sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mas a vontade humana não é livre?

Em um sentido ela é, mas no sentido normalmente empregado pelas pessoas e que faz com que os mais liberais usem a expressão "livre-arbítrio", a vontade não é livre. Ela está escravizada pelo pecado.

Nossa vontade é livre para escolher de acordo com nossos desejos, mas não é livre para determinar esses desejos. Nossa vontade é livre no sentido de que nossas escolhas não são forçadas sobre nós ou compelidas através de pressão externa. Mas nossa vontade não é "livre" no sentido de ser soberana sobre a nossa natureza moral. Nós não podemos, por um ato da vontade, mudar nosso caráter para melhor. Esse é o ponto enfatizado em Jeremias 13:23: O pecador tem exatamente a mesma habilidade para transformar seu próprio coração e fazer com que este faça o bem que o leopardo tem de remover suas manchas.

Em outras palavras, a depravação corrompe o nosso coração e perverte todos os nossos apetites. Ela inclina a nossa natureza de tal forma que passamos a amar o pecado. Desejos maus, então, governam as escolhas que fazemos. E já que nós fazemos essas escolhas livremente e com grande satisfação, nós somos culpados por elas.

Portanto nossa inabilidade não é nenhuma desculpa para nossa pecaminosidade. É precisamente o oposto. É a própria razão porque estamos condenados. O pecado flui do próprio centro de nossas almas. O coração daquilo que somos é mau. Nós somos "por natureza, filhos da ira" (Efésios 2:3). É por isso que nós fazemos coisas más. Disse Jesus: "Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem." (Marcos 7:21-23)

Em outras palavras, nós não somos pecadores porque pecamos; nós pecamos porque somos pecadores. Nós nascemos pecadores, e todos os nossos atos de pecado procedem desse fato.

Phil Johnson

Tradução: Juliano Heyse (centurio)

Extraído do site Bom Caminho

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A regeneração precede a fé

R. C. SproulUm dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A REGENERAÇÃO PRECEDE A FÉ

Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

"Fé - novo nascimento -justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.

Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.

Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerer maior explanação.

MONERGISMO E SINERGISMO

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por um razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.

A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.

Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: O Mistério do Espírito Santo, Tyndale House, 1990
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Originalmente em Monergismo.com - Via: Teu Ministério

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Cinco reais de evangelho, por favor!

Cinco reais de evangelho, por favor!Eu gostaria de comprar mais ou menos cinco reais de evangelho, por favor. Não muito – apenas o suficiente pra me fazer feliz, mas não demais que eu fique dedicado. Eu não quero tanto evangelho que eu aprenda realmente a odiar a cobiça e a luxúria. Certamente não quero tanto que comece a amar meus inimigos, prezar a auto-negação, e contemplar o serviço missionário em alguma cultura diferente. Eu quero êxtase, não arrependimento; transcendência, não transformação. Eu gostaria de ser querido por algumas pessoas gentis, perdoadoras e de mente aberta, mas eu mesmo não quero amar aquelas de diferentes raças – especialmente se tiverem cheiro. Eu gostaria de evangelho o suficiente para fazer minha família segura e meus filhos bem comportados, mas não tanto que eu descubra minhas ambições redirecionadas ou minhas doações por demais alargadas. Eu gostaria de levar cinco reais de evangelho, por favor.

D.A. Carson em Basic for believers; exposition on Philipians; Baker Books, 1996, 2002.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto.

Adaptado por Saulo R. do Amaral.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O novo ateu

Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador"

(...)

... há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.

Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.

Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.

Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.

Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.

A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.

As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.

A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.

Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.

Rev. Ricardo Barbosa de Souza

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Cristo, nossa Razão - Razão, nossa arma

A Bíblia nos diz que Cristo é o Logos de Deus –– isto é, Ele é a Palavra, a Sabedoria, a Lógica, ou a Razão de Deus (João 1:1). Portanto, todo aquele que rejeita Cristo, rejeita a própria razão. Aqueles que atacam o Cristianismo lutam contra a Razão, assim, que nunca seja dito novamente que os incrédulos empregam a razão ou a lógica para desafiar o Cristianismo –– isto nunca acontece. Antes, sua estratégia é atacar nossa fé com afirmações e especulações irracionais e sem garantia. Por outro lado, Cristo é o nosso campeão, e a Escritura/Razão é a nossa arma.

Os não-cristãos reivindicarão que a Razão pertence a eles, e isto confunde muitos cristãos mal-informados. Mas, como ilustramos acima, embora eles possam tentar colocar a Rocha da Razão em seus ombros, e proclamá-la como seu Deus e eles como os seus servos, eles não podem arcar com as suas demandas, e, no final das contas, a Rocha sufoca e esmaga-os. Eles deslizam por debaixo delas [as demandas] e tentam se escusar delas e redefini-las. Então, eles concordam com a idéia de que eles podem, juntos, remendar uma bola gigante de estrume e chamar esta de Razão e Lógica –– ela é muito mais leve, e certamente ninguém notará! Mas, o apologista bíblico esmagará tanto eles como a sua bola de estrume com a Rocha da Razão, da qual eles tentam tão duramente escapar.

