quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Os Salmos e a Oração

Durante quase dois mil anos, os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os fiéis a orar, em resposta ao Deus que se revela. Como Eugene Peterson escreve, “não existe outro lugar em que se possa enxergar de forma tão detalhada e profunda a dimensão humana da história bíblica como nos Salmos. A pessoa em oração reagia à totalidade da presença de Deus, partindo da condição humana, concreta e detalhada”. Só que, por volta da primeira metade do século dezenove, com o aparecimento dos métodos críticos de estudos bíblicos, os salmos perderam sua centralidade na devoção cristã. Deixaram de ser a escola de oração que dava forma à oração dos fiéis, em sua resposta ao Deus que se revela. Passaram a ser vistos como a piedade deteriorada de uma religião desgastada [Este processo é resumido por Eugene Peterson, Um pastor segundo o coração de Deus (Rio de Janeiro: Textus, 2001), p. 21-40].

1. Os Salmos e a oração

A escola que Israel e a Igreja recorreram para aprender a orar foram os Salmos. Na igreja primitiva e durante a reforma protestante, quando um pastor queria ensinar sua congregação sobre a oração, pregaria nos Salmos. Agostinho, o bispo de Hipona, na África do Norte, que pregou todo o livro dos Salmos para sua congregação, chamou-os de “escola”. Ambrósio, o bispo de Milão chamou-os de “um tipo de ginásio para ser usado por todas as almas, um estádio da virtude, onde diferentes exercícios são praticados, dentre os quais se podem escolher os mais adequados treinamentos para se alcançar a coroa”. E antes deles, Atanásio, o bispo de Alexandria, enfatizou que ainda que cada Salmo seja “falado e composto pelo Espírito”, eles “falam por nós”, sendo o “espelho” de nossa alma. Desde o princípio, a Palavra de Deus sempre vem em primeiro lugar. Nós somos chamados a responder a Palavra, com todo nosso ser. Em outras palavras, a oração é nossa resposta à revelação de Deus nas Escrituras. Sendo assim, os Salmos são a escola onde os cristãos aprendem a orar.

Se insistirmos em aprender a orar sozinhos, sem depender dos Salmos, nossas orações serão pobres, uma repetição de frases prontas: agradecemos as refeições, arrependemo-nos de alguns pecados, suplicamos bênçãos para reuniões sociais e até pedimos orientação. Por outro lado, toda nossa vida deve estar envolvida na oração. Peterson exemplifica esse fato com o livro do profeta Jonas, que gira inteiramente em torno das relações entre Deus e o profeta. Essas relações se originaram por meio do chamado profético, do qual Jonas procurou fugir. Mas ele não é entregue a si mesmo. Na primeira parte da historia, Deus deixa que o profeta chegue ao extremo de quase perder a própria vida, somente para em seguida restaurá-lo à posição onde se encontrava antes dele tentar evitar o chamado do Senhor.

No centro da história está a oração que Jonas proferiu após ser engolido por um grande peixe. Sua primeira reação ao se encontrar no ventre do peixe foi fazer uma oração (cf. Jonas 2.2-9), o que não é surpreendente, pois geralmente oramos quando estamos em situações desesperadas. Mas existe algo surpreendente na oração de Jonas. Como Peterson destaca, sua oração não é original ou espontânea: “Jonas aprendeu a orar na escola, e orava como aprendera. Sua escola eram os Salmos”. Como o mesmo autor demonstra, frase após frase a oração de Jonas está repleta de citações dos Salmos:

• “Minha angústia” de 18.6 e 120.1
• “Profundo” de 18.4-5
• “As tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim” de 42.7
• “De diante dos teus olhos” de 139.7
• “Teu santo templo” de 5.7
• “As águas me cercaram até à alma” de 69.2
• “Da sepultura da minha vida” de 30.3
• “Dentro de mim, desfalecia a minha alma” de 142.3
• “No teu santo templo” de 18.6
• “Ao Senhor pertence a salvação” de 3.8

Cada palavra é derivada do livro dos Salmos. Geralmente achamos que a oração é genuína quando é espontânea, mas a oração de Jonas, numa condição extremamente difícil, é uma oração aprendida, sem originalidade alguma.

Para continuar a ler este excelente artigo de Franklin Ferreira, clique aqui.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

George Müller e as Doutrinas da Graça

"Antes desse tempo (quando cheguei a respeitar a Bíblia somente como minha regra de fé) eu me opunha fortemente às doutrinas da eleição, redenção particular (também chamada de expiação limitada) e graça para perseverança até o fim. Agora, porém, fui levado a examinar essas verdades preciosas pela Palavra de Deus. Tendo sido levado a não procurar nenhuma glória própria na conversão de pecadores, mas tão somente a me considerar como um mero instrumento, e havendo sido disposto a aceitar o que as Escrituras dizem, eu me aproximei da Palavra, lendo o Novo testamento desde seu início, com referência em particular a essas verdades.

Para minha enorme surpresa, descobri que as passagens que falam diretamente sobre eleição e graça perseverante eram cerca de quatro vezes mais abundantes do que as que aparentemente falam contra essas verdades. E após breve tempo, até mesmo essas poucas passagens, uma vez que as havia examinado e compreendido, serviram para me confirmar as doutrinas referidas.


Quanto ao feito que minha crença nessas doutrinas teve em minha vida, sou constrangido a afirmar, para a glória de Deus, que embora seja ainda muito fraco, e de forma alguma tão morto para a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida quando deveria ser, ainda assim, pela graça de Deus, tenho andado ainda mais perto dEle desde esse período. Minha vida não tem sido tão inconstante e posso dizer que tenho vivido muito mais para Deus do que antes.
"

Cerca de quarenta anos após, em 1870, Müller falou a alguns novos crentes sobre a importância do que lhe ocorrera em Teignmouth. Disse ele que sua pregação havia sido infrutífera por quatro anos na Alemanha, de 1825 a 1829, mas então ele veio à Inglaterra e foi instruído nas Doutrinas da Graça.

