terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bem Aventurados os Mansos

MansidãoBem Aventurados os mansos porque herdarão a terra (Mateus 5:5)


(...) No que consiste a mansidão? Penso que poderíamos sumariar a questão da seguinte maneira. A mansidão é, essencialmente, um autêntico ponto de vista que o indivíduo forma de si mesmo, o que é então expresso como uma atitude e uma conduta em relação ao próximo. Por conseguinte, consiste em duas coisas. Trata-se da minha atitude para comigo mesmo; mas também é uma expressão desse fato, em relacionamento com outras pessoas. Percebe-se, pois, quão inevitavelmente a mansidão deriva-se das qualidades de “humildade de espírito” e de “lamentação”.

Ninguém é capaz de ser manso, a menos que também seja humilde de espírito. E ninguém pode ser manso exceto se já se viu como um vil pecador. Essas outras características necessariamente surgem primeiro. Entretanto, se eu já percebi o que realmente sou, em termos de humildade de espírito e de atitude lamentosa, em vista de minha pecaminosidade, então sou levado a ver que é necessário que em mim não se manifeste o orgulho.

O indivíduo manso não se orgulha de si mesmo; não se vangloria a seu próprio respeito sob hipótese alguma. Pois sente que em si mesmo coisa existe que possa gabar-se. E também se deve entender que ele não faz valer seu direito. Como você deve estar percebendo, isso é uma negação daquela psicologia popular de nossos dias que nos recomenda “impor-nos aos outros” e expressarmos a nossa personalidade.

Aquele que é manso não quer fazer essas coisas; antes, envergonha-se delas. Por semelhante modo, o indivíduo que é manso não exige coisa alguma para si mesmo. Não considera todos os seus legítimos direitos como algo a ser exigido. Não faz exigências quanto à sua posição, aos seus privilégios, às suas possessões e à sua situação na vida. Não, mas assemelha-se ao homem retratado pelo apóstolo Paulo em Filipenses 2: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (vers. 5). Cristo não asseverou o Seu direito de igualdade com Deus; deliberadamente Ele não o fez. E você e eu temos que chegar a este ponto.

(...) Você deve estar lembrado de como Pedro exprimiu essa idéia em I Pedro 2, dizendo que nos cumpre seguir os passos de Cristo, “... o qual não cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (I Pedro 2: 22,23). Ser manso é usar de paciência e longanimidade, mesmo quando sofremos injustamente. Naquele capítulo, Pedro argumentou que não há vantagem alguma quando somos castigados por causa das nossas falhas, e então recebemos o castigo com paciência; entretanto, se praticamos o bem, e mesmo assim sofremos por causa disso, com toda a paciência, então isso é digno de encômios aos olhos de Deus.

Ora, isso é mansidão. Mas, além disso, ser manso significa que estamos dispostos a ouvir e a aprender; que fazemos tão pequena idéia de nós mesmos e de nossas capacidades que estamos prontos a dar ouvidos aos nossos semelhantes. E acima de tudo, devemos estar prontos a deixar-nos ensinar pelo Espírito, a deixar-nos guiar pelo próprio Senhor Jesus Cristo.

Martin Lloyd-Jones - Estudos no Sermão do Monte

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