Eu tenho usado Sinnott-Armstrong e Zarefsky somente como exemplos, mas todos os outros pensadores não-cristãos são da mesma forma fracos mentalmente. Se ele for Michael Martin, Kai Nielsen, ou qualquer outro não-cristão do passado ou presente, não faz diferença. Seu irracionalismo está necessariamente relacionado com sua rejeição da cosmovisão bíblica; qualquer pessoa que brinca com estrume federia. E, visto que sua forma de argumentação não é apenas praticada sem conhecimento, mas deliberadamente e sistematicamente ensinada aos seus estudantes, as gerações futuras de não-cristãos podem somente se tornar cada vez piores.

Isto nos trás a um ponto importante mencionado no começo. Mesmo uma criança pode derrotar estes professores não-cristãos num debate? Elas certamente podem, se elas forem apropriadamente treinadas por seus pais e pastores. Deus já fez de todos os incrédulos tolos (1 Coríntios 1:20), e Ele se deleita em usar as coisas humildes para humilhar as orgulhosas (v. 28). Embora todos devamos participar, quem melhor para embaraçar os eruditos não-cristãos do que as crianças, os mentalmente incapazes e os sem-educação? Mas, para terem sucesso, eles devem abraçar a Cristo como sua Razão e eles devem afirmar toda a Escritura como revelação de Deus. Assim, eles devem ser ensinados de maneira apropriada.

Pais, ensinem a seus filhos teologia sistemática e apologética bíblica. Vocês devem começar tão logo eles comecem a entender o nosso idioma. Treine-os a pensar biblicamente e logicamente. Desde o começo de suas vidas, ensine-os a estimar o que Deus estima, e a desprezar o que Deus despreza.

Pastores preguem sobre a tolice dos incrédulos –– exponha-os! Use-os como exemplos públicos e mostre ao seu povo como os demolir racionalmente e reduzi-los a nada. Você encontrará os piores argumentos até mesmo nas melhores obras deles. Transmita ao seu povo a destreza, o conhecimento e a confiança que eles necessitam para enfrentar os incrédulos e vencer. Nosso objetivo é a total humilhação e aniquilação da erudição não-cristã; nosso propósito é golpear as suas costas e esmagar a sua cabeça com a Razão até que se curvem diante do trono de Cristo. Para fazer isto, devemos labutar para levantar um exército de apologistas bíblicos, capazes de demolir qualquer não-cristão num debate, num piscar de olhos.

Certamente, alguns de vocês ainda estão hesitantes; vocês ainda estão algemados pelos padrões do discurso e conveniência social que os não-cristãos impuseram sobre vocês. Este é um mecanismo de defesa que eles instalaram em suas mentes para se protegerem contra a Razão. Parem de ser estúpidos! Parem de ser fracos! Parem de lisonjear e romancear aquilo que Deus condenou. Ao invés disto, estejam em linha com o método bíblico e o tom da proclamação e defesa do evangelho. Levantem-se e tomem seus lugares no exército de Deus, e lutem por Sua causa.

Autor: Vincent Cheung
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Extraído do excelente texto Idiotas Profissionais, do site Monergismo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Um simples comentário

Lashon hará - Língua para o malCerta vez, um homem de tanto falar que seu vizinho era ladrão, provocou sua detenção para averiguações. Após vários interrogatórios descobriram que o pobre rapaz era inocente.

O rapaz foi solto, após muito sofrimento e humilhação, e em seguida processou o homem que o havia acusado.

No tribunal o homem disse ao Juiz:

- Comentários não causam tanto mal.

Ao que o Juiz respondeu:

- Escreva os comentários que você fez sobre o rapaz numa folha de papel. Depois pique a folha e jogue os pedaços pelo caminho, daqui até a sua casa. Amanhã volte para ouvir a sentença.

O homem obedeceu e voltou no dia seguinte.

O Juiz disse:
- Antes da sentença você terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem.

- Não posso fazer isso, meritíssimo! O vento deve ter espalhado os pedaços de papel por tudo quanto é lugar. Já não sei onde estão!

- Da mesma maneira, completou o Juiz, um simples comentário pode destruir a honra de uma pessoa, espalha-se a ponto de não podermos mais consertar o mal causado.

Se não pode falar bem de uma pessoa, é melhor calar!

(Autor desconhecido)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cheios do Espírito

A expressão “cheio do Espírito” é encontrada algumas poucas vezes no livro de Atos dos Apóstolos. Em Efésios, Paulo manda que seus leitores “deixem-se encher pelo Espírito” (NVI), a tradução certa do grego. Paulo fala aos Gálatas que ele está sofrendo “dores de parto... até que Cristo seja formado” neles (4.19). Na segunda oração, registrada em Efésios, o apóstolo culmina seu pedido com a frase: “... para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (3.19b). Jesus também falou para seus discípulos, na noite de sua traição, que eles deveriam permanecer nEle, e Ele permaneceria neles. Por isso, examinemos o significado dessas palavras bíblicas e suas implicações para a vida cristã autêntica.