"Pelo tempo de minha chegada a este país, agradou a Deus mostrar-me as Doutrinas da Graça, de um modo que eu não as percebi antes. A princípio, eu odiei: "se isso é verdade, não posso fazer nada para a conversão dos pecadores, visto que tudo depende de Deus e da obra do seu Espírito". Mas, quando aprouve a Deus revelar-me estas verdades, meu coração foi trazido a um estado em que eu podia dizer: não estou apenas contente e ser um martelo, um machado ou um serrote, nãso mãos de Deus; mas também considerarei a maior honra ser usado por Ele de qualquer maneira. E, se pecadores forem salvos por minha instrumentalidade, eu Lhe darei toda a glória, do mais profundo de minha alma. E o Senhor me outorgou a bênção de ver frutos, frutos em abundância: muitos pecadores convertidos. E Deus sempre me tem usado, de uma maneira ou outra, em sua obra. "

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Cristo na Lei

A salvação para a qual a Bíblia nos instrui é acessível “através da fé em Cristo Jesus”. Portanto, visto que a Escritura diz respeito à salvação, e a salvação é por intermédio de Cristo, a Escritura está plena de Cristo.

O próprio Jesus compreendia a natureza e a função da Bíblia desta maneira. “As Escrituras”, ele disse, “testificam de mim” (Jo 5:39). Em outra ocasião, caminhando com dois de seus discípulos depois da ressurreição, de Jerusalém a Emaús, ele os repreendeu pela incredulidade e falta de sabedoria, em vista do desconhecimento da Escritura. Lucas nos conta a história:

E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras (Lucas 24:27).

Pouco tempo depois, o Senhor ressuscitado disse a um grupo maior de seguidores:

São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco:importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos (Lucas 24:44).

A afirmação de Cristo era, então, não apenas que a Escritura dava testemunho dele numa forma genérica, mas que em cada uma das três divisões do Antigo Testamento – a Lei, os Profetas e os Salmos (ou “Escrituras”) – havia coisas a respeito dele, e que todas deviam cumprir-se.

A relação fundamental entre o Antigo e o Novo Testamento, de acordo com Cristo, é entre promessa e cumprimento. A primeira palavra pronunciada por Jesus em seu ministério público (no texto grego do Evangelho de Marcos) indica isso. A palavra é “cumprido”:

O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho (Marcos 1:15).

Jesus Cristo estava profundamente convencido de que os longos séculos de espera haviam terminado, e que ele mesmo havia introduzido os dias do cumprimento. Assim podia dizer aos apóstolos:

Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram (Mateus 13:16,17).

À luz dessa alegação devemos em primeiro lugar observar as três divisões do Antigo Testamento, do Novo Testamento e tentar descobrir de que forma nosso Salvador Jesus Cristo é ele mesmo (em termos de promessa e cumprimento) o tema unificador da Escritura.

“Lei” era usado para referir-se ao Pentateuco, os primeiros cinco livros do Antigo Testamento. Podemos achar realmente Cristo neles? Sim, podemos.

Para começar, eles contêm algumas das promessas fundamentais da salvação por intermédio de Jesus Cristo que dão suporte a todo o restante da Bíblia. Deus prometeu, em primeiro lugar, que a semente de Eva feriria a cabeça da serpente; depois, que por meio da posteridade de Abraão abençoaria todas as famílias da terra; e, mais tarde, que “o cetro não se arredará de Judá (...) até que venha (...);e a ele obedecerão os povos” (Gn 3:15; 12:3; 49:10). Assim, foi revelado já no primeiro livro da Bíblia – que o Messias seria humano (descendente de Eva) e judeu (descendente de Abraão e da tribo de Judá) e que esmagaria Satanás, abençoaria o mundo e governaria como rei para sempre.

Outra importante profecia a respeito de Cristo na Lei apresenta-o como o Profeta perfeito. Moisés disse ao povo:

O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás (...) em sua boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar (Deuteronômio 18:15,18).

Não era, porém, apenas por meio de profecias diretas que a Lei apontava para Cristo, mas também por figuras indiretas. Nela o Messias era tanto prenunciado quanto predito. Na verdade, a conduta de Deus com relação a Israel, ao escolhê-los, redimi-los, estabelecer uma aliança com eles, prover a remissão de seus pecados pelo sacrifício e levá-los a herdar a terra de Canaã, tudo isso apresentava em termos limitados e locais o que um dia seria acessível a todos os povos por intermédio de Cristo. Os cristãos hoje podem dizer: Deus nos escolheu em Cristo e fez de nós um povo de sua propriedade particular. Jesus derramou seu sangue como remissão por nossos pecados e para ratificar a nova aliança. Ele nos redimiu não do cativeiro egípcio, mas do cativeiro do pecado. É nosso grande sumo sacerdote que ofereceu a si mesmo na cruz, como sacrifício único e eterno pelos pecados, e todo o sacerdócio e sacrifício são cumpridos juntamente nele.

Além disso, por sua ressurreição, somos nascidos de novo para uma viva esperança, “para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível”, reservada nos céus para nós (1Pe 1:3,4). Essas grandiosas palavras cristãs, que descrevem diversos aspectos de nossa salvação por meio de Jesus Cristo – eleição, remissão, aliança, redenção, sacrifício, herança – começaram todas a ser usadas no Antigo Testamento referindo-se à graça de Deus direcionada a Israel.

