sofrimento indescritível de Jó tinha de fundamentar-se numa degeneração radical do seu caráter.

Eliú fez discursos que traziam consigo alguns elementos da sabedoria bíblica. Todavia, a sabedoria final encontrada neste livro não provém dos amigos de Jó, nem de Eliú, e sim do próprio Deus. Quando Jó exige uma resposta de Deus, Este lhe responde com esta repreensão: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber” (Jó 38.2, 3). O que resulta desta repreensão é o mais vigoroso questionamento já feito pelo Criador a um ser humano. A princípio, pode parecer que Deus estava pressionando Jó, visto que Ele diz: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (v. 4) Deus levanta uma pergunta após outra e, com suas perguntas, reitera a inferioridade e subordinação de Jó. Deus continua a fazer perguntas a respeito da habilidade de Jó em fazer coisas que lhe eram impossíveis, mas que Ele podia fazer. Por último, Jó confessa que isso era maravilhoso demais. Ele disse: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42.5-6).

Neste drama, é digno observar que Deus não fala diretamente a Jó. Ele não diz: “Jó, a razão por que você está sofrendo é esta ou aquela”. Pelo contrário, no mistério deste profundo sofrimento, Deus responde a Jó revelando-se a Si mesmo. Esta é a sabedoria que responde à questão do sofrimento — a resposta não é por que tenho de sofrer deste modo particular, nesta época e circunstância específicas, e sim em que repousa a minha esperança em meio ao sofrimento. A resposta a essa questão provém claramente da sabedoria do livro de Jó: o temor do Senhor, o respeito e a reverência diante de Deus, é o princípio da sabedoria. Quando estamos desnorteados e confusos por coisas que não entendemos neste mundo, não devemos buscar respostas específicas para questões específicas, e sim buscar conhecer a Deus em sua santidade, em sua justiça e em sua misericórdia. Esta é a sabedoria de Deus que se acha no livro de Jó.

R. C. Sproul.

(Recebido por e-mail)

sábado, 2 de outubro de 2010

O "caminho do meio"

domingo, 19 de setembro de 2010

Você já orou desta maneira?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aos homens

Aos homens: vocês estão purificando suas esposas com o lavar da Palavra e ensinando seus filhos? Se não, por que vocês aspiraram a ser maridos ou pais? Leiam a Palavra diariamente como suas esposas. Imponham suas mãos sobre elas e intercedam por elas. Orem para amá-las como Cristou amou a Igreja. Criem seus filhos no temor e admoestação do Senhor. Diariamente, leiam a Palavra e orem com eles. Gastem tempo com eles. Nunca encontrei um homem que tenha se arrependido por ter passado muito tempo com sua esposa e filhos, mas tenho encontrado muitos que se arrependem por ter gasto pouco tempo. A despeito dos seus erros passados, hoje é um novo dia. As misericórdias de Deus são novas a cada manhã. Comecem de novo com suas família. Não desanimem.

Paul Washer, via Twitter

Trad: Saulo Rodrigo do Amaral

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aos adeptos da cura interior

A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres odiados, abusados e renegados pelos seus próprios familiares – homens e mulheres solitários, sem amigos, faltos de talentos ou capacidade, mas que triunfaram nas maiores adversidades porque confiavam em Deus. Estes heróis e heroínas da fé desmentem a focalização no ego humanista e antibíblica, que é a base de todas as psicologias pop da cura interior. Moisés é apenas um exemplo dentre muitos outros.

Quando Deus o chamou para ir ao Egito para libertar o Seu povo, Moisés alegou ser incapaz de tal missão e pediu-Lhe que escolhesse outra pessoa (Êx 3.11; 4.10-13). Por acaso Deus lhe aplicou algum teste de personalidade para mostrar que Moisés tinha aptidão? O Senhor tratou da frágil auto-estima de Moisés ou do seu baixíssimo valor-próprio? Ele lhe receitou a cura interior para libertá-lo das memórias encobertas por ter sido abandonado pelos seus pais e criado num lar adotivo, e da falta de identidade própria resultante disto? Foi-lhe ministrado um curso de auto-aperfeiçoamento, autoconfiança e sucesso? Pelo contrário, Deus lhe prometeu: "Eu serei contigo"!

Dave Hunt

Extraído do texto Eu serei contigo

Para saber mais sobre o movimento de cura interior, clique aqui e aqui.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Código da Aliança

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. (Cl 1:13-14)

Os eleitos, uma vez salvos pela graça e adotados, são inseridos, ou melhor, transportados do império das trevas para o Reino do Filho de Deus (Jesus). Este "transporte" tem implicações muito sérias, pois significa uma mudança de "realidade". Neste versículo, Paulo faz uso de uma linguagem de libertação, que remete a páscoa israelita [hb. pêssach - פסח], quando o povo israelita foi liberto do Egito e engajados em uma jornada para a liberdade (Êxodo).

De fato, o próprio termo hebraico para "páscoa" quer dizer "passagem", uma transição do estado de cativeiro e prisão, para o estado de liberdade. Neste sentido, Israel torna-se o povo de YHVH e este "tornar-se povo", implica um tipo adoção nacional ou uma relação de suserania e vassalagem.

Nos povos da antiguidade, quando um reino mais fraco era dominado por um reino mais forte, os cidadãos que se rendiam do reino dominado, eram absorvidos pelo reino suserano, tornando-se assim seus vassalos. Um "rei" ou "senhor" exigia, como um tipo de rito de absorção nacional, que os vassalos se comprometessem com o novo reino por meio de uma confissão pública dos decretos reais, firmando assim uma aliança com aquele rei, podendo estes decretos serem denominados de código da aliança.

Em uma lógica semelhante, Deus ao libertar o povo de Israel do Egito, os inseriu em seu reino, transformando-os em povo da aliança ou gente peculiar, ao menos esta é a linguagem que encontramos em Êxodo quando é dito:

Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. (Ex 19:5-6)

Interessante que este quadro teológico de nova nacionalidade e adoção nacional é também usado pelo apóstolo João ao se referir à Igreja (Ap 1:6; 5:10) e pelo apóstolo Pedro quando escreveu em sua primeira carta:

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. (I Pe 2:9-10).

As palavra de Pedro remetem ao êxodo, uma linguagem do imaginário judaico da relação exílio-libertação. A teologia petrina é que a Igreja é composta por um "povo" que se tornou "povo de Deus". Esta mudança de estado é afirmada com o uso de algumas expressões e conceitos chaves como: o movimento "trevas-luz", o "chamado" (ideia de eleição), o adjetivo propriedade exclusiva, e outras termos que evocam este novo estado. Neste ponto, é importante destacar a noção de Senhorio de Cristo.

Não são poucas vezes que o Novo Testamento se refere a Jesus como Senhor (gr. kyriós). Isto se deve ao fato, de que há uma relação de soberania entre Cristo e seus súditos. Ele é o senhor "suserano", o rei, com quem os cativos-libertos firmam um pacto de liberdade. Por isso, os "chamados" são inseridos no novo reino, onde desfrutarão de todos os benefícios deste pacto. Na lógica bíblica não existem despatriados, ou se pertence a um reino tirano de escravidão ou a um reino de liberdade e justiça.