Em primeiro lugar, parece-me provável que todas essas frases são, senão sinônimas, pelo menos paralelas. Se alguém está cheio de Cristo ou de Deus, entende-se que ele está cheio do Espírito, uma vez que este não é outro senão o Espírito de Cristo, ou o Espírito Santo de Deus. Cristo, formado num cristão, deve equivaler a alguém que goza da plenitude de Deus, “pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). Acreditando firmemente que a Trindade se compõe de três pessoas numa só essência, concluímos que é razoável crer que ficar cheio de um deles significa estar cheio dos outros.

Em segundo lugar, mesmo que não faça parte de nossa maneira contemporânea de falar, estar cheio de uma pessoa comunica que ela exerce uma influência forte sobre aquele. Diríamos que um indivíduo ficou sob o domínio do outro. Uma vez cheio do Espírito, o crente não agiria de modo independente. Estaria, consciente ou inconscientemente, controlado por um “espírito” distinto do seu espírito humano. O homem cheio do Espírito pensaria, falaria, desejaria e agiria de modo distinto daquele com que ele atuaria se estivesse apenas cheio de si.

Paulo fala dessa distinção quando se refere ao “espírito do mundo” ou o indivíduo “que não tem o Espírito de Deus” (traduz a palavra psuchikos, “almal”, 1 Co 2.12,14). Os espirituais podem ser os que, tendo o Espírito, se dispõem a ouvi-lo e obedecer-lhE. Todos temos ouvido falar de pessoas possessas. Quer dizer, uma pessoa dominada por um espírito que nem é humano e nem divino. A única outra opção seria um espírito imundo ou demoníaco. Jesus enviou seus discípulos numa missão em que uma de suas tarefas era a de “expulsar espíritos imundos” (Mt 10.1). Porém, a maioria maciça dos não-cristãos não é de pessoas endemoninhadas. Paulo ensina que o príncipe do poder do ar, o espírito que está atuando nos que vivem na desobediência (Ef 2.2), influencia até os não-cristãos. Mas isso não quer dizer que todos os que não se submetem ao senhorio de Cristo estão cheios de Satanás, ou possessos! Claro que não!

Essa distinção notável no mundo incrédulo pode nos mostrar bem o caminho para uma compreensão mais clara do enchimento do Espírito. Todos os cristãos verdadeiros, nascidos do Espírito, têm uma medida da influência do Espírito, mas parece que a maioria não está dominada por Ele. Se alguém não tem o Espírito, tal pessoa não deve ser reconhecida como cristão! Mas ter o Espírito e ficar cheio do Espírito referem-se a distinções que podemos observar em qualquer igreja.

Por fim, gostaria de oferecer sugestões que poderão ser úteis num auto-exame e dirão se somos ou não cheios do Espírito.

1. Pessoas cheias do Espírito são as que mais se parecem com o Senhor Jesus. São imitadores de Jesus.

2. São pessoas humildes. Jesus os chamou de “pobres em espírito”. Consideram os outros superiores a si mesmos.

3. São membros bem integrados na igreja, o Corpo de Cristo, de maneira que a Cabeça evidentemente os controla. Não são nem egoístas nem independentes, mas servidores.

4. Elas buscam em primeiro lugar o Reino de Deus, e não seu próprio reino.

5. Elas confiam de tal maneira no controle soberano de Deus sobre todas as pessoas e eventos que não se preocupam com sua própria vida, mas se entristecem com o sofrimento dos outros.

6. Elas procuram entender a Bíblia como Jesus a entendeu, e se comprometem em obedecer seus mandamentos.

7. Elas são semeadores da boa semente do Evangelho e se empenham no discipulado das nações.

8. Elas vivem na gloriosa esperança da Vinda do Senhor, de modo que não ficam desesperadas com a multiplicação da maldade no mundo.

9. Elas perdoam em vez de se vingarem.

10. Acima de tudo, são arraigadas e alicerçadas em amor.

Russell Shedd

Fonte: Revista Enfoque - Edição 84 - JUL / 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Paciência

Amigo, como diziam os antigos, ponha paciência e água no mingau de aveia antes de apanhar os miseráveis e transmitir aos outros a doença pecaminosa de encontrar imperfeições em Deus. O melhor remédio para a aflição é submeter-se à providência. O que não pode ser curado, deve ser suportado. Se não pudermos ter bacon, louvemos a Deus, pois ainda temos alguns repolhos na horta. "O dever" é uma noz dura de quebrar, mas tem uma semente doce. "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam". O que quer que caia do céu, mais cedo ou mais tarde, faz bem para a terra; o que quer venha de Deus tem valor, mesmo que seja um açoite. Por nossa natureza, não podemos gostar de dificuldades da mesma forma que um rato não cai de amores por um gato, contudo Paulo, pela graça, chegou à glória também em tribulações. Perdas e cruzes são pesadas de suportar, mas é maravilhoso como o fardo fica leve quando nosso coração está do lado direito de Deus. Temos de ir para a glória pelo caminho da Cruz das Lamentações; e como nunca nos foi prometido que iríamos para o céu em uma cama de plumas não podemos nos desapontar ao ver que a estrada é difícil, como nossos pais também acharam antes de nós. Tudo está bem quando termina bem, por isso, aremos o solo mais árido com os olhos na colheita e aprendamos a cantar durante nosso trabalho, enquanto os outros murmuram.
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C.H. Spurgeon - Sabedoria Bíblica

Evangelismo: como medir os resultados?