Existe ainda uma terceira maneira pela qual a Lei dá testemunho de Cristo. Ela é descrita pelo apóstolo Paulo na Epístola aos Gálatas:

Antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé (Gálatas 3:23,24).

A lei é descrita vividamente pelas palavras gregas utilizadas por Paulo, tais como as que representam o confinamento sob uma guarnição militar (“estávamos sob a tutela”) e um tutor encarregado de disciplinar menores (“serviu de aio”). Tudo isso porque a lei moral condenava o transgressor sem oferecer em si mesma nenhum remédio. Nesse sentido, ela apontava para Cristo. A própria condenação que ela implicava tornava Cristo necessário. Ela nos mantinha em cativeiro a fim de “nos conduzir a Cristo”, o único que poderia nos salvar. Somos condenados pela lei, mas justificados pela fé em Cristo.

O Propósito da Bíblia – John Stott

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Um desafio aos Pastores

Paul WasherCreio que todo cristão genuíno enfrenta este dilema em sua vida: "estou vivendo minha vida cristã baseada unicamente na Escritura ou vivo de acordo com o 'padrão evangélico' atual?".

Somos como os Bereanos, que, pelo fato de serem ávidos pela Palavra de Deus, examinavam todos os ensinamentos que lhes eram postos? Paul Washer, em um dos seus sermões, alerta que o evangelicalismo atual vive sua vida mais baseado em canções (em sua maior parte, duvidosas) do que na Bíblia. Mas o que acontece quando descobrimos que muitos dos ensinamentos do mundo evangélico contemporâneo estão totalmente errados? Qual a nossa reação ao estudarmos história da Igreja e descobrirmos que o Cristianismo histórico desconhecia certas doutrinas que são pregadas hoje? Ficamos calados? Achamos que isso não tem muita importância, pois mais importante é a paz do que a doutrina verdadeira? E se muitas vidas estiverem em risco por causa desses erros? São questionamentos que devemos nos fazer. Aliás, devemos nos examinar constantemente de acordo com a Palavra de Deus.

"Um desafio aos Pastores". Apesar do título, o vídeo abaixo aplica-se a cada cristão. Importa que todos nós busquemos, em primeiro lugar, a glória de Deus, e não a aprovação de homens. Como sempre, Paul Washer tem um discurso explosivo; não pelo fato de gostar de ser duro, mas porque tem, acima de tudo, zelo pela sã doutrina e amor pelas almas.



Atenção!
Para ativar a legenda (caso não apareça automaticamente): clique no botão correspondente no canto inferior direito do vídeo player.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Judaísmo e Soberania

Não apenas o grande todo, mas cada momento, cada evento, cada indivíduo, cada criatura estão envolvidos em Seu plano e são objetos de Sua providência particular. Todos os caminhos do homem são direcionados por Deus (Sl 37:23; Pv 20:24). Um homem nem mesmo machuca um dedo sem que isto tenha sido proclamado no alto que ele faria isso.

Só mesmo um calvinista para afirmar coisas como essa, certo? Errado! Você sabia que muitos judeus eruditos também creem na doutrina Bíblica da soberania de Deus? Se duvida, visite o Blog 5 Solas e leia os dois artigos: Judaísmo e Soberania1 e Judaísmo e Soberania 2.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Incompreensibilidade de Deus?

De fato, começar nossa consideração da doutrina de Deus com sua incompreensibilidade, e introduzir pessimismo para os crentes, é modelar a disposição pagã de suprimir o conhecimento de Deus, talvez a partir de um motivo similar, isto é, abrir lugar para a incredulidade, discórdia e desobediência contra ele. A diferença é o ponto de partida para a negação – os incrédulos negam a Deus num ponto anterior – mas o princípio é idêntico. E de fato descobrimos que a incompreensibilidade de Deus é freqüentemente usada como uma escusa para rejeitar as respostas de Deus a inúmeras questões doutrinárias.

Insistir que não podemos entender algo quando Deus repetidamente a explica e responde todas as questões sobre ela – por exemplo, quando diz respeito ao “problema” do mal – é apenas uma forma polida de dizer que rejeitamos a revelação de Deus sobre o assunto. É uma tentativa de pensar como o diabo, mas falar como um santo. E é dessa forma que ensinos sobre a incompreensibilidade de Deus e a finitude da mente humana são, na maioria dos casos, usados para demonstrar falsa humildade e disfarçar rebelião grosseira contra a revelação explícita e completa de Deus.

Suponha que exista uma criança cujos pais entendam como ela processa a informação e forneçam a ela explicações e instruções detalhadas, mas ela tapa seus ouvidos e grita: “Não! Não! Não! Eu não entendo! Vocês são por demais sábios e maduros, muito além de mim, mas eu sou apenas uma criança. Não posso entender o que vocês estão dizendo”. Não há humildade aqui; antes, ela zomba de seus pais e despreza a autoridade deles. Ela é uma criança irritante e desobediente que precisa de correção e disciplina.

Agora, é Deus infinitamente maior que os pais humanos, de forma que ele está de fato muito além do nosso entendimento? Sim, mas ele é também infinitamente mais versado sobre a mente humana, infinitamente mais capaz de explicar a si mesmo, com um acesso infinitamente maior às nossas almas pelo seu Espírito. Se falamos com fé e honestidade, teremos que dizer que podemos conhecer a Deus e sua vontade muito mais do que podemos conhecer nossos pais humanos. Isso pode não ser muito ainda, comparado a tudo o que existe para ser conhecido sobre um ser infinito. Nunca poderemos saber tudo sobre ele, mas conhecemos nossos pais bem menos.

Paulo escreve: “Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente” (1 Coríntios 2:11-12). Em nós mesmos, não temos acesso à mente do homem nem à mente de Deus, mas Deus nos revelou a sua mente (não a mente de outros homens) pelo seu espírito. A Escritura é consistentemente otimista sobre a capacidade dos cristãos conhecer a Deus. A doutrina tradicional da incompreensibilidade de Deus que ensina o oposto é absolutamente condenável.