No Reino de Deus, não há "autonomia" no sentido moderno, no sentido de uma "lei para si mesmo". Esta proposta, remete a queda do homem no Éden. Por isso a "liberdade moderna" é uma falsa liberdade. A proposta bíblica é que em lugar da "autonomia" baseada no ego humano afetado pela queda, a verdadeira liberdade, que remete à criação, está em se submeter a lei de Deus. Algo que a teologia cristã-reformada chamaria de teonomia.

A teonomia é admissão de que no Reino de Deus a verdadeira liberdade opera-se pela internalização da lei de Deus pelo Espírito. Se baseia no cumprimento da profecia de Jeremias sobre a Nova Aliança , em que um dia a lei do Senhor seria escrita na mente e nos corações (Jr 31:31 e seg.). O Novo Pacto é uma nova relação senhorio-súdito, pois, no pacto anterior, havia uma submissão mecânica ao código da aliança, neste pacto renovado, a lei é inscrita, integrada ao interior humano. Por isso o profeta Ezequiel viu dias em que um coração regenerado seria dado ao homem e que o próprio Deus operaria (monergisticamente) a obediência da lei a partir dos corações dos homens (Ez e36:26-27). Esta é a liberdade do Espírito!

Enfim, a vocação é entender que vivendo nesta realidade do Espírito, no Reino de Deus (no Civitas Dei - adotando Agostinho), Jesus Cristo tornou-se Senhor, soberano sobre o Povo de Deus. O Povo de Deus vive uma realidade completamente nova e uma liberdade que é operada por Deus, quando Ele inscreve nos corações dos santos seus preceitos, concedendo-lhes nova identidade e novo sentido existencial. Isto é algo que atinge as relações concretas desta existência, a rotina, que envolve o comer, beber, casar, trabalhar, pesquisar etc. Agora, os resgatados vivem sob uma aliança, sob a linguagem e o estilo de vida de um novo reino, o Reino de Deus.

Soli Deo Gloria.
Kol HaKavod LaShem

Igor Miguel
do excelente Pensar...
em O Código da Aliança

Veja também: Realmente Pentecostal

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como temos nos comportado diante das exigências Divinas?

Respondam por si mesmos. Alguns não têm prestado a mínima atenção a essas reivindicações (exigências) - de fato, eles as têm negado, e têm realmente dito: "Quem é o Senhor para que eu tenha que obedecer à Sua voz?". Existiria algum leitor assim? Peço a Deus que mude seu coração, pois o mosquito pode muito melhor lutar com a chama que já queimou suas asas do que você lutar com seu Criador. Tão certo quanto você vive, Deus lhe vencerá, e fará com que você admita Sua supremacia. Se não Lhe obedecer, Ele o quebrará em mil pedaços como um vaso de oleiro.

Um número muito maior de pessoas, no entanto, ignora a reivindicação de Deus ao invés de opor-se a ela. Elas já têm vivido neste mundo talvez até a meia-idade e nunca sequer pensaram em Deus, apesar de Deus tê-las feito e tê-las mantido vivas. E assim mesmo que muitos devedores têm feito com suas dívidas. Eles sentem-se despreocupados porque ninguém os tem importunado sobre essas coisas; todavia, certamente é uma honestidade duvidosa que descansa em paz simplesmente porque o credor não está exigindo pagamento da dívida. Um homem realmente honesto não fica satisfeito até que tenha cumprido com suas obrigações, e todo espírito nobre ficará insatisfeito consigo mesmo porque não pagou sua dívida a Deus. E se o Senhor não tem usado severidades, não tem mandado nenhum emissário de doença ou de perda, será que não perguntaremos ainda mais ardentemente: "O que haverei de dar ao Senhor"? Roubaremos a Deus porque Ele é misericordioso? Faremos de Sua bondade uma razão para negligenciá--10? Poderia ser certo nunca retribuirmos ao Altíssimo algo de acordo com todos os benefícios que recebemos?

Há multidões que, na teoria, reconhecem todas as reivindicações de Deus, mas que, na prática, as negam, ou esquivam-se delas através de uma religiosidade meramente externa. Não querem ser honestas, porém vão à igreja; não querem ser purificadas do pecado, mas querem ser batizadas; o viver uma vida piedosa não lhes interessa, mas querem participar da Ceia do Senhor; não querem crer em Jesus, e não querem se entregar ao amor de Deus, mas não se opõem nenhum pouco a juntar-se a uma procissão ou a fazer uma romaria - assim dando a Deus dobrões de latão em vez de dobrões de ouro, aparências externas ao invés de verdadeira obediência. O homem recusa-se a dar ao seu Criador o amor de seu coração e a fé de seu espírito, e enquanto ele fizer isso, todas as suas ofertas serão vãs.

Com tristeza devemos todos confessar que quando temos tentado honrar a Deus, e temos conseguido isso até certo ponto pela Sua graça, ainda não chegamos a ser perfeitos; devemos muitas vezes admitir que a pressão do corpo que está perto, e das coisas visíveis e tangíveis, têm exercido mais influência sobre nós do que a força das coisas invisíveis, as quais são eternas. Temos nos rendido ao nosso ego demasia­damente, e temos roubado ao Senhor. O que faremos nesse caso? Ora, temos que louvar ao nosso eterno Deus e Pai, porque Ele tem providenciado um sacrifício satisfatório para todas as nossas fraquezas, e porque há Um, compartilhante da nossa natureza, o qual fica na brecha em nosso favor, por quem podemos ser aceitos, apesar de todas as nossas fraquezas e ofensas. Vamos a Deus através de Cristo Jesus. Ele nos exorta a crer em Jesus, e assegura-nos de que seremos perdoados e salvos naquele instante em que crermos. As exigências de Deus são cumpridas na vida e na morte de Seu Filho unigênito: a fé nos mostra que essas exigências foram cumpridas a nosso favor, e que somos livres.

Irmãos, temos crido, e continuaremos a acreditar, que Jesus morreu por nós, e eis a nossa alegria, que fomos libertados da ira de Deus, ainda que não tenhamos atingido Seus merecimentos. E o que segue agora? Sinto sobre isso que agora existem mais vínculos do que nunca para prender-me ao serviço de Deus; Ele tem me perdoado por causa do Seu nome, e tem me lavado no sangue do Seu próprio Filho, e sou Seu por vínculos mais fortes do que nunca. Não há obrigação mais convincente do que aquela que existe por causa da graça e do amor sacrificial. O pecado perdoado não dá justificativa para cometer futuros pecados, ao contrário, é razão para futura piedade em cada coração que sente o poder do perdão. Os santos de Deus, com o pecado apagado não quererão pecar mais; sendo Seus escolhidos, escolherão servir-Lhe; sendo Seus filhos adotivos, alegrar-se-ão em fazer a vontade do Pai; e, de agora para todo o sempre, serão do Senhor.
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As Exigências Divinas. C. H. Spurgeon. Cap. 15
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sobre a função dos falsos mestres e dos pastores fiéis

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pregue a Cristo com o seu casamento

Cada casamento, em cada lugar do mundo, é uma ilustração de Cristo e a igreja. Por causa do pecado e da rebeldia, muitas ilustrações são infamantes mentiras concernentes a Cristo. Mas um marido jamais deixa de falar sobre Cristo e a igreja. Se ele é obediente a Deus, está pregando a verdade; se ele não ama sua esposa, está proferindo apostasias e mentiras - mas, de qualquer forma, ele está sempre falando."