EvangelismoSe esquecermos que é prerrogativa de Deus dar os resultados quando o evangelho é pregado, começaremos a pensar que é nossa responsabilidade assegurá-los. E se esquecermos que somente Deus pode dar fé, começaremos a pensar que a produção de conversões depende, em última análise, não de Deus, mas de nós, e que o fator decisivo é o modo como evangelizamos... Se considerarmos como sendo nossa tarefa não simplesmente apresentar Cristo, mas realmente produzir conversões - não somente evangelizar fielmente, mas também de forma bem sucedida - nossa abordagem de evangelismo se tornará pragmática e engenhosa... O modo de descobrir se de fato você está evangelizando não é perguntar se há conversões como resultado de seu testemunho. É perguntar se você está fazendo a mensagem do evangelho conhecida fielmente.

J. I. Packer

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Yom Kipur

"Sem sangue não há Yom Kipur" (Talmud Yomá 5a)

"... O sangue de Yeshua HaMashiach, Seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1Jo 1:7)

Nas duas primeiras semanas do mês de Tishrei, os judeus do mundo comemoram a seqüência de festas típicas da estação de outono: o Rosh Hashaná (também conhecido como festa das trombetas), os 10 dias de Arrependimento (cujo último dia é conhecido como Yom Kipur, o dia do Perdão) e a Festa dos Tabernáculos ou festa da colheita (Sucôt).

Qual é a origem desses dez dias de arrependimento?

Em Levítico 23:24, encontramos uma ordem: “...No sétimo mês, ao primeiro dia do mês, tereis descanso solene, um memorial ao som da trombeta, uma santa convocação” . Após o exílio Babilônico, este dia do “soar da trombeta” tornou-se conhecido como Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico. Na Torá, tudo o que conhecemos é que é um dia de “fazer tocar as trombetas”. No livro de Salmos, encontramos referências interessantes (Salmo 81.3) “Tocai a trombeta na lua nova, na lua cheia, no dia da nossa festa”. Nesse Salmo encontramos o tocar da trombeta (Shofar, que é um chifre de carneiro) na lua nova, que é a primeira do mês, é também chamada “o dia de nossa festa”. O Salmo 81 traz à luz um outro aspecto tradicional dessa festa. De acordo com a tradição desse dia, Rosh Hashaná, que é o primeiro dia do sétimo mês, é também um dia que coroamos D-us como Rei de nossas vidas e da vida da nação. Entre o Rosh Hashaná, que é o primeiro dia do sétimo mês, e o dia da expiação (Yom Kipur), que é o décimo dia do sétimo mês, há um período de dez dias separados para o arrependimento e perdão dos pecados de Israel. Esses dez dias são como um período especial onde as pessoas se tornam mais cerimoniais e contemplativas acerca de seus pecados, num nível coletivo-nacional. D-us concedeu um dia para expiação dos pecados da nação. O bode expiatório que era enviado ao deserto era uma prefiguração do trabalho de Yeshua (Jesus) o Messias, que morreu na cruz pelos pecados do mundo inteiro. Por causa da solenidade que traz esse dia, tornou-se tradição tomar dez dias entre os dois dias santos para contemplação e arrependimento.

Os judeus, de modo geral, levantam bem cedo, antes do nascer do sol, e recitam orações e cânticos de arrependimento que expressam a profunda tristeza que cada indivíduo e toda coletividade tem pela fraqueza e pelos pecados que eles cometeram.

Não há nenhuma outra nação que gaste dez dias meditando acerca da expiação e perdão dos pecados como a nação de Israel.

No dia da expiação quase todo Israel e a comunidade judaica ao redor do mundo jejua. Ninguém come ou bebe, por um período de 24 (vinte e quatro) horas. Cada pessoa, que não esteja doente ou grávida, ou seja menor de doze anos, jejua, abstém-se de comida e bebida por 24 (vinte e quatro) horas, isto aumenta a seriedade do dia no qual você contempla seus pecados e fraquezas. Os cultos nas Sinagogas geralmente acontecem na noite anterior, normalmente pela manhã bem cedo, e o último às 18:30 deste dia. Muitas pessoas permanecem na Sinagoga por 10 (dez) horas, para orar e suplicar a Deus pelo perdão do pecados.

A consciência do pecado do Rabino Shaul (Paulo) está provavelmente influenciada pelas orações do dia da expiação. Passagens como Romanos 7:24 “Desventurado homem que sou? Quem me livrará do corpo desta morte?”, podem estar influenciados pelas confissões do dia da expiação, que repetidamente enfatizam a fraqueza e a vulnerabilidade do homem.

