quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vencendo a corrida

A maioria de nós lê biografias para satisfazer a curiosidade a respeito de grandes nomes na esperança de descobrir o “segredo” de sua grandeza. No ano de 1952, Edmund Hillary tentou escalar o Monte Everest a mais alta montanha do mundo com 8.800 metros. Algumas semanas depois de uma tentativa fracassada, pediram-lhe que falasse para um grupo de pessoas na Inglaterra. Propositadamente, colocaram uma grande gravura do Monte Everest na parede do auditório. Quando ele viu a gravura, abaixou a cabeça e caminhou para o palco cabisbaixo. Mas, ao lhe perguntarem se havia desistido, ele se levantou, apontou para a figura da montanha no fundo do palco e disse em voz alta: “Monte Everest, dessa vez você me derrotou, mas na próxima eu o derrotarei, porque você já cresceu tudo o que tinha de crescer, mas eu ainda estou crescendo!” Em maio do ano seguinte, Edmund Hillary tornou-se o primeiro homem a escalar o Monte Everest. Após uma perda progressiva da audição, o compositor alemão Ludwig Van Beethoven ficou totalmente surdo aos quarenta e seis anos. Apesar disso, continuou compondo, e algumas de suas melhores composições, inclusive cinco sinfonias, foram escritas durante seus últimos anos.

Aqui neste texto de Filipenses 3, Paulo apresenta sua biografia espiritual, seu passado (Fp 3.1-11), presente (Fp 3.12-16) e futuro (Fp 3.17-21). Neste texto, vemos Paulo como um atleta, cheio de vigor espiritual, avançando para o alvo. Em suas epístolas, Paulo usa várias ilustrações para comunicar a verdade acerca da vida cristã. Quatro tipos de imagens destacam-se em particular: a militar( revesti-vos de toda armadura), a arquitetônica (habitação de Deus), a agrícola (aquilo que o homem semear) e a atlética deste capítulo.

Cada cristão está em uma pista de corrida; cada um tem uma raia específica, dentro da qual deve correr, e cada um tem um objetivo a alcançar. Quem alcançar o objetivo que Deus planejou será recompensado. Quem falhar, perderá a recompensa, mas não a cidadania (ver I Co 3.11-15, em que a mesma idéia é apresentada usando uma imagem arquitetônica).

Quais são os elementos essências para vencer a corrida e, um dia, receber a recompensa prometida?

1- Insatisfação (Fp 3.12-13a) “Não julgo, havê-lo alcançado.”

Essa é uma declaração de um cristão consagrado que nunca se deu por satisfeito com suas realizações espirituais. Muitos cristãos estão contentes com a própria situação, pois comparam sua carreira com de outros cristãos, que normalmente não fazem nenhum progresso em suas vidas. Se Paulo tivesse se comparado com outros, seria tentado a se orgulhar e, talvez, a relaxar um pouco. Afinal, eram poucos os cristãos de seu tempo que haviam tido experiências como as dele! Mas Paulo não se comparou com outros; antes, se comparou consigo mesmo e com Jesus Cristo. Ainda não alcançou a perfeição(Fp 3.12), mas já é “perfeito” [maduro] (Fp 3.15), e uma das características dessa maturidade é a consciência da própria imperfeição!

Em várias ocasiões, a Bíblia adverte sobre o perigo de iludir-se quanto à própria condição espiritual. É dito a igreja de Sardes: “tens nome do que vive e estás morto”(Ap 3.1). Sua reputação não correspondia à realidade. A igreja de Laodicéia vangloriava-se de sua riqueza, e auto-suficiência, Jesus diz: “vocês são pobres, miseráveis, cegos e nus (Ap 3.17). Ao contrário desta igreja, os irmãos de Esmirna consideravam-se pobres, quando, na verdade, eram ricos! (Ap 2.9)”.