Douglas Wilson

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Onze argumentos a favor da expiação definida

[CFW – 8 – 8: Cristo, com toda a certeza e eficazmente aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu. Isto ele consegue, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na palavra e pela palavra os mistérios da salvação, persuadindo-os eficazmente pelo seu Espírito a crer e a obedecer, dirigindo os corações deles pela sua palavra e pelo seu onipotente poder e sabedoria, da maneira e pelos meios mais conformes com a sua admirável e inescrutável dispensação.

João 6:37; 39 e 10:15-16; I João 2:1; João 15:15; Ef. 1:9; João 17:6; II Cor. 4:13; Rom. 8:9, 14 e 15:18-19; João 17:17; Sal. 90:1; I Cor. 15: 25-26; Col. 2:15; Luc. 10: 19.]

O sacrifício de Cristo derivou, da Sua pessoa, um valor infinito da dignidade; deve ser, portanto, intrinsecamente suficiente para expiar os pecados de toda a raça humana, tivesse havido essa intenção; mas, na designação do Pai, e na intenção do próprio Cristo, ela foi limitada a um número definido, àqueles que devem, em última análise, alcançar a salvação. Esta importante verdade pode ser confirmada pelos seguintes argumentos:

1. Termos restritivos são freqüentemente empregados nas Escrituras para expressar os objetos da morte de Cristo: "Contudo, Ele levou sobre si o pecado de muitos" "O Filho do Homem... veio para... dar a sua vida em resgate por muitos." (Is 53:12; Mt 20:28). Não declara isto que Cristo morreu, não por todos os homens, mas apenas para muitos?
[“Por isso, eu lhe darei um lugar de honra; ele receberá a sua recompensa junto com os grandes e os poderosos. Pois ele deu a sua própria vida e foi tratado como se fosse um criminoso. Ele levou a culpa dos pecados de muitos e orou pedindo que eles fossem perdoados”. (Is 53:12)

Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mt 20:28)]
2. Aqueles por quem Cristo morreu distinguem-se dos demais por caracteres discriminativos. Eles são chamadas de ovelhas (João 10:15); a Igreja (Ef 5:25); eleitos de Deus (Rm 8:33); os filhos de Deus (João 11:52).
[“Assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (Jo 10:15)

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25)

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8:33)

“E não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos” (Jo 11:52)]
3. Sobre aqueles a quem Cristo redimiu pelo Seu sangue, é dito que são "redimidos dentre os homens" (Ap 14:4), o que seria, se Cristo tivesse redimido todos os homens, uma frase sem sentido e incoerente; dos quais também é dito que são "comprados para Deus que procedem de toda tribo” (Ap 5:9), o que certamente implica que apenas alguns de cada tribo são comprados.
[“São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro;” (Ap 14:4)

“E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5:9)]
4. A redenção obtida por Cristo é restrita àqueles que foram "escolhidos Nele" e os quais o Pai Lhe deu para resgatar por Sua morte (Efésios 1:4, 7; João 17:2).
[“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor... no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1:4,7)

“Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste”(Jo 17:2)]
5. Cristo morreu em caráter de garantia e, portanto, ele deu a sua vida somente para aqueles a quem ele representava, ou por sua semente espiritual (Isaías 53:10).
[“Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos” (Is 53:10)]
6. A intenção de Cristo em dar a Sua vida, não foi apenas para obter para aqueles por quem Ele morreu, uma possibilidade de salvação, mas, na verdade, para salvá-los - para trazê-los para a posse real e gozo da salvação eterna (Ef. 5:25-26; Tt 2:14; 1 Pe 3:18; 1 Ts 5:10). Disto, segue-se inevitavelmente que Cristo morreu apenas por aqueles que serão salvos nele com uma salvação eterna.
[“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Ef 5:25-26)

“O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (2:14)

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (1 Pe 3:18)

“Que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele” (1 Ts 5:10)]
7. A intercessão de Cristo ocorre sobre as bases do seu sacrifício expiatório; [Tanto a intercessão quanto o sacrifício expiatório] devem, portanto, possuírem intrinsecamente a mesma extensão no que diz respeito aos seus objetos; mas Ele não intercede pelo mundo, mas apenas por aqueles que Lhe foram dados; Seu sacrifício deve, portanto, ser limitado a esse número definido (1 João 2:1, 2; João 17:9).
[“Eu peço em favor deles. Não peço em favor do mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus.” (João 17:9)]
8. Um apóstolo conclui, a partir da grandeza do amor de Deus em entregar Seu Filho à morte pelos pecadores, que Ele não os privará de nenhuma das bênçãos da salvação; devemos, portanto, concluir que Cristo não morreu por toda a humanidade (Rom. 8:32).
[“Porque ele nem mesmo deixou de entregar o próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós! Se ele nos deu o seu Filho, será que não nos dará também todas as coisas?” (Rm 8:32)]
9. O mesmo apóstolo infere, a partir da nossa reconciliação com Deus pela morte de Cristo, a certeza da nossa salvação pela Sua vida; agora, uma vez que nem todos são salvos pela sua vida, devemos concluir que nem todos foram reconciliados pela sua morte (Romanos 5:10).
[“Nós éramos inimigos de Deus, mas ele nos tornou seus amigos por meio da morte do seu Filho. E, agora que somos amigos de Deus, é mais certo ainda que seremos salvos pela vida de Cristo” (Rm 5:10)]
10. Cristo, por sua morte, adquiriu para o seu povo, não apenas a salvação, mas todos os meios necessários ao gozo da mesma; conseqüentemente, a Seu objetivo em morrer deve ser limitado àqueles que se arrependem e crêem, e não estendido a toda a raça humana.

11. A doutrina de que Cristo morreu por todos os homens leva a muitas conseqüências absurdas, tais como: 1. que Cristo derramou seu sangue para muitos em vão, já que nem todos são salvos; 2. que Ele deu Sua vida em absoluta incerteza se alguém da raça humana seria eventualmente salvo; 3. que derramou seu sangue por milhões de pessoas que, no exato momento de sua morte, estavam reservadas para o abismo da perdição eterna; 4. que Ele morreu por aqueles por quem Ele não intercede; 5. que Ele morreu por aqueles a quem Ele nunca enviou os meios da salvação, sim, por alguns dos quais Ele mesmo proibiu que Seu evangelho fosse pregado (Mt 10:5; Rm 10:14); 6. e que Deus age injustamente ao infligir punição eterna aos homens por aquelas mesmas transgressões pelas quais Ele já recebeu a plena satisfação pela morte de Cristo. Afirmar qualquer uma dessas coisas seria uma blasfêmia no mais alto grau e, portanto, essa doutrina que envolve tais conseqüências deve ser anti-bíblica.