Há um interessante comentário feito por Ibn Ezra, um comentarista bíblico judeu medieval, a respeito de Levítico 16.9-10. Ibn Ezra fixa seu comentário em Levítico 16.9: “Se você deseja conhecer o mistério do bode expiatório deve conhecer primeiro quem morreu na idade de 33 (trinta e três)...”. Não foi ele quem elaborou este ponto. Um comentarista posterior, um dos mais famosos Rabinos Judeus da era de ouro, do exílio espanhol, rabino Moshê Ben-Nachman, afirma neste verso: “Eu digo que o Rabino Abraham Ibn Ezra quis dizer, “a idade de 33...”: Esaú e o Reino de Edom”. Na terminologia judaica medieval, Esaú é Yeshua, e o Reino de Edom é o Império Romano. Assim, o Rabino Moshê identifica a pessoa de quem o Rabino Ibn Ezra estava falando como sendo Yeshua. Yeshua é o bode expiatório que leva os pecados de Israel sobre si no dia da expiação. É interessante ver rabinos que identificam o bode expiatório como Yeshua e ainda não acreditam n’Ele. A razão pela qual esses rabinos são capazes disso é porque eles viviam sobre a impressão errada que cristianismo é para gentios e não para Judeus.

A política da igreja católica em relação ao povo judeu apenas reforçou essa idéia errada. Yeshua, (Jesus) veio em primeiro lugar para o povo de Israel. Os cristãos têm a responsabilidade de orar pelas boas novas para o povo judeu, se não por outra razão, pelo fato de que eles receberam as boas novas dos judeus.

Qual é a aplicação disso tudo para os seguidores de Yeshua o Messias?

“Consciência de pecado” é talvez o tema mais pregado nos púlpitos das igrejas ocidentais. Arrependimento é certamente o maior princípio de todas as religiões bíblicas. Os cristãos freqüentemente pensam que são proprietários de confissões e arrependimentos, por fé e graça.

A verdade é que tanto no judaísmo quanto no islamismo, há sustentação de uma forte crença para o arrependimento. Há coisas que podemos aprender do judaísmo nos 10 dias de arrependimento.

1 - Estabelecer um tempo para meditar acerca de seu “status” com Deus, sua necessidade de arrependimento e deixar que este tempo seja oportuno para se fazer um esforço concentrado.

2 - Durante esse tempo separado para arrependimento, você deve levantar-se bem cedo e começar seus dias com uma confissão de pecados.

3 - Há itens que exigem um arrependimento coletivo e, conseqüentemente, devem envolver toda comunidade no processo de arrependimento.

4 - Embora o arrependimento seja de responsabilidade individual, é importante que as pessoas façam isto juntas, estabelecendo um tempo especial para isso.

Há algumas pessoas que desprezam essa idéia e dizem que devemos nos arrepender diariamente e instantaneamente quando nos surpreendemos em pecado. Mas, a verdade é que há muitos pecados que cometemos inadvertidamente e, sem ter consciência deles. Nós precisamos gastar tempo em nos concentrar como a comunidade judaica faz nos dez dias de arrependimento.

Para o povo Judeu que não acredita em Yeshua, o processo de arrependimento é complicado pelo fato de que há muitos textos bíblicos que eles lêem durante os cultos do dia da expiação, que mencionam a necessidade de sangue e sacrifício para a expiação. Aqueles que acreditam em Yeshua, o Messias, sabem que o sangue de bodes e touros não mais corre no altar para expiar os pecados de Israel, mas o sangue derramado por Yeshua por nossas transgressões está ainda disponível para expiar e perdoar e redimir os judeus de seus pecados. Minha oração neste ano é que durante estes dez dias de arrependimento o Senhor revelará para eles que já proveu o cordeiro para expiação dos pecados. Por outro lado, minha oração é também para que a igreja gaste tempo e avalie seus erros e pecados coletivos e individuais cometidos, e gaste mais tempo re-aplicando o sangue de Yeshua, que está ainda fresco e não seco, capaz de perdoar os pecados da humanidade.

Rabino Joseph Shulam (Jerusalém, Israel)
Fonte: Ministério Ensinando de Sião

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Prata refinada

Havia um grupo de mulheres num estudo bíblico do livro de Malaquias.

Quando elas estavam estudando o capítulo 3, elas se depararam com o versículo 3 que diz: "Ele assentar-se-á como fundidor e purificador de prata".

Este verso intrigou as mulheres e elas se perguntaram o que esta afirmação significava quanto ao caráter e natureza de Deus.

Uma das mulheres se ofereceu para tentar descobrir como se realizava o processo de refinamento da prata e voltar para contar ao grupo na próxima reunião do estudo bíblico.

Naquela semana esta mulher ligou para um ourives e marcou um horário com ele para assisti-lo em seu trabalho.Ela não mencionou a razão de seu interesse na prata, nada além do que sua curiosidade sobre o processo de refinamento da prata. Enquanto ela o observava, ele mantinha um pedaço de prata sobre o fogo e deixava-o aquecer.

Ele explicou que no refinamento da prata devia-se manter prata no meio do fogo onde as chamas eram mais quentes de forma a queimar todas as impurezas. A mulher pensou em Deus mantendo-nos num lugar tão quente, depois ela pensou sobre o verso novamente, que '"Ele se assenta como um fundidor e purificador de prata".

Ela perguntou ao ourives se era verdade que ele tinha que se sentar em frente ao fogo o tempo todo que a prata estivesse sendo refinada. O homem respondeu que sim. Ele não apenas tinha que sentar-se lá segurando a prata, mas também tinha que manter seus olhos na prata o tempo inteiro que ela estivesse no fogo. Se a prata fosse deixada, apenas por um momento, em demasia nas chamas, ela seria destruída.

A mulher silenciou por um instante.

Depois ela perguntou:
- 'Como você sabe quando a prata está completamente refinada?'

Ele sorriu e respondeu:
- 'Oh, é fácil. Quando eu vejo a minha imagem nela'.

(Autor desconhecido)

O Senhor lhe abriu o coração

“O Senhor lhe abriu o coração” (Atos 15:14)

Há muitos pontos interessantes na conversão de Lídia. Sua conversão se deu em circunstâncias providenciais. Ela era vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, mas, justamente no momento certo para ouvir o apóstolo Paulo, encontramo-la em Filipos; a providência, que é uma serva da graça, conduziu-a ao lugar certo. Novamente, a graça estava preparando a sua alma para a bênção - a graça preparando para a graça. Lídia não conhecia o Salvador, mas como judia, ela conhecia muitas verdades que foram excelentes pontos de partida para o conhecimento de Jesus. Sua conversão ocorreu no uso desses meios. No sábado, quando costumava ser feita a reunião de oração, ela foi lá e ouviu a oração. Jamais negligencie os meios de graça; Deus pode nos abençoar quando não estamos em Sua casa, mas temos muito mais motivos para esperar que Ele o faça quando estamos em comunhão com os Seus santos. Observe as palavras "O Senhor lhe abriu o coração." Ela não abriu seu próprio coração. Sua oração não o fez; Paulo não o fez. O próprio Senhor deve abrir o coração, para que recebamos as coisas que contribuem para a nossa paz. Só Ele pode colocar a chave no buraco da fechadura e abrir a porta, e entrar por Si mesmo. Ele é o dono do coração da mesma forma que é o seu criador. A primeira evidência externa do coração aberto foi a obediência. Tão logo Lidia creu em Jesus, ela foi batizada. É um sinal agradável de humildade e de coração quebrantado quando um filho de Deus está disposto a obedecer uma ordem que não é essencial à sua salvação, que não é imposta a ele por medo da condenação, mas como um ato simples de obediência e de comunhão com o Mestre. A evidência seguinte foi o amor, manifestando-se em atos de bondosa gratidão para com os apóstolos. O amor pelos santos sempre foi uma marca do verdadeiro convertido. Aqueles que nada fazem por Cristo, ou por Sua Igreja, não Lhe dão nada mais do que evidências esfarrapadas de um coração "aberto". Senhor, dá-me sempre um coração aberto.

Charles Haddon Spurgeon

Morning and Evening (Devocional vespertina do dia 10 de dezembro)
Tradução: Mariza Regina Souza

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Sofrimento dos Filhos de Deus

É triste ver aqueles que professam pertencerem aos arraiais de Cristo e, conseqüentemente, crer na Bíblia, negarem algumas verdades fundamentais do Cristianismo. Dentre tantas negadas em nossos dias, uma das de mais ampla extensão, senão a de maior, é a negação da legitimidade de um crente verdadeiro passar por sofrimentos, especialmente de ordem física.

Muito têm se dito sobre o suposto direito que um crente tem diante de Deus, reivindicando o mesmo para não aceitar problemas no casamento, de ordem econômica, enfermidades e desemprego. Enquanto os teólogos do passado se deleitavam em pregar e escrever sobre os decretos de Deus, os "teólogos" de hoje só têm a dizer sobre "os decretos do crente". Na verdade, isto é um retrato do foco dos cultos modernos, ou seja, o culto teocêntrico foi trocado pelo culto antropocêntrico. Triste realidade!

Contudo, a despeito das reivindicações dos "profetas" modernos, a Bíblia no diz que "por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus" (Atos 14:22). A Bíblia não ensina que os crentes são imunes às aflições. Pelo contrário, a presença das mesmas na vida dos filhos de Deus e a ausências delas, muitas vezes, nas vidas dos ímpios, quase fez com que os pés do salmista vacilasse. "Os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens" (Salmos 73:2-5).