2. Dedicação (Fp 3.13b)

“Uma coisa” – essa é uma expressão importante para a vida cristã. “Só uma coisa te falta”, disse Jesus para o jovem rico que se considerava justo (Mc 10.21). “Pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa”, explicou para Marta quando ela criticou sua irmã” (Lc 10.42). “Uma coisa sei”, exclamou o homem que passou a ver pelo poder de Cristo (Jo 9.25).“Uma coisa peço ao Senhor,e a buscarei”, testemunhou o salmista (Sl 27.4). Muitos cristãos estão envolvidos demais com “várias coisas”, quando, na verdade, o segredo do progresso é concentrar-se em “uma coisa”.

O cristão deve dedicar-se a correr a carreira cristã. Nenhum atleta é bem sucedido ao fazer de tudo; seu sucesso deve-se a especialização. Os vencedores são os que se concentram e mantêm os olhos fixos em seu objetivo, sem deixar que coisa alguma os distraia. Como Neemias, que reconstruiu os muros de Jerusalém, respondem aos convites que podem distraí-los dizendo: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer” (Ne 6.3).“Um homem de ânimo dobre [é] inconstante em todos os seus caminhos” (Tg 1.8). A concentração é o segredo do poder.

3. Direção (Fp 3.13c)

Os incrédulos são controlados pelo passado, mas o cristão que participa da corrida olha para o futuro. Você já imaginou o que aconteceria em uma corrida, se os corredores começassem a olhar para trás? Se o agricultor que está arando não deve olhar para trás (Lc 9.62), quanto mais o corredor, pois, se o fizer, o resultado poderá ser uma colisão e ferimentos graves. O cristão deve estar voltado para o futuro, “esquecendo-se das coisas que para trás ficam”. Convém lembrar que, na terminologia da Bíblia, o verbo “esquecer” não significa “deixar de lembrar”. A menos que se trate de um caso de senilidade, de hipnose ou de problemas neurológicos, nenhum individuo maduro é capaz de se esquecer do que aconteceu no passado. Na Bíblia “esquecer” significa “não ser mais influenciado ou afetado por algo”.Quando Deus promete: “Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades, para sempre”(Hb 10.17), não está sugerindo que terá uma crise de memória curta! Isso é impossível para Deus. Antes, está dizendo: “não os acusarei desses pecados; não afetam mais sua situação diante de mim, nem influenciam minha atitude para com eles”.

Assim, “esquecendo-me das coisas que para trás ficam” não indica uma proeza mental impossível, nem um exercício psicológico por meio do qual tentamos apagar os pecados e erros do passado. Significa, que quebramos o poder do passado sobre o futuro. Não é possível mudar o passado, mas mudar seu significado é algo que se pode fazer.

Um excelente exemplo disso é José (Gn 45.1-15). Quando se encontrou com seus irmãos pela segunda vez e lhes revelou sua identidade, não guardou mágoa deles. Sem dúvida, o haviam maltratado, mas ele olhou para o passado do ponto de vista de Deus. Assim, ele não acusou seus irmãos de coisa alguma. José sabia que Deus tinha um plano para sua vida – uma carreira para completar – e ao realizar esse plano e olhar para o futuro, rompeu o poder do passado.

4. Determinação (Fp 3.14)

“Prossigo!” O mesmo verbo é usado no vs 12, e tem o sentido de esforço intenso. Os gregos costumavam usar esse termo para descrever um caçador perseguindo avidamente a presa. Um individuo não se torna um atleta vencedor ouvindo palestras, lendo livros ou torcendo em jogos. Antes, o atleta bem sucedido entra em jogo e se mostra determinado a vencer! O mesmo zelo que Paulo manifestava ao perseguir a igreja (Fp 3.6) pode ser observado em seu serviço a Cristo. Aliás, não seria maravilhoso se os cristãos demonstrassem tanta determinação em sua vida espiritual quanto demonstram quando vão à academia ou quando jogam futebol no fim de semana?

O atleta cristão corre com disposição, pois sabe que Deus deve operar nele e capacitá-lo a vencer a corrida (Fp 2.12-13). Deus opera em nós para que possa operar por meio de nós. Quando o individuo dedica-se as coisas da vida espiritual, Deus lhe dá maturidade e o fortalece para a corrida. “Exercita-te, pessoalmente, na piedade” (I Tm 4.7-8).