Robert Shaw

Via Reforma e Razão

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Deus odeia o pecado, mas ama o pecador": esse é o ensino bíblico?

"Deus odeia o pecado, mas ama o pecador": esse é o ensino bíblico?


Sem rodeios:

"Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos." Pv 6.16-19

"Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal. Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás aqueles que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento." Sl 5.4-6

"O SENHOR prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma. Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso; isto será a porção do seu copo. Porque o SENHOR é justo, e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos." Sl 11.5-7

"Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." Jo 3.36

Uma pergunta para reflexão: Deus queima o pecado ou pecador no inferno?

Para complementar, um ótimo vídeo do Paul Washer:



Legendas: Neto e Digo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sem Cristo, você certamente morrerá!

Satã mentiu para Eva, e em vez de se apegar à ordem de Deus, ela sucumbiu e comeu do fruto proibido. Ela deu dele a Adão que, mesmo sem ser enganado, também comeu do fruto. Desse modo o homem e a mulher pecaram e, quando o fizeram, passaram por uma mudança e também tiveram o relacionamento com Deus alterado. Como Deus predisse, o espírito deles morreu de imediato — a luz divina se extinguiu — e seu corpo também pereceu com o passar do tempo.

Quando ouviram Deus andando no jardim, eles se esconderam dele. Este é um insight tremendo. A partir daí, todos os pecadores inventaram métodos sofisticados de escapar dessa realidade, ainda que o motivo e o propósito básico permaneçam os mesmos. Eles sentem terror de Deus, e desejam se esconder dele, mas são estúpidos e desonestos demais para admitir essa impossibilidade. Podem ter se tornado ruidosos e confiantes, mas no interior do coração são como franguinhos amedrontados que correm para se ocultar. Eles se apegam à incredulidade, religiões falsas e diversos sistemas de pensamento e estilos de vida para lhes aliviar o medo, calar a consciência e manter a aparência de que realizam algo bom ou espiritual.

Nossa mensagem aos não cristãos começa com isto: Deus é o criador e regente da humanidade, e você tem transgredido o mandamento dele, e com certeza morrerá. Reclame o quanto quiser, mas ele virá acertar as contas com você. Ele vem para pegá-lo e puni-lo. Você pode correr e se esconder, mas ele sabe onde você está e o que fez. Ele o lançará no lago de fogo, de acordo com sua justiça perfeita, e o fará sofrer uma dor extrema e sem fim. Então você gritará, mas não haverá auxílio nem escape. Você implorará pela morte, mas ai de você: já está morto. Ó, não cristão fraco e estúpido, você não pode se salvar. Ó incrédulo, condenado às chamas! Você não deve esperar. Hoje é o dia da salvação. Existe apenas um escape da condenação. Você o deseja? Você o aceitará?

Vincent Cheung

Extraído de Transgressão, você morrerá

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A revelação de Deus é suficiente para nossa fé

O que poderíamos acrescentar se a revelação de Deus não fosse suficiente para nossa fé? Quem pode responder essa pergunta? O que qualquer pessoa proporia acrescentar à Palavra sagrada? Um momento de reflexão nos levaria a escarnecer das mais atraentes palavras de homens, se fosse proposto acrescentá-las à Palavra de Deus.

O tecido não estaria em uma peça única. Você adicionaria remendos a uma veste real? Você guardaria a sujeira das ruas no tesouro do rei? Você juntaria as pedrinhas da praia aos diamantes preciosos da antiga Golconda? Qualquer coisa que não seja a Palavra de Deus posta diante de nós para que creiamos e preguemos como se fosse a vida do homem nos parece totalmente absurda, contudo, enfrentamos uma geração de homens que sempre querem descobrir uma nova força motriz e um novo evangelho para suas igrejas. A manta de sua cama parece não ser suficientemente longa, e eles querem pegar emprestado um metro ou dois de tecido misto e incongruente dos unitaristas, agnósticos ou mesmo dos ateístas.

Bem, se existe qualquer força espiritual ou poder dirigido aos céus, além aquele relatado nesse Livro, acho que podemos passar sem ele. Na verdade, deve ser uma falsificação tão grande que estamos melhor sem ela. As Escrituras em sua própria esfera são como Deus no universo--Todo-suficiente. Nelas estão reveladas toda a luz e poder que a mente do homem pode precisar em relação às coisas espirituais. Ouvimos falar de outra força motriz além daquela encontrada nas Escrituras, mas cremos que tal força é um nada muito pretensioso. Um trem está descarrilado, ou incapaz de prosseguir por outro motivo, quando chega a turma do conserto. Trazem locomotivas para tirar o grande impedimento. A princípio parece que nada se mexe: a força da locomotiva não é suficiente. Escutem! Um garotinho tem uma idéia. Ele grita: "Pai, se eles não têm força suficiente, eu empresto meu cavalo de balanço para ajudá-los".

Ultimamente, recebemos a oferta de um considerável número de cavalos de balanço. Pelo que vejo, eles não têm conseguido muito, mas prometeram bastante. Temo que o efeito disso tenha sido mais maléfico que benéfico: eles já levaram pessoas a zombar e as retiraram dos lugares de culto que antes gostavam de freqüentar. Os novos brinquedos foram exibidos, e as pessoas, depois de olhá-los um pouco, foram adiante, à procura de outras lojas de brinquedos. Esses belos e novos nadas não lhes fizeram bem nenhum e nunca farão enquanto o mundo existir.

A Palavra de Deus é suficiente para atrair e abençoar a alma do homem ao longo dos tempos; mas as novidades logo fracassam. Alguém pode bradar: "Certamente, precisamos acrescentar nossos pensamentos a isso". Meu irmão, pense o que quiser, mas os pensamentos de Deus são melhores do que os seus. Você pode ter lindos pensamentos, como as árvores no outono soltam suas folhas, mas há alguém que sabe mais sobre seus pensamentos do que você e os julga de pouco valor. Não é verdade que está escrito: "O Senhor conhece os pensa-mentos do homem, e sabe como são fúteis?" (Sl 94.11). Comparar nossos pensamentos aos grandes pensamentos de Deus, seria totalabsurdo. Você traria sua vela para mostrá-la ao sol? O seu nada para reabastecer o todo eterno? É melhor calar diante do Senhor, do que sonhar em complementar o que ele falou. A Palavra do Senhor está para a concepção dos homens como um pequeno jardim, para o deserto. Mantenha-se no escopo do livro sagrado e estará na terra que mana leite e mel; por que tentar lhe acrescentar as areias do deserto?
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Conselho para vencedores

Jeremias também era homem como nós e, sentindo a pressão dos opositores, exasperou-se, e orou: “Justo és, ó SENHOR, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?” (12.1). Parece haver um consenso na literatura cristã – exceto com relação a alguns escritores pentecostais e carismáticos sempre acusados de terem um entendimento deformado quanto à fé – de que esse tipo de oração de queixa é digno de imitação. Os cristãos são encorajados a desabafar as suas frustrações diante de Deus, ainda que em tom questionador e acusatório. Isso é conselho de perdedores espirituais para perdedores espirituais, que buscam justificar essa atitude apelando aos profetas e aos salmos, mas deixam de mencionar como Deus reagiu a tal conduta.