Vincent Cheung

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Sobre o estudo da Escritura

No estudo da Escritura há uma relação dialética entre demandas objetivas e afinidades pessoais; algum atalho plausível deve ser procurado entre os dois. A pessoa deve ter em mente a diferença entre experiência e conhecimento. Alguém cujo conhecimento seja escasso pode ficar muito entusiasmado com o pouco que já aprendeu, e o seu entusiasmo pode impulsiona-lo no seu desenvolvimento; no entanto, este conhecimento pode permanecer rudimentar. É claro que existem pessoas com um dom especial para captar o que é essencial, que podem dominar algumas poucas coisas realmente fundamentais e construir toda uma vida sobre elas. Mas geralmente, um pouco de conhecimento equivale a conhecimento fragmentado, unilateral, incorreto. O que é “conhecido” pode ser maravilhosamente interessante, mas também, em grande medida, um produto da própria imaginação do “conhecedor”, com pouca relação com a Escritura. Assim, não são apenas os mal informados ou pouco informados que precisam estudar, mas também aqueles que conheceram a experiência religiosa, que precisam do equilíbrio e da perspectiva da sua experiência, que o conhecimento verdadeiro pode proporcionar.

Para o aprendizado correto, o modo de estudar é de fundamental importância. Por exemplo, um elemento essencial, independentemente do assunto, é a regularidade, um compromisso inflexível com o estudo de temas particulares em ocasiões particulares e em lugares especiais. É esta regularidade, entre outras coisas, que evita que o estudo da Escritura se torne mero diletantismo ou entretenimento intelectual. A regularidade dá a esse estudo a qualidade de um regime quase profissional, por menos tempo que lhe seja dedicado, e por mais baixo que seja o nível da pesquisa. Folhear algumas páginas sempre que seja conveniente faze-lo pode ser um passatempo agradável, mas pouco tem a ver com um aprendizado sério. Não deveríamos fazer do estudo da Escritura algo mais do que um simples hobby?

Outra parte do “como fazer” do estudo da Escritura consiste em achar outros companheiros de estudo, pelo menos durante alguma parte do tempo. Os Sábios falam longamente sobre essa questão, e são enfáticos quanto às virtudes do estudo em conjunto, assim como as desvantagens de estudar sozinho. No ponto de vista deles, até mesmo um parceiro cujo conhecimento não exceda o nosso é melhor que não ter nenhum. É lógico que o estudo em conjunto é extremamente útil para manter a regularidade, para a qual a maioria de nós, quando sozinhos, não temos bastante autodisciplina. Estudar com outros também cria um laço social que pode tornar-se muito profundo. Todavia, mesmo que isso não aconteça, certo reforço mútuo acontece. O mais importante de tudo é o papel corretivo que os parceiros podem cumprir mutuamente, durante o estudo. Todo mundo, especialmente os iniciantes, quando deixados sozinhos, correm o risco de entender mal ou de distorcer o que aprendem, de ver o material através da sua própria perspectiva idiossincrática. Inclusive pessoas de inteligência superior correm este risco. Mas os parceiros de estudo podem servir de fiscais contra a subjetividade do outro.

Também extremamente importante é achar um professor, alguém mais experimentado de quem se possa aprender. A importância de um professor costuma ir além da assistência proporcionada no estudo, em si só. De fato, achar essa pessoa será uma virada decisiva na vida do estudante. Mas mesmo o professor que é menos que um mestre poderá dar algo mais que mera assistência técnica. Todo professor digno desse nome suplementa o texto, fornece contexto, e preenche os espaços entre as linhas. Esta percepção adicional pode não estar disponível em qualquer livro. Mesmo que não seja possível achar um mestre, é necessário achar um professor; e se não for possível achar um professor, pelo menos deve-se achar um companheiro de estudos, especialmente quando se é um iniciante no caminho da verdadeira sabedoria.

Adin Even Yisrael (Steinsaltz)
Texto adaptado para facilitar a compreensão.

Fundamental lembrar que não há estudo proveitoso da Escritura sem oração e a total dependência do Senhor, ou seria tão somente mero esforço acadêmico. É através da oração que nos comunicamos com o Criador. Que o Eterno nos conceda, pelo Seu Espírito, o entendimento correto das Escrituras e nos conduza pela mão de modo que andemos em Sua presença e sejamos perfeitos (Gênesis 17:1).

"Ensina-me Teu caminho, ó Eterno, para que eu possa andar sob Tua verdade e dedicar meu coração a temer somente Teu Nome. De todo meu coração hei de Te agradecer, e para sempre glorificarei Teu Nome, pois com Tua incomparável benignidade livraste minha alma do mais profundo abismo." (Salmos 86:11-13)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Uma luta contra o orgulho

O pecado de orgulho

Deus odeia o orgulho (Pv 6.16-17). Com seu coração, Ele odeia o orgulho; com seus lábios, amaldiçoa-o; com suas mãos, pune-o (Sl 119.21; Is 2.12; 23.9). O orgulho foi o primeiro inimigo de Deus. Foi o primeiro pecado no Paraíso e será o último que deixaremos na terra.

Como pecado, o orgulho é singular. Muitos pecados nos afastam de Deus, mas o orgulho é um ataque direto contra Deus. Eleva nosso coração acima de Deus e contra Ele. O orgulho procura destronar a Deus e entronizar a si mesmo.

O orgulho também procura destronar meu próximo. Sempre coloca a idolatria do “ego” acima do meu próximo. Em sua raiz, o orgulho transgride ambas as tábuas da Lei, todos os Dez Mandamentos.