5. Disciplina (Fp 3.15-16)

Não basta correr com disposição e vencer a corrida; o corredor também deve obedecer às regras. Nos jogos gregos, os juízes eram extremamente rigorosos com respeito aos regulamentos, e o atleta que cometesse qualquer infração era desqualificado. Não perdia a cidadania (apesar de desonrá-la), mas perdia o privilégio de participar e de ganhar um prêmio. Era esse tipo de situação que Paulo tinha em mente em I Co 9.24-27: “Todo atleta em tudo se domina” (I Co 9.25). O atleta que se recusa a treinar é desqualificado, como também é o atleta que transgride as regras do jogo (II Tm 2.5). Um dia, todo cristão vai se encontrar diante do tribunal de Cristo (Rm 14.10-12). O termo grego para “tribunal” é bema, a mesma palavra usada para descrever o lugar onde os juízes olímpicos entregavam os prêmios! Se nos disciplinarmos a obedecer às regras, receberemos o prêmio.

O relato bíblico é repleto de gente que começou a corrida com grande sucesso, mas que fracassou no final por não atentar para as regras de Deus. Não perderam a salvação, mas perderam a recompensa (I Co 3.15). Que venhamos atentar para o texto de Hebreus 12.1: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta”. Amém.

Pr. Marcelo de Oliveira
Contato: evmarcello.olliver@gmail.com - Bibliografia: Wiersbe, Warren W. Comentário bíblico. Vol.6. Lopes, Hernandes Dias. Vencendo gigantes. Ed. Hagnos. - Originalmente em Bíblia World Net, na coluna Crescendo na Graça.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Como se deve evitar a vã esperança e presunção

Insensato é quem põe sua esperança nos homens ou nas criaturas. Não te envergonhes de servir a outrem por Jesus Cristo, e ser tido como pobre neste mundo. Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faze de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confies em tua ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus, que ajuda os humildes e abate os presunçosos.

Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos amigos, por serem poderosos, senão em Deus, que dá tudo, além de tudo, deseja dar-se a si mesmo. Não te desvaneças com a airosidade ou formosura de teu corpo, que com pequena enfermidade se quebranta e desfigura. Não te orgulhes de tua habilidade ou de teu talento, para que não desagrades a Deus, de quem é todo bem natural que tiveres.

Não te reputes melhor que os outros para não seres considerado pior por Deus, que conhece tudo que há no homem. Não te ensoberbeças pelas boas obras, porque os juízos dos homens são muito diferentes dos de Deus, a quem não raro desagrada o que aos homens apraz. Se em ti houver algum bem, pensa que ainda melhores são os outros, para assim te conservares na humildade. Nenhum mal te fará se te julgares inferior a todos; muito, porém, se a qualquer pessoa te preferires. De contínua paz goza o humilde; no coração do soberbo, porém, reinam inveja e iras sem conta.

Tomás de Kempis

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Eficiência, não permissividade, é a relação de Deus para com a ação dos ímpios

Uma questão mais difícil emerge de outras passagens, onde se diz que Deus, a seu arbítrio, verga ou arrasta todos os réprobos ao próprio Satanás. Pois o entendimento carnal mal pode compreender como, agindo por seu intermédio, Deus não contraia nenhuma mácula de sua depravação; aliás, em uma ação comum, seja ele isento de toda culpa, e inclusive condene, com justiça, a seus serventuários. Daqui se engendrou a distinção entre fazer e permitir, visto que esta dificuldade a muitos pareceu inextricável, ou, seja, que Satanás e todos os ímpios estão de tal modo sob a mão e a autoridade de Deus, que este lhes dirige a malignidade a qualquer fim que lhe apraz e faz uso de seus atos abomináveis para executar seus juízos. E talvez fosse justificável a sobriedade destes a quem alarma a aparência de absurdo, não fora que, sob o patrocínio de uma inverdade, de toda nota sinistra tentam erroneamente defender a justiça de Deus.

Parece-lhes absurdo que, pela vontade e determinação de Deus, seja feito cego um homem que, a seguir, haverá de sofrer as penas de sua cegueira. Dessa forma evadem-se tergiversando que isso se dá apenas pela permissão de Deus, entretanto não por sua vontade. Mas é Deus mesmo que, ao declarar abertamente que ele é quem o faz, repele e condena tal subterfúgio.