Por exemplo, Asafe se perturbou com a prosperidade dos ímpios no Salmo 73, mas admitiu que estava errado, que seu pé quase resvalou, e que era néscio e ignorante e como um animal selvagem diante de Deus. Noutras palavras, ele jamais deveria ter falado do modo como falou. Mas se nem mesmo Asafe não teve desculpa, por que você acha que tem uma, já que se beneficia do Salmo 73 e muitos mais? Devemos apelar aos profetas e aos salmos para proibir tal tipo de atitude e de oração. Se você não pode dizer algo reverente a Deus, cale a boca e leia a resposta que ele já deu na Bíblia. Depois, comece a sua oração com arrependimento por causa da sua fé fraca e das suas emoções blasfemas.

Jeremias era um vencedor espiritual. Era esse o seu destino. E Deus não lhe permitiria pensar como perdedor – talvez permitisse a alguém como você. Por isso ele disse ao profeta: “Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?”. Noutras palavras, “Se agora você não aguenta e se agora tropeça, como terá êxito quando as coisas ficarem ainda mais difíceis?”. Esse é um conselho para vencedores espirituais, para alguém destinado à grandeza crescente no serviço de Deus.

Vincent Cheung

Extraído do texto Conselho para vencedores

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Deus e o mal

Logo, aquilo que chamamos de remanescente da natureza no ímpio e em Satanás não está menos sujeito, como criatura e obra de Deus, à onipotência e à ação divina do que todas as outras criaturas e obras de Deus. Assim, visto que Deus a tudo move e atua em tudo, também move necessariamente a Satanás e o ímpio e neles atua…

Aqui vês que quando Deus opera nos maus e por meio dos maus certamente o mal acontece, e contudo Deus não pode agir mal ainda que faça o mal por meio dos maus; pois, sendo ele próprio bom, não pode agir mal, mas faz uso de instrumentos maus que não podem escapar da apropriação e da manobra de sua potência. Portanto, o defeito está nos instrumentos aos quais Deus não permite ser ociosos; por isso, o mal acontece porque o próprio Deus o põe em movimento. É exatamente como se um carpinteiro cortasse mal com um machado cheio de rebarbas e dentado. Daí resulta que o ímpio não pode senão errar e pecar sempre, pois, movido pela apropriação da potência divina, não se lhe consente ser ocioso, mas quer, deseja e age de modo correspondente ao que ele é.

Lutero, Obras Selecionadas, vol. 4, p. 128

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O milagre do pensamento

É surpreendente como o Novo Testamento constantemente refere-se à depravação de uma pessoa mencionando a corrupção da mente. Em Efésios 4, Paulo descreve aqueles que estão fora de Cristo em uma sequencia de orações que dizem respeito às faculdades intelectuais de uma pessoa - “na futilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações”. (Efésios 4:17-18, itálicos meus).

Fora de Cristo, alguma coisa está desordenada na forma como pensamos. Essa grave condição de nossas mentes é contraposta pela transformação que ocorre na salvação de pecadores por Deus. Paulo chama isso de “renovação da mente” e ele ora pelos seus efeitos. (Rom. 12:1-2; Ef. 4:23; Col. 3:10; cf. Ef. 5:10; Fil 1:9-11; Col. 1:9; Slm 6).

As implicações são gloriosas. Eu creio que o que isso significa, no nível mais básico, é que o ato de pensar é uma questão de uma vida transformada pelo Evangelho. Pensar corretamente não tem a ver com talento intelectual. O problema de uma pessoa com a desordem em seu pensamento não é o seu QI, mas sim o seu afastamento do seu Criador.

O ato de pensar e a teologia – pensar a respeito de Deus – é totalmente miraculoso. Para que isso acontecesse Jesus levou nossos pecados em seu corpo na cruz. A menor recepção em nossas mentes da verdade de Deus é miraculosa o suficiente para nos deixar desnorteados e intoxicados pela graça até ficarmos sem palavras. O que você tem que não tenha sido dado? O que você sabe que não tenha sido comprado pelo sangue de Cristo?

Jonathan Parnell

Tradução: Saulo Rodrigo do Amaral

Original: http://readingtowalk.com/2010/07/16/the-miracle-of-thinking/

O que é graça?

Da Cova Para O Trono - A Graça de Deus na vida de JoséO que é graça? Conforme os dicionários, graça é um favor imerecido. No entanto, ao estudarmos o assunto na Palavra, ao experimentarmos em nossas vidas, percebemos que a graça de Deus é algo vivo, dinâmico e que nos conduz e motiva para a plena realização de sua vontade.

Não é algo que nos tira a responsabilidade de andar na lei de Deus, mas nos dá a força necessária para cumpri-la com gozo e satisfação.

A contradição entre graça e lei não existe. Não é uma coisa ou outra. A graça nos fortalece e capacita para cumprirmos a lei de Deus. O que é impossível ao homem sem a graça do Senhor, é possível na manifestação do amor de Deus derramado por sua graça.

A graça de Deus nos abre os olhos para uma vida mais santa e nos capacita a vive-la.

Quando o Senhor Jesus nos deu mandamentos Ele sabia de antemão que não poderíamos cumpri-los por nossa própria força; então Ele enviou o Espírito da Graça para que pudéssemos andar exatamente como Ele queria.

Jamê Nobre
Da Cova Para O Trono: A graça de Deus na vida de José, pág. 16.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sobre Freud

Enquanto o homem enxergar a culpa como um problema da ciência e não da religião, a influência de Sigmund Freud permanecerá impregnada na mente do homem moderno. Freud foi um arquiteto da mente moderna – um construtor profano – como Marx e Darwin. Ele foi também um inimigo da religião – especificamente da Bíblia e dos seus padrões absolutos. Ele cria que o teísmo bíblico era a “ilusão” que compunha o problema de culpa central do homem. Freud queria que o homem aceitasse seu predicamento moral sem referência ao pecado.

A motivação de Freud para a psicanálise foi a remoção da culpa em prol da autoaceitação. Ele postulou que o predicamento moral do homem era inescapável e a culpa inevitável, a menos que o homem pudesse chegar a um acordo com a sua prisão moral. Essa ideologia gerou a nova moralidade dos nossos tempos, em que tanto o homossexual como o cristão devem aceitar e abraçar um estilo de vida imoral. O fato de o homossexual condenar a si mesmo é chamado agora de doença mental, e o de alguém condenar o homossexual, de prova de doença mental.

Essa é uma ética destrutiva, consistente com o fato de Freud ver a si mesmo como um destruidor. Seu propósito era dissociar a culpa do pecado, tornando-a um problema da ciência e não da fé. Por meio dessa revisão Freud esperava destruir a religião.

Mas a remoção da influência religiosa cristã leva apenas à tirania, à medida que o Deus cristão é substituído pelo governo ditatorial da elite científica. O Totalitarismo assume o lugar do Deus Trino à proporção que os governantes científicos buscam controlar cada faceta da vida. A terapia de Freud era socialismo científico: um sincretismo das agendas científicas e políticas do homem moderno.

