sexta-feira, novembro 27, 2009

Um simples gesto

Quando me passaram essa suposta história verdadeira (não garanto que ela realmente tenha ocorrido, mas coisas semelhantes certamente acontecem), ela me fez lembrar de duas coisas. Uma é o impacto que temos sobre as pessoas ao praticarmos boas obras. A outra, o senso de satisfação quando finalmente ouvimos a história.

Certo dia, Mark estava andando da escola para a sua casa quando percebeu que o rapaz à sua frente havia tropeçado e deixado cair todos os livros que estava carregando, junto com duas blusas, um bastão de beisebol, uma luva e um pequeno gravador. Mark ajoelhou-se e ajudou o rapaz a pegar os objetos espalhados. Visto que eles estavam indo pelo mesmo caminho, ele o ajudou a carregar parte das coisas. À medida que caminhavam, Mark descobriu que o nome do rapaz era Bill, que ele amava video games, beisebol e história, que ele estava tendo muitos problemas com as outras matérias e que ele havia recém terminado com sua namorada.

Eles chegaram à casa de Bill e Mark foi convidado para tomar um refrigerante e assistir a um pouco de televisão. A tarde passou de forma agradável, com umas risadas e alguma conversa, então Mark foi para casa. Eles continuaram a se ver perto da escola, almoçavam juntos uma vez ou outra, e então ambos se formaram no ensino fundamental. Eles terminaram por estudar no mesmo colégio de ensino secundário, onde eles tinham breves contatos ao longo dos anos. Finalmente, o tão esperado ano da formatura chegou e, três semanas antes da colação de grau, Bill perguntou a Mark se eles poderiam conversar.

Bill o lembrou daquele dia, anos atrás, quando eles se encontraram pela primeira vez. “Você alguma vez se perguntou por que eu estava carregando tantas coisas naquele dia?”, perguntou Bill. “Você vê, eu esvaziei meu armário porque não queria deixar uma bagunça para ninguém. Eu havia juntado algumas das pílulas soporíferas da minha mãe e estava prestes a cometer suicídio. Mas após passarmos um tempo juntos, conversando e rindo, percebi que se eu me matasse, teria perdido aquele tempo e tantos outros que poderiam vir. Então, você vê, Mark, naquele dia, quando você pegou aqueles livros, você fez muito mais, você salvou a minha vida.”

Você consegue imaginar como Mark se sentiu quando ouviu aquilo? Sinto-me assim quando algumas pessoas me mandam a foto de um bebê ou me dão um bebê para segurar e dizem: “Achei que você gostaria de saber que essa criança está viva por causa do que você nos disse a respeito do aborto; tínhamos marcado para fazer o aborto, mas cancelamos”.

Mas a outra coisa que me impressiona é que Mark não sabia e, se Bill não tivesse contado a ele, ele continuaria não sabendo. Existem muitas coisas como essa das quais não saberemos até a eternidade. Ouviremos essas histórias.

Sinto-me assim toda vez que escrevo um livro. Chego aos estágios finais do livro, um período desgastante em que estou muito cansado, e me pergunto: “Vale à pena?”. Após o livro ser publicado, começo a receber cartas das pessoas dizendo como a vida delas tem mudado, como elas chegaram à fé em Cristo ou se achegaram mais perto de Deus. Um homem encontrou comigo em outra cidade e disse-me: “Minha esposa estava tão deprimida que ela havia decidido se matar; ela leu um de seus livros e Deus falou com ela; ela ainda está aqui e está muito melhor”.

A história de Mark e Bill também me faz lembrar do quão importante é que contemos à outra pessoa quando Deus a tiver usado em nossas vidas. Isso por si só é uma recompensa de curto prazo, mas também nos encoraja a prosseguir e esperar pelas recompensas de longo prazo. Sou grato à cada carta amável que tenho recebido. Como a maioria das pessoas, mantenho muitas delas em um arquivo. Espero que não seja pelo fato de eu amar o louvor dos homens mais do que o louvor de Deus. Espero que seja pelo fato de que, ao ouvir a manifestação das pessoas, posso sentir a afirmação e o encorajamento de Deus para continuar trabalhando e investindo tempo e empenho, porque está sendo importante e está fazendo a diferença para a eternidade.

Alguém já mudou a sua vida por meio de algo que tenha feito a você? Você disse a ele o quanto isso significou para você?

Randy Alcorn

Traduzido por Saulo R. do Amaral

Artigo em inglês retirado do
blog Eternal Perspectives

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