sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Pureza da Eleição

A eleição não propicia ocasião à licenciosidade, ou à blasfêmia dos homens perversos que afirmam: “vivamos da maneira que nos agrade, porque, se já fomos eleitos, é impossível que venhamos a perecer”.O apóstolo lhes afirma claramente que é uma atitude ímpia dissociar a santidade de vida da graça da eleição; porquanto, “a quem ele predestinou, a esses também chamou; e a quem ele chamou, a esses também justificou” [Rom 8.30]. É igualmente sem fundamento a inferência que os cataristas, os celestinos e os donatistas extraíram destas palavras, ou seja: que podemos atingir a perfeição nesta vida. Este é o alvo em direção ao qual devemos manter todo o curso de nossa vida; nunca, porém, o atingiremos até que nossa corrida haja terminado. Onde estão os homens que se espantam e evitam a doutrina da predestinação como sendo um confuso labirinto, que a reputam com sendo inútil e mesmo quase nociva? Nenhuma doutrina é mais útil e proveitosa quando utilizada de forma adequada e sóbria, conforme Paulo exemplifica aqui, ao apresentá-la como uma ilustração da infinita munificência de Deus, e utilizá-la para nos estimular à gratidão a Deus. Essa é a legítima fonte da qual devemos extrair nosso conhecimento da misericórdia divina. Se os homens buscassem qualquer outro argumento, a eleição lhes fecharia a boca, de modo que não mais se atrevessem nem pudessem reivindicar qualquer mérito para si mesmos. Lembremo-nos, porém, do propósito para o qual Paulo arrazoa sobre a predestinação, para que, ao arrazoarmos com algum outro objetivo, não caiamos em erros danosos.

João Calvino - Comentários Bíblicos sobre Efésios, pg 19

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