Que os homens não fazem coisa alguma sem que tacitamente Deus lhes dê per- missão, e que nada podem deliberar senão o que ele de antemão determinou em si mesmo, e o que ordenou em seu conselho secreto, se prova à luz de testemunhos inumeráveis e claros.

O que do Salmo [115.3] citamos anteriormente – “Deus faz tudo quanto lhe apraz” –, é certo que se aplica a todas as ações dos homens. Se, como aqui se diz, Deus é o árbitro real das guerras e da paz, e isto sem qualquer exceção, quem ousará dizer que, desconhecendo-o ele ou mantendo-se passivo, são os homens a elas arrojados, ao acaso, como por um cego impulso?

Mas, mais luz haverá em exemplos especiais. Do primeiro capítulo de Jó sabe- mos que Satanás, não menos que os anjos que obedecem de bom grado, se apresenta diante de Deus para receber ordens. Certamente que isso ele o faz de maneira e com propósito diferentes, todavia de modo que não possa encetar algo, a não ser que Deus o queira. E visto que, entretanto, em seguida parece explicitar-se permissão absoluta para que aflija ao santo varão, daí ser verdadeira esta afirmação: “O Senhor o deu, o Senhor o tirou; como aprouve a Deus, assim se fez” [Jó 1.21], desta provação concluímos que Satanás e os salteadores perversos foram os ministros; Deus foi o autor. Satanás se esforça por incitar o santo a voltar-se contra Deus movido pelo desespero; os sabeus ímpia e cruelmente lançam mão dos bens alheios, roubando-os.

Jó reconhece que da parte de Deus fora despojado de todos os seus haveres e em pobre transformado, pois assim aprouvera a Deus. Portanto, seja o que for que os homens maquinem, ou o próprio Satanás, entre tanto Deus retém o timão, de sorte que lhes dirija os propósitos no sentido de executarem seus juízos. Deus quer que o pérfido rei Acabe seja enganado; para esse fim oferece seus préstimos ao Diabo. Por isso é enviado com um mandado definido: que seja um espírito mentiroso na boca de todos os profetas [1Rs 22.20-23]. Se a obcecação e insânia de Acabe é o juízo de Deus, desvanece-se o constructo imaginário da permissão absoluta, pois seria ridículo que o Juiz apenas permitisse o que queria que fosse feito, contudo não o decretasse e não determinasse a execução aos serventuários.

Propõem-se os judeus eliminar a Cristo; Pilatos e seus soldados condescendem a seu perverso anseio. Entretanto, os discípulos confessam em solene oração que todos esses ímpios nada fizeram senão o que a mão e o plano de Deus haviam decretado [At 2.28]. Como já antes Pedro pregara que “Cristo fora entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus”, para que fosse morto [At 2.23], como se dissesse que Deus, a quem desde o começo nada foi oculto, cônscia e deliberada- mente determinara o que os judeus vieram a executar, como, aliás, o reafirma em outra passagem [At 3.18]: “Deus, que predisse através de todos os seus profetas que Cristo haveria de sofrer, assim o cumpriu.” Absalão, poluindo o leito do pai mediante união incestuosa, perpetra abominável iniqüidade [2Sm 16.22]; no entanto, Deus declara ser isso obra sua, pois estes são os termos: “Tu o fizeste em oculto; eu, porém, farei isto às claras, e diante do sol” [2Sm 12.12]. Jeremias declara ser obra de Deus tudo quanto de crueldade os caldeus praticaram na Judéia, por cuja razão Nabucodonosor é chamado “servo de Deus” [Jr 25.9; 27.6]. Reiteradamente, apregoa Deus que por seu assobio [Is 5.26; 7.18], pelo clangor de sua trombeta [Os 8.1], por seu império e mandado, os ímpios são incitados à guerra; ao assírio chama “vara de meu furor e machado que aciona em minha mão” [Is 5.26; 10.5]; a destruição da cidade santa e a ruína do templo denomina obra sua; Davi, não murmurando contra Deus, ao contrário, reconhecendo-o como justo Juiz, confessa também que de seu mandado provinham as maldições de Simei [2Sm 16.1]: “O Senhor”, diz ele, “o mandou amaldiçoar.” Mais vezes, ainda, ocorre na história sagrada que tudo quanto acontece procede do Senhor, como o cisma das dez tribos [1Rs 11.31]; a morte dos filhos de Eli [1Sm 2.34]; e muitíssimos outros fatos da mesma natureza. Aqueles que são ao menos medianamente versados nas Escrituras vêem que, para alcançar a brevidade, menciono apenas uns poucos exemplos dentre muitos, dos quais, no entanto, se faz mais do que evidente que dizem coisas sem nexo e pronunciam absurdos esses que no lugar da providência de Deus colocam a permissão absoluta, como se, assentado em uma guarita, aguardasse ele eventos fortuitos, e assim do arbítrio dos homens dependessem seus juízos.