Essa análise de um dos personagens mais insidiosos da história fornecerá discernimento para o ataque moderno que busca abolir o cristianismo e o pensamento bíblico.

Rushdoony, em Freud

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Seja maldito!

(sermonete)


Se alguém não ama o Senhor, seja maldito! Vocês me ouviram. Se alguém não ama o Senhor independentemente da razão, por não ser cristão, ou por ser alguém que se diz cristão, mas não ama o Senhor — não sendo de fato cristão — seja maldito! Esta é minha teologia. Esta é minha declaração de fé. E esta é minha mensagem para vocês hoje.

Neste exato momento, vocês podem não estar se agradando muito de mim. Imaginem quantos líderes cristãos, pregadores, teólogos, igrejas, seminários, denominações, pais, mestres, políticos e pessoas de todas as esferas da vida denunciariam a mim por esta declaração e atitude completamente anticristãs? Quantas pessoas pegariam a Bíblia para citar passagens contra mim? Quanta gente reclamaria que minha fé é completamente contrária à religião de Jesus Cristo e seus apóstolos?

E isto me diria quantas pessoas se encontram longe de Deus e do contato com a fé cristã, pois estou apenas repetindo o que Paulo diz em 1 Coríntios 16.22. Na verdade, o versículo 21 indica que ele pegou a pena do amanuense para poder escrever esta declaração de próprio punho: “Cumprimento da minha mão, de Paulo. Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja maldito”. Eu, Vincent Cheung, também ponho meu nome nessa declaração. Ela conta com meu endosso pleno. Meu desafio a vocês é se vocês pegarão a pena e assinarão seu nome nela. Ou a fé cristãs não é “cristãs” o suficiente para vocês?

Mesmo sendo a fé cristã a revelação do amor de Deus aos pecadores, sua preocupação principal é sempre a honra de Deus e não o bem-estar e consolo dos homens. Tão logo se reverta essa situação, o cristianismo deixa de existir. Minha declaração inicial é um teste da religião autêntica, um teste de ortodoxia e reverência. E todos os que a rejeitarem ou me criticarem por pronunciá-la são os que falharão no teste.

Se vocês ficaram ofendidos ou envergonhados com essa declaração, se chegaram apensar que não sou cristão por causa dela, e que ela se opõe de forma total ao espírito de Cristo, então há algo muito, mas muito errado com vocês. Vocês estão fora de contato com o que é a fé cristã de verdade, e o que ela ensina de fato. Estão vocês desalinhados como o espírito de Cristo e a religião do Novo Testamento.

No período em que a maior parte da igreja se ocupa com os assuntos dos homens e não com os assuntos de Deus, esta é a única forma de traçar a linha da fé e esclarecê-la. Sim, Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê seja salvo. Sim, quem ama o Filho ama também o Pai, e eles farão nessa pessoa sua morada. Contudo, caso sejamos cristãos também diremos: se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja maldito!

Vincent Cheung

Traduzido por Rogério Portella

Artigo original em: http://www.vincentcheung.com/2010/06/26/let-him-be-anathema/

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Jesus nunca escreveu um livro", dizem...

Caso eu assinalasse que a longevidade das ideias escritas tende a ser maior do que aquelas meramente faladas, alguns invariavelmente objetariam que Jesus nunca escreveu um livro. Essa ideia é repetida com frequência, normalmente no contexto de tentar demonstrar quão influente é Jesus, a despeito de nada ter escrito. Mas é estarrecedor como tal argumento pode ser feito por gente que leu os quatro evangelhos e as cartas de Paulo, onde a vida, as palavras e as ideias de Cristo foram registradas na forma escrita. É irrelevante se Cristo mesmo escreveu algo — a questão é: Qual seria o status do cristianismo hoje, se o Novo Testamento nunca tivesse sido escrito?

Vincent Cheung, em O Ministério da Palavra

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um pouco sobre a vida de Vincent Cheung


O texto que segue é um email enviado pelo Felipe Sabino ao Vincent Cheung - encaminhando algumas indagações de uma pessoa a respeito da vida do autor - com sua respectiva resposta. O email é de abril de 2009.


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Indagações de um leitor de Vincent Cheung: Encontrei um material que dá mais pistas sobre a vida do misterioso (mas, é claro, muito estimado) Vincent Cheung.

Lendo o livro Doutrina e Obediência, deparei-me com um capítulo intitulado “De graça recebeste, de graça dai”, onde Cheung explica:

Mas outra razão pela qual tenho sido bem-sucedido em meus estudos é porque, na sua providência, Deus tem providenciado para mim os meios e as oportunidades para adquirir uma abundância de recursos intelectuais. Isso é pertinente para a nossa presente discussão.

Minha biblioteca particular inclui algumas centenas de teologias sistemáticas, as coleções completas ou quase completas de Calvino, Owen, Edwards, Clark, Schaeffer, Warfield, Spurgeon e muitos outros teólogos e pregadores; inclui quase todos os comentários bíblicos proeminentes, clássicos e contemporâneos; as obras completas de Platão, Aristóteles e outras obras importantes de filosofia; as obras dos pais da igreja primitiva, várias coleções de enciclopédias, vários livros obscuros e muitos outros escritos.

Tudo isso somado dá por volta de 15.000 (quinze mil) volumes. Isso não inclui o material que tenho em formato eletrônico, revistas de teologia, e palestras e sermões em áudio. Provavelmente, algumas pessoas têm mais do que eu tenho, mas duvido que a maioria das bibliotecas particulares tenha um décimo do que isso.
Ok, esse cara tem apenas 32 anos de idade – um ano mais velho que eu! O que suscita a pergunta: onde ele consegue dinheiro para ter tantos livros? E esses tipos de livro são bem caros! Ter a obra completa de Calvino (todos os livros em capa dura) custa milhares de dólares. Coleções de enciclopédias (não em CD ROMS) também custam milhares de dólares cada coleção.

Se ele tem apenas 32 anos, quando ele teria tido a oportunidade de trabalhar em um emprego para ter renda passiva [1] que o sustente e permita que ele compre esse livros? Sua renda deve ser passiva, porque o seu ministério é de tempo integral, então ele não trabalha em um emprego normal (Acho que ele já mencionou isso anteriormente). Ele não recebe nada do seu ministério, porque é tudo de graça. E eu não acho que ele poderia ter tido um emprego nos seus vinte anos porque ele estava lendo demais e já escrevia coisas para o seu ministério. Uma profissão geralmente toma muito tempo de uma pessoa.

Então, a única conclusão a que consigo chegar é que seus pais devem ser ricos e podem ter dado a ele dinheiro ou ele pode ter herdado isso. Caso contrário, não vejo como ele pode fazer tudo isso.

Resposta de Vincent Cheung:

Isso é engraçado. Mas eu não me importo em responder.

Desde aquele tempo minha biblioteca cresceu para mais de 30.000 (trinta mil) volumes. Agora eu aluguei uma sala perto de casa apenas para guardar os livros. Mas a sala não é nem de perto grande o suficiente para guardá-los em prateleiras como em uma biblioteca, então eles precisam ficar em caixas. Algumas vezes leva quase uma semana para encontrar um livro que eu quero.