O cristão não deve rejeitar o sofrimento como algo não vindo da parte de Deus, pois, ao contrário do que se ensina nos púlpitos modernos, eles nos foram decretados. "Para que ninguém seja abalado por estas tribulações; porque vós mesmo sabeis que para isto fomos destinados" (1 Tessalonicenses 3:3). Contudo, o filho de Deus não deve ter prazer ou alegria no sofrimento, pelo sofrimento em si, mas sim pelo propósito de Deus neste sofrimento. "O Senhor corrige ao que ama" (Hebreus 12:6), e com certeza, nas nossas adversidades, Deus está trabalhando com o nosso caráter, nos lapidando e nos conformando à imagem de Seu Filho. Mas, o que dizer daqueles que "não aceitam" tais sofrimentos? E o progresso espiritual que tais sofrimentos pretendiam produzir na vida destas pessoas? Talvez esta seja uma das razões de vivermos atualmente numa geração de crentes com um dos níveis mais baixos de espiritualidade e moralidade que já se viu na história da Igreja.

Portanto, que não desfaleçamos diante das tribulações (Efésios 3:13), mas, gloriemo-nos nelas (Romanos 5:3), sabendo que ela produz perseverança, transformações nas nossas vidas, e o mais importante, glórias a Deus. Que possamos ver nas nossas vidas e nas dos nossos irmãos os frutos da aflição. Que diante das provas e tribulações, possamos examinar o nosso coração, e colocar em ordem "a nossa casa".

Enquanto muitos acusam os crentes atribulados de estarem em pecado, a Bíblia os chamam de bem-aventurados. "Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão" (Tiago 5:11).

O pentecostalismo e o neo-pentecostalismo têm causado muitos danos à espiritualidade do povo brasileiro, mas o filho de Deus, que tem a sua vida alicerçada na Palavra de Deus, e não nos ventos de doutrina, sabe que somos "participantes das aflições de Cristo", para que "na revelação da Sua glória" (1 Pedro 4:13) nos regozijemos e exultemos.

Que os falsos profetas e apóstolos bradem o que quiserem, o PROFETA de antemão já disse: "Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33).

Felipe Sabino de Araújo Neto


1 Crônica publicada na lista de mensagens Solascriptura-TT

sábado, 4 de outubro de 2008

Shuva Israel

Shuva Israel - Volta, ó IsraelEsta Haftará é lida no Shabat que cai entre Rosh HaShaná e Yom Kipur.

14
Volta, ó Israel, para o Eterno teu Deus, pois caíste pela tua iniqüidade. Tomai convosco palavras e voltai para o Eterno; dizei-lhe: Perdoa toda a iniqüidade e aceita em troca o que é bom; assim ofereceremos, em lugar de novilhos, as preces dos nossos lábios. A Assíria não nos salvará; não montaremos em cavalos nem diremos mais à obra das nossas mãos: Tu és nosso deus; porque só em Ti o órfão alcançará piedade. Curarei a sua apostasia, amá-los-ei voluntariamente, porque a Minha ira se afastou deles. Serei para Israel como o orvalho; ele brotará como a rosa e lançará as suas raízes como as do Líbano. Estender-se-ão os seus ramos, e a sua formosura será como a da oliveira, e a sua fragrância como a do Líbano. Os que se abrigavam à sua sombra voltarão; se vivificarão como o cereal e florescerão como a videira, e a sua fama será como a do vinho do Líbano. Quando Efráim disser: Que tenho eu mais com os ídolos? Eu lhe responderei, e cuidarei dele. Eu sou como o cipreste verde; de Mim provém o teu fruto. Quem é sábio que entenda estas coisas, quem é inteligente que as saiba. Que os caminhos do Eterno são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores tropeçarão, porque não andaram neles.

Os Sefaradim continuam com “Quem, ó Deus...”, mais adiante.
Os Ashkenazim prosseguem até “jamais será envergonhado”.

2 E o Eterno elevou Sua voz diante de Seu exército, porque era muito grande Seu acampamento e poderoso ao cumprir Sua palavra, pois grande é o dia do Eterno e muito temível; e quem poderá suportar? Agora também, diz o Eterno, voltai a Mim de todo vosso coração, com jejum, pranto e lamentação; rasgai vossos corações, mas não vossas roupas, e voltai ao Eterno, vosso Deus, porquanto Ele é misericordioso e piedoso, tardio em irar-Se e grande em benignidade, que reconsidera sobre o mal. Quem sabe Ele Se volte e reconsidere, e deixe atrás de Si uma benção, uma oferta e uma libação para o Eterno, vosso Deus. Tocai o Shofar em Tsión, promulgai um jejum, proclamai uma assembléia solene. Reuni o povo, congregai a assembléia, ajuntai os anciãos, reuni os filhinhos e os que mamam no peito; saia o noivo da sua recâmara e a noiva do seu tálamo. Chorem os sacerdotes, ministros do Eterno, entre o pórtico e o altar, e digam: Apieda-Te de Teu povo, ó Eterno, e não entregues a Tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o Seu Deus? Então, o Eterno terá zelo por Sua terra, e Se compadecerá do Seu povo. E o Eterno responderá, e dirá ao Seu povo: Eis que vos envio o grão, o mosto e o azeite, e deles sereis fartos, e não vos entregarei mais ao opróbrio entre as nações. E o gafanhoto que vem do norte, Eu o removerei para longe de vós, e lançá-lo-ei numa terra seca e deserta; a parte da frente da nuvem de gafanhotos, lançá-la-ei para o mar oriental (mar Morto), e a parte posterior dela, para o mar ocidental; e subirá o seu mau cheiro e subirá o seu fedor; porque fez grandemente mal. Não temas, ó terra! Regozija-te e alegra-te, porque o Eterno fez grandes coisas. Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto e a figueira e a videira produzirão com vigor. E vós, filhos de Tsión, regozijai-vos e alegrai-vos no Eterno, vosso Deus, porque Ele vos dará a chuva na justa medida, e vos fará descer a chuva, a temporã e a serôdia, como outrora. E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de azeite. E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto, a locusta que rói a verdura, a que rói o grão e a que rói as frutas, os quais são o Meu grande exército, que enviei contra vós. E comereis abundantemente até fartar-vos, e louvareis o nome do Eterno, vosso Deus, O qual obrou para convosco maravilhosamente; e o Meu povo jamais será envergonhado. E vós sabereis que Eu estou no meio de Israel, e que Eu sou o Eterno, vosso Deus, e não há outro; e o Meu povo jamais será envergonhado.

Os Ashkenazim encerram aqui. Os Sefaradim continuam:

7 Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniqüidade, e passas sobre a transgressão dos que restam de Tua herança! Ele não detém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; segurará com força as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Torna realidade o que prometeste a Jacob, pois isto é a recompensa da bondade de Abrahão, que juraste a nossos pais desde os dias antigos.

Torá, A Lei de Moisés, pág. 598.
Ashkenazim: Oséias 14:2-10 e Joel 2:11-27 / Sefaradim: Oséias 14:2-10 e Miquéias 7:18-20

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Todo Israel será salvo

“Todo Israel será salvo” (Romanos 11:26)



Então Moisés entoou uma canção no Mar Vermelho e se regozijou em saber que todo o Israel estava a salvo. Nenhuma gota respingou daquela muralha até que o último filho de Israel tivesse colocado seu pé a salvo do outro lado do mar. Isso feito, imediatamente as águas se derramaram novamente em seu leito, mas não até então. Uma parte daquela canção dizia : "Com a tua beneficência guiaste o povo que salvaste" (Ex. 15:13a). Quando, pela última vez, os eleitos entoarem a canção de Moisés, o servo de Deus e do Cordeiro, a glória de Jesus será



"Não perdi nenhum dos que me deste." Não haverá lugar vago no céu.



"Pois a nação escolhida Se reunirá ao redor do trono, Bendirá a direção da Sua graça e tornará Sua glória conhecida."



Todos aqueles a quem Deus escolheu, a quem Cristo redimiu, a quem o Espírito chamou, todos aqueles que crêem em Jesus, cruzarão em segurança o mar dividido. Contudo, não estaremos todos em terra firme enquanto:



"Parte da multidão tiver cruzado as águas e outra ainda as estiver cruzando."



A vanguarda já alcançou a costa. Nós ainda marchamos pelas profundezas; seguimos firmemente nosso Líder no coração do mar. Tenhamos bom ânimo: a retaguarda em breve estará onde já está a dianteira; os últimos escolhidos em breve terão atravessado o mar, e então será ouvida a canção de triunfo, quando todos estiverem seguros. Mas, oh, se faltasse alguém - oh! se algum de Seus escolhidos naufragasse - haveria uma eterna dissonância no cântico dos redimidos, e as cordas das harpas do paraíso se romperiam, de modo que a melodia jamais poderia ser tocada.



Charles Haddon Spurgeon



Fonte: Morning and Evening (Devocional matutina do dia 21 de janeiro)


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O método de estudo bíblico de A. W. Pink

A. W. PinkNos meus primeiros anos eu assiduamente segui este triplo caminho:


* Em primeiro lugar, eu lia toda a Bíblia três vezes por ano (oito capítulos do Antigo Testamento, e dois do Novo Testamento diariamente). Eu constantemente perseverei nisso durante dez anos, a fim de me familiarizar com o conteúdo, que só pode ser alcançado através de consecutivas leituras.

* Em segundo lugar, eu estudei uma porção da Bíblia a cada semana, concentrando-me por dez minutos (ou mais) todo dia na mesma passagem, pensando na ordem dela, na ligação entre cada afirmação, buscando uma definição dos termos importantes, olhando todas as referências marginais, procurando seu significado típico.

* Terceiro, eu meditei sobre um versículo a cada dia, escrevendo-o sobre um pedaço de papel na parte da manhã, memorizando-o, consultando-o em alguns momentos ao longo do dia; pensando separadamente em cada palavra, pedindo a Deus para revelar para mim o seu significado espiritual e para escrevê-la no meu coração. O versículo era o meu alimento para aquele dia. Meditação é para a leitura como a mastigação é para o comer.

Quanto mais alguém seguir o método acima, mais deve ser capaz de dizer:

A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho' Sl 119: 105’"

- A. W. Pink, em Reformed Voices
Traduzido e publicado originalmente por: Vinícius Pimentel

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