João Calvino - As Institutas

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Infinito, Eterno e Imutável em Sua Justiça

Que Deus é justo é uma verdade derivada analiticamente da definição de sua santidade. A palavra hebraica tsadic significa 'reto / justo', e a palavra grega dikaios significa 'direito'. Ambas palavras expressam a justiça de um Deus santo. Justiça é a expressão da santidade de Deus com referência as criaturas morais (ou imorais). Se a criatura estivesse perfeitamente em harmonia com a santidade de Deus, se seguiria da justiça de Deus que a criatura estaria em perfeita comunhão; mas se a criatura é (como sabemos que o é) terrivelmente corrompida, se entende que Deus tem que ser hostil a sua corrupção. Tendo em vista que a criatura é injusta e perversa, se entende que Deus em sua justiça tem que vindicar seu caráter santo e manter sua criação como uma expressão desse caráter santo. Um Deus santo, se mantém uma criação, tem que mantê-la santa e tem que mostrar-se hostil a cada coisa nela que esteja em violação de sua própria santidade. Se há uma diferença entre o reto e o mau, Deus em sua justiça tem que ser hostil ao mau. Esta é analiticamente a verdade. Assim é evidente que a lei - "o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23) - é logicamente necessária em consequência da santidade de Deus.

J. Oliver Buswell Jr - A Systematic Theology of the Christian Religion. Traduzido livremente da versão em espanhol (Teología Sistemática, Tomo I, Dios y Su Revelación).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lembra-te


"Lembra-te..."

Baixe a música:
André e Thiago Arrais - Lembra-te

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que teria feito um pregador moderno?

OrthodoxiaTube: O Seu Canal Ortodoxo no YouTubeO que teria feito um pregador moderno?”. Neste vídeo o pastor Paul Washer contrasta a verdadeira mensagem do Evangelho com a fraca e diluída mensagem pregada nos dias de hoje.


Atenção!
Para ativar a legenda (caso não apareça automaticamente): clique no botão correspondente no canto inferior direito do vídeo player.

O que significa ser salvo?

Com o intuito de trazer bons materiais para os cristãos do Brasil, lançamos o OrthodoxiaTube: um canal onde você poderá encontrar vídeos legendados em português de pregadores fiéis com uma sólida teologia, tais como: John Piper, Paul Washer, Mark Driscoll... À medida que formos postando os vídeos no canal, divulgaremos aqui no blog. Inauguramos o canal com o vídeo a seguir:

O que significa ser salvo?”. Neste curto vídeo o pastor John Piper descreve, de forma breve, o significado da obra regeneradora de Deus no coração do pecador.



Atenção!
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O pecado imperdoável