Sim, meus pais são ricos se comparados a muita gente. Eles possuem vários apartamentos e dirigem Mercedes, Porsche, etc. Meu irmão mais velho trabalha para um banco e tem um enorme salário. Eu poderia ter seguido um caminho similar, e é mais do que provável que estaria recebendo um salário de seis dígitos hoje. Mas deixei esse caminho quando Deus me converteu e me chamou para o ministério, sendo que as duas coisas me vieram no mesmo dia. Contudo, nunca considerei aquele caminho muito atrativo. De fato, eu estava perdido quanto ao que faria da minha vida, apesar de que o que se esperava de mim era muito claro. Agora percebo que Deus tinha algo a mais para mim desde o começo. Assim, comecei o ministério no colégio, no ensino médio, e nunca trabalhei por um salário em toda a minha vida, apesar de já ter trabalhado sem ser pago em cozinhas, em distribuições de correspondências, etc. Não me importo em trabalhar, de forma alguma.

No entanto, o dinheiro para os meus livros e ministério não vem de meus pais. Durante os anos em que eu estava no colégio e na universidade, eu distribuía de graça centenas de fitas com sermões a cada ano (hoje as pessoas não usam fitas). Eu pagava por tempo na rádio, tanto em estação de ondas curtas como em uma estação forte em Boston. Quando comecei com a impressão de livros, eu os distribuía de graça também. É verdade que minha renda não vem da venda de produtos, mas eu tenho uma renda – ela vem de doações voluntárias de pessoas que apreciam o meu trabalho. Algumas vezes, essa doação pode ser substanciosa. No colégio, uma senhora sozinha me dava $2000 USD todo mês. Eu não pedi por isso, e não peço dinheiro. Eu já rejeitei dinheiro antes, e tenho enviado o dinheiro de volta quando eu acho que, por alguma razão, não devo aceitar o dinheiro da pessoa naquele momento. Algumas vezes, quando algumas pessoas quiseram me mandar uma grande quantia de dinheiro, eu pedi a elas para que reconsiderassem e pensassem a respeito do que estavam fazendo, e aceitei apenas quando fiquei satisfeito que elas tivessem feito isso. Parafraseando Abraão, que nenhum homem diga que enriqueceu a Vincent Cheung.

No entanto, passei por perigo várias vezes. Minha conta bancária chegou abaixo de $2000 USD por diversas vezes, e algumas vezes abaixo de $1000. Para algumas pessoas isso talvez não seja ruim. Mas lembre-se que eu não recebo salário e por isso não há nenhuma renda a se esperar – nunca esperei por uma renda em minha vida. Não há nenhuma promessa de renda para mim agora, nesta semana ou no próximo mês. Até agora, ainda não há nenhuma organização para a qual eu trabalho como um empregado e que me pagará um salário, visto que eu detenho e sustento tudo o que eu opero. Se o dinheiro se esgota, minhas contas ainda permanecem lá. Com todas as despesas, e lembrem-se que eu vivo em Boston, um lugar bem caro para se viver, o dinheiro pode acabar de 2 a 6 semanas. Mas, cada vez, Deus move o coração de alguém para me enviar uma oferta, e nunca me faltou nada. Por um lado, nunca fui de desperdiçar. Por outro, nunca precisei baixar meu padrão de vida quando o dinheiro era pouco. Como minha esposa pode testificar, conhecendo-me por tantos anos, eu nunca nem mesmo vacilei quando o dinheiro era quase zero. Continuei agindo e gastando normalmente. Apesar de eu não ser contra adaptações quando necessárias, isso nunca foi preciso. Ele é aquele que me chamou para dedicar minha vida inteira ao ministério. Então, como Abraão disse: “O Senhor proverá”. Se ele permitir que eu passe fome até morrer, isso significará apenas que meu trabalho estará terminado e eu posso ir para casa para estar com o Senhor.

Sinta-se livre para enviar esse email para o irmão curioso. Espero que isso o encoraje – o mesmo Deus que mandou maná para o seu povo, o mesmo Deus que alimentou o profeta Elias, é o mesmo Deus que suprirá todas as nossas necessidades de acordo com suas riquezas em glória por meio de Cristo Jesus. E porque Deus é a nossa fonte, nós podemos perdoar, ser generosos, e ser corajosos na obra do Senhor.


Vincent Cheung

Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral


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[1] N do. T:. Por exemplo: imóveis que pudessem render algum dinheiro.




quarta-feira, 7 de julho de 2010

O homem pode ser salvo se ele quiser

"O homem pode ser salvo se ele quiser", diz o arminiano. Nós lhe respondemos, "Meu caro senhor, nós todos cremos nisso; mas essa é que é a dificuldade - se ele quiser."

A.W. Pink

terça-feira, 6 de julho de 2010

De Mim Procede o Teu Fruto

Texto base: Oséias 14.8


Nosso fruto procede de nossa união com Deus. O fruto do galho tem sua origem diretamente vinculada à raiz. Quando cortamos a ligação do galho, este morre e não produz nenhum fruto. Pela virtude de nossa união com Cristo, produzimos fruto. Todo cacho de uvas esteve primeiramente na raiz. Passou pelo tronco, seguiu pelos vasos de seiva, moldando-se exteriormente em um fruto. De modo semelhante, toda boa obra do crente estava primeiramente em Cristo e, posteriormente, foi produzida em nós.


Crente, valorize esta preciosa união com Cristo, visto que ela tem de ser a fonte de toda fertilidade que você espera conhecer. Nosso fruto vem das providências espirituais de Deus. Quando as gotas de orvalho caem do céu; quando lá de cima as nuvens olham para baixo e estão quase destilando seu tesouro líquido, quando o sol brilhante faz crescer os frutos do cacho, cada bênção celeste pode sussurrar para a árvore: “De mim procede o teu fruto”... Oh! quanto devemos à providência e à graça de Deus! Constantemente, Ele nos dá ânimo, ensino, consolação,fortalecimento e tudo o que necessitamos. Disso resulta toda a nossa utilidade e eficácia.


Por C. H. Spurgeon


Extraído do livro Leituras Diárias, Vol. 2, Editora Fiel

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Não existe sinergismo real

O que segue é uma pergunta que fiz a Vincent Cheung e sua respectiva resposta. A tradução ficou por conta do irmão Rogério Portella.

Pergunta: Em sua Teologia Sistemática você afirma que a santificação é sinergística, pois nós cooperamos com Deus, ainda que ele seja a causa de nossos atos, a causa de nossas boas obras. Nesse sentido, porém, não podemos dizer que a conversão também é sinergística? Não estou falando a respeito da regeneração ou da justificação, mas a respeito do ato de crer. Pois, ainda que Deus seja o autor e a causa da nossa fé, nós a exercitamos, como na santificação. Não seria melhor dizer que mesmo nossa santificação é monergística?

Resposta: Usemos o xadrez como analogia. Todas as têm suas limitações, mas conquanto nos concentremos na ilustração provida pela analogia, ela poderá ser útil.