O orgulho é complexo. “Assume muitas formas e estilos, envolvendo o coração como as camadas de uma cebola: quando remove uma camada, há outra por baixo”, escreveu Jonathan Edwards.

Nós, pastores, que estamos sempre sob o olhar das pessoas, somos particularmente inclinados ao pecado de orgulho. Conforme escreveu Richard Greenham: “Quanto mais piedoso for um homem, quanto mais graças e bênçãos de Deus estiverem sobre ele, tanto mais ele precisará orar, porque Satanás está muito ocupado em agir contra ele e porque é propenso a se envaidecer com uma presunçosa santidade”.

O orgulho se alimenta de qualquer coisa: uma medida justa de sabedoria e habilidade, um simples cumprimento, um tempo de prosperidade notável, uma chamada a servir a Deus em uma posição de prestígio — até a honra de sofrer por causa da verdade. “É muito difícil matar de fome esse pecado, visto que não existe quase nada do que ele não possa viver”, escreveu Richard Mayo.1

Se pensamos que estamos imunes ao pecado de orgulho, devemos perguntar a nós mesmos: quão dependente somos do louvor dos outros? Estamos mais preocupados com uma reputação de santidade do que com a própria santidade? O que os presentes e as recompensas que ganhamos de outros dizem a respeito de nosso ministério? Como reagimos ao criticismo das pessoas de nossa igreja?

Nossos antecessores não se consideravam imunes a este pecado. “Sei que sou orgulhoso; mas não conheço metade de meu orgulho”, escreveu Robert Murray M’Cheyne. Vinte anos depois de sua conversão, Jonathan Edwards lamentava as “profundezas insondáveis e infinitas de orgulho” deixadas em seu coração. E Lutero disse: “Tenho mais medo do papa do ‘ego’ do que do papa de Roma e de todos os seus cardeais”.

O orgulho destrói nossa obra. “Quando o orgulho escreve nosso sermão ele assume sua forma e sobe ao púlpito conosco”, disse Richard Baxter. “O orgulho forma o nosso tom, estimula nossa pregação e subtrai-nos aquilo que poderia ser desagradável às pessoas. Ele nos coloca na busca do fútil aplauso de nossos ouvintes. Faz os homens seguirem a si mesmos e buscarem sua própria glória.”2

Um pastor piedoso luta contra o orgulho, enquanto um pastor mundano alimenta o orgulho. “Os homens me admiram freqüentemente, e sinto deleite nisso”, admitiu Matthew Henry, “mas odeio o deleito que sinto”.3 Cotton Matthew recordava, quando o orgulho enchia seu coração de amargura e confusão diante do Senhor: “Esforçava-me para ver meu orgulho como a própria imagem do Diabo, contrário à imagem e graça de Cristo; vê-lo como uma ofensa contra Deus e uma afronta ao seu Espírito; como a tolice e a loucura mais insensata para alguém que não possuía nada excelente e uma natureza tão corrupta”.4 Thomas Shepard também lutava contra o orgulho. Em seu diário, na folha do dia 10 de novembro de 1642, ele escreveu: “Fiz um jejum pessoal, para obter mais clareza, a fim de ver toda a glória de Deus… e para obter a vitória sobre todo o orgulho remanescente em meu coração”.5

Você pode se identificar com esses pastores, em sua luta contra o orgulho? Você se importa bastante com seus irmãos no ministério, a ponto de admoestá-los a respeito deste pecado? Quando John Eliot, o missionário puritano, observava que um colega pensava muito elevado a respeito de si mesmo, diria para ele: “Irmão, estude a mortificação, estude a mortificação”.6

Maneiras de subjugar o orgulho

Como lutamos contra o orgulho? Eis algumas maneiras que nos ajudam a subjugar o orgulho.

● Entenda quão profundamente o orgulho está arraigado em nós e quão perigoso ele é para o ministério. Devemos protestar conosco mesmo como o puritano Richard Mayo: “Deve ser orgulhoso o homem que pecou como tu pecaste, que viveu como tens vivido, que desperdiçou tanto tempo, que abusou tanto da misericórdia, que omitiu tantos deveres, que negligenciou tão grandes meios e, por isso, entristeceu o Espírito de Deus, transgrediu a sua Lei, desonrou o seu nome. Deve ser orgulhoso o homem que tem um coração como o que tens”.7

● Olhe para Cristo. Se desejamos destruir o orgulho mundano e viver com humildade santa, olhemos para Cristo, nosso Salvador, cuja vida, conforme disse Calvino, “era nada mais do que uma série de sofrimentos”. Em nenhum outro lugar a humildade foi tão cultivada como no Getsêmani e no Calvário. Quando o orgulho ameaça você, considere o contraste entre um pastor orgulhoso e um Salvador humilde. Confesse, como Joseph Hall:

Teu jardim é o lugar
Onde o orgulho não pode entrar,
Pois, se ali ele ousasse entrar,
Logo seria afogado em sangue.

E cante, com Isaac Watts:

Quando investigo a maravilhosa cruz,
Em que morreu o Príncipe da Glória,
Meu maior ganho reputo como perda
E lanço desdém sobre todo o meu orgulho.

● Permaneça na Palavra. Em dependência do Espírito, leia, pesquise, memorize, ame, ore sobre ela e medite em passagens como Salmos 39.4-6; Salmos 51.17; Gálatas 6.14; Filipenses 2.5-8; Hebreus 12.1-4; 1 Pedro 4.1. Somente o Espírito pode destruir o poder de nosso orgulho e cultivar humildade em nosso íntimo, tomando as coisas de Cristo e revelando-as para nós.