A concepção reformada (calvinista) desse pecado. O titulo “pecado contra o Espírito Santo” é demasiado geral, pois também há pecados contra o Espírito Santo que são perdoáveis, Ef. 4.30. A Bíblia fala mais especialmente de “falar contra o Espírito Santo”, Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10. Evidentemente, é um pecado cometido durante a presente vida, pecado que torna impossíveis a conversão e o perdão. O pecado consiste na rejeição e calúnia consciente, maldosa e voluntária, e isso contra as evidências e respectiva convicção do testemunho do Espírito Santo a respeito da graça de Deus em Cristo, atribuindo-o, por ódio ou inimizade, ao príncipe das trevas. Isto pressupõe, objetivamente, uma revelação da graça de Deus em Cristo, numa poderosa operação do Espírito Santo; e, subjetivamente, uma iluminação e convicção intelectual tão forte e poderosa que impossibilita uma franca negação da verdade. E, depois, o pecado mesmo consiste, não em duvidar da verdade, nem numa simples negação dela, mas sim numa contradição dela que vai contra a convicção da mente, a iluminação da consciência, e até mesmo contra o veredicto do coração. Ao cometer esse pecado, o homem atribui voluntária, maldosa e intencionalmente o que se reconhece claramente como obra de Deus à influencia e operação de Satanás. Não é nada menos que uma difamação do Espírito Santo, uma audaciosa declaração de que o Espírito Santo é o espírito do abismo, que a verdade é mentira e que Cristo é Satanás. Não é tanto um pecado contra a pessoa do Espírito Santo, como contra a Sua obra oficial que consiste em revelar, tanto objetiva como subjetivamente, a graça e a gloria de Deus em Cristo. A raiz desse pecado é o consciente e deliberado ódio a Deus e a tudo quanto se reconhece como divino. É imperdoável, não porque a sua culpa transcende os méritos de Cristo, ou porque o pecador esteja fora do alcance do poder renovador do Espírito Santo, mas, sim porque há também no mundo de pecado certas leis e ordenanças estabelecidas por Deus e por Ele mantidas. E, no caso desse pecado particular, a lei é que ele exclui toda a possibilidade de arrependimento, cauteriza a consciência, endurece o pecador e, assim, torna imperdoável o pecado. Daí, nos que cometeram esse pecado podemos esperar ver um pronunciado ódio a Deus, uma atitude desafiadora para com Ele e para com tudo quanto é divino, um prazer em ridicularizar e difamar aquilo que é santo, e um desinteresse absoluto quanto ao bem-estar da alma e à vida futura. Em vista do fato de que esse pecado não é seguido pelo arrependimento, podemos estar razoavelmente seguros de que os que receiam havê-lo cometido e se preocupam com isso, e desejam as orações doutras pessoas por eles, não o cometeram.

Louis Berkhof - Teologia Sistemática

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mais doutrina, mais Cristo

Muitos em nossos dias encontram a causa de toda a dissensão e divisão na igreja em muita doutrina e em credos que são muito específicos em suas declarações doutrinárias. Eles advogam que todas essas declarações específicas de fé, pelas quais cada igreja erige um muro de separação ao redor de si mesma, devem ser esquecidas, apagadas e eliminadas; que as confissões devem ser alargadas e generalizadas; e que sobre a base de tal ampla declaração de princípios gerais, as várias denominações devem se mesclar, e assim concretizar a unidade da igreja. Contudo, deve ser evidente que nessa forma, uma unidade externa pode ser deveras eficaz, mas somente à custa da verdade e à custa da fé da igreja, que é o mesmo que dizer que é uma unidade sem o Cristo da Escritura. A igreja não está interessada numa unidade externa que revela a si mesma numa instituição altamente humana...

A unidade da igreja está centrada em Cristo. Se a igreja há de crescer nessa verdadeira unidade, ela deve crescer em Cristo. Ela não deve ter menos de Cristo, mas sempre mais. E seu Cristo está nas Escrituras. Por conseguinte, ela deve apropriar o Cristo da Santa Escritura, o que significa que ela deve instruir e ser instruída na verdade. Ela não deve buscar união no caminho de menos, mas no caminho de mais rica e mais doutrina. Ela deve não somente colocar de lado as doutrinas de homens, sem dúvida, mas ela deve também crescer sempre na doutrina de Cristo. Que a verdadeira igreja seja sempre pequena no mundo! Todavia, ela não ousa buscar a realização da sua unidade em qualquer outra direção senão na do crescimento no conhecimento de Cristo, seu cabeça, até que “todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13). Somente aqueles que estão se esforçando para se aproximar dessa estatura é que estão realmente trabalhando para a manifestação da unidade da igreja, e tudo quanto for mais do que isso é do maligno.



Herman Hoeksema



Extraído do site Monergismo

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