Existem dois “níveis” de realidade no jogo de xadrez: 1) As ações dos jogadores, e 2) As relações entre as peças de xadrez. Se falarmos a respeito do nível 2, então “cavalo captura peão” faz sentido. Todavia, quando o dizemos, com certeza não afirmamos que o cavalo move a si mesmo e remove o peão do tabuleiro. Presumimos que o cavalo não possui o poder inerente de mover-se, e que o jogador causou o movimento. Contudo, enquanto falamos sobre o que ocorre no nível 2, não é preciso mencionar o jogador, ainda que ele seja necessário para compor o quadro todo. No entanto, assim que o tópico é alterado para o nível 1, a fim de debater a causa, então “cavalo captura peão” não faz nenhum sentido como descrição da causa, por não ser uma descrição da causa. Deve-se falar a respeito do jogador.

Agora para aplicar essa analogia ao nosso tópico, acresçamos umas poucas coisas ao jogo de xadrez: A) Suponha que as peças de xadrez sejam de fato sensíveis — seres inteligentes com percepção, processos reflexivos e sentimentos. B) Suponha que qualquer coisa que ocorra no tabuleiro, qualquer ação associada às peças de xadrez, deva ser causada por completo pelo jogador. Isso inclui os pensamentos e os sentimentos das peças de xadrez. C) Suponha que algumas ações realizadas pelo jogador nas peças de xadrez envolvam a percepção das peças de xadrez, e outras ações não.

Admitindo-se B, é concebível que não nos interessemos pela distinção dos dois tipos de ações em C. Supondo, porém, que nos interessemos em fazer a distinção, então poderemos chamar o primeiro tipo C1, e o segundo tipo C2.

Estamos prontos agora para aplicar a distinção ao tópico da soberania e salvação pertencentes a Deus.

Se o tópico for metafísica, ou causação, então termos como “sinergismo” e “causa secundária” não fazem sentido. São desprovidos de significado e inúteis. Quando o tópico principal é a soberania divina, fala-se de fato sobre metafísica, sobre causação. Isso significa que eu me oponho à doutrina tradicional sobre a questão. É absurdo dizer que a soberania divina não suprime “a liberdade ou contingência das causas secundárias”, ou o contrário: que a estabelece. É evidente que a liberdade e a contingência são suprimidas. Elas, e a própria ideia das causas secundárias, são completamente destruídas e perdem seu significado.

Se o tópico disser respeito às relações entre os objetos criados, então o termo “causa secundária” ainda não fará sentido, pois se a discussão estiver limitada a esse nível, a “causa” de fato não será “secundária,” e o que é “secundário” não constituirá a “causa”. Poucas vezes (ou de forma mais exata, raramente) uso o termo para acomodá-lo à tradição (para que as pessoas saibam do que estou tratando, ainda que o termo por si só seja sem sentido... Assim fico pensando se alguém sabe do que estamos falando…) — à qual não tento eliminar por completo, ainda que fosse difícil alguém me acusar se eu tentasse fazê-lo. Seja como for, normalmente estabeleço as qualificações para evitar a confusão excessiva.

Meu uso do termo “sinergismo” também serve para a acomodação à tradição. Deve existir alguma forma de distinguir C1 de C2. Todas as coisas são causadas por Deus; no entanto, a eleição e a justificação, por exemplo, não estão associadas a qualquer percepção ou sensação no homem, ao passo que a santificação — como a resistência à tentação, ou mesmo mover os lábios para orar — envolvem certo esforço consciente, alguma percepção e sensação do ser humano. (Note que também uso na Teologia sistemática a consciência do esforço como motivo para distinguir a santificação.) Em C2, até o esforço e a percepção são causados de forma direta por Deus, de tal forma que em sentido metafísico, o homem de fato não contribui nem coopera — as criaturas jamais contribuem ou cooperam em sentido metafísico, apenas em sentido relacional.

Assim se assegura alguma forma de distinção entre justificação e santificação. Não obstante, sua pergunta suscita a questão se o sinergismo é o melhor termo para descrever essa distinção, pois a ideia de “energia” está envolvida, e o homem de fato não contribui com qualquer energia inerente para cooperar com Deus. Mesmo a “energia” depositada no homem deve ser posta em movimento por Deus para exercer sua função. Na santificação, Deus faz o homem cooperar com os preceitos divinos enquanto gera a percepção do esforço nele.

Com relação à necessidade da distinção entre conversão e santificação, percebo seu ponto, mas a distinção deve ser feita. Isso acontece porque na santificação (p.ex. quando alguém resiste à tentação), a pessoa já conta com a fé, entretanto, quando a pessoa é convertida, ela recebe a fé — não há nenhum esforço espiritualmente benéfico no ato de recebê-la. Pode-se afirmar, nos termos da causação, que não há diferença — todas as coisas são causadas de forma direta e única por Deus. No entanto, existe uma diferença nos termos da relação entre os seres criados. Na santificação, Deus já instilou a disposição benevolente no homem, e lhe faz ter consciência dos próprios esforços.

O ponto de partida é a inexistência de sinergismo real em qualquer ação empreendida pelas criaturas; no entanto, caso precisemos de uma palavra para assinalar a distinção entre os dois tipos de acontecimentos causados por Deus — um sem a percepção humana, o outro com a percepção humana — então “sinergismo” é uma opção, ainda que seja indiscutivelmente imperfeita e enganosa.

Vincent Cheung

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A imutabilidade de Deus não é abalada pelo fato de Suas promessas e ameaças não serem sempre cumpridas

A imutabilidade de Deus não é abalada pelo fato de Suas promessas e ameaças não serem sempre cumpridas. Pois, deve-se notar que todas as promessas são absolutas ou condicionais. Das promessas absolutas ou incondicionais não encontramos ocasião quando não foram cumpridas. Em todos os casos onde Deus não fez o que prometera, uma condição é expressa ou implicada. Veja Jeremias 18:8; 9-10. Deus prometeu habitar em Sião, em Jerusalém, no templo, e lá estaria eternamente. (Salmo 132:13, 19), e o povo de Israel habitaria na terra prometida e comeria dela; entretanto foi dito também que eles deveriam obedecer a Deus, continuar em Seu serviço e adoração guardando Suas leis e ordenanças. Isaías 1:19. Mas Israel falhou da sua parte. Deus se afastou deles e deixou que fossem levados cativos. Houve mudança na dispensação, mas não em Sua vontade. Ele ameaçou os ninivitas de destruí-los em quarenta dias, se não se arrependessem. Eles se arrependeram e foram salvos da destruição. Deus Se arrependeu de Sua ameaça; mudou Sua conduta aparente para com eles, mas não Sua vontade; pois o arrependimento e o escape estavam de acordo com Sua imutável vontade. Jonas 3:4,10. No caso de Ezequias, a declaração exterior ordenada a ele, era que morreria, o que teria acontecido logo devido a doença, mas o segredo de Deus era que ele deveria viver mais quinze anos, como de fato sucedeu. Tal acontecimento não indica contradição ou mudança. A declaração exterior foi feita para humilhar a Ezequias e fazê-lo orar, fazendo assim com que a imutável vontade de Deus fosse efetuada.

Dr. John Gill

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