● Busque um conhecimento mais profundo de Deus, seus atributos e sua glória. Jó e Isaías nos ensinam que nada é tão humilhante como o conhecimento de Deus (Jo 42; Is 6). Gaste tempo meditando nas grandezas e santidade de Deus, em comparação com sua pequenez e pecaminosidade.

● Pratique a humildade (Fp 2.3-4). Lembre como Agostinho respondeu a pergunta: “Quais as três virtudes que um pastor mais necessita?” Ele disse: “Humildade, humildade, humildade”. Para obter isso, procure ter maior consciência de sua depravação, bem como da hediondez e da irracionalidade do pecado. Não descanse enquanto não puder confessar diariamente como João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30), pois isto é a essência da humildade.

● Lembre, diariamente, que “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). Considere suas aflições como dons de Deus para conservá-lo humilde. Considere seus talentos como dons de Deus que nunca lhe trazem qualquer honra (1 Co 4.7). Tudo que você já realizou e realizará veio das mãos de Deus.

● Encare a vitória sobre o orgulho como um processo vitalício que o chama a crescer em servidão. Esteja determinado a batalhar contra o orgulho, por considerar cada dia como uma oportunidade para esquecer-se de si mesmo e servir aos outros. Como escreveu Abraham Booth: “Não esqueça que toda a sua obra é ministerial — e não legislativa — para que você não seja um senhor da igreja, e sim um servo.8 O ato de servir é intrinsecamente humilhante.

● Leia a biografia de grandes santos, como Whitefield’s Jounals (Diário de Whitefield), A Vida de David Brainerd, e Spurgeon’s Early Years (Os Primeiros Anos de Spurgeon). Como disse Martin Lloyd-Jones: “Se isso não o trouxer à terra, declare que você é apenas um profissional, sem esperança”.9 Associe-se com santos que exemplificam humildade, e não com arrogantes ou bajuladores.

● Medite naquilo que os puritanos chamavam de “as quatro últimas coisas”: a solenidade da morte, a certeza do Dia do Juízo, a amplitude da eternidade e os estados inalteráveis do céu e do inferno. Considere o que você merece por causa do pecado e qual será o seu futuro por causa da graça. Permita que o contraste o humilhe (1 Pe 5.5-7).

O texto acima foi retirado de um dos capítulos do livro Vencendo o Mundo, de Dr. Joel Beeke, lançando pela Editora Fiel em dezembro de 2008.

Notas:

1. Puritan sermons, 1659-1689, being the morning exercises at Cripplegate. Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1981. 3:378.
2. Baxter, Richard. The reformed pastor. New York: Robert Carter & Brothers, 1860. p. 212-226.
3. Citado em Bridges, Charles. Christian ministry. p.153.
4. Ibid. p. 152.
5. McGiffert, Michel (Ed.). God’s plot: puritan spirituality in Thomas Shepard’s Cambridge. Ambers: University of Massachusetts Press, 1994. p. 82, ss.
6. Citado em Bridges, Charles. Christian ministry. p.128.
7. Puritan sermons, 1659-1689, being the morning exercises at Cripplegate. Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1981. 3:390.
8. In: Brown, John (Ed.). The christian pastor’s manual. Ligonier, Pa.: Soli Deo Gloria, 1991. p. 66.
9. Llyod-Jones, D. M. Pregação e pregadores. São José dos Campos: Fiel, 2007 p. xxx.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Conversão

A confissão [dos pecados] leva à verdadeira conversão, e não pode haver uma verdadeira conversão, até que se tenha dado esses três passos (Convicção - Contrição - Confissão). Agora a palavra conversão significa duas coisas. Dizemos que uma pessoa é "convertida" quando nasce de novo. Mas conversão também tem um significado diferente na Bíblia.

Pedro disse: "Arrependei-vos...e convertei-vos" (At. 3:19). Existe uma versão que traduz assim: "Arrependei-vos e voltai-vos".

Paulo disse que não foi desobediente à visão celestial, mas começou a pregar a judeus e gentios para que se arrependessem e se voltassem para Deus. Um certo teólogo de outra época disse: "Todos nós nascemos de costas para Deus. O arrependimento é uma mudança de trajetória. É uma volta de cento e oitenta graus."

Pecado é afastar-se de Deus. Como alguém disse, é aversão a Deus e conversão para o mundo; enquanto que o verdadeiro arrependimento significa conversão a Deus e aversão ao mundo. Quando há verdadeira contrição, o coração está entristecido por causa do pecado; quando há verdadeira conversão, o coração fica liberto do pecado. Deixamos a velha vida, somos transportados do reino das trevas para o reino da luz. Maravilhoso, não é?

A não ser que nosso arrependimento inclua essa conversão, não vale muito. Se alguém continua em pecado, é a prova de uma profissão inútil. E como bombear água para fora do navio, sem tampar os vazamentos. Salomão disse: "Se o povo orar... e confessar teu nome, e se converter dos seus pecados..." (2 Cr. 6:26).

Oração e confissão não seriam de proveito nenhum enquanto o povo continuasse em pecado. Vamos prestar atenção à chamada de Deus. Vamos abandonar o velho caminho perverso. Voltemos ao Senhor, e Ele terá misericórdia de nós, e ao nosso Deus, porque Ele perdoará abundantemente.

Por: Dwight Lyman Moody em "Arrependimento é Deixar o Pecado"
Fonte: Monergismo

domingo, fevereiro 08, 2009

Bebendo suco de laranja para a glória de Deus

Quando me perguntam: “A Doutrina da Depravação Total é bíblica?”, minha resposta é: “Sim”. Uma das coisas que pretendo dizer com esta resposta é que todas as nossas ações (sem a graça salvadora) são moralmente maculadas. Em outras palavras, tudo o que o incrédulo faz é pecaminoso e, portanto, inaceitável a Deus.

Uma de minhas razões para crer nisto encontra-se em 1 Coríntios 10.31: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. É pecado desobedecermos este mandamento das Escrituras? Sim.

Por isso, chego a esta triste conclusão: é pecado alguém comer, ou beber, ou fazer qualquer outra coisa, se não for para a glória de Deus. Em outras palavras, o pecado não é apenas uma lista de coisas prejudiciais (matar, roubar, etc.). Pecamos quando deixamos Deus fora de consideração nas realizações triviais de nossa vida. Pecado é qualquer coisa que fazemos, que não seja feito para a glória de Deus.

Mas, o que os incrédulos fazem para a glória de Deus? Nada. Conseqüentemente, tudo o que eles fazem é pecaminoso. É isso que pretendo dizer, quando afirmo que, sem a graça salvadora, tudo que fazemos é moralmente ruim.

Evidentemente, isto suscita uma questão prática: como podemos “comer e beber” para a glória de Deus? Tal como, por exemplo, beber suco de laranja no café da manhã?

Uma das respostas encontra-se em 1 Timóteo 4.3-5:

"…[alguns] proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado."

Suco de laranja foi criado para ser “recebido com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade”. Portanto, os incrédulos não podem usar suco de laranja para cumprir o propósito que Deus tencionou - ou seja, uma ocasião para ações de graça sinceras, dirigidas a Ele, provenientes de um coração de .

Mas os crentes podem, e esta é a maneira como glorificam a Deus. O suco de laranja que eles bebem é santificado “pela palavra de Deus e pela oração” (1 Tm 4.5). A oração é a nossa humilde resposta de agradecimento do coração. Crer nesta verdade, apresentada na Palavra de Deus, e oferecer ações de graça, em oração, é uma das maneiras de bebermos suco de laranja para a glória de Deus.

A outra maneira é bebermos com amor. Por exemplo, não insista na porção maior. Isto é ensinado no contexto de 1 Co 10.33: “Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos“. “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Tudo o que fazemos - inclusive beber suco de laranja - pode ser feito com a intenção e a esperança de que será proveitoso para muitos, a fim de que sejam salvos.

Louvemos a Deus porque, pela sua graça, fomos libertos da ruína completa de nossos atos. E façamos tudo, quer comamos, quer bebamos, para a glória de nosso grande Deus!

Extraído do livro Penetrado pela Palavra, John Piper, Editora Fiel.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Depravação Total

A Depravação Total é o primeiro ponto abordado pelas Doutrinas da Graça. Faremos a seguir uma explanação resumida desse tópico.

Definição: Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais. Para reforçarmos um pouco mais segue o que Thomas Paul Simmons, D.Th escreve sobre o assunto. “As Escrituras ensinam que a extensão do pecado no ser humano é total. Isto é o significado de depravação total”.

1. A DEPRAVACAO TOTAL CONSIDERADA NEGATIVAMENTE

A depravação é um assunto muito mal entendido. Por essa razão precisamos entender que a depravação total não quer dizer:

(1) Que o homem por natureza esta inteiramente privado de consciência. Até mesmo o pagão tem consciência. Romanos 2:15.

(2) Que o homem por natureza está destituído de todas aquelas qualidades que são louváveis segundo os padrões humanos. Jesus reconheceu a presença de tais qualidades num certo homem rico (Marcos 10:21).

(3) Que todo homem está disposto por natureza para toda forma de pecado. Isto é impossível, porquanto algumas formas de pecado excluem outras. "O pecado de sumiticaria pode excluir o pecado de ostentação; o de orgulho pode excluir o de sensualidade" (Strong).

(4) Que os homens são por natureza incapazes de se comprometer em atos que são extremamente conformes com a Lei de Deus. Romanos 2:14.

(5) Que os homens são tão corruptos como podiam ser. Eles podem piorar e pioram. 2 Timoteo 3:13. Esta depravação total não quer dizer que a depravação e total no seu grau. Ela tem que ver com a extensão somente.

2. A DEPRAVACAO TOTAL CONSIDERADA POSITIVAMENTE

A depravação total quer dizer que o pecado permeou cada faculdade do ser humano assim como uma gota de veneno permeia cada molécula de um corpo de água. O pecado urdiu cada faculdade no homem e assim ele polui todo ato seu.

(1) Prova de depravação total.

A. O homem esta depravado na Mente. Gênesis 6:5. B. No coração. Jeremias 17:9. C. Nos afetos, de maneira que o homem e oposto a Deus. João 3:19; Romanos 8:7. D. Na consciência. Tito 1:15; Hebreus 10:22.E. Na palavra. Salmos 58:3; Jeremias 8:6; Romanos 3:13.F. Depravado da cabeça aos pés. Salmos 1:5, 6; Isaias 1:6. G. Depravado ao nascer. Salmos 51:5; 58:3.

(2) O efeito da depravação total.

A. Nenhum resquício de Bem Fica no Homem por Natureza. Romanos 7:18.B. Portanto, o Homem, por Natureza, não pode sujeitar-se a Lei de Deus ou Agradar a Deus. Romanos 8:7, 8. C. O homem, por Natureza, está Espiritualmente Morto. Romanos 5:12; Colos. 2:16; 1 João 3:14.D. Logo, Ele não pode Compreender as Coisas Espirituais. 1 Coríntios 2:14.E. Dai, Ele não pode, até que se vivifique pelo Espírito de Deus, voltar do Pecado a Deus em Piedoso.

Arrependimento e Fé. Jeremias 13:23; João 6:44, 65; 12:39, 40.

A base da depravação e da inabilidade espiritual jaz no coração. Ele é enganoso e irremediavelmente perverso (Jeremias 17:9). Do coração vêem as saídas da vida (Provérbios 4:23). Ninguém pode tirar uma coisa limpa de uma contaminada (Jo 14:4). Dai, nem a santidade nem a fé podem proceder do coração natural. As boas coisas procedem de um bom coração e as más de um coração mau (Mateus 7:17, 18; Lucas: 45).
(http://www.monergismo.com/textos/pecado_tentacao/doutrina_pecado.htm)

Este é o significado da doutrina da Depravação Total, todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais.“A Depravação Total é um fator importantíssimo para que entendamos a graça de Deus. Deus é tão perfeito em seus planos que se por algum momento o homem tivesse algum lugar de seu ser que não fosse atingido pelo pecado, ele não precisaria de Deus, para buscar o crescimento espiritual. Em outras palavras o homem encontraria a resposta em si mesmo. Um famoso filósofo do passado, Protágoras, disse que: “ o homem é a medida de todas as coisas“. Esse conceito se infiltrou nas mentes dos homens da Renascença e Iluminismo. A conseqüência foi que Deus acabou sendo deixado de lado. Será que isto é uma realidade ainda hoje? Somos altamente dependentes de Deus. Isso é que deve estar permeando nossas mentes a todo segundo de nossas vidas. Agostinho, um dos pais da Igreja, disse que o mau é o ”não ser“, isto é, Deus nos fez perfeitos (livre arbítrio), só que nossas atitudes eram passíveis de mudança. E, de fato foi o que aconteceu. Adão e Eva acabaram escolhendo o que era mau. Por causa disso todos os seus descendentes herdaram este pecado original. Sendo assim, hoje todo o nosso ser está afetado pelo pecado, ou seja, corpo e alma. A Graça de Cristo é algo imerecido, a qual Deus nos concede pelo seu imenso amor. De que se queixa o homem se não for de seus próprios pecados? Será que há algo no homem que não esteja atinado pelo pecado? A palavra é clara, todos pecaram e destituídos estão da graça de Deus”.
(Seminarista do JMC - Wesley B. Albuquerque)
Extraído de : Doutrinas Distintivas DaTeologia Reformada

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Por que memorizar a Escritura?

"Temos de ser como Esdras: "A boa mão de Deus [estava] sobre ele. Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos." (Ed 7.9,10). E precisamos adquirir um coração como o do santo que escreveu o grandioso cântico de amor à lei no salmo 119: "Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!" (v. 97). Esforcemo-nos por memorizar a Palavra de Deus - para adoração e combate. Se não a trouxermos conosco na mente, não poderemos sentir seu gosto no coração nem brandi-la no Espírito. Se você sair sem o combustível do prazer cristão, o fogo da felicidade cristão será apagado antes da metade da manhã." (John Piper - Em busca de Deus, p.127 e 128)

Oh, quão importante é ter a Palavra de Deus em nossas mentes, para podermos dizer junto com o salmista: "Guardo as tuas palvras no meu coração para não pecar contra ti", ou para aprender com Paulo, que se transformava pela renovação da mente através da Escritura, para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus!

"Por que memorizar a Escritura?" Neste vídeo John Piper reitera o que já escreveu em seu precioso livro "Em Busca de Deus", nos dando algumas razões para memorizar a Palavra de Deus.



Atenção!
Para ativar a legenda (caso não apareça automaticamente): clique no botão correspondente no canto inferior direito do vídeo player.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Da Lei de Deus

V. A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta obrigação, antes a confirma.

I João 2:3-4, 7; Rom. 3:31; Tiago, 2:8, 10, 11; Rom-. 3:19- Mat. 5:18-19.

VI. Embora os verdadeiros crentes não estejam debaixo da lei como pacto de obras, para serem por ela justificados ou condenados, contudo, ela lhes serve de grande proveito, como aos outros; manifestando-lhes, como regra de vida, a vontade de Deus, e o dever que eles têm, ela os dirige e os obriga a andar segundo a retidão; descobre-lhes também as pecaminosas poluções da sua natureza, dos seus corações e das suas vidas, de maneira que eles, examinando-se por meio dela, alcançam mais profundas convicções do pecado, maior humilhação por causa deles e maior aversão a eles, e ao mesmo tempo lhes dá uma melhor apreciação da necessidade que têm de Cristo e da perfeição da obediência dele. Ela é também de utilidade aos regenerados, a fim de conter a sua corrupção, pois proíbe o pecado; as suas ameaças servem para mostrar o que merecem os seus pecados e quais as aflições que por causa deles devem esperar nesta vida, ainda que sejam livres da maldição ameaçada na lei. Do mesmo modo as suas promessas mostram que Deus aprova a obediência deles e que bênção podem esperar, obedecendo, ainda que essas bênçãos não lhes sejam devidas pela lei considerada como pacto das obras - assim o fazer um homem o bem ou o evitar ele o mal, porque a lei anima aquilo e proibe isto, não é prova de estar ele debaixo da lei e não debaixo da graça.

Rom. 6:14,e 8:1; Gal. 3:13; Rom. 7:12, 22, 25; Sal.119:5; I Cor. 7:19; Rom.7:7, e 3:20; Tiago 1:23, 25; Rom. 7:9,14, 24; Gal. 3:24; Rom. 8:3-4; Rom. 7:25; Tiago 2:11; Esdras 9:13-14; Sal. 89:30-34 e 37:11, e 19:11; Gal. 2:16; Luc. 17:10; Rom. 6:12,-14; Heb. 12:28-29; I Ped. 3:8-12; Sal. 34:12, 16.

VII. Os supracitados usos da lei não são contrários à graça do Evangelho, mas suavemente condizem com ela, pois o Espírito de Cristo submete e habilita a vontade do homem a fazer livre e alegremente aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, requer se faça.

Gal. 3:21; Ezeq. 36:27; Heb. 5:10.

Confissão de Fé de Westminster
- Capítulo